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Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro

A partir de julho de 2022 os blogs do Senhor da Bruma, assinados por Gil Saraiva, são reunidos em "alegadamente". Os blogs: Estro (poesia), gilcartoon (cartoons) e Desabafos de um Vagabundo (plectro) passam a integrar este blog. Obrigado.

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Carta à Berta: Paulo Rangel, Homossexualidade e Presidência - 558

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Olá Berta,

A minha carta de hoje tem a ver com o facto de Paulo Rangel se estar a candidatar à liderança do PSD. O facto é relevante porque, sendo Rangel um assumido homossexual, a sua liderança, caso ganhe a presidência do seu partido pode, pela primeira vez na história da democracia portuguesa, colocar um gay à frente de um dos dois principais partidos portugueses, um dos partidos que, dentro da alternância democrática nacional, pode vir a ganhar umas eleições e a formar um governo no país.

Ora, esse facto levanta-me uma questão: poderá um homossexual, por força das suas preferências, governar o país de uma forma que prejudique aqueles que não se enquadram na sua minoria? À partida, quando penso no assunto, não vejo qualquer problema que possa surgir por força da orientação sexual privada de um qualquer líder ou governante. Mas, numa análise um pouco mais profunda, chego à conclusão de que posso estar completamente enganado nessa primeira avaliação.

Quero eu dizer, amiga Berta, que tudo depende do homossexual em causa, ou seja, se se tratar de um defensor da implementação de uma política ligada ao movimento LGBTQIA+, a agressiva agenda de intervenção governativa do movimento já não me faz sentir tão confortável com a concretização dessa possibilidade tendo em conta o país.

Mas é melhor, minha amiga, que eu comece por explicar o que significa a sigla LGBTQIA+, que está cada vez mais inclusiva. Importa pois explicar o que significa cada uma das letras, por forma a evitar dúvidas:

L – Lésbica: mulher que sente atração afetiva e ou sexual por outras mulheres, ou seja, por um relacionamento íntimo dentro do seu próprio género.

G – Gay: homem que sente atração afetiva e ou sexual por outros homens, ou seja, por um relacionamento íntimo dentro do seu próprio género.

B – Bissexual; homem ou mulher que sente atração afetiva e ou sexual por mais de que um género, ou seja, por um relacionamento íntimo com pessoas independentemente do seu género.

T – Transexual ou Transgénero: pessoas que se identificam com outro género que não aquele do seu nascimento. Este conceito está relacionado a identidade de género e não relação sexual e ou afetiva.

Q – Queer: pessoas que transitam entre os géneros feminino e masculino ou em outros géneros quais a equação binária simples não se aplica.

I – Intersexual: pessoas cujo desenvolvimento sexual corporal não tem cabimento na norma binária comum.

A – Assexual: pessoas que não têm atração sexual e ou afetiva por outras pessoas independentemente do género.

+ – Mais: Envolve todas as diversas possibilidades de orientação sexual e identificação de género que existam ou que possam aparecer e que não estejam abrangidas nas descritas anteriormente.

Volto, agora, ao caso específico de Paulo Rangel. Se a sua atitude de liderança não tentar impor a um país maioritariamente heterossexual os valores LGBTQIA+, entrando em choque com a real sociedade portuguesa, que ainda por cima é marcadamente machista e religiosa, então, nada tenho a opor à sua ambição política. Pode até legislar, se um dia chegar ao Governo, a favor de uma educação inclusiva, no meio escolar, combatendo de forma ativa os estigmas existentes.

O que eu pretendo alertar é que, tendo em conta a realidade nacional, principalmente fora dos grandes centros urbanos, o aparecimento ostensivo e provocatório do conteúdo da agenda política do movimento LGBTQIA+ poderia gerar graves conflitos sociais, porque uma coisa é que se lute por direitos iguais entre pessoas diferentes, outra coisa, bem distinta, é a ostensiva tentativa de privilegiar uma minoria. Se Paulo Rangel for, querida Berta, alguém disposto a usar de um meio termo, promovendo a inclusão, mas desincentivando o conflito, que seja bem-vindo e que tenha o sucesso que provenha do seu valor enquanto ser humano.

