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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Que Se Passa em Campo de Ourique - Entrevistas à Mesa do Café - II - Vitor Sarameco - O Homem da Bicicleta - Parte I

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Olá Berta,

Continuando a falar sobre “O Que Se Passa Em Campo de Ourique” na rúbrica que denominei de “Entrevistas à Mesa do Café”, resolvi entrevistar o “Homem da Bicicleta”, o senhor Vitor Manuel Fontes Rodrigues, vulgo Sarameco. Afinal, falei-te nele, por duas vezes, sem muito saber sobre a pessoa que circula, já lá vão vinte anos, no bairro, de bicicleta, dando música a quem o quer escutar.

Esta entrevista que realizei com o “Homem da Bicicleta” foi longa, divertida e esclarecedora sobre quem é esta personagem que conquistou o coração de todo o bairro. Daí advém o facto de ter de a dividir em duas partes para que não se torne demasiado longa. Vamos à primeira parte:

Sentámo-nos na esplanada do AZ de Comer. Pedi uma Superbock para mim e outra para ele. O homem tinha começado por pedir uma mini, porém, quando lhe disse que era meu convidado, optou pela Superbock normal. Sorri. Alegre, como sempre, o Vitor tinha alguns esclarecimentos para me fazer que considerava serem importantes.

Um amigo tinha-lhe mostrado as duas cartas que te escrevi e que publicara, sobre ele, no Facebook. Ora, ele fazia questão de me informar que não se chamava Victor com “c”, com a gente fina, mas sim Vitor sem “c”, como era normal entre a gente do povo, como ele, que não precisava do nome escrito à francesa.

Quanto à alcunha de “Sarameco”, ela nascera no tempo em que, em criança e adolescente, jogara à bola no Sport União Fonte-Santense, atualmente designado por Sporting União Fonte Santense e sediado na Rua Possidónio da Silva 35A, 1350-248 Lisboa.

Por essa altura, rondaria ele os 15 anos de idade, ou até um pouco menos, havia nesta associação um jogador da equipa principal, uns sete ou oito anos mais velho, a quem os colegas e amigos chamavam de Sarameco. Quando o Vitor começou a dar nas vistas do futebol do clube, nos escalões mais jovens, era muitas vezes comparado com o tal jogador do primeiro time.

Fisionomia, forma de jogar, camaradagem, timidez e boa disposição, tudo nele lembrava aos outros o Sarameco original. A saída deste da coletividade acelerou mais ainda a transição e herança da alcunha. Fora assim que, por tudo isto, um Sarameco dera lugar a outro Sarameco. O nome colou e de tal forma que, 43 anos mais tarde, continua a haver quem apenas o conheça pela alcunha e nem sequer saiba da existência do seu nome verdadeiro: Vitor. Coisas de bairro.

Ora o Vitor, minha querida amiga Berta, é apenas um ano e meio mais novo do que eu e, ao contrário de mim que só me apaixonei por Campo de Ourique há 13 anos, ele é um produto do bairro onde nasceu há 58 anos, no dia 24 de abril de 1963, em casa, na Vila Amorim, uma habitação situada na Rua Maria Pia, uns cento e cinquenta metros acima da meia laranja, para quem sobe esta rua. Atualmente vive na Rua Francisco Lacerda, outra rua do nosso bairro de Campo de Ourique.

Tem três filhos, de 26, 28 e 30 anos, os quais teve de criar sozinho com a ajuda dos progenitores, pois que a esposa fugiu de casa, no início do milénio, para não mais voltar, deixando-lhe a árdua tarefa de fazer vingar três crianças com idades aproximadamente entre os dois e os seis anos. Atualmente vive feliz com o pai e a madrasta (a mãe, essa, já se encontra no reino dos céus faz algum tempo).

Dos descendentes apenas um se mantém a viver em Portugal, lá para os lados da outra banda, em Almada. Os outros dois a vida fê-los emigrar, desde o tempo em que Passos Coelho aconselhava a saída dos portugueses em dificuldades da sua terra natal, para a Bélgica, onde se instalaram na cidade de Antuérpia, na senda da sobrevivência.

Amanhã termino esta carta, minha querida Berta, sobre este “Homem da Bicicleta” que tão facilmente nos aquece o coração. Por hoje despeço-me com um sorriso, este teu amigo que nunca te esquece e com quem podes contar para o que der e vier,

Gil Saraiva

 

 

 

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