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Alegadamente

Este blog inclui os meus 4 blogs anteriores: alegadamente - Carta à Berta / plectro - Desabafos de um Vagabundo / gilcartoon - Miga, a Formiga / estro - A Minha Poesia. Para evitar problemas o conteúdo é apenas alegadamente correto.

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Carta à Berta n.º 609: a Profecia dos Vencedores do Campeonato do Mundo de Futebol em Tempos de Crise Mundial

Berta 609.jpg Olá Berta,

Desde o início das grandes crises em 2008 que, segundo reza a história, uma nova profecia se instalou no futebol. Diz-se que esta profecia se manterá enquanto existirem crises mundiais e nada a fará mudar de rumo, aconteça o que acontecer. Há inclusivamente quem afirme que é o destino e que está tudo escrito nas estrelas. Tu, minha querida amiga, acreditas em profecias?

Eu, não me importo muito se as profecias são ou não verdadeiras. Adoro o mistério que as envolve, as coincidências que geram e aquelas multidões silenciosas que as seguem pela calada, com uma fé mística, muito próxima dos tempos em que os povos tinham uma catrefada de deuses a gerir as suas vidas e o futuro do mundo, do alto de um qualquer Olimpo, como uma família disfuncional que, atabalhoadamente, geria os destinos do mundo como quem gere uma casa. O que pensas tu das profecias, Bertinha? Gostas ou é-te indiferente?

Assim, profecia que é profecia não se importa com quem nela acredita. A dita cuja segue o seu caminho, levando a bom porto o que traçou nos sombrios e misteriosos caminhos do insondável, de forma implacável e demonstrará, com uma precisão de fazer inveja à matemática, que não são só os números que nunca se enganam. Neste caso, minha amiga, a tradição é para se cumprir.

Mas voltemos à teoria que gerou a Profecia dos Vencedores do Campeonato do Mundo de Futebol em Tempos de Crise Mundial e que já dura há 14 anos. Tudo se inicia em 2008, com a crise bancária. Nesse mesmo ano realizou-se o Campeonato Europeu de Futebol e foi eleito no final de tods as provas o melhor marcador do torneio, no caso o espanhol David Villa (que marcou quatro golos). É Villa o primeiro elo da profecia. Porquê? Porque no Campeonato do Mundo seguinte, em 2010, a sua seleção venceu a competição e, com isso, a Espanha levou para casa a Taça do Mundial de Futebol de 2010.

Em 2012, minha querida, no Campeonato Europeu de Futebol, foram dois os jogadores que terminaram empatados como melhores marcadores da prova (com três golos cada), Fernando Torres (que ganhou o troféu por ter também uma assistência) e o alemão Mario Gómez. Ora, porque a Profecia não se prende com assistências, mas sim com os melhores marcadores e, quando há vários, apenas escolhe um, a Alemanha conquistou o Mundial seguinte, em 2014.

Dirão os pragmáticos, doce amiga, que coincidências não passam disso mesmo: de coincidências. Dirão até que uma profecia, como esta, para provar que existe tem de se repetir mais do que duas vezes e foi o que aconteceu. As crises sucediam-se umas às outras e a Profecia mantinha o seu ritmo de execução perante a provável impossibilidade desta se cumprir uma vez mais.

Em 2016, minha querida amiga, o francês Antoine Griezmann, como maior goleador (com seis golos) do torneio, embora fosse Portugal a ganhar o Europeu, fez com que a França se sagrasse campeã no Campeonato do Mundo de Futebol em 2018. Levando a Profecia bem mais além do que o esperado. Ora, para tristeza dos sul americanos, como o Brasil ou Argentina, a Profecia dos Vencedores do Campeonato do Mundo de Futebol em Tempos de Crise Mundial parece não querer abandonar a Europa.

Em 2020, Berta, foram dois os melhores marcadores do Campeonato Europeu de Futebol. Patrik Schick, (que acabou de perder também o acesso à Final Four da Liga das Nações ao ver a sua seleção, a República Checa, ser derrotada pela Seleção de Portugal, tendo, até, falhado um penálti contra a nossa baliza), e Cristiano Ronaldo (obrigado ao melhor do mundo por nos ter incluído na Profecia). CR7 foi assim o vencedor dos melhores marcadores do Europeu de 2020, por ter mais uma assistência que Schick (embora ambos tivessem marcado 5 golos). Ora, a República Checa não se apurou para o Mundial.

Assim sendo, amiguinha, e porque as crises continuam, (depois da Covid-19 em 2020, chegou a invasão da Federação Russa à Ucrânia em 2022), a implacável Profecia segue o seu caminho, sem se importar com nada nem ninguém e apenas se obedecendo à sua matriz, ou seja, de acordo com a Profecia dos Vencedores do Campeonato do Mundo de Futebol em Tempos de Crise Mundial o vencedor do Campeonato do Mundo de Futebol será:

Portugal! Talvez por isso mesmo, Fernando Santos, o nosso Selecionador e homem de fé, como já tinha dito quando ganhou o Euro de 2016 e a Liga das Nações de 2018, esteja agora a dizer, novamente, que vai voltar para casa com o caneco (e é engraçado que não o tenha dito no Europeu de 2020, nem na última Liga das Nações) não te parece estranho minha querida?

No meu entender, Bertinha, os astros conjugam-se para fazer cumprir, uma vez mais, a Profecia dos Vencedores do Campeonato do Mundo de Futebol em Tempos de Crise Mundial, não deixando alternativa à Seleção de Cristiano Ronaldo e de todos nós que não seja a de vencer o Mundial de Futebol de 2022, trazendo para casa, a respetiva taça. Vamos ver se a tradição se mantém e se ainda é o que tem sido. Eu cá estou convencido. Recebe um beijo de despedida deste teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

P.S.: Viva Portugal!

