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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Série: Quadras Populares Sujeitas a Tema - 12) Jogo de Interesses

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Olá Berta,

Peço imensa desculpa por ainda não te ter perguntado se tinhas namorado novo. Coisas de que efetivamente me lembro pouco. Não é muito educado, nem mesmo polido não me recordar de coisas tão básicas como estas, mas para mim amigo não tem sexo. Por isso me esqueço das delicadezas que se devem ter para com uma senhora. Resumindo, se tiveres namorado desejo que tenhas passado um bom dia dos namorados, se não tiveres espero que o dia tenha corrido de feição, mesmo sem esse apêndice.

Hoje não me vou pôr com outro tipo de considerações políticas ou sociais. É um dia para curtir e não para falar muito. Ora, quando digo curtir não é preciso ter namorado, basta que exista vontade para saíres e para te divertires um bocado, ao teu gosto, sem te incomodares com mais nada. Só por si, tirar uma noite para se ir beber um copo ou sair com os amigos já é uma coisa excelente.

Fico-me, portanto pela quadra sujeita a tema de hoje, ou seja, o jogo de interesses. Espero que te agrade, embora sendo tu uma dama possas não achar muita graça à pequena sátira que apresento. Contudo, garanto que foi escrita sem maldade, talvez, apenas com uma pequena pitada de malícia, mais nada.

Série: Quadras Populares Sujeitas a Tema - 12) Jogo de Interesses.

 

Jogo de Interesses

 

No calor das madrugadas,

Chamas-me amor, com paixão,

Mas nas montras decoradas

Chamas-me amor, sem razão…

 

Gil Saraiva

 

Por hoje já chega que não é dia de cartas, mas sim de namorados, despeço-me com o costumeiro beijo, sempre saudoso,

Gil Saraiva

Carta à Berta: A Teoria do Amor - Parte I - Almas Gémeas

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Olá Berta,

Espero que o dia te esteja a correr de feição. Pelo que li nas notícias o clima tem estado favorável e ameno em quase todo o país. Até o vento virou brisa, que sopra apenas para pentear as árvores, as que mantêm a folhagem o ano inteiro, como se as quisesse compensar das maldades dos últimos 15 dias em que andou depressivo.

Pelo que me disseste, ao telefone, queres aproveitar estes meus momentos de boa disposição, de maior sensibilidade e de mais alegria, para saberes o que eu penso sobre o amor. Ora bem, minha amiga, não sou de grandes teorias nesse campo, aliás, prefiro sem qualquer dúvida dar provas dele, quando tal se mostra necessário, do que me pôr com majestosas dissertações sobre o tema. A outra alternativa que uso, na aproximação a este tópico, é a poesia.

Contudo, não sou pessoa de virar costas aos desafios, ou de mudar de assunto sem dizer o que penso e avançar com uma opinião porque, quando me pedem uma abordagem sobre algo, é por realmente haver curiosidade em saber o que eu penso sobre esta ou outra problemática, qualquer que ela possa ser. No caso concreto, eu até tenho uma teoria bem definida e sou dos que pensam que os géneros feminino e masculino têm diferentes formas de atingir esse sentimento. Porém, embora seja um processo em constante evolução, não deixa de ser a minha Teoria do Amor.

TEORIA DO AMOR

Parte I – AS ALMAS GÉMEAS

A) Noção. Objetivo. Quantidade. Busca. Caminhos. Alvos.

1) Noção: o que é uma alma gémea e quantas existem? Segundo a minha teoria, que contraria o pensamento corrente de que: para cada pessoa apenas existe uma outra que, se descoberta atempadamente, pode ser a sua alma gémea, eu penso exatamente o oposto. Vamos por partes.

2) Objetivo: uma alma gémea é aquela pessoa com a qual podemos partilhar uma existência, em total harmonia, sentindo-nos envoltos numa espécie de casulo de perfeita simbiose e entendimento.

3)Quantidade: Cada ser humano tem no mundo cerca de 155 mil e 62 almas gémeas possíveis. Mas este não é um número para se reter.

a) Busca: com efeito, há que ter em conta o universo de cada um, a área geográfica que se cobre durante a vida e os fatores externos.

b) Caminhos: dou-te uns exemplos: as diferentes histórias locais, regionais e nacionais, os fatores culturais, políticos, religiosos, sociais, sociológicos, antropológicos e mais o facto de a disparidade de idades entre 2 almas gémeas só excecionalmente ultrapassar os 20 anos de diferença entre elas, faz com que a quantidade de almas gémeas possíveis de entrar seja, de facto bastante mais reduzido.

4. Alvos: tudo contabilizado, e escuso-me de te aborrecer com os algoritmos usados, permite-me concluir que apenas temos 10 almas gémeas durante a nossa vida para descobrir.

B) Para que servem?

1) Exemplos: nada melhor do que exemplificar para se explicar esta questão: Cada parafuso tem um tipo de porca que lhe serve na perfeição. Quando me refiro a um “tipo” não estou a dizer que é apenas uma, podem ser várias. No caso das almas gémeas estas são anilhas de rosca dificílimas de encontrar.

2) Resultado: quando se encontram, rosca e parafuso, formam um par funcional perfeito, na compreensão, no carinho, no respeito mútuo, na solidariedade e mais importante que tudo, no amor que sentem de forma mútua e absoluta.

C) O que é o Amor na perspetiva das Almas Gémeas?

O Amor é o conjunto de vivências partilhadas por 2 almas gémeas, desde o momento em que se encontram pela primeira vez até que se separem. Se forem almas gémeas puras a separação apenas acontece com o falecimento de uma das 2.

D) Como se distingue uma alma gémea pura de uma impura?

1) Alma Gémea Pura: aquela que só se separa do seu par única e exclusivamente se este morrer.

2) Alma Gémea Impura: trata-se de uma falsa alma gémea. Muitas vezes o par confunde atração, arrebatamento, paixão, frenesim, entusiasmo, até sexo, com a compatibilidade absoluta entre 2 almas gémeas. Mas, ao fim e ao cabo, no final descobrem (uma delas ou ambas), que tudo não passou de um enorme erro de casting e nada mais.

Gostaste, Berta? Esta é a primeira parte da minha teoria do amor. A que explica as almas gémeas em si mesmas. Quantas há, quais as hipóteses de se encontrarem e o que é preciso para que tudo resulte. Na carta de amanhã, envio-te a segunda parte da minha teoria. Nessa vou-te responder à questão: o que é o amor? Será uma resposta num sentido bem mais lato que que aqui expliquei. Uma resposta sem pontos nem alíneas, apenas com alguns parágrafos, para que entendas o que penso sobre o tema.

Deixo-te um beijo, saudades e muito carinho, este que não te esquece,

Gil Saraiva

 

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