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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Campo de Ourique - Incêndio III - Um Fogo Que Arde Sem Se Ver - Edifício Inabitável

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Olá Berta,

Afinal, contrariando a ideia de serenidade que me tinha sido transmitida quando te escrevi a última carta, parece que o Incêndio à Minha Porta em Campo de Ourique, na Rua Francisco Metrass, 59, é como as novelas mexicanas, ou seja, tem sempre mais uma volta na ponta. Desta vez com possibilidade de vir a gerar ainda mais danos, para além daqueles que o próprio fogo infligiu.

Vou resumir os episódios passados e somar em simultâneo os novos dados, porque, infelizmente, por ser vizinho acabo por vir a saber mais do que o que é aparente.

Na passada sexta-feira um incêndio (provocado por uns grelhados na varanda de umas águas-furtadas, devido à distração de um ancião de 80 anos, a que chamei carinhosamente de “senhor Manuel”) fez arder as coberturas do edifício, direito e esquerdo do número 59.

Os danos foram afinal bastante superiores aos que primeiramente me foram relatados. No relatório oficial da fiscalização às condutas do gás, que abastece o prédio, acabou por prevalecer a conclusão que o mesmo teria de ser integralmente reinstalado, ou seja, o edifício teria de colocar uma nova infraestrutura para abastecimento de gás, sem a qual continuaria inabitável por força dos danos causados na conduta geral. Este dano afetou igualmente o Restaurante Cervejaria Europa, por a instalação ser a mesma.

Face a isso, não só deixou de haver abastecimento de gás para os vários andares como o restaurante Cervejaria Europa, conforme referi, se viu privado de confecionar os habituais acompanhamentos para as refeições tendo que fechar.

Assim, nesta segunda-feira, a Cervejaria Europa estará encerrada. Só a Farmácia Porfírio continuará a funcionar porque não utiliza qualquer fonte de gás para a sua atividade.

Já os estragos no prédio foram bem piores do que aquilo que se pensava no início. Os três andares (direito e esquerdo) foram declarados inabitáveis e o edifício encontra-se vazio de moradores. No terceiro piso as duas águas-furtadas (direita e esquerda) terão de ser reconstruídas de raiz, o mesmo acontecendo com o segundo andar direito, pertencente à proprietária da Farmácia e que de momento se encontrava vago para alugar.

Contudo, todos os apartamentos restantes precisam de obras de restauro. Quanto aos inquilinos, à parte do senhor Manuel (que segundo fonte do prédio, foi transferido ontem da casa de um dos filhos para um lar), todas as outras 4 famílias estão alojadas provisoriamente em casa de parentes próximos, solidários com a situação.

De solidariedade também fica a precisar o restaurante Cervejaria Europa e de uma forma urgente.

O fogo que arde sem se ver vem precisamente da situação em que ficam as 6 pessoas que trabalham no estabelecimento. Na verdade, ainda a tentar recuperar dos danos causados pelo fecho imposto pelos tempos de confinamento, o senhor Paulo, gerente da empresa de restauração em causa, vê-se agora a braços com mais um encerramento forçado, sem conseguir fazer uma ideia de quanto tempo esta situação poderá vir a demorar, face à problemática entretanto criada, na divergência de opiniões entre a Cervejaria Europa e o filho do “senhor Manuel” que aparentemente se assumiu como o responsável pelo pagamento da substituição das condutas do gás.

A coisa apresenta agora, com alguma tristeza, todos os ingredientes de um diferendo que poderá muito bem vir a terminar na insuportável teia dos tribunais portugueses. Mas o que se passa afinal? De uma forma simples são duas opiniões opostas. O filho do “senhor Manuel”, que assumiu pelo pai a responsabilidade das obras nas condutas de gás, exige a orçamentação de todos os custos inerentes aos trabalhos por parte de um conjunto de empresas especializadas, enquanto o restaurante prefere usar o mesmo empreiteiro que já foi responsável por quase todas as últimas obras do prédio, desde a da rede elétrica à da reconversão do apartamento do segundo andar, direito, propriedade da Doutora Graça, da Farmácia Porfírio. A razão desta preferência prende-se com a rapidez na execução dos trabalhos a realizar.

O senhor Paulo alega a possibilidade deste construtor poder ainda hoje substituir tudo e pedir inspeção amanhã ou depois, porque não só conhece bem o edifício, como tem disponível tudo o que é necessário para a completa realização dos trabalhos. Isso permitiria ao restaurante não ter 6 pessoas sem trabalhar durante demasiados dias e evitar que a situação da Cervejaria Europa se possa afundar mais, numa altura em que ainda mal começara a recuperar do fecho obrigatório derivado do confinamento.

A situação é de tal forma grave que a gerência da Cervejaria pondera levar o caso para tribunal, exigindo indeminizações (à empresa e aos funcionários) à outra parte, por todo o tempo em que estiverem de estar fechados, por força na demora nas orçamentações, na escolha de empreiteiro consoante os orçamentos apresentados, no tempo imposto para a conclusão da obra e, finalmente, na respetiva inspeção das condutas por parte da entidade responsável pela verificação dos trabalhos.

Porém, vistas as coisas na perspetiva do filho do “senhor Manuel”, a orçamentação por vários empreiteiros poderá evitar custos acrescidos numa despesa que não se avizinha pequena. Ambas as situações me parecem plausíveis de terem argumentos válidos.

Do meu ponto de vista, amiga Berta, o melhor seria que todos se entendessem por forma a evitar mais conflitos, problemas e situações que podem acabar mal.

A melhor solução, mas quem sou eu para opinar, seria um entendimento de meio termo. O empreiteiro do costume faria as obras já, em troca de não haver pedidos de indeminização fosse de que tipo fosse por parte da gerência do restaurante. Todavia, isto sou eu que estou de fora a falar. De qualquer maneira espero que impere o bom senso. Com um beijo me despeço, querida amiga, seguido de um até amanhã, deste que nunca te esquece,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Um Incêndio à Minha Porta - O Rescaldo

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Olá Berta,

Conforme te informei ontem houve um incêndio aqui perto de casa, a menos de 50 metros, num terceiro andar, como o meu, mas esse de águas-furtadas. Estive lá a falar com os comerciantes e alguns moradores, mas não existiam ainda algumas certezas no que se referia à segurança e estabilidade do prédio. Quando abandonei o lugar ainda se estavam a avaliar condições técnicas e de habitabilidade para o edifício e também para o funcionamento dos 2 espaços comerciais do rés-do-chão. Estou a falar do fogo que deflagrou na Rua Francisco Metrass no número 59, onde por baixo fica a Cervejaria Europa e a Farmácia Porfírio, aqui bem no centro da minha aldeia de Campo de Ourique.

Soube já, durante este último sábado, que a estrutura do prédio não foi afetada e que está tudo dentro das normas nas condutas de gás que abastecem os moradores, que era a situação mais preocupante. Devido a isso quer o Restaurante Cervejaria Europa quer a Farmácia Porfírio poderam laborar, todo o dia, dentro da normalidade e sem problemas de maior. O senhor Paulo, gerente do restaurante, foi quem teve mais trabalho, ainda na sexta-feira, pois passou o resto da tarde em limpezas devido a alguma fuligem que lhe entrou porta adentro e também à água suja que lhe deixou a esplanada num estado caótico. Contudo, tudo ficou resolvido e ao final do dia já sabia que poderia voltar a abrir portas este sábado.

No rescaldo do incêndio também consegui saber que os 4 feridos ligeiros já se encontram bem e que nunca estiveram em perigo, na generalidade, a inalação de fumo foi a causa das assistências hospitalares. Também soube que todos os que não puderam regressar a suas casas foram realojados ou pela autarquia ou junto de familiares. Ficará a faltar tratar da cobertura de todo o edifício antes da chegada do próximo inverno.

Infelizmente não consegui descobrir para onde foi o senhor Manuel (nome fictício que usei para falar do ancião na habitação de quem, por descuido, se iniciou o fogo). Esse senhor é a pessoa que mais me preocupa, não apenas devido à idade, que já ultrapassou as oito décadas, mas principalmente porque deve estar bastante afetado com a tragédia que agora vive. Por ser fim de semana não consegui saber nada na Junta de Freguesia, contudo, penso que não terá sido descurada a sua situação.

Espero que continues a passar um bom fim de semana e até amanhã cara Berta. Recebe um beijo de despedida deste saudoso amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: A Minha Rua no Bairro de Campo de Ourique: O Meu Regresso... - Parte II

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Olá Berta,

Agora, neste instante, estou um pouco mais em baixo de forma do que antes, mas queria deixar-te o restante relato deste meu regresso à minha rua, a Francisco Metrass, no meu doce Bairro de Campo de Ourique. Com efeito, num caso normal, nunca me teria sido dada alta do hospital, porém, estes são tempos Covídeanos, totalmente diferentes dos anteriores. Nem na medicina os protocolos são os que já foram. Na maioria das situações as consequências são graves e severas.

O Covid-19 impede, pelo simples facto de existir, a realização de uma série de operações não intrusivas, que utilizem aerossóis ou sistemas avançados de lazer, entre outras coisas, pelo que consegui apurar. Como não és médica posso falar assim, se fosses, se calhar era já corrigido com mil e um detalhes técnicos. Contudo, o que importa mesmo é que a cirurgia moderna está, neste momento, amputada de muitos dos seus avanços.

