Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Série "Os Segredos de Baco" - VI - Avaliadores e Pontuações.

Berta 136.jpg

Olá Berta,

Hoje, ainda na senda de te passar “Os Segredos de Baco”, chegamos ao sexto capítulo, dedicado às pontuações atribuídas aos vinhos. Para que servem? Porque são elas necessárias? Quem as faz? Começando pela última questão sobre quem cria as pontuações dos vinhos, posso afirmar que existem cerca de 4 géneros de avaliadores.

I) Os Avaliadores:

Os mestres do vinho, verdadeiros profissionais, técnicos de viticultura e de vinhos, responsáveis pelas escolhas e opções na produção, avaliando todas as variáveis, solos, clima, videiras, castas, estado das uvas, tratamentos e opções na composição de um determinado vinho, denominados por enólogos, usualmente formados em agronomia e especializados em enologia.

2) Os especialistas em vinhos, responsáveis nas escolhas do vinho e da sua harmonização com o que se come, na elaboração da carta de vinhos e outros detalhes como, por exemplo, as condições de armazenamento, temperaturas quer no armazenamento, quer na hora de o servir, ainda fazem habitualmente provas de vinhos e outros detalhes importantes na apresentação do vinho, são técnicos altamente profissionalizados e especializados,  assinalados como escanções ou sommeliers.

3) Os enófilos, todos os apreciadores da cultura que envolve o vinho. São normalmente provadores, ou seja, degustam o produto, gerando anotações e apreciações sobre cada vinho provado, habitualmente integrados em confrarias, promovendo e participando em encontros vínicos, sem, contudo, terem qualquer responsabilidade na elaboração do produto final.

4) Os críticos e/ou os jornalistas do mundo vitivinícola, que podem ou não englobar uma ou mais das categorias anteriores ou serem, simplesmente, apreciadores dedicados e apaixonados pelo vinho. Eles são capazes de detetar aromas, cor, maturação, texturas e paladares do vinho, conseguindo apreciar as refinadas nuances do produto e eficientes a reconhecer castas, regiões de cultivo e outras particularidades do vinho, mas, principalmente, possuidores de um sentido crítico apurado e refinado bom gosto.

É no seio deste último grupo que me sinto integrado. Não apenas por ser jornalista desde 1981, mas por ter estado sempre perto da cultura vitivinícola toda a minha vida, participando em vindimas, feiras e provas de vinho, frequentando adegas e garrafeiras. Para além disso, mantendo-me informado no acompanhamento da evolução técnica do mercado, cobrindo o mundo do vinho, quer no terreno, quer através da literatura produzida sobre esta matéria nos últimos 40 anos. Aliado a tudo isto, ainda acrescento um paterno e hereditário faro de perdigueiro.

II) Pontuações

Muitas vezes é possível encontrar nas garrafas de vinho a referência quer a prémios conquistados pelo vinho de um determinado ano, quer sobre a sua boa classificação neste ou naquele concurso ou ainda uma ou outra referência à pontuação que lhe foi atribuída pelos especialistas, podendo esta ser o resultado de uma atribuição em concurso ou fruto de uma publicação, blog ou listagem por parte dos críticos da especialidade.

A) Ratings - Pontuações: Existem Pontuações de 0 a 3, de 0 a 5, de 0 a 10, de 0 a 20 (com ou sem décimas ou centésimas) e de 50 a 100 pontos. De realçar que algumas pontuações são apresentadas sobre a forma de estrelas, outras há que as substituem por cores e ainda existem os que preferem o uso de termos, normalmente adjetivos, para ilustrarem os pontos atribuídos ao vinho. Se os franceses preferem classificar os vinhos de 1 a 10 e os americanos de 50 a 100 o que mais importa reter é que todos têm por finalidade ajudar os enófilos a optar por um bom vinho.

B) Robert Parker: Ele é na atualidade o mais apreciado de todos os especialistas que pontuam o vinho a nível mundial. As suas classificações são publicadas na revista de vinhos: Wine Advocate. Contudo, não se pense que não tem opositores. Seria um erro imaginar que isso era possível. Os europeus, por exemplo, contestam muitas vezes as classificações de Parker.

1) Os Parâmetros Qualitativos: Usados no seu sistema de classificação aparecem parametrizados numa escala de qualidade de 50-100 pontos. De notar que o próprio Parker enfatiza que a descrição do vinho degustado é o mais importante, sendo a nota apenas um complemento. A poesia está em entender o vinho enquanto uma obra de arte. Efémera para cada garrafa, mas eterna na História Universal do Vinho.