 

 

 

Carta à Berta: A Seleção Portuguesa de Futebol, CR7 e a Felicidade

seleção nacional.jpg

Olá Berta,

Estou a escrever-te para desabafar um pouco. Numa altura em que o Presidente Donald Trump está a ser alvo de investigação por parte do Senado, podendo esta levá-lo à destituição; num momento em que há hospitais em Portugal a fechar a sua urgência pediátrica durante a noite; numa ocasião em que existem mães a deitar bebés no lixo, quando seria fácil deixá-los numa igreja ou entregá-los à primeira pessoa que vissem, para que fossem encaminhados para quem deles pudesse cuidar; numa época assim tão estranha e perturbadora, hoje, eu, no meu egoísmo orgulhoso, só consigo pensar na Seleção Nacional de Futebol e no seu Capitão, Cristiano Ronaldo, vulgo CR7.

Reconheço que devia estar a sentir-me mais solidário e preocupado, e este meu sentimento não quer dizer que, no fundo, não esteja, mas eu sou um homem de esperanças e não de dramas. Sempre que aparece algo de bom, onde a minha consciência ou ego se podem agarrar, lá estou eu a trepar para cima dessa boia de salvação, qual naufrago que desesperadamente luta para sobreviver.

Poderás pensar que o meu egoísmo é pecado ou quase. Não faço ideia se o estarás a fazer. Acabo de me lembrar que não sei se és ou não uma pessoa religiosa. Nunca abordámos esse assunto. Mas, para o caso, isso é pouco relevante. Estou a falar de mim e não de ti. Ora, para mim, a felicidade constrói-se a partir das pequenas coisas, uma a uma, e, apesar de vivermos num mundo conturbado, há muita, mas mesmo muita, coisa boa a acontecer a todas as horas.

A minha alegria prende-se com os 6 a zero dados pela Seleção Portuguesa à Lituânia, ainda por cima coroados pelo facto de 3 desses golos serem de Cristiano Ronaldo, um benfiquista que, por força da necessidade de não largar os seus sonhos e objetivos de vida, acabou por ingressar profissionalmente na academia do Sporting e por se tornar um símbolo máximo desse clube. A vida é assim, não apenas para ele, mas para todos os que nunca desistem. As boias de salvação não se escolhem, agarram-se.

Quando, há poucos dias atrás, CR7 chegou ao seu golo 700, a comunicação social, ao mesmo tempo que enaltecia o facto, punha a correr uma afirmação de Pelé onde este falava dos seus mil duzentos e tal… golos. É aquele gostinho de picardia, que parece fazer o deleite da imprensa desportiva. É claro que todos sabem que Pelé se estava a referir aos golos que marcou desde a pré-primária, incluindo os jogos realizados com a sua turma de amigos no bairro onde cresceu, e não aos registados em jogos oficiais, pois desses, o craque, marcou, ainda assim, uns impressionantes 757. Já alguém perguntou ao Ronaldo quantos golos ele marcou desde que começou a jogar no Andorinha em 1993? Acho que não, nem isso interessa, afinal o que conta são mesmo os golos marcados em jogos oficiais enquanto jogador sénior profissional.

Existe outro jogador que reclama 1002 golos. Estou a falar de Romário, um outro fenómeno com bola, porém, mais uma vez, só tem realmente, na contabilidade que interessa, 761 ou 768 golos, conforme a contagem é feita por brasileiros ou terceiros.

Apesar de os brasileiros apenas contabilizarem 759 golos a Josef Bican, internacionalmente são-lhe atribuídos 805. É esse o número que CR7 persegue. Ainda faltam 100. É muito golo, sem dúvida alguma. Mas de cada vez que, nos próximos tempos, Cristiano marcar um golo, será mais um degrau nessa escada impressionante, onde a glória suprema se escreve com bolinhas através do número 806.

O atleta está agora apenas a 5 golos de ultrapassar a lenda Ferenc Puskás e a uma dúzia de se tornar o melhor marcador de sempre de uma seleção nacional, ao galgar sobre a marca do jogador Ali Daei, do Irão, que fez 109 golos em 149 jogos pela sua seleção, numa zona do globo onde marcar golos não tem o grau de dificuldade da Europa.

O degrau seguinte desta monumental escadaria será quando conseguir concretizar mais 53 golos, ultrapassando Pelé, depois mais 11 para deixar Romário para trás e, por fim, daqui a 101 golos chegar ao Olimpo e tomar o trono a Zeus, ou seja, a Josef Bican.

O meu orgulho em CR7, tem uma imensa dose de alegria associada. Não interessa se ele é bacoco, nacionalista ou tolo, é meu, como o é de muitos outros portugueses.

Mas voltando à Seleção Nacional de Futebol e, já agora, ao próximo jogo com a Seleção do Luxemburgo, proponho que se calem os arautos da desgraça e da calamidade que se atrevem a considerar a hipótese de Portugal não ganhar. A questão não é nem será nunca: e se Portugal não ganhar? Queremos é saber por quantos golos vai ganhar e, quantos desses, serão de Cristiano Ronaldo. Quantos? Pelo menos eu penso assim e isso deixa-me feliz por mais 3 dias. A felicidade faz-se das coisas mais simples do mundo, pelo menos a minha.

Despeço-me com muito carinho, recebe um beijo saudoso deste amigo que não te esquece,

Gil Saraiva

 

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