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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Novos Infetados - 14.647 - Mortos - 219 - Às Costas de Costa

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Olá Berta,

14.647 novos infetados e 219 mortos por Covid-19, são os novos dados de hoje em terras lusas. Um número absolutamente impensável ainda no mês passado, antes do ano ter terminado. É por causa de coisas como esta que eu digo muitas vezes, e neste caso infelizmente, que a realidade é sempre capaz de nos surpreender mais, muito mais do que qualquer possível ficção.

Embora até aqui eu tenha, na grande maioria dos casos, defendido a atuação do Governo, começa a ser-me difícil compreender porque é que este não adota uma política de transparência imediatamente. Eu sei, cai bem dizer que se está preocupado com a formação das crianças e dos jovens e com o seu futuro. É um facto bonito, constitucional e cheio de valores.

Porém, não é por esse motivo que António Costa não fecha as escolas. Costa não quer o confinamento geral porque o Estado Português anda no limite do seu endividamento e já não tem dinheiro para pagar (e mal) um confinamento total, ou, mesmo que tenha, irá ter que o ir retirar a outro lado onde depois não o conseguirá repor nunca mais.

Minha querida Berta, se é preciso confinar que se confine e já, escolas e tudo. Que se passe a revelar os números da pandemia por freguesia, com honestidade e transparência. É tempo de o Estado agir com integridade e esquecer o poleiro.

Se depois faltar dinheiro ou se tivermos de ir para eleições antecipadas, porque o Governo se torna impopular, iremos. Não é possível é continuar a agir com meias-tintas que pouco ou nada conseguem resolver. O António tem de ser frontal e o que vier veio, ele até já tem umas costas largas, pode bem com mais este fardo.

Por hoje, deixo-me ficar com este desabafo. Eu sei que tu me compreendes, cara Berta, e que entendes a minha frustração com a falta de frontalidade do poder que nos governa. Despede-se este teu amigo, com um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Transparência

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Olá Berta,

Não queria falar da pandemia tão depressa, ando cansado de tanta notícia em redor de um assunto deprimente e grave que parece não ter fim à vista. Estou farto de olhar para os quadros mundiais e oficiais da pandemia e de ter a certeza absoluta que não correspondem à verdade.

Por este ou aquele motivo os governos, em todo o globo, mentem descaradamente no número de infetados e nos óbitos. Hoje li um artigo numa revista científica que sigo há muitos anos que o mundo apenas conhece 10% da verdade. O sujeito, um cientista de carreira sólida e respeitável dava vários exemplos dos 4 cantos da terra, ou seja, a ser verdade, e eu concordo com a opinião dele, existem 200 milhões de infetados no planeta e cerca de 8 milhões de mortos provocados pela pandemia. Contadas as mortes indiretas os números sobem para os 15 milhões.

Parece irreal, afinal, nos óbitos, os números do estudo são 20 vezes superiores aos oficiais. Contudo, tem toda a lógica. Os dados divulgados apenas têm por fundamento manter os povos em alerta, sendo o suficiente para que as pessoas se preocupem e tomem alguns cuidados no combate ao vírus. Contudo, dar informações mais reais e fidedignas seria bem capaz de gerar o caos. Ora esse descontrolo provocaria um acelerar ainda mais drástico e sério do coronavírus. Rapidamente os números voltariam a decuplicar.

Ora, ninguém quer algo assim. O ser humano quando se sente verdadeiramente ameaçado, e a uma escala global, facilmente se torna básico e regressa ao uso sistemático dos instintos mais primitivos. A devastação provocada por esta reação seria mais mortífera e penalizadora do que 5 pandemias juntas. Em termos civilizacionais o retrocesso seria de séculos. Podendo levar o planeta a níveis pré-industriais. Um verdadeiro horror.

Por isso me irrita quando vejo os nossos líderes a falar de transparência. Qual transparência? Se fossem transparentes a informar, toda a gente sabia o verdadeiro número de casos, testes e óbitos, e estes seriam publicados freguesia por freguesia, diariamente, para que dúvidas não existissem. Isso sim, era transparência. Tudo o resto é areia junto a uma ventoinha.

Temos, aqui ao lado, o exemplo espanhol. Durante 4 dias não divulgaram nem o número de infetados, nem mesmo o número dos óbitos. Depois, quando retomaram os dados com os totais nacionais, “esqueceram-se” de incluir os da Catalunha, que ficaram à parte e são quase tantos como o resto de Espanha. A realidade é que os nossos vizinhos estão quase de regresso às 6 mil infeções por dia. Uma estratégia absurda para não perder turistas, que, mais dia menos dia, ainda os fará ter consequências bem piores do que as que querem evitar servindo-se de mentiras e falsos problemas informáticos.

Na Venezuela, na Bielorrússia ou na Hungria, os números são trabalhados de forma a parecer que os regimes têm tudo minimamente controlado e que os sistemas de saúde funcionam. Uma imensa mentira. No Brasil, 30% dos óbitos são declarados, com o conluio das autoridades, como pneumonias, para os cidadãos da classe média ou superiores possam receber os devidos seguros de saúde, que não abrangem as mortes por Covid. Na Rússia e no Reino Unido os números viram armas políticas destinadas a proteger a política externa desses países.

Enfim, por todo o lado, mas mesmo por todo o lado, a pandemia serve os regimes, os governos, o poder e só depois se tenta proteger o povo. Basta ver que a Índia apenas faz 20% dos testes por milhão de pessoas, dos que se realizam, por exemplo, em Portugal. Eles não querem, com medo do caos, sequer saber a verdadeira dimensão da tragédia no seu imenso país. É triste, mas é assim que tudo tem vindo a funcionar.

No nosso caso, a situação agravou a depressão das pessoas e o Victan, medicamento contra os sintomas ansiosos ou a própria ansiedade desapareceu do mercado e, o Infarmed já veio anunciar que o seu regresso não está previsto, senão para outubro ou novembro. Algo muito grave quando se sabe que quase 2,5 milhões de portugueses consomem o fármaco com regularidade. Numa altura destas, até o acesso à calma está condicionado pelo mercado, o que é vergonhoso.

É com um beijo triste que me despeço, querida amiga Berta. Espero não voltar proximamente a estes temas, mas é triste de ver o que se passa à nossa volta. Este teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

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