2) A Classificação Europeia: Do ponto de vista de Parker, os sistemas adotados na Europa, as escalas de 0-20 pontos ou pior as ainda mais curtas, não oferecem flexibilidade suficiente e, muitas vezes, resultam na avaliação de um vinho de modo mais comprimido ou presunçoso. Segundo este autor corre-se o risco de misturar alhos com bugalhos e de confundir quem consulta as classificações deste tipo de escalas de pontuação diminuta. Para combater isso, o uso da classificação de 0 a 5, de 0 a 10 ou de 0 a 20, até às décimas e, nalguns casos, até às centésimas, visa equilibrar a coisa, tornando a pontuação bem mais elástica, equiparando-as.

3) A Wine Advocate: Revista onde Parker publica, aprecia o rigor extremo no que à critica dos vinhos diz respeito, ou seja, na dúvida sobre a qualidade do vinho a nota desce em vez de subir e as avaliações numéricas são utilizadas apenas para reforçar e complementar as notas de prova, que é o principal meio de comunicação dos juízos de valor passados ao consumidor ou aos seus leitores.

4) Esta escala de pontuação traduz o seguinte (com as proporcionais equivalências para outras escalas):

a) 96-100: Um vinho extraordinário de caráter profundo e complexo, apresentando todos os atributos esperados de um vinho clássico da sua variedade. Os vinhos desta magnitude merecem um esforço especial para serem procurados, encontrados, comprados e consumidos.

b) 90-95: Um vinho de excecional complexidade e caráter. Em suma, um vinho excelente.

c) 80-89: Um vinho benévolo ou até um pouco mais do que isso. Já é, por certo, um vinho bom ou até mesmo muito bom, exibindo vários graus de requinte e sabor, bem como um caráter correto, sem falhas visíveis.

d) 70-79: Um vinho médio, com pouca variação, correto. Em essência, um vinho simples e inócuo. É um vinho que se consome sem dificuldade, mas que se encontra fora da classe daqueles que poderemos chamar de néctares. Perfeito para usar como tempero na elaboração de alguns pratos especiais da gastronomia, todavia, ainda bebível.

e) 60-69: Um vinho abaixo da média, com deficiências visíveis, tais como a acidez excessiva e taninos fora do esperado, uma ausência de sabor, ou, eventualmente, aromas ou sabores indesejados. Não se recomenda o seu consumo, nem mesmo o uso deste para temperar alimentos.

f) 50-59: Um vinho considerado inaceitável. Sobre os vinhos nesta categoria, que infelizmente ainda se consomem em demasia no nosso país, importa dizer que o uso de garrafas de vidro para o seu engarrafamento é um total desperdício de vidro e de rolha. Não devia ser usado para consumo humano nem mesmo como tempero.

Espero que tenhas apreciado, minha querida Berta, tanto como eu, mais estes esclarecimentos. Por hoje, termino com um beijo, sempre saudoso, deste teu eterno amigo,

Gil Saraiva.

 

 

Carta à Berta: Série "Os Segredos de Baco" - V - Prémios e Concursos

Berta 135.jpg

Olá Berta,

Hoje a quinta edição de “Os Segredos de Baco” tem muito a ver com a pergunta: Como é que os vinhos se fazem notar num mundo onde existem tantas, marcas, regiões, safras, quantidades e qualidades desse néctar? A resposta foi encontrada na atribuição de prémios aos melhores, àqueles que pela sua qualidade se destacam dos outros.

Podem existir 20 vinhos diferentes numa certa localidade, mas, se um deles for galardoado e reconhecido como o melhor entre seus pares, será por certo o mais procurado por todos e logicamente o mais consumido. Existem prémios locais, regionais, nacionais e internacionais e são eles o tema desta carta que te escrevo hoje, minha amiga.

Contudo, para não me tornar cansativo e exaustivo apenas te deixo aqui o registo dos mais importantes e que mais pesam para a promoção e venda do vinho nacional. Quando comprares um vinho procura no rótulo se o mesmo recebeu algum prémio. Tem em atenção que, salvo uma ou outra exceção, um vinho, por exemplo de 2020, apenas começa a ter prémios 2 anos depois, ou seja, a partir de 2022.