Ontem, ao início da manhã, o meu médico, o diretor de cirurgia geral do hospital, o Doutor José Guerreiro, mandou, tal como tinha feito no dia anterior, retirarem-me mais sangue para se poderem efetuar novas análises de forma a determinar, entre outras coisas, como estavam os níveis da Proteína C Reativa, um palavrão que descobri estar relacionado com a gravidade da minha infeção na vesícula.

Achei giro o facto do homem me fazer lembrar, desde que o conheci, o meu pai, também ele um médico cirurgião cuja vida já terminou há bem mais de 2 décadas. Não sei bem o porquê. Talvez o ar concentrado e conhecedor com que fazia a sua regular apalpação da minha pança, detetando, antes de mim, onde eu ainda deveria ter dores e a respetiva intensidade das mesmas.

Por fim, a meio da tarde, veio, pela terceira vez, examinar-me e só depois me confrontou com os factos. O cuidado com que usou as palavras para que eu entendesse o que se passava chegou a ser enternecedor. Em termos muito simples explicou-me que a infeção estava tratada a 90%. Se fossem tempos normais eu poderia ser operado pela “técnica dos furinhos” e, daí a dias, estaria de volta a casa, totalmente curado.

Contudo, a atualidade, imposta pelo Covid-19, impedia esse processo e ele teria de regredir, voltando ao método intrusivo da facada, cujo processo, embora ainda eficaz, era de mais difícil recuperação pós-operatória e estenderia a minha estadia no hospital numa altura pouco recomendável, para uma pessoa que tinha acabado de passar por 9 AVCs e que apresentava bastantes problemas respiratórios, devido aos meus mais de 50 anos de fumador inveterado. Ele recomendava, por isso, o meu regresso a casa, com dieta rigorosa e continuação de tratamento, até os novos métodos cirúrgicos poderem voltar a ser usados.

Marcou-me uma consulta para dia 8 de maio, para poder reavaliar a situação na altura. Acedi de imediato. Por isso o meu regresso ao Bairro de Campo de Ourique, passou de uma miragem a um facto de efeitos imediatos. A minha alta hospitalar foi dada pouco mais de uma hora depois.

De calças e blusa interiores pretas, revestidas por um roupão bordeaux de algodão polar, com umas sapatas de pele de andar por casa, bem serranas, calçadas, entrei no táxi já artilhado pelas novas normas covídeanas. Banco de trás, devidamente separado do condutor por um novíssimo acrílico protetor.

Por fim, cheguei ao meu bairro, à minha rua e à minha porta. Estava eu aflito, entre dores, para tirar a chave para abrir a porta da rua, vejo vir a correr, do outro lado da estrada, na minha direção, a neta da minha vizinha do rés-do-chão, de chave na mão, pronta a ajudar-me a entrar.

Não havia o que duvidar, estava em Campo de Ourique. Perguntou-me se precisava de ajuda para subir os 3 andares. Agradeci, mas disse não ser necessário e ela partiu, de novo, depois de me ver entrar no prédio. Levei 8 minutos a chegar à porta de casa. Finalmente entrei, cansadíssimo, mas feliz, pois estava de regresso ao lar. Acaba aqui, no ato de fechar a porta, o meu regresso a porto seguro. Recebe um beijo deste teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

Carta à Berta: A Minha Rua no Bairro de Campo de Ourique: O Meu Regresso... - Parte I

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Olá Berta,

Minha muito querida amiga, estou de volta. Regressei a casa ontem, ao final do dia 14 de abril, finalmente. Retornei ao meu doce lar, na Rua Francisco Metrass, no meu amado Bairro de Campo de Ourique. Podes achar banal e pensar que voltar ao bairro após 12 dias de ausência é algo de pouco relevo e de somenos importância, mas estás totalmente equivocada.

Chegar aqui, para mim, é muito mais do que um simples retorno. É um regresso ao ninho, à segurança deste planalto feito de gente que me é querida, de pessoas que se importam com o vizinho do lado e que estiveram a torcer por mim, como se eu fosse seu familiar chegado. Sim, sim, não te iludas, aqui existe solidariedade, carinho, empatia, amizade e preocupação genuína pelo próximo.

Em Campo de Ourique também vivem os novos habitantes pomposos, desde que o bairro virou moda. É verdade, mas desses, mesmo desses, mais de metade já foi infetada beneficamente pelo espírito corrente. Os outros, salvo sempre as honrosas exceções dos cara-de-pau, também acabarão por ceder aos usos e costumes da minha aldeia, tão minha como de todos os que aqui habitam ou habitaram num passado mais ou menos remoto, mas para quem o sentimento de saudade não esmorece ou se perde na memória dos tempos.

Enfim, voltei, porém, não regressei curado. Dias haverá em que não terei condições de te escrever e por isso peço previamente todas as minhas antecipadas desculpas. Ter pedras a passear pela vesícula é como ter comigo, permanentemente, um cão com trela a morder-me o estômago, por baixo do plumão direito. Às vezes o cão abana a cabeça, como quem desafia o dono a fazê-lo largar o osso. Nessas alturas a dor é lancinante e eu mal consigo ver, quanto mais escrever. Não voltei operado e a culpa é do Covid, mas amanhã explico porquê.

Contudo, existirão outras ocasiões em que, graças aos anti-inflamatórios, antibióticos e analgésicos, o cão ou dorme ou apenas morde de leve o osso, ou ainda somente se passeia preso pela trela. São estes os momentos em que te redigirei as cartas referentes aos dias que fiquei sem te escrever. Pela descrição de cada carta entenderás, pela data, a que dia me refiro.

Conjuntamente, irei mandando as cartas referentes aos dias atuais, esperando que tenhas paciência de leres mais do que uma carta por dia. Não leves, por favor, minha amiga, a mal o meu uso de algumas piadas, se bem que nem todas terão graça, de ironia ou sarcasmo, mas eu sou mesmo assim. Até sobre o que me acontece nunca consigo deixar de utilizar o humor como arma do meu teimoso otimismo. Em resumo, voltei ferido de asa, mas com uma tremenda vontade de voar. A ti, minha amiga, o meu obrigado pela amizade que sempre mantiveste viva.

Na carta de amanhã explicar-te-ei porque não voltei curado. Mas temos tempo, se continuares disposta a ler-me e a escutar as vivências e observações deste teu amigo, despeço-me com um terno beijo,

Gil Saraiva

Carta à Berta: A Minha Rua no Bairro de Campo de Ourique: A Minha Saída...

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Olá Berta,

Continuo hoje o tema de: “A Minha Rua no Bairro de Campo de Ourique”. Rua que amanhã vou ter de abandonar, embora muito contrariado. Para os que por cá continuam vai o meu conselho de que mantenham o maior confinamento que vos for possível. Arranjem maneira de sair o menos possível, coordenado a ida ao supermercado com a aquisição de pão ou a deslocação ao banco, evitando desse modo 3 ou 4 saídas por semana.

Assim sendo, hoje venho dizer-te, com grande tristeza minha, que não poderei escrever-te nos próximos dias. Quando puder tentarei compensar-te com as cartas em falta. Com efeito, estou doente, o problema dura há 3 dias e, finalmente, lá me decidi a ir ao hospital, eu que tenho um pavor genuíno a esse local e a batas brancas, o que é algo que me deixa terrivelmente afetado. Amanhã, pela manhã, darei entrada no hospital São Francisco Xavier.

O meu problema não tem relação com o Covid-19. Tem a ver com dores em barra numa zona no estomago e que pode bem vir a ser, a minha segunda crise de vesícula, ou uma outra infeção qualquer. Os últimos anos têm sido complicados. Há 3 anos uma pedra entupiu-me o canal biliar e só por insistência de um médico estagiário não bati a bota com uma septicémia. Levei 4 meses a recuperar porque o meu médico se esqueceu de me dar o devido tratamento para o fígado, que foi bastante afetado pelo contraste administrado na operação. O ano passado foi a vez do AVC, aliás, 9 no total, num espaço de 6 meses.

Anos antes, muitos até, tive 6 meses em coma, devido a um problema relacionado com a explosão de um petardo na tropa, coisa que foi muito bem abafada pelo exército na altura e que para além da baixa de serviço militar por incapacidade física me deixou um ano e pouco a lutar contra a imobilidade causada pelo acidente e um tempo idêntico a recuperar de um problema de recuperação da fala, depois disso, por 2 vezes, separados por anos, 2 cancros de pele, sendo que o primeiro foi bem mais grave que o segundo.

Em resumo, com alguns azares, e sendo eu um otimista nato, considero tive muito poucos problemas de saúde. No entanto, ir, no meio desta crise, para um hospital, onde provavelmente ficarei internado, ainda me deixa mais inquieto que o normal. Tenho consciência que o meu pavor a hospitais vem do meu internamento no anexo do hospital militar onde passei alguns, muitos, meses, no passado, foi aí que ganhei esta espécie de fobia. Porém, tempos especiais obrigam a procedimentos diferenciados. Não sei bem como, mas parece-me evidente que vou ter de arranjar uma forma de vencer o meu tolo pavor.