Tendo em conta ainda a sociedade em que vivemos, faço igualmente votos para que Paulo Rangel tenha a fibra para aguentar com a parafernália de insultos e piadas a que se irá sujeitar se alguma vez ascender à liderança do PSD. Numa rápida ronda pelo Facebook, hoje, não levei muito tempo para encontrar frases como: “Rangel, Portugal não pega de empurrão”; “Ó coiso, vai empurrar o cocó para Bruxelas”; “Rangel, o país não anda de marcha atrás”; “Lilas, não te atrevas a pôr a tocar no programa curricular da educação nas nossas escolas as tuas mariquices”. Estes exemplos são apenas os menos insultuosos que encontrei numa altura em que, note-se, Paulo Rangel apenas anunciou a sua candidatura.

Há ainda mais algumas circunstâncias e situações que podem surgir com a ascensão de Rangel a líder. Porém, isso será ele a ter que lidar com o assunto, se lá chegar. Apenas acho insensato que se pense que o caso é pacífico em Portugal. Despeço-me com um beijo saudoso, deste teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Os Candidatos às Eleições Presidenciais de 24 de Janeiro - Marisa Matias

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Olá Berta,

Marisa Matias é a candidata que se segue na contagem decrescente, da minha análise aos proponentes, desta próxima eleição presidencial. Sendo a terceira pessoa a ser apresentada numa escala aleatória dos candidatos.

Marisa é, entre todos os sete intervenientes, a candidata do mérito. Não importa sequer que os seus nomes do meio sejam Isabel dos Santos, pois isso apenas representa uma curiosidade, nada mais. Aliás, apenas prova que não é o nome que trás dinheiro, como que por arrasto. O mérito de Marisa Matias vem desde a infância.

Sendo natural de Coimbra, onde nasceu, é de Alcouce, no Concelho de Condeixa-a-Nova, que lhe veem as origens. Uma aldeia que conhecia como a palma das suas mãos. Fazia diariamente quase meia dúzia de quilómetros de marcha para chegar à escola e, ao regressar ajudava os progenitores na agricultura e no pastoreio do gado.

Aos 16 anos entrou na vida ativa para poder continuar a estudar, apoiando em simultâneo o equilíbrio do orçamento familiar. Fez limpezas, serviu à mesa, pintou a manta e aos 22 anos foi a primeira pessoa da família a conseguir uma licenciatura. De fevereiro de 1976 até 1998 não foram anos fáceis, porém, uma vez aí chegada, acabou por dar o seu primeiro grande salto: Tinha o curso superior de Sociologia. A primeira grande batalha estava ganha.

Porém, em 2009 é com o título: "A natureza farta de nós? Saúde, ambiente e novas formas de cidadania" que apresenta a sua tese de doutoramento, concluída, com louvor e distinção, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, sob orientação de João Arriscado Nunes, cinco anos depois de ter aderido ao Bloco de Esquerda. Mantendo o ritmo apertado na sua corrida de obstáculos onde a cada novo salto tentava alcançar um novo objetivo.

Os últimos 12 anos da vida de Marisa Matias são mais conhecidos e, para trás ficaram os seus anos de professora do secundário ou de investigadora assistente no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Desde 2009 até aos dias de hoje que construiu um currículo vastíssimo no Parlamento Europeu, enquanto eurodeputada eleita em representação do Bloco de Esquerda. Para além disso detém a honra de ser a mulher mais votada para a Presidência da República Portuguesa, votação ocorrida em janeiro de 2016, atingindo quase meio milhão de votos.

Vale a pena, para os mais interessados, consultar o site https://www.marisa2021.pt/biografia, para se inteirarem do seu papel enquanto eurodeputada. Contudo, uma coisa é certa, Marisa Matias é, sem qualquer dúvida, a candidata do mérito, do brio e do profissionalismo e não é a cor do seu batom que, por certo, a determina enquanto pessoa, mas sim as causas, as lutas e o seu trabalho notável.

Durante esta investigação, amiga Berta, o meu respeito por Marisa Matias foi elevado a níveis onde nunca pensei chegar. A determinação de alguém ainda consegue, neste nosso país, embora raramente, vencer sobre a cunha e o compadrio. Com esta afirmação me despeço por hoje. Fica bem e até amanhã. Recebe um beijo deste teu eterno amigo que não te esquece,

Gil Saraiva

 

 

 

 

 

Carta à Berta: Os Candidatos às Eleições Presidenciais de 24 de Janeiro - Tiago Mayan Gonçalves

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Olá Berta,

Hoje venho falar de Tiago Mayan Gonçalves, um homem de 43 anos, nascido no Porto, filho de pais licenciados em Engenharia Química, apoiante de Rui Moreira para a Câmara Municipal do Porto e foi, pelo movimento independente “Porto, o nosso Partido”, eleito membro suplente da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde nas eleições autárquicas de 2017, ex-PSD, e um dos fundadores do partido liberal, fruto das suas origens numa classe média de bem-estar.

