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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta n.º 565: “Andam a tentar manipular, alegadamente, as próximas eleições legislativas de 2022.” - Parte III/III

Berta 565.jpgOlá Berta,

Termino, nesta terceira carta, a temática que tenho vindo a abordar, ou seja, que “Andam a tentar manipular, alegadamente, as próximas eleições legislativas de 2022.” Coisa que, dita assim, por quem é absolutamente contra teorias da conspiração, me angustia seriamente.

Terminei a última carta a falar-te da forma como o partido Livre, de Rui Tavares, foi alvo por parte das empresas de sondagens e dos grandes grupos da comunicação social de uma tentativa descarada de abafamento da sua legitimidade democrática. Ora, eu não tenho nada a favor ou contra o Livre, mas acho que não o referir nas sondagens, e exclui-lo previamente dos debates, foi uma jogada atentatória e clara de manipulação de resultados eleitorais e sobre esta, as provas não deixam quaisquer dúvidas.

Não tivesse havido reclamação, e sem a intervenção da Comissão Nacional de Eleições, o Livre estaria hoje fora dos debates televisivos. Todavia, a análise não se fica por aqui, pois há muito mais.

Com efeito, embora concentrando os votos da direita no PSD, esta última sondagem coloca o Chega quase à frente da CDU e do Bloco de Esquerda, e nomeiam este partido como estando na luta para poder vir a ser o terceiro maior partido nacional, pois anunciam estar em fase crescente. Mais uma vez num claro, enquanto alegado por mim, jogo de interesses em favorecer a direita do espectro político nacional.

Eu falo em manipulação das sondagens pela incongruência das mesmas. Se era possível, há dois meses, aceitar que o Chega pudesse ser a terceira força partidária nacional numa altura em que o PSD oscilava entre os 25% e os 29% nas intenções de voto, tal situação deixa de ser coerente com as próprias sondagens quando concentram os votos da direita no PSD. Quer isto dizer que não faz qualquer sentido, manter a força eleitoral do Chega num possível terceiro lugar, se for correto que o PSD está realmente a congregar as forças à sua direita.

A bota não bate com a perdigota. E a situação agrava-se quando a mesma sondagem mantém os votos do Iniciativa Liberal equiparados aos votos da CDU e do Bloco de Esquerda. A situação é simples, ou o PSD está mais forte, e as outras forças à sua direita perderam fulgor, ou inversamente o PSD continua fraco e os outros partidos à direita reforçam as suas posições. Agora, as duas coisas em simultâneo é um absoluto contrassenso político, que considero, mesmo que apenas no âmbito virtual, absurdo.

Na mesma perspetiva de análise, fazer baixar o PS e manter os níveis historicamente baixos da CDU e do Bloco de Esquerda, sofre da mesma estúpida deturpação das tendências eleitorais. É evidente que se o PS estiver mais fraco os votos à esquerda ganharão mais relevo e importância. Nada disto, querida Berta, faz sentido nas sondagens.

Veremos, aliás, se o Livre não vai aparecer novamente com um ou mais representantes eleitorais e se não supera até os votos do CDS, um partido (finalmente) que acredito estar certo nas análises das sondagens e, por isso, quase em vias de extinção no que à sua representatividade no parlamento diz respeito.

Ainda no campo puramente das sondagens, a manutenção do PAN dentro dos mesmos parâmetros de há dois anos, depois do partido ter perdido o seu carismático líder André Silva para a trapalhona Inês Corte Real, já envolta em várias polémicas que chegaram à comunicação social, parece-me propositado e mais uma vez a tentar justificar a descida do Partido Socialista.

Aliás, a sondagem da Pitagórica anterior a esta, tem mesmo o descaramento de apresentar o Chega como a terceira força nacional, para além de outras alarvidades que a realidade, mesmo com estas tentativas de manipulação, se encarregará de demonstrar.

Quando a mim, não é importante quem vença se o fizer de forma justa e embora eu me considere um homem de esquerda. O fundamental é que as eleições sejam transparentes.

Por hoje é tudo, querida Berta, despeço-me desta trilogia desejando-te umas Boas Festas, com tudo a correr pelo melhor. Por aqui, recebe o saudoso beijo do costume, deste teu amigo que nunca te esquece,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 564: “Andam a tentar manipular, alegadamente, as próximas eleições legislativas de 2022.” - Parte II/III

Berta 564.jpgOlá Berta,

Aqui estou eu a escrever-te sobre o tema de ontem e passo de imediato à segunda parte do tema. “Andam a tentar manipular, alegadamente, as próximas eleições legislativas de 2022.” Voltando à vaca fria, eu falava na possível manipulação das sondagens por parte das empresas que as realizam.

Porém, se eu estiver correto, a lei que regula estas empresas terá que sofrer grandes alterações para impedir tais manipulações e para que se deixe de usar os eleitores portugueses como simples marionetes de um jogo de interesses. Importa pois voltar à última sondagem da Aximage, e tentar ver o que dizem.

Segundo esta gente o PS e o PSD encontram-se agora, no momento presente, numa situação de empate técnico (com 35,4% e 33,2% de votos respetivamente), dentro das balizas da margem de erro da própria sondagem (3,44%) o que significa que qualquer um dos partidos poderia, eventualmente, vir a ganhar as eleições.

Ora, eu acho que estão completamente enganados e que tal informação é passível de influenciar a reação dos votantes à direita, canalizando votos para o PSD. Nada do que aconteceu no último mês e meio justifica uma aproximação tal de dois partidos, que há tão pouco tempo estavam separados por 12% nas intenções de voto. Mais ainda, considero que as sondagens têm, de uma forma quase que generalizada, vindo a aproximar estes partidos, gradualmente ao longo destes 45 dias, para chegarem às vésperas da campanha eleitoral neste preciso patamar.

Mais grave ainda, acho que vários grupos de comunicação social estão, velada e alegadamente, a favorecer esta tendência. Entre eles estão aqueles que dominam a SIC, a TVI, a CMTV, Renascença, TSF, ou os jornais, Correio da Manhã, DN, JN, Expresso, Observador, I, etc., pela forma como vão encandeando notícias e sondagens.

Para mim, que sempre fui contra as teorias da conspiração, esta conclusão é avassaladora e extremamente irritante. Porém, tive recentemente uma pequena prova de que posso não estar enganado, e foi ela que me fez despertar o alarme.

Estou a falar do complô, da combinação concertada das televisões generalistas, que pretendiam deixar fora dos debates eleitorais o partido Livre, que elegeu um deputado nas últimas legislativas, da mesma forma que as sondagens também o excluíram da análise eleitoral. Foi preciso a reclamação do Livre para a Comissão Nacional de Eleições para esta vir repor a legitimidade democrática da presença deste partido nos debates televisivos.

Por hoje é tudo e na próxima carta, querida Berta, que ainda tentarei enviar hoje, espero terminar esta abordagem que me tem consumido o juízo. Despeço-me com o carinho usual, deixando um beijo saudoso, este teu eterno amigo de hoje e de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: O Dia da Reflexão

Berata 454.jpg

Olá Berta,

Hoje é dia de reflexão. É algo que não existe nas outras democracias, mas que nós possuímos. Um dia consagrado nas leis eleitorais do nosso país para que o povo possa refletir em paz, aproveitando este ano, ainda mais, porque o confinamento pode ajudar o pensamento a atingir profundidades especiais e muito úteis neste momento atual.

Mas sobre o que vamos nós refletir? Será que o pensamento nos foge para os números galopantes da pandemia em Portugal? Sim, porque 274 mortos por Covid-19, num único dia neste país é uma barbaridade absoluta. Isso e o funesto número de 10.194 óbitos em terras lusas deste o início da pandemia. Pela primeira vez temos a certeza que, pelo coronavírus, acabamos de perder uma décima do total da população nacional. Assim sendo, com menos 0,1% dos portugueses entre os vivos, começa a ser palpável a mossa que a pandemia tem feito no país.

Iremos refletir se amanhã vamos ou não votar? Claro que votar é um dever cívico, mas confinar é já uma obrigação. Valerá a pena correr o risco? Eu, que por motivos pessoais confino há mais de um ano, acho que sim. Mesmo sendo um cidadão de risco vou ás urnas deixar a minha opinião. Todavia, isso sou eu, nem todos pensarão da mesma forma e com toda a razão e legitimidade, precisamente igual à minha que, ainda assim, me faz sair de casa.

Será que vamos refletir sobre se temos ou não cumprido com sensatez as regras do Estado de Emergência e deste último confinamento? Ou iremos mesmo refletir em qual dos 7 candidatos vamos votar?

No meu entender, minha querida Berta, devemos refletir sobre tudo o que já referi. Também acho que devemos mesmo ir votar. Mas entendo perfeitamente as alegações e os motivos de quem assim não pensa. A atual situação presta-se a todo um imenso e vasto campo de pensamentos contraditórios, onde dever, obrigação, medo e revolta têm lugar numa tribuna muito especial. O que posso pedir a cada um é que reflita primeiro e decida depois.

Com estas palavras se despede por hoje este teu amigo, até amanhã, dia de eleições e que não tenhamos surpresas desagradáveis. Já bastam as que nos têm invadindo as casas pelas notícias deste quotidiano sinistro e muito sombrio em tempos de frio e pandemia. Recebe um beijo, do mesmo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

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