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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Memórias de Haragano - Confissões em Português - Parte VII

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Olá Berta,

Espero que esta carta tenha a sorte de te encontrar fina e de bem contigo própria. Sabes, fazem-me falta as nossas caminhadas pelas ruas, em que a nossa amizade e cumplicidade se sentia perfeitamente no calor das conversas, É isso que tenho estado a tentar fazer com o leitor das Confissões. Preciso de cumplicidade para me sentir à vontade para poder dialogar ou, neste caso, monologar. Não tem sido, por certo, um <<Sermão de Santo António aos Peixes>>, mas que tem de haver companheirismo solidário parece-me algo bem evidente. Assim:

Memórias de Haragano: Confissões em Português – Parte VII

“Estou a tentar criar laços entre nós. Afinidades que nos tornem mais próximos e te levem mais facilmente a simpatizar comigo. A ideia pode parecer complicada, numa análise superficial, mas entende-se perfeitamente depois de devidamente explicada.

Porque é que procuro uma melhor relação de proximidade contigo, caro leitor? É simples, muito do que te direi nos próximos capítulos começa a tornar-se mais do que algo de sério, talvez alguma coisa parecida com partilha de pensamentos e sentimentos. Ora, nada é mais íntimo do que aquