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Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro

Julho de 2022: blogs do Senhor da Bruma, assinados por Gil Saraiva, são reunidos em "alegadamente": Estro (poesia), gilcartoon (cartoons) e Desabafos de um Vagabundo (plectro). Tudo deve ser entendido no âmbito do alegadamente.

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Desabafos de um Vagabundo: Série II - n.º 1: Um Adeus a Boris Johnson

Desabafos SII -1.jpgDesabafos de um Vagabundo  

Um adeus a Boris Johnson

Finalmente demitiu-se de líder do Partido Conservador o inconformado, rebelde e inexplicável Boris Johnson. “L’enfant terrible” para já apenas se demitiu enquanto líder do partido, mas continua a ser o primeiro-ministro britânico enquanto é escolhido um sucessor. Pelo menos é isso que o atual Primeiro-Ministro britânico pretende fazer. O homem considerado o responsável máximo pelo Brexit foi, contra a sua vontade, obrigado a sair.

Amado por uns, odiado por outros, Boris Johnson nunca deixou que a sua pessoa fosse indiferente. Longe disso. Venceu na sua luta para tirar o Reino Unido da União Europeia, ultrapassou a crise dramática da Covid-19 em terras de sua majestade. Tornou-se peça chave no apoio europeu à Ucrânia, contra a invasão russa, mas acabou por cair devido aos problemas internos, gerados em catadupa, nos corredores do poder, muito fruto da sua irreverência de vagabundo carismático e irresponsável, ou seja, Boris Johnson, demite-se pelas mesmas razões porque foi eleito, por ser o “l’enfant terrible” da política britânica.

Na minha perspetiva, Boris Johnson nunca foi diretamente responsável pelos factos passados que acabaram por o fazer demitir-se, nem as festas, nem o último escândalo.

Das festas em tempo de confinamento ao seu conhecimento de alegações de conduta sexual imprópria de um deputado antes de o promover para o governo, tudo é apenas resultado do seu feitio balofo, despenteado e totalmente rebelde e irreverente. Era como se o Primeiro-Ministro apenas tivesse de prestar contas a si próprio. Cai assim por motivos de lana-caprina, algo que nunca seria suficiente para causar a demissão um presidente americano, nos nossos dias, conforme se viu com Donald Trump, um outro poderoso balofo como Boris Johnson.

Johnson irá abandonar as rédeas do Reino Unido, com um terço da população britânica infetada pela Covid-19, ao longo de dois anos, e mais de 180 mil mortos provocados pelo vírus. No que respeita às suas relações com Portugal as coisas correram-nos de feição. Os britânicos continuaram a ver assegurados os seus direitos de virem para Portugal viver tranquilamente os anos da reforma, os emigrantes portugueses viram assegurados os seus direitos no Reino Unido e foi assinado, entre os dois países, o maior acordo comercial da história da velha aliança.

O humor mundial sofre um revés, uma vez que Boris era um dos personagens preferidos dos cartoonistas, dos rapazes da “Stand-Up Comedy”, dos comediantes em geral, para dizermos o mínimo. A política externa britânica ficará mais débil, porque o que se perdoava a um “l’enfant terrible” não se perdoará a um político sério. Por colorir a cinzenta política mundial resta-me desejar a Johnson um feliz regresso ao anonimato e pouco mais. Adeus Boris!

Gil Saraiva

 

 

 

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