Os Prémios:

As listagens que se seguem dos prémios e concursos, amiga Berta, não são para te pores a lê-las de uma assentada. Isso seria maçudo e chato. Porém, podem servir-te para verificares se esta ou aquela referência de uma garrafa a um prémio é importante ou se, pelo contrário, se trata de um destaque de menor relevância. As principais marcas concorrem aos que aqui vêm referidos, todavia, existem umas boas centenas de prémios no setor cuja interesse é de menor significado. Conseguir fazer essa distinção torna-se, por isso, significativo na hora da escolha de um vinho.

1) Finalidade: Os concursos que permeiam a qualidade do vinho, do produtor, da vinha e de tudo o que está ligado ao setor vitivinícola têm a finalidade de ajudar as marcas a vender os seus produtos, a cotá-los melhor no mercado e a incentivar o rácio quantidade versus qualidade. Em capítulo próprio destacámos os mais importantes a nível nacional e internacional. De notar que um prémio gera sempre uma maior visibilidade do produto.

2) Primeiros entre Iguais: Os concursos e os respetivos prémios são sempre organizados entre produtos da mesma gama e para um determinado ano de Concurso. Por exemplo, os que permeiam os vinhos tintos.

3) Tipologia: Os prémios atribuídos em concurso dividem-se em dois grandes grupos. Aqueles que não têm reconhecimento oficial por parte das autoridades, e que apenas ajudam o marketing dos produtores sem suporte de credibilidade, e os reconhecidos oficialmente. Nestes últimos encontramos vários níveis e patamares de importância e significado. Existem cinco patamares bem claros:

A) Concursos e Prémios Locais ou Concelhios. Os realizados no Cartaxo são disso um bom exemplo.

B) Concursos e Prémios dedicados apenas a uma Sub-Região. Como exemplo o realizado no Douro Superior.

C) Concursos e Prémios Regionais. Como exemplo tens o Concurso dos Vinhos Engarrafados do Alentejo.

D) Concursos e Prémios Nacionais. Como o efetuado pela Revista de Vinhos que permeia os melhores de cada ano nas diferentes categorias.

E) Concursos e Prémios Internacionais. Que projetam uma marca a nível internacional, aumentando a procura dos mercados e a consequente exportação do vinho. Como exemplo temos o Concurso IWC - Internacional Wine Challenge - Londres - Reino Unido realizado com Prova Cega.

4) Concursos Regionais, Nacionais e Internacionais: Só refiro concursos regionais, nacionais e internacionais. Os concursos locais como os concelhios e de uma sub-região não foram listados; no entanto é de referir que todos eles têm em vista motivar o consumidor pela escolha do mérito, dai o realce dado aos melhores numa qualquer categoria consoante o concurso.

A) Concursos em Portugal: (apenas destaco os concursos de maior relevância):

1) Concurso Adega Cooperativa do Ano - Revista de Vinhos

2) Concurso Confraria do Bacchus de Albufeira - Nacional: Confraria de Bacchus

3) Concurso Festival do Vinho Português - Bombarral - Rotary Club do Bombarral

4) Concurso Os Melhores do Ano - Revista de Vinhos

5) Concurso (Sem inscrição) Nomeação dos Vinhos Boa Compra - Revista de Vinhos

6) Concurso Melhores Vinhos do Alentejo - Comissão Vitivinícola Regional e Confraria dos Enófilos do Alentejo - Itinerante, Alentejo, Portugal Prémio de Excelência: Talha de Ouro

7) Concurso Nacional de Vinhos - IVV (Instituto da Vinha e do Vinho) Lisboa, Portugal

8) Concurso Nacional de Vinhos Engarrafados - Itinerante, Portugal

9) Concurso Nacional de Vinhos do Clube do Vinho - Lisboa, Portugal

10) Concurso de Vinhos do Algarve - Comissão Vitivinícola Regional, AEP - Itinerante

11) Concurso de Vinhos da Bairrada - Comissão Vitivinícola Regional

12) Concurso de Vinhos da Beira Interior - Comissão Vitivinícola Regional - Itinerante, Beira Interior, Portugal

13) Concurso Vinhos Engarrafados do Alentejo - Confraria dos Enófilos do Alentejo

14) Concurso de Vinhos do Douro - Casa do Douro

15) Concurso de Vinhos Engarrafados do Douro - Associação de Vinhos de Portugal

16) Concurso de Vinhos de Lisboa - IVV, Comissão Vitivinícola Regional e Confraria dos Enófilos da Estremadura

17) Concurso de Vinhos Engarrafados da Região de Trás-os-Montes – Comis. Vitivin. Reg. - Itinerante, Portugal

18) Concurso de Vinhos Engarrafados do Tejo - Associação de Vinhos de Portugal

19) Concurso de Vinhos do Tejo (Ribatejo) - Confraria Enófila N. Sra. do Tejo - Itinerante, Ribatejo, Portugal

20) Concurso de Vinhos da Península de Setúbal - Comissão Vitivin. Reg. - Itinerante, P. de Setúbal, Portugal

21) Concurso da Região dos Vinhos Verdes - Comissão Vitivinícola Regional - Itinerante, Portugal

22) Concurso dos Vinhos Verdes e Gastronomia - Comissão Vitivinícola Regional - Itinerante, Portugal

23) Concurso Vinhos de Portugal - Wines of Portugal Chanllenge - IVV, CNEMA, IVDP, IVBAM, Revista de Vinhos, ViniPortugal - Itinerante - Portugal

24) Concurso Wine Masters Challenge (Vinho Verde) - CIPVV e Comissão Vitivinícola Regional - Itinerante – Portugal

25) Concurso Tambuladeira dos Escanções - Concurso de Vinhos do C.A. organizado conjuntamente com a AEP e reconhecimento do Ministério - Distinção: Tambuladeira dos Escanções de Portugal de Bronze, Prata ou Ouro.

26) Concurso Uva de Ouro - Atribuído anualmente por realização dos Supermercados Continente em colaboração com o JN, DN e TSF. em Prova Cega, premiando os diversos tipos de vinho no ano à venda na estrutura do Continente.

B) Internacionais: (apenas se destacam os concursos de maior relevância):

1) Concurso Berlin Wine Trophy - Alemanha

2) Concurso Brazil Wine Challange - Brasil - Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) e da União Internacional de Enólogos (UIOE), Revista Adega e Associação Brasileira de Enologia (ABE) - (Ex Concurso Intern.de Vinhos do Brasil).

3) Concurso China Wine & Spirits Awards - China

4) Concurso Challenge International du Vin - Bourg, Bordéus - França

5) Concurso CINVE - Concurso Internacional de Vinhos Espirituosos e Azeites Virgem Extra - Huelva, Espanha

6) Concurso Citadelles du Vin - Bourg, Bordéus - França

7) Conc. Conc. Internat. de Vins de Montagne - Itália

8) Concurso Concurs Mondial de Bruxelles - Itinerante

9) Concurso Mondial du Merlot - Suíça

10) Concurso Internacional do Panamá - Panamá

11) Concurso Internacional de Vinos - Madrid

12) Concurso Internacional de Vinos y Espirituosos - Sevilha (Itinerante)

13) Conc. Hong Kong Internat. Wine & Spirit - China

14) Concurso Internacional Galicja Vitis - Polónia

15) Concurso International Trade Fair Four Wines & Sirits - Dusseldorf - Alemanha

16) Conc. Internacional Prémios Bacchus - Madrid, Sp.

17) Concurso IWC - Internacional Wine Challenge - Londres - Reino Unido (Prova Cega)

18) Concurso Internacional de Vinhos da Cidade do Porto - Câmara de Agricultura do Norte com apoio de Ofício Internacional da Vinha e do Vinho e da União Internacional de Enólogos

19) Concurso International Wine Contest - Bruxelas

20) Concurso Mundus Vini - Neustadt - Alemanha

21) Concurso Vinalies International - Paris, Fr. (P. Cega)

22) Concurso (para produtores) IWSC - The International Wine & Spirit Competition - Londres, Reino Unido

23) Concurso Sommelier Wine Awars - Londres, RN

24) Concurso Decanter World Wine Awards - Revista Decanter – Londres, Reino Unido

25) Concurso The TOP 100 da Wine Spectator - Revista Wine Spectator – Estados Unidos da América.

26) Concurso do Top 100 Cellar Selections da revista Wine Enthusiast – EUA

27) Robert Parker’s 100-Point Wine da revista Wine Advocate. – EUA

Apenas destaco que aparecer nas revistas de vinho internacionais com prémios do ano é uma das mais relevantes garantias de sucesso e reconhecimento de qualquer vinho nacional. Com isto me despeço, cara Berta, espero que tenhas gostado, beijo do teu velho amigo,

Gil Saraiva

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

Em destaque no SAPO Blogs
pub