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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Certificado Digital Covid - Vergonha e Incompetência!

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Olá Berta,

Hoje e mais uma vez, infelizmente, venho falar das trapalhadas do Ministério da Marta. A culpa do mau serviço pode não ser diretamente da Temido, mas temo que se fique pela esfera da sua ação e dos seus procedimentos. São quatro os problemas com que me vi pessoalmente confrontado nos últimos tempos. Penso que todos eles se prendem com a disfunção tática da Direção Geral de Saúde.

Com efeito, a DGS, liderada pela alegada barata tonta da senhora, dita doutora, Graça Freitas, não só parece autista na maneira como comunica com o país, sem qualquer desprimor para quem sofra de autismo (pois a comparação apenas pretende demonstrar a falta de clareza em comunicar e em atuar em certas situações por parte da DGS, que é bem mais disfuncional do que qualquer autista, que não tem culpa de ter uma tal enfermidade), como é incapaz de resolver os diferentes problemas com que, ao longo da pandemia, se vai defrontando.

No decorrer das próximas cartas vou-te, minha querida amiga, descrever cada um deles, porque não é fácil inclui-los todos na mesma missiva sem me tornar maçador. O problema que hoje abordo é o do Certificado Digital Covid, e a sua emissão em Portugal. Nas outras cartas falarei do homicídio por negligência, do auto agendamento e dos adiamentos aos pacientes não Covid na área da saúde.

É do conhecimento de todos que, tendo o Governo de Portugal aderido ao Certificado Digital Covid proposto pela União Europeia, já existe inclusivamente site (https://www.sns24.gov.pt/servico/obter-certificado-digital-covid-da-ue/) para baixar o respetivo certificado, o qual, engloba três possíveis situações:

1) Certificado de Vacinação - Comprova que o cidadão foi vacinado contra a COVID-19. - A emissão dos certificados de vacinação contra a COVID-19 é efetuada de acordo com a orientação 007/2021 de 15 junho de 2021 da DGS.

A) Caso o seu certificado não apresente ainda a última dose recebida de determinada vacina, deve repetir o pedido após 48 horas.

B) Caso tenha tido COVID-19 antes da administração de uma dose de determinada vacina e por esse motivo complete o esquema vacinal com apenas uma dose, nas situações em que o mesmo habitualmente se completa apenas com duas doses, o seu certificado de vacinação ainda apresentará o esquema vacinal de duas doses durante esta fase piloto.

C) Até ao dia 1 de julho de 2021 (data da produção integral de efeitos dos Regulamentos (UE) 2021/953 e 2021/954, ambos de 14 de junho) o certificado passará a identificar de forma clara que o esquema vacinal, nestes casos, se completa apenas com uma dose, sugerindo-se que proceda à repetição do pedido de emissão após aquela data.Certificado de Testagem - Comprova que o cidadão realizou um teste à COVID-19. - A emissão dos certificados de testagem à COVID-19 é efetuada de acordo com a orientação 007/2021 de 15 junho de 2021 da DGS.

2) O certificado de testagem de testes rápidos de antigénio (TRAg) estará disponível a partir de 1 de julho de 2021 (data da produção integral de efeitos dos Regulamentos (UE) 2021/953 e 2021/954, ambos de 14 de junho).

3) Certificado de Recuperação - Comprova que o cidadão recuperou da COVID-19. - A emissão dos certificados de recuperação da COVID-19 é efetuada de acordo com a orientação 007/2021 de 15 junho de 2021 da DGS.

A) O certificado de recuperação tem validade de 180 dias a partir da data do teste positivo à COVID-19.

Até aqui tudo está bem e parece perfeitamente bem estabelecido e organizado. O Governo prepara-se inclusivamente para usar estes certificados chamados conjuntamente de: Certificado Digital Covid, como documento comprovativo suficiente para se poder sair de uma cerca sanitária, como a que atualmente acontece ao fim-de-semana na zona de Lisboa e Vale do Tejo.

Para além disso, também se prevê que possa ser usado não apenas nas viagens dentro da União Europeia, como sirva de atestado sanitário para participação em eventos ou frequência de certas áreas e espaços que necessitem de maior controlo sanitário dentro do território nacional.

As explicações no site sobre o certificado e cada uma das vertentes são mais completas e elaboradas, porém, amiga Berta, se quiseres saber mais basta seguires o endereço que referi no quarto parágrafo, pois estão lá todas as explicações necessárias.

Ora, conforme pudeste verificar, até este momento tudo parece bem feito e um produto com a qualidade que se espera de uma organização estatal como a DGS. Todavia, é no momento em que se acede ao pedido do Certificado Digital Covid que tudo muda de figura. Na página, que já te referi, um quadrado verde, com letras brancas, anuncia o acesso ao documento com os seguintes dizeres: “Obter o Certificado Digital Covid”.

Eu entrei e cliquei na primeira opção (a da vacinação). De seguida, no formulário presente inscrevi nome e número de utente do SNS. Comecei pelo da minha mulher-a-dias que me tinha pedido ajuda para o obter, o serviço enviou um código para ser inserido numa nova janela por sms (e também por email), coisa que fiz e, dois minutos depois, já lhe estava a entregar o devido certificado impresso. Seguidamente tentei o meu e a desgraça começou.

Tudo correu bem até ao pedido do código de confirmação por email e sms. O problema foi que o sistema não enviou o código respetivo. Nem desta vez, nem das 23 vezes que tentei obtê-lo nos últimos três dias. Liguei para o número de apoio do SNS24 e, à terceira insistência, um rapaz do “call center”, mandou-me clicar na opção cinco, que não é referida na gravação automática, mas que é (secretamente) a opção dos serviços administrativos relacionados com o site, segundo me confirmou o senhor João Mendonça do serviço de atendimento.

Tudo porque, dizia-me ele, o próprio site tem uma ressalva nas opções finais, para insistir no envio do código quando ele não é enviado automaticamente. Visto isso também nunca ter resultado comigo vez nenhuma, teriam de ser os serviços administrativos a resolver o problema. Agradeci, satisfeito por encontrar, por fim, uma solução para o meu problema, marquei o 808 24 24 24, ouvi a voz gravada da menina e cliquei na opção 5, não anunciada no registro da gravação. A chamada foi estabelecida.

Depois de expor o meu problema, o número de tentativas efetuadas e todos os passos dados, fui informado por um simpático brasileiro de que, assim sendo, o serviço administrativo não podia fazer mais nada. A solução, se precisar mesmo do certificado, dizia-me ele, era continuar tentando até que a coisa resulte. “- Da nossa parte o processo não tem mais seguimento.” - afirmou.

Verdadeiramente incomodado com a situação, resolvi tentar saber se aquilo só tinha acontecido comigo, se era invulgar ou se acontecia com muito mais pessoas. Liguei para 21 dos meus contactos, pessoas que já sabia terem a vacinação completa. Para meu espanto (exceto dois que tinham os telemóveis desligados), dos dezanoves contactados, todos já tinham pedido o Certificado Digital Covid. Porém, apenas oito o tinham conseguido receber e imprimir.

Assim sendo, desta pequena amostra, apenas 40% dos utilizadores dos serviços tinham conseguido obter o Certificado Digital Covid. Todos os outros estavam na mesma situação que eu, sem saberem o que fazer e a quem recorrer. Uma coisa inadmissível.

Conforme podes constatar, minha querida amiga Berta, sempre que entra em ação a mão humana e a coordenação da Direção Geral de Saúde o resultado é como que o de uma lotaria. Se tivermos sorte temos prémio, se o azar nos bater à porta, temos pena. Com esta observação me despeço até à próxima carta, este teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: A Arte de Desconfinar com CUPIDO

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Olá Berta,

“Portugal é o país da União Europeia com menos novos casos diários de infeção por SARS-CoV-2 e continua entre os com menos mortes por milhão de habitantes nos últimos sete dias, segundo o site estatístico Our World in Data”, divulgado hoje pelo site nacional “Notícias ao Minuto”.

Ainda, segundo as mesmas fontes: “Desde a semana passada, Portugal desceu em número de novos casos por milhão de habitantes para 32,29, muito longe do país em pior situação, Chipre, com uma média de 499 novos casos diários.” Por fim, pode-se ler ali também que: “Em relação à média de mortes por milhão de habitantes atribuídas à Covid-19 nos últimos sete dias, Portugal aumentou ligeiramente na última semana de 0,17 para 0,21, igual à Finlândia e quatro centésimas acima da Dinamarca, que é o país com a média inferior.”

Tudo isto é muito bonito, principalmente se nos lembrarmos do passado mês de janeiro, em que vertiginosamente atingimos o topo no ranking dos piores países do mundo em termos de pandemia. A grande questão é saber como conseguimos este feito de passar do pior país do mundo, no que à Covid diz respeito, para o ranking dos melhores em apenas dois meses. Há quem fale na vacinação eficaz, nas medidas de confinamento implantadas, da sensatez dos portugueses ou da agilidade da nossa DGS. Tudo treta.

A recuperação de Portugal ficou a dever-se, isso sim, à implantação de um método transparente, e de fácil perceção pelos cidadãos, de gestão da pandemia. Este novo processo de confinar ou desconfinar, dividido por várias fases, cada uma delas com objetivos específicos, e acompanhado por gráficos da evolução dos parâmetros adotados, permitiu o entendimento total do problema pela generalidade da população.

A reforçar a ideia, a possibilidade de os concelhos avançarem ou regredirem no confinamento, consoante o seu comportamento face ao padrão adotado, implementou responsabilidade e união em torno de objetivos comuns, ou seja, o povo sabe comportar-se se as coisas lhe forem devidamente explicadas.

É claro que a vacinação competente, o aumento do rastreio, a maior dinâmica no acompanhamento dos surtos e o grande acréscimo da testagem, também contribuíram para o sucesso, mas nada teria sido conseguido sem a implementação deste espetacular método.

Na elaboração do esquema o Governo optou, e muito bem, por criar limites aos desconfinamentos que, há data da sua implementação, eram metade dos exigidos na União Europeia, ou seja, 120 casos por cem mil habitantes, por concelho, para períodos de 14 dias, face aos 240 adotados na maioria dos países europeus e recomendados pela EMA. Uma jogada inteligente que cedo deu frutos.

Aliás, se registássemos a patente deste método, sem sermos líderes no âmbito da inteligência artificial, nem mesmo sermos produtores de qualquer tipo de vacina para a Covid-19, veríamos facilmente a importância do valor acrescentado que Portugal deu no combate a este flagelo, que não para de fazer vítimas em todo o mundo.

Fora de brincadeiras e de patentes, aplicar na Índia o método luso, poderia ajudar mais os indianos a recuperar do que qualquer ajuda material que Portugal consiga dar a este povo com quem tem laços seculares. Aliás, o mesmo se poderá dizer relativamente ao Brasil e a muitos outros países do mundo, em que as populações não conseguem compreender porque é que os seus governantes mandam confinar e desconfinar sem uma explicação evidente.

Portugal foi inovador na criação de um sistema eficaz e fácil de compreender, composto por parâmetros ambiciosos e por consequências de desvios ao plano imposto. Foi tão inovador que lhe deveria, no meu entender, minha querida amiga Berta, dar-lhe um nome.  Talvez CUPIDO (Criação Única de Processos Interativos de Desconfinamentos Organizados). Tal como o deus do arco e flecha que leva amor aos corações dos amantes este CUPIDO transporta, com provas dadas, a saúde aos lares de todo o pais, sendo radicalmente eficaz no combate à pandemia. Viva CUPIDO! Por hoje é tudo, deixo um beijo e a promessa de escrever em breve, recebe ainda um grade abraço deste amigo de todos os dias,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Não Se Aponta Que É Feio

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Olá Berta,

Tenho visto e ouvido imensa gente a criticar o Governo por andar a fazer poucos testes. Seja na Assembleia da República, por parte dos partidos da oposição, seja na imprensa escrita e, mais assertivamente nas redes sociais, que quase que espumam de raiva reivindicativa pela testagem em falta. Eu que aponto o dedo à atuação dos nossos líderes, sempre que me parecem que eles escorregam nos seus deveres, também gosto de ter a noção de que as críticas que faço são minimamente justas.

Nestas coisas sobre o que o SNS anda a fazer a mando da DGS eu acho importante que se tenha em atenção dois pontos fundamentais: o rácio de testagem realmente efetuada, desde que a pandemia começou, por milhão de habitantes e a comparação com os países que têm a mesma ou maior população que Portugal.

O primeiro critério é evidente porque não faz sentido fazer comparações sem ser pela percentagem de testes realizados desde o início por cada milhão de habitantes, o segundo ponto é ainda mais importante porque não acho justa a comparação nacional com países ou territórios de menor dimensão populacional, como por exemplo o Mónaco, o Luxemburgo ou Andorra, que, dada a sua pouca população, atingem grandes percentagens por milhão de habitantes com meia dúzia de testes, porque a comparação se torna ridícula.

Ora, analisemos, portanto, quais e quantos são os países e os territórios que, com igual ou superior dimensão populacional e desde que as testagens começaram, têm mais testes por milhão de habitantes que Portugal. Serão muitos? Estaremos assim tão na cauda da testagem como se afirma? Devo confessar que eu não sabia, mas resolvi consultar as testagens em todo o globo e compará-las connosco, fazendo uso dos critérios já referidos. Para tal usei os dados da OMS e do site do “Worldometer”, que é muito usado para avaliação dos dados da pandemia.

República Checa, Bélgica, França, Reino Unido e Estados Unidos da América, são os cinco, e únicos, países do mundo que, tendo uma população igual ou superior à nossa, já fizeram mais testes por milhão de habitantes que Portugal, desde que a pandemia começou. Ora, vistas as coisas por este prisma objetivo, não se pode dizer que estamos na cauda seja lá do que for no que à testagem diz respeito.

Pelo contrário, fica demonstrado que testamos mais do que Espanha, Itália, Holanda, Alemanha, China, Rússia, Índia, Brasil, México, Canadá, Austrália, só para enunciar alguns dos países que esperaríamos encontrar mais avançados do que nós. Para cúmulo desta análise, devido ao elevado aumento da testagem nacional, e a manter-se este ritmo, dentro de menos de 30 dias, estaremos no top 3, o que não me parece um lugar de envergonhar quem quer que seja, por mais voltas que se tentem dar aos números.

Vergonha, é a palavra certa a aplicar a todos estes críticos de barriga cheia e de língua solta e viperina, que nem se dignam a consultar as tabelas oficiais antes de botarem discurso. Vir criticar o Governo, porque num período de sete ou quinze dias se fizeram menos testes que o normal, tendo em conta o universo de quase 16 meses, é como criticar a Telma Monteiro, honra e glória do judo português, por ter faltado a um treino quando, mesmo assim, sempre atingiu o pódio de cada vez que participou em campeonatos internacionais da sua modalidade. Haja bom senso e moderação.

Se querem criticar os nossos governantes atirem-lhes à cara com o abandono discriminatório, e quase xenófobo, a que os circos e as atividades circenses foram votadas desde o início da pandemia, por exemplo, no que se refere ao apoio a um setor da cultura totalmente desprezado pelo Governo, que os proibiu de exercerem a sua atividade, desde que a pandemia teve início há 16 meses. Aqui sim, há razões para indignação e vergonha, mas há mais exemplos como este, muitos mais.

A crítica, a ser feita, deve ser objetiva, assertiva e construtiva. Falar por falar fica ridículo e põe em perigo quem realmente precisa de apoio. Por hoje é tudo minha querida amiga, recebe um beijo de despedida e sempre saudoso,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: A Propósito de Uma Pandemia

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Olá Berta,

Ando aborrecido com esta pandemia. Por um lado, a quantidade de gente no mundo que já morreu por causa direta, e devidamente registada, devido à Covid-19 é algo que está para lá do aceitável. Também me aborrece ter a certeza que amanhã Portugal ultrapassa, a contar desde o início desta praga, os 800 mil infetados com o coronavírus, ou seja 8% da população, uma verdadeira tragédia. É um em cada 12,5 portugueses que já foram afetados pela ameaça do “bicho mau”. Um horror.

Por outro lado, é certo que quando a morte não bate numa porta próxima de nós a situação nos parece vaga e genérica, contudo, só para ficares com uma ideia, minha querida Berta, imagina que todas as mortes provocadas pelo coronavírus tinham acontecido em Portugal, durante este último ano.

Se assim fosse, e se fossemos somando concelho a concelho até atingirmos o número total de mortos, o cenário era o equivalente a morrerem todas as pessoas, incluindo crianças e bebés, nos seguintes concelhos do país: Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Funchal, Ponta Delgada, Aveiro, Leiria, Viana do Castelo, Beja, Évora, Setúbal, Braga, Viseu, Vila Real, Covilhã, Castelo Branco, Ponte de Lima, Bragança, Guarda, Portalegre, Santarém, Entroncamento, Loulé, Tavira, Espinho, Almada e Oeiras.

Toda esta gente somada perfaz o número de vítimas por Covid no mundo, desde que a pandemia começou até hoje, somando um total de dois milhões e meio de pessoas. Uma verdadeira barbaridade.  Tudo isto sem contar com as mortes em excesso devido às dificuldades económicas ou às doenças que ficaram por tratar.

As estimativas aproximadas parecem indicar que desde que a pandemia teve início o mundo perdeu, para além da média anual de óbitos no globo, uma população equivalente à de Portugal, ou seja, se todas as mortes em excesso, desde março de 2020 até fevereiro de 2021, tivessem ocorrido em Portugal, o país já estava dado como extinto.

É este absurdo que mexe com a minha estabilidade emocional. Porque raio é que uma coisa destas tem de acontecer? Quase parece que o planeta quis mostrar aos humanos aquilo de que é capaz de fazer se o desafiarem. Estás a ver, minha querida amiga, estou nostálgico e chato. Já basta de te aborrecer. Não te preocupes que isto passa. Recebe um beijo amigo de até amanhã,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Mercado de Campo de Ourique Fecha Devido a Covid

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Olá Berta,

O Mercado de Campo de Ourique fechou hoje devido à Covid-19. Aparentemente um funcionário da limpeza acusou positivo na quinta-feira, o que levou a junta de freguesia e a Câmara Municipal a fecharem o mercado ao público para poderem proceder durante o dia de hoje à desinfeção do espaço, por intermédio dos operacionais do Regimento dos Sapadores Bombeiros de Lisboa.

As informações foram dadas à Lusa pelo não eleito Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, o senhor Pedro Costa, filho do atual Primeiro Ministro. Segundo relatou a decisão de encerrar o espaço para descontaminação foi tomada em articulação com a Câmara Municipal de Lisboa, através do vereador da Câmara, responsável pela proteção Civil, Miguel Gaspar.

Devido ao encerramento brusco a Câmara Municipal decidiu indemnizar os comerciantes do mercado de Campo de Ourique pelas perdas das mercadorias de hoje. Contudo, devido à descontaminação não se sabe, até ao momento se o espaço reabrirá ou não já este sábado.

Aliás, no decorrer das declarações à Lusa, Pedro Costa, declarou: "Tudo depende dos contactos agora dos responsáveis da Saúde que estão a fazer o inquérito epidemiológico. Sei que se tratou de um funcionário do mercado, mas não sabemos agora os contactos que teve".

O atual presidente da junta informou ainda que poderão haver comerciantes identificados, devido aos contactos com o funcionário infetado, que terão de ficar em isolamento profilático. Adiantou ainda este responsável que a autarquia tem funcionários que poderá fazer deslocar para o mercado em caso de necessidade, para que este volte a abrir.

A operação de hoje envolveu duas viaturas do Regimento dos Sapadores Bombeiros de Lisboa, mais as da Proteção Civil e da Polícia Municipal. Ao todo, pelo que consegui contabilizar, minha querida Berta, a mobilização para estas ações envolveu uma força mista de 16 elementos. Sabes, minha querida, o mercado de Campo de Ourique é um daqueles espaços que dá vida ao bairro e é constrangedor vê-lo fechado, principalmente na zona das bancas de venda do peixe, onde a tradição ainda se sente na plenitude. Por hoje fico-me por aqui, recebe um beijo amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

 

Carta à Berta: Reino Unido Decide Vacinar Imigrantes Ilegais

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Olá Berta,

Sem querer sequer ser controverso eu sempre tive a noção que os britânicos, principalmente os ingleses, são tradicionalmente dos povos mais racistas que eu conheço. Porém, eu que adoro, como sabes, andar de chapéu hoje tiro-o ao Primeiro-Ministro Boris Johnson. Faço-o porque, segundo notícia do Jornal de Notícias quer os imigrantes ilegais quer os indocumentados no Reino Unido vão ter o direito de ser vacinados gratuitamente contra a pandemia, sem serem obrigados a provarem que têm direito de residência ou visto para se encontrarem no Reino de Sua Majestade, segundo o que anunciou, ontem o Governo britânico à comunicação social.

A divulgação foi acompanhada do seguinte discurso, traduzido pelo JN: "As vacinas contra o coronavírus serão oferecidas gratuitamente a todos os que vivem no Reino Unido, independentemente de seu estatuto de imigração. Os que estão registados com um médico de família serão contactados o mais rápido possível e estamos a trabalhar em estreita colaboração com parceiros e organizações externas para contactar aqueles que não estão registados e garantir que tenham acesso à vacina”.

Aliás, embora o Ministério do Interior tenha acesso a certos dados sobre os pacientes registados em centros de saúde do sistema nacional, o Governo fez questão de avisar os seus funcionários que a vacinação e igualmente a testagem (e ainda o tratamento contra a Covid-19) não estariam sob a alçada da necessidade de controle de vistos.

Porém, porque o seguro morreu e velho, a organização representante dos médicos, a British Medical Association, pediu a devida suspensão da transmissão de informações sobre estes imigrantes durante a pandemia, bem como uma comunicação "clara e ampla" da medida. O diretor britânico da comissão de ética da ordem dos médicos, afirmou inclusivamente que: "Para que a campanha de vacinação seja um sucesso, é fundamental que o maior número possível de pessoas seja vacinado". Acrescentando que a sua preocupação vai para o impacto da Covid-19 no seio das minorias étnicas existentes no Reino Unido.

Ora, sendo verdade que o país já leva mais de 112 mil mortes desde que a pandemia teve início, sendo aquele que maior número de óbitos tem na Europa e estando em quinto lugar no mundo em termos absolutos, o que importa no momento é que a vacinação seja um sucesso.

Para isso, a atual campanha de vacinação de larga escala, envolvendo meios que vão desde o exército, passando pelos profissionais de saúde, até aos milhares de voluntários que ajudam neste complexo processo, procurou trabalhar com a finalidade de se conseguir uma ampla vitória neste que é um projeto de gigantes.

Este raciocínio já permitiu administrar uma primeira dose a mais de 12 milhões de pessoas, mas as autoridades temiam que pudessem existir categorias da população que não fossem vacinadas por desconfiança, especialmente entre as minorias, o que levou às declarações prestadas ontem pelo Primeiro-Ministro, Boris Johnson.

Se todo este processo for sério e honesto, eu, minha querida Berta, não apenas tiro o chapéu a Boris, como quase me proponho a comê-lo a seco, embora o chapéu custe a digerir, tal é o meu grau de espanto. Nada mais há a dizer, a não ser que a história me provará se devia ter ou não mastigado o ornamento craniano. Despede-se com um beijinho o teu amigo, repleto de saudades,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Covid em Dia dos Namorados

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Olá Berta,

Faltam oito dias para o dia de São Valentim, o Dia dos Namorados. São tempos estranhos estes que vivemos. Tão estranhos que não me lembro de os ver relatados sequer na ficção. Em Portugal, pela primeira vez desde que tenho memória, não se recomenda a troca de beijos nem mesmo o famoso abraço apertado entre pessoas que se amam.

É claro que, para quem já vive no mesmo domicílio em comunhão de leito com o amor da sua vida, estas recomendações não se aplicam e apenas são recomendados alguns conselhos especiais, sobre as atividades antecedentes aos mimos, por parte de cada um dos elementos do casal. Por exemplo, são desaconselhadas partilhas de intimidade com elementos estranhos ao casal. Entre outras recomendações mais ou menos bizarras.

Contudo, para aqueles que ainda se encontram na fase de namoro (propriamente dita), ainda sem partilha de um teto ou uma cama de forma permanente e continuada, é que as coisas se tornaram quase absurdas. Se em janeiro de 2020 alguém dissesse que se iria pedir a um casal de namorados para não se abraçarem ou beijarem, já para não falar de partilhas mais íntimas, seria chamado de lunático, idiota ou pior ainda, seria insultado com aquela forma, tão em voga nas redes, impregnada de essências viperinas e carregada de insultos e impropérios dos mais variados.

Porém, é isso mesmo que está a acontecer este ano. Aos namorados é recomendado que façam uso do distanciamento social e que se evitem mutuamente, quer não partilhando beijos, mãos dadas ou abraços de modo a ajudarem, com a sua atitude a prevenir a propagação da famigerada pandemia.

Só falta mesmo alguém ter a ideia brilhante de criminalizar o abraço, o beijo e a mão na mão, para que se atinja o cúmulo da paranoia “covidiana”.  Mas já há quem defenda que, estes namorados (os que ainda não coabitam juntos) só troquem mimos, seja de que ordem for, se ambos estiverem testados e dados como negativos no que concerne ao coronavírus.

Agora experimentem imprimir alguma lógica a isto quando se dirigem a um casal na casa dos 13 aos 17 anos, por exemplo, seja este constituído ou não por heterossexuais, mas ambos com as hormonas aos saltos e em ponto de ebulição, sem serem, devido a essa mensagem, tratados com o devido escárnio por parte dos visados.

É que, principalmente para os jovens e com maior enfase nos adolescentes, é inconcebível que lhes seja solicitado que evitem os impulsos e as interações amorosas próprias destas idades tão especiais. É o tempo deles. Aquele tempo que recordarão para toda a vida com a famosa expressão “no meu tempo”.

Enfim, minha querida Berta, tudo isto para dizer que ainda não vi esta matéria devidamente tratada, pelos especialistas, com o cuidado e a atenção que deveria efetivamente merecer por parte de quem decide.

Educar é um processo complicado e é preciso fazê-lo tendo em conta as especificidades de cada ato educativo e do grupo alvo que se pretende formar. Faltam oito dias para o Dia dos Namorados… despede-se este teu amigo, com um beijo virtualíssimo, sempre ao dispor, saudosamente,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: As Vacinas em Portugal

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Olá Berta,

Embora tu, minha querida amiga, já me tenhas pedido para falar do plano de vacinação em Portugal, por queres saber a minha opinião sobre o assunto, eu, muito sinceramente tenho evitado trazê-lo para as nossas cartas. Porém, como algum dia terá de acontecer, pode até ser já hoje. Apenas sublinho que vou dizer o que penso sobre o assunto sem mais delongas.

Quanto ao plano em si, e as prioridades definidas para a toma de vacinas eu acho que irá sempre haver quem o conteste e quem se sinta injustamente deixado para uma segunda ou terceira linha, seja qual for o critério de prioridades. Quanto às que atualmente estão em vigor estou de acordo que existam e que se façam cumprir da melhor maneira possível e com a celeridade projetada.

Penso, no entanto, que o grupo responsável pelos critérios irá fazendo pequenos ajustes às prioridades, consoante assim se achar melhor, durante o processo, e não vejo mal algum em que o façam. Um plano rígido era por si só muito mais absurdo. Cheguem atempadamente as vacinas da Europa e o serviço tratará de as distribuir atempadamente e julgo mesmo que sem problemas de maior.

Não sou arauto da desgraça, nem sequer sou uma Clara Ferreira Alves que, ainda ontem, ouvi dizendo que tudo estava e seria um caos. Pois bem, no meu entender isso não corresponde à verdade dos factos. A vacinação está a correr muito bem e acho que assim continuará. Também discordo com a jornalista comentadora do Eixo do Mal, quando ela vê e prevê um fim à vista para António Costa, todavia isso são contas de outro rosário e não vale a pena falar nisso presentemente.

No que respeita às vacinas que têm sido dadas indevidamente, a pessoas que não constavam nas prioridades, existem dois grandes tipos de situações. As que foram dadas a qualquer pessoa, para não desperdiçar doses que sobraram e que já estavam descongeladas, numa altura em que ainda não existiam alternativas definidas para o efeito, e as que foram alvo de abusos seja de que ordem for. Enquanto que o primeiro caso não foi grave, foi residual e serviu para serem criadas listas de suplentes para as sobras, a segunda é mais séria e merece ter as devidas consequências consoante a gravidade de cada caso.

Apenas acho que no caso nacional, onde essa divergência, sobre o que estava planeado, é inferior a 0,1% das vacinas já efetuadas e que entre primeiras e segundas doses já atingiram o meio milhão praticamente, é deveras irrelevante. Dito isto todos os casos devem ser analisados e punidos quando for realmente o caso.

Por hoje fico-me por aqui minha querida Berta. Despede-se este teu velho amigo, sempre ao dispor onde e quando me achares necessário, com um beijinho,

Gil Saraiva

Carta à Berta: As Quatro Cores da Pandemia

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Olá Berta,

Entrámos hoje num novo Estado de Emergência. Agora temos o país dividido, face à pandemia, em 4 cores. Quanto mais carregada é a cor, mais grave é a situação do concelho assinalado. Os graus de gravidade são igualmente quatro: moderado, elevado, muito elevado e extremamente elevado. Até aqui a coisa parece clara.

Contudo, se não há diferença entre as consequências entre muito elevado e extremamente elevado, a criação dos escalões perde algum sentido. Qual é a motivação que um concelho tem para descer do nível máximo para o imediatamente anterior? Ah! A responsabilidade de combater a pandemia. Certo. Mas isso chega em termos de incentivo? Tenho as minhas dúvidas, sabendo eu como funciona o poder local, sem prémio não há motivação.

Se os níveis agora anunciados, para classificar o risco pandémico, servissem para esclarecer os efeitos na performance masculina sobre o efeito do viagra e similares, a situação seria bem mais divertida e muito menos perigosa, quiçá mesmo competitiva. Um concelho com uma performance extremamente elevada, principalmente nos idosos seria, nesta hipótese demonstrativa, um concelho feliz. Contrariamente à pandemia nenhuma região iria querer fazer parte do escalão dos moderados. Aliás, conhecendo o povo português, rapidamente seriam alcunhados.

Já estou a imaginar o Correio da Manhã a fazer manchete, em gigantescas parangonas, com as autarquias dos pilas-moles ou o Expresso a apresentar um Estudo ou uma douta Opinião Especializada e aborrecida, sobre as consequências, do efeito extremamente elevado, nos séniores portadores de doenças cardiovasculares, entre outras.

De uma forma ou de outra, a imprensa e a comunicação social em geral, haveriam de arranjar maneira de tirar todo o divertimento aos efeitos na performance masculina sobre o efeito do viagra e similares no escalão sénior da sociedade. Porém, tenho dúvidas se com isso afetariam a competição saudável que esta luta pela busca dos prazeres básicos iria certamente suscitar.

Estava a imaginar, aqui com os meus botões, como seria este novo mapa nacional a quatro cores. Que concelhos estariam em ambos os extremos do mapa? À partida, eu que de sexologia, enquanto ciência, sei muito pouco, sou levado a pensar que o Norte continuaria a ser o grande detentor do tom carregado próprio da classificação de extremamente elevado.

Nunca saberemos. Como sempre parece haver pouco interesse em medir e aferir a verdadeira felicidade do povo, pois é mais dramático e vende mais massacrá-lo com os níveis da desgraça nacional. Todavia, não me admiraria se a sombra de um chaparro não contribuísse positivamente para uma atividade mais dinâmica, mas isto sou só eu a pensar. Fico-me por aqui, querida amiga, recebe um beijo de até amanhã deste que não te esquece,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Covid-19 >>> Portugal - União Europeia - Europa - Mundo

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Olá Berta,

Como bem sabes não sou um fã da desgraça e muito menos desta pandemia que assolou o mundo. Não gosto de coitadinhos e não aprecio gente que se faz de vítima para conseguir a atenção e a solidariedade de terceiros. Porém, reconheço que muita coisa vai mal e pior ainda agora, principalmente, desde que fomos invadidos por esta coisa chamada de Covid-19. A pandemia pôs a nu fragilidades e, em muitos casos e situações, revelou mais nitidamente muitas das assimetrias existentes por este mundo a fora.

Não sou, nem nunca fui um nacionalista ferranho, todavia, adoro ser português e tenho muito orgulho em sê-lo. Considero que vivemos num país especial. Não é apenas o facto de estarmos estrategicamente situados no centro do mundo Ocidental. É o sermos o melhor destino turístico do mundo já há três anos consecutivos, é mantermo-nos como o terceiro país mais pacifico e seguro do globo, apenas ultrapassados pela Islândia (que conta com menos de meio milhão de habitantes) e pela Nova Zelândia (que tem uma população que é em número menos metade da portuguesa), ou seja, estou convencido que vivo num país realmente especial, moderado em usos e costumes, moderado no clima e cujo passado de mais de oito séculos muito me orgulha, independentemente das asneiras que alguns dos nossos líderes foram fazendo ao longo da História.

Ultimamente, por causa do novo aumento de infeções, andam por aí umas vozes a dizer que o país perdeu o rumo, que não soubemos sair do confinamento, que agora é que está tudo a caminhar para o caos.

Desculpa que o diga de uma forma mais grosseira, amiga Berta, mas é tudo uma grande treta. Continuamos a ser um país moderado até quanto à pandemia. Nos indicadores que importam estamos proporcionalmente colocados se levarmos em consideração a população de Portugal face aos outros países e territórios. A tabela do «worldometer» que divulga, entre outros dados, os números da pandemia em termos mundiais e europeus, é disso a melhor das provas, não deixando dúvidas sobre o tema.

Mas analisemos mais de perto os dados europeus. O site que referi identifica 48 países e territórios na Europa (podes consultar, minha amiga, a tabela que te enviei a ilustrar esta carta com os primeiros 14 países em termos de população). Ora, dos 48 referidos existem 13 que não chegam ao milhão de habitantes, e que vão desde o Vaticano ao Luxemburgo. Depois há mais 10 que não conseguem ultrapassar a barreira dos 5 milhões, situados em números entre a Estónia e a Irlanda. Em seguida vêm mais outros 10 que se ficam abaixo dos 10 milhões e acima dos 5, enquadrados em crescendo entre a Noruega e a Hungria. Em resumo existem 33 países e territórios na Europa cuja população não alcança os 10 milhões de habitantes.

Quando imaginamos que somos um país pequenino no Velho Continente, convém sabermos que há 34 países e territórios na Europa com uma população menor que a nossa, pois a Suécia, embora ultrapasse os 10 milhões de habitantes, tem menos umas largas dezenas de milhares de pessoas do que nós. Aliás apenas, 13 países nos ultrapassam em população, desde a Grécia com mais 222 mil indivíduos que Portugal até à Rússia com quase 146 milhões de habitantes… e sim, estou a contar com a Rússia, que abrange 2 continentes, estendendo-se bem Ásia adentro.

Pelo que atrás vai dito ficamos com a perfeita noção que somos o décimo quarto país mais populoso da Europa. Ora, não é, portanto, estranho que ocupemos igualmente esse mesmo lugar no que respeita aos países mais infetados do continente. A proporção é a mesma. Também somos o 14.º no que aos novos casos diários de infeções diz respeito e isso também acontece já há mais de uma semana. Pode parecer estranho, contudo, é também essa a posição que ocupamos quanto ao total de mortos e ao número de casos críticos em cada país ou território europeu.

Mas as coisas ainda são melhores se pensarmos nos casos recuperados da pandemia onde estamos em sexto lugar em números absolutos. Já quanto ao número de mortos diários e no número total de infetados por milhão e de óbitos por milhão de habitantes ocupamos orgulhosamente o 18.º nos primeiros dois e o 19.º no último destes parâmetros.

De referir que somos o décimo país (de 27) com mais população no seio da União europeia e igualmente o décimo com mais casos registados até ao momento. Todavia, no número absoluto de testes realizados por cada país europeu estamos orgulhosamente acima da média, no 10.º lugar entre os 48. Mas se olharmos para os testes por milhão de habitantes passamos rapidamente para o terceiro lugar do ranking, só sendo ultrapassados pela Rússia, logo seguida do Reino Unido. O destaque ainda é mais espantoso porque podemos dizer que somos o país da União Europeia que mais tetes realiza por milhão de pessoas. Ao todo já testámos mais de 20% da população nacional. Um facto absolutamente revelador da nossa firme determinação em combater a pandemia, com mais testes por milhão de habitantes que Alemanha, França, Itália, Espanha, Holanda, Polónia, Roménia, Grécia ou Bélgica, só para falar dos casos mais flagrantes.

Podia continuar com o mesmo tipo de comparação em relação ao mundo onde somos o 89.º país ou território do mundo com mais população, havendo 125 países ou territórios com um número de habitantes inferior ao nosso. Posso afirmar que relativamente ao globo, contando os países com população igual ou superior à nossa, ainda estamos mais bem colocados do que a nível exclusivamente europeu. Todavia acho que já seriam números a mais para uma só carta, pelo que me fico por aqui. Julgo que até me agradeces por não me alargar em demasia.

Porém, só para dar uma ideia, acima dos 10 milhões de habitantes somos o quinto país que mais testes faz, por milhão de habitantes, no mundo inteiro, apenas sendo ultrapassados por colossos como a Rússia, o Reino Unido, os Estados Unidos e Austrália.

Como podes comprovar, minha querida Berta, temo-nos portado muito bem nesta coisa do Covid. Recebe deste teu amigo um beijo de despedida e carinho, saudosamente,

Gil Saraiva

 

PS: Apenas um aparte, querida amiga, a saga do fogo em coberturas continua, agora alargada ao país. Desta vez foi a cobertura, no sótão, localizado no terceiro piso de um restaurante, em Felgueiras. Com este, em 4 dias úteis (desde a passada sexta-feira), já são 11 as coberturas, sótãos ou águas-furtadas que ardem pelo país. Espero que isto tenha um fim, pois não consigo compreender tanta coincidência.

 

 

 

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