Enfim, amiga Berta, deseja-me sorte, vou precisar dela mais uma vez. Podes não acreditar, mas mesmo tendo saído de casa apenas por 4 vezes nos últimos 47 dias, já estou com saudades do meu bairro, da minha rua e da minha casa. Deixo-te com um beijo saudoso, deste teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

Carta à Berta: A Minha Rua no Bairro de Campo de Ourique: Pingo Doce

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Olá Berta,

Estou a pensar em ti, “yéh, yéh, nanana, na yéh”! Desculpa lá a brincadeira, mas a música da “olá nina” dos “Da Weasel” veio-me à cabeça. Continuando a saga de ontem, sobre a minha rua no Bairro de Campo de Ourique, chega hoje a vez de falar do Pingo Doce, pertencente ao Grupo Jerónimo Martins, depois da carta passada ter sido dedicada ao Go Natural da Sonae.

Ouvi na televisão o nosso primeiro-ministro chamar de inadmissível e repugnante a atitude dos líderes holandeses, na reunião dos dirigentes governamentais europeus, pela forma como estas cabeças que, para além de serem contra a mutualização da dívida dos países na Europa, e opondo-se à criação dos chamados “eurobonds” (uma forma de dividir igual e solidariamente por todos a despesa conjunta no confronto com o coronavírus), ainda tinham referido que o importante era inspecionar o modo como Espanha estava a gerir o dinheiro. Ouvi e gostei. A expressão repugnante de António Costa se pecou por alguma coisa foi apenas por contenção.

De realçar que se tratou de uma observação deveras grotesca perante a realidade atual. Depois disso, começo a pensar que está na altura da Galp, a Jerónimo Martins e todas as empresas do PSI-20 da Bolsa Nacional abandonarem os holandeses à sua sorte e regressarem a Portugal, mesmo que, para isso, tenham de pagar alguns impostos a mais.

Questiono-me se a honra e a decência são coisas a que se possa atribuir um preço de mercado, ou seja, estará, hoje em dia, a honra à venda? Estou a imaginar o mercado de ar livre chinês, de venda de alimentos e animais vivos e mortos, em Wuhan, onde (ao lado das bancadas de ratazanas peladas, de cobras, de cães e de gatos, cujo abate se faz ao vivo, de bidões a transbordar de morcegos mortos) poderiam existir bancas imaculadas com os representantes máximos de algumas empresas nacionais (como são os casos da Galp, da EDP, da EDP Renováveis, da REN, do Pingo Doce da Jerónimo Martins, do Grupo Sonae, dos CTT e da Navigator, entre outras mais) a vender honra, às postas, bem ao lado do pernil de cachorro ou do gatinho descabeçado pronto a ir para o forno.

É que, depois desta tomada de decisão, dos representantes holandeses e da sua total falta de respeito e solidariedade para com todos os europeus, eu não consigo entender como é que as principais empresas do nosso mercado bolsista conseguem manter a face, continuando sediados num país que mantém a descriminação dos povos do Sul da Europa. Não só demonstra falta de honra, como de total ausência de vergonha na cara. Se Costa, embora contido, esteve bem, os donos disto tudo mereciam uma lição idêntica de ética e moral por parte dos portugueses.

E se todos nós deixássemos de frequentar o Continente e o Pingo Doce e passássemos para o Minipreço ou para os pequenos mercados e simultaneamente trocássemos a Galp e a EDP pela Endesa ou a Iberdrola? Eu já o fiz, evito ao máximo que posso utilizar empresas com sede ou com os negócios a rodar pela Holanda, país que não é à toa que é chamado de Países Baixos, eles estão mesmo, abaixo de cão, e nem mesmo esta expressão é a mais feliz. Contudo, eu sou só um.

Se eu fosse político e tivesse a habilidade de Costa, a ponderação de Rui Rio, a garra de Catarina Martins, a teimosia de Jerónimo de Sousa, o impulso voluntário do Chicão e o descaramento arrogante de Ventura, talvez conseguisse criar um movimento que levasse os portugueses a agir nesse sentido, infelizmente, porém, sou apenas um jornalista e um escritor editado maioritariamente nas gavetas do meu escritório, enfim, um poeta, que, ainda por cima, está fora de moda nesta que é a era da imagem. É uma pena.

Pronto, acabo de reparar, que deixei a minha análise ao Pingo Doce para trás. Desculpa lá, Bertinha. A minha energia para refutar estas coisas absurdas fez-me desviar da finalidade desta carta. Mas regresso agora ao tema. Mais vale tarde do que nunca. A foto de hoje é uma montagem da Rua Francisco Metrass, onde podes ver bem a quantidade de gente que agora inunda a minha rua e só vês o Pingo Doce.

Mesmo fechando às 5 da tarde, este supermercado, continua a ser a principal referência de compras alimentares desta zona ou não fosse o eleito pela classe média para as aquisições gerais. Por isso mesmo é normal, agora que as pessoas não se podem acumular no interior, que a rua tenha decuplicado em indivíduos espalhados pelo passeio.