Sem nada que o comprove arrisco-me a dizer, alegadamente, que o Tiago Pedro de Sousa (os três primeiros nomes de Mayan Gonçalves), é filho único, solteirão, vaidoso, machista, com um tique para o pedantismo e amante de um protagonismo para o qual lhe falta o dom da palavra. Ele que se assume como um homem do Norte, é o protótipo estereotipado de quem nasceu depois de abril de 74, no seio de uma família com posses. Diz dominar 7 línguas, mas na realidade só se sente à vontade no inglês, para além da sua língua nativa que enrola com facilidade.

Já na vela deve realmente ter conhecimentos, já que começou a praticá-la aos 12 anos, como muitos dos filhos queques da burguesia nortenha da altura. Porém, na minha modesta opinião, este Tiago Pedro vai de vela e em nada me admiro se terminar em último lugar na corrida à presidência.

Quanto ao perfil moral, à honestidade e à honra tenho muitas dúvidas sobre a firmeza destas qualidades. Apanhei, por diversas vezes, o Tiaguinho a mentir descaradamente aos outros candidatos nos debates televisivos, em detalhes que os outros desconheciam. Pior, verificado o desconhecimento, usou as mentiras para apontar falhas ao Governo e ao atual Presidente.

Dou um exemplo: apontou, em quase todos os confrontos com os adversários, o facto de Portugal estar destacado em primeiro lugar na Europa e no mundo como um dos países onde os óbitos não-covid foram mais elevados. Uma mentira descarada. Passei algumas horas a verificar os elementos, os dados, as fontes e os gráficos dos sites internacionais onde se fazem esses estudos comparativos, e nunca, nem nas tabelas semanais, desde março de 2020, Portugal encabeçou essa lista funesta. Fazer uso de mortes a mais para se autopromover não é apenas macabro, demonstra, isso sim, falta de brio e de caráter.

Mas basta de falar sobre aquele que, no meu entender, chegará na cauda desta corrida presidencial. De mim, ele não merece nem mais uma palavra. Despede-se este teu amigo sempre ao dispor, querida Berta, com um forte abraço,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Os Candidatos às Eleições Presidenciais de 24 de Janeiro - Marcelo Rebelo de Sousa

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Olá Berta,

Hoje, respondendo ao teu pedido, vou iniciar as sete cartas sobre os sete candidatos a Presidente da República Portuguesa. Porém, como tu és uma pessoa devidamente informada, culta e a par da política, decidi, se não vires inconveniente, falar mais naquilo que penso dos candidatos do que propriamente do seu posicionamento político e ideológico. Vou começar a primeira carta pelo vencedor óbvio e antecipado, ou seja, o atual Presidente, o Professor e ex-comentador Marcelo Rebelo de Sousa.

Marcelo Rebelo de Sousa é, ao contrário do que possa parecer, um homem vaidoso, egocêntrico e algo mesmo narcisista. Nada de muito grave, se nos lembrarmos do anúncio “se eu não gostar de mim, quem gostará?”

Na verdade, Marcelo gosta da sua pessoa. Adora ser o centro das atenções e delira com o protagonismo. A sua matriz de centro-direita é sincera, não engana e sobre ela não há que ter dúvidas, contudo, mais do que a inspiração política, ele adora ser popular.

Pode até não ter tanto afeto como parece demonstrar, mas, sendo essa atitude que o torna próximo e querido do povo, isso irá até ao fim do mandato sobrepor-se às ideologias, ao narcisismo ou a qualquer outro defeito que se lhe possa encontrar. Marcelo, tudo fará para ficar na história desta república como o mais querido e popular dos presidentes.

Sobre isso não tenhas dúvidas, minha querida Berta. Ora essa circunstância não é de somenos importância. A conquista e a perseguição do cognome de “O Adorado”, torná-lo-á, até ao fim do segundo mandato, um elemento de ponderação, estabilidade e apoio governativo, seja qual for a composição política do governo no poder.

Não evitará de, aqui ou ali, tentar deixar uma marca das suas raízes partidárias, mas apenas como sublinhado de quem não vira a casaca. Por tudo isto ele é o homem ideal, no lugar certo, no momento exato, defeitos à parte, pois todos os temos, um verdadeiro Senhor.

Chego assim ao fim desta primeira análise. Amanhã será a vez de outro candidato. Despede-se este teu amigo, com um beijo virtual de saudades bem reais,

Gil Saraiva

 

 

 

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