Fico até hesitante se hei de chamar filas ou bichas ao que vou vendo por aqui. Seriam filas se efetivamente todas as pessoas mantivessem os 2 metros da distância de segurança, conforme o recomendado pela DGS, contudo, partes há em que a proximidade é por demais evidente. Ora, nesse caso, talvez seja mais correto empregar o termo bichas, pois aquela gente parece realmente querer pegar de empurrão. O que te parece, minha amiga?

Sei que não é a melhor das imagens para terminar uma carta, mas fazer o quê? Aconteceu. Despeço-me carinhosamente. Se não aparecer nada mais urgente, nas próximas cartas falarei do Minipreço e da Farmácia Porfírio. Recebe um beijo sorridente do teu amigo,

Gil Saraiva

Carta à Berta: Saudades do Stop do Bairro e de João Sabino

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Olá Berta,

Não sei se alguma vez te cheguei a levar ao Stop do Bairro antes do proprietário, o João Sabino, falecer e antes mesmo de ter de mudar o restaurante mais icónico do Bairro de Campo de Ourique para Campolide. Era um homem extraordinário o João, foi com muito pesar que, na altura, o acompanhei até ao seu último destino. Deixou-me umas saudades imensas este meu velho amigo.

Não só eu perdi um grande amigo como o bairro perdeu uma das suas figuras maiores. Estava-te a perguntar isto porque eu tinha começado a organizar-lhe a garrafeira do restaurante, apenas por amizade, precisamente, na altura em que ele foi expulso pela senhoria, também ela aqui do bairro, naquele que foi um contrato de arrendamento (e de abuso de confiança) em que ele, coitado, não leu que o novo período de renovação não era atualizável e, na sua boa fé, o assinou.

Diz-me minha amiga, nunca te falei da Garrafeira do Stop do Bairro? Pensando no assunto, acho que não. Infelizmente, também o filho mais novo do João Sabino, haveria de falecer pouco depois vítima de uma overdose, não sem antes ter dado sumiço a mais de um terço daquela maravilhosa adega vendendo ao desbarato, pela necessidade de alimentar o vício. Contudo, isso são contas de outro rosário. Aquilo de que te queria mesmo falar era daquela que foi a maior e melhor garrafeira de vinho tinto do Bairro de Campo de Ourique.

Foram precisos 3 meses, com a ajuda de mais 3 pessoas, o Manuel, irmão do João, a Patrícia, funcionária da casa e o Victor, um bom amigo do proprietário, para elaborar um catálogo de 5 volumes, todos de lombada de 8 centímetros, com a classificação e levantamento dos vinhos tintos em causa. A garrafeira teria no seu conjunto, aos preços de hoje, um valor global a rondar os 200 mil euros, se estivesse ainda completa.

Alguns vinhos já só valiam pela antiguidade, por serem ainda datados do século XIX. Mas era nos vinhos tintos de excelência que o destaque era absolutamente admirável, desde as garrafas, ainda em caixas, da “Quinta de Vale Meão”, de “Pêra Manca”, às de “Barca Velha”, tudo se conseguia encontrar na notável coleção de garrafas do precioso néctar de fazer inveja às “Caves de Baco”, se o deus da antiguidade tivesse uma adega. João faria, em maio deste ano, 83 anos e deixou-me uma saudade imensa.

Uma boa parte da coleção ainda hoje se encontra disponível na lista especial de vinhos do Stop do Bairro, agora deslocada para Campolide, mas mantendo a notabilidade da cozinha da Dona Rosa, a célebre e maravilhosa cozinheira (e ainda sócia) do restaurante.

É com a memória de um excelente espaço e de um maravilhoso ser humano que me despeço por hoje minha querida, recebe um abraço apertado, deste teu amigo,

Gil Saraiva

5.ª Edição do Mercado do Vinho e Enchidos no Mercado de Campo de Ourique

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Olá Berta,

Já te estava a escrever outra carta quando recebi um aviso no meu correio eletrónico. Fui ver. Ao abrir deparei-me com o anúncio da realização de um evento que me tinhas pedido para avisar quando voltasse para uma nova edição. Não sei se ainda te lembras, mas quando te enviei o resumo dos eventos do primeiro trimestre do ano passado em Campo de Ourique, falaste no interesse que tinhas em saber quando se voltaria a realizar este ano e pediste para te prevenir. Infelizmente a minha notícia parte um pouco tarde, começou hoje e termina amanhã. De qualquer maneira e como o prometido é devido, aqui fica o anúncio.

Estou certo que já adivinhaste do que estou a falar. Com efeito, começa hoje a Quinta Edição do Mercado do Vinho e Enchidos no Mercado de Campo de Ourique. Como já é habitual, serão 2 dias dedicados a quem aprecia os aromas e as degustações de Baco enquanto prova ou compra alguns dos melhores enchidos nacionais. Não faltará o paio, o chouriço, a linguiça, a farinheira, a morcela e a tradicional alheira, mas há mais surpresas, se te apetecer fazer uma visita a Lisboa, de preferência amanhã, uma vez que será esse o dia principal do evento. Serás, obviamente, muito bem acolhida por este teu amigo.

O primeiro dia, hoje, 28 de fevereiro, conta, a partir das 21 horas, com o acompanhamento musical do grupo Groovelanders, banda sobre a qual já te falei noutras vezes, que inclui os elementos habituais, nomeadamente, Robert Light, Sescon, Mano e Felippe. Quanto às sonoridades, minha querida, eles começam nos anos 50 e, sem esquecer os 60, 70, 80 e 90, chegam mesmo até alguns dos maiores sucessos da atualidade. Os géneros são variados, desde o pop ao rock, jazz, soul, funk e disco. Uma excelente banda para ouvir enquanto, sentados numa das mesas da praça central do Mercado de Campo de Ourique, se bebe um bom copo de vinho tinto e nos deliciamos com um delicioso paio fumado concebido na mais genuína tradição nacional.

O dia 29 conta com o principal cartaz desta edição do Mercado do Vinho e Enchidos. Podes acompanhar as variadas provas de vinho de marca, como, por exemplo, Vinalda, Felix Rocha, Iberica Wines, Família Carvalho Martins, Casa Santos Lima e José Maria da Fonseca. Por outro lado, vão haver 2 workshops a não perder. O primeiro, pelas 5 da tarde, organizado pela Adega Caminhos Cruzados e logo de seguida, pelas 18 horas, com o patrocínio da Best Wine Team, que é uma empresa de produção, distribuição e exportação de vinhos nacionais, terá lugar o segundo e último workshop do dia.

Não te referi, por me parecer óbvio, mas onde há vinho e enchidos também se encontram os azeites e os queijos de diferentes regiões do país. Aliás, nenhum evento deste género estaria completo sem a prova dos queijos portugueses a acompanhar os enchidos. O realce para os enchidos deve-se não só ao seu maior peso neste evento, mas, principalmente, pela importância que têm tido ao longo destas 5 edições do Mercado do Vinho e Enchidos, neste local tão característico, moderno e tradicional como é o Mercado de Campo de Ourique.

Quanto à animação do dia 29 podes acompanhar os sons e a dança do Rancho Folclórico do Bairro da Fraternidade, bem na hora do almoço, pela uma e meia da tarde e, depois, para abrir o apetite para o jantar é hora de se fazer silêncio porque se vai cantar o fado. Em palco estarão Maria Carvalho Silva, António Duarte Martins e Jerónimo Mendes.

Francisca Costa Gomes inicia o seu espetáculo pelas 21:30. A cantora nacional da Música Soul, uma voz ímpar no panorama português, é, a meu ver, razão necessária e imperativa para não se perder esta 5.ª edição do Mercado do Vinho e dos Enchidos no Mercado de Campo de Ourique. Recomendo-te que procures uma das suas músicas no youtube, vais ficar espantada, amiga Berta, com o que vais ouvir. Recomendo especialmente a música original da cantora, denominada “Gaducho”. Ninguém diria que estamos a escutar a mesma menina que aos 17 anos foi rejeitada no concurso “Ídolos”. Agora, 10 anos mais tarde, dá gosto ouvir a sonoridade e o timbre únicos de Francisca Costa Gomes.

Com esta panorâmica do que podes encontrar neste final de fevereiro no Mercado de Campo de Ourique me despeço, com um beijo amigo,

Gil Saraiva

Carta à Berta: O Mapa do Bairro de Campo de Ourique

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Olá Berta,

Peço desculpa por continuar dentro da temática do meu bairro, mas Campo de Ourique é mesmo assim, cheio de paixões e carregado de sentimentalismos, recordações, saudades e exclamações apaixonadas.

Uma senhora muito simpática questionou-me hoje, no Facebook, se eu ainda tinha o mapa do bairro, o mesmo que publiquei em A2 no “Javali de Campo de Ourique” e, mais tarde, em A3 no magazine Lisboa com Alma. Falando em nome dela, e de umas amigas, indagava-me sobre a possibilidade de o publicar numa das próximas crónicas, pois que, tinha possuído o exemplar que fora editado em A2, em papel de jornal, mas, nas últimas chuvas, deixara-o perto de uma janela aberta e perdera o mapa.

Depois de trocarmos um diálogo, que muito feliz me deixou, combinei com ela inclui-lo na tua carta hoje, porém, sem a legenda que é muito extensa e em letra muito pequena, difícil de digitalizar e de voltar a publicar com um mínimo de qualidade.

Conforme poderás constatar a forma de um javali parece-me evidente ao se olhar para os limites do bairro. Para ser um elefante, como alguns reivindicam, teria de ter uma tromba maior na zona que, para mim, me parece bem mais um focinho, do que outra coisa qualquer. Contudo, também dou razão a quem ache seja o que for.

Afinal, o que é realmente importante é o mapa do bairro em si e não se parece um javali, um elefante ou um qualquer outro animal com pernas e focinho, não interessa mesmo. A referência ao javali era apenas uma curiosidade por jogar com o temperamento de um bairro, sempre vivo e em evolução constante, de renovação em renovação, dentro dos seus limites geográficos.

Podem fechar este mês 10 lojas e 5 restaurantes, mas, logo no mês seguinte, abrem outros tantos ou mais, se preciso for. Criando-se esta dinâmica quase selvagem do bairro, que luta para manter essa identidade magnifica de continuar a ser o maior centro comercial de ar livre de Portugal. Isso sim é que é bonito e realmente relevante.

Ainda na semana passada abriu um novo restaurante que visitei e que muito me agradou. Bom ambiente, gente bonita no atendimento, excelente comida com assinatura de chef de cozinha e uma música ambiente deveras agradável. Apenas um pouco carote para o meu bolso pouco abonado, mas não me vou alargar mais, pois vou-te falar dele numa das próximas crónicas, porque acho que realmente merece o destaque.

Com esta pequena surpresa, a revelar proximamente, me despeço de ti, certo de que vais achar graça ao meu mapa. Recebe, minha querida Berta, um beijo bem repenicado e um forte abraço, deste teu eterno amigo,

Gil Saraiva

Carta à Berta: O Requerimento à Câmara Municipal - Ruído em Campo de Ourique

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Olá Berta,

Escrevi ontem um requerimento para a Câmara Municipal de Lisboa. Não fiques intrigada, isto sou apenas eu farto dos abusos praticados nas cargas e descargas dos 3 supermercados da Rua Francisco Metrass em Campo de Ourique. Já se tornou banal os camiões chegarem antes das 6 da manhã, como se fossem realmente os Reis da Rua. Nem sequer distingo o Minipreço, do Pingo Doce ou do Go Natural (da Sonae). São os 3 em conjunto que geram o problema. Em resumo, o direito ao descanso da vizinhança e ao respetivo silêncio, não tem lugar na ordem de prioridades destas superfícies do retalho.

Mando-te, embora tenha tapado os meus dados pessoais com uns “aliens”, uma cópia do requerimento enviado para a autarquia. Nele solicito 3 coisas:

  1. Uma fiscalização devidamente bem elaborada que acabe, definitivamente, com os abusos praticados no que se refere aos horários de cargas e descargas presentemente em vigor na Rua francisco Metrass em Campo de Ourique, mas uma fiscalização que multe e penalize esta gente de acordo com o que a própria lei prevê;
  2. Um esclarecimento sobre como é possível uma deliberação e regulamento camarário se poderem sobrepor aos Decretos-Lei que se encontram em vigor no que concerne ao Regulamento Geral do Ruído.
  3. Um pedido de alteração do horário de funcionamento das cargas e descargas, para tentar que o mesmo só seja autorizado a funcionar a partir das 8 horas da manhã.

Eu sei que provavelmente esta última solicitação vai cair em saco roto. Afinal estas cargas e descargas afetam pouco mais de 200 pessoas. Um peso que pode não chegar para obrigar a Câmara Municipal a repensar o horário atribuído a estes “aliens” que, por não pertencerem ao bairro, se estão nas tintas pelo respeito de vizinhança que deveriam ter.

Contudo, se for efetuada uma fiscalização séria aos abusos no que aos horários diz respeito, pode ser que, com sorte e algum bom senso, deixem de existir cargas e descargas antes das 7 da manhã, o que, a acontecer, já era um progresso muito significativo.

Estou ainda curioso de saber como a Câmara vai ou não contornar o facto de estar a fazer letra morta do Regulamento Geral do Ruído ao colocar horários de carga e descarga de camiões, em áreas residenciais, antes da hora estipulada por aquele regulamento.

Prometo enviar-te notícias assim que obtiver uma resposta final dos serviços. Porém, caso tudo fique em águas de bacalhau, estou decidido a avançar para um abaixo assinado a enviar conjuntamente com um segundo requerimento, espero é que isso não seja preciso, mas apenas pela trabalheira que dá e pelo tempo que demora.

Por hoje é tudo, despeço-me com um abraço enorme, sempre saudoso, este que não te esquece,

Gil Saraiva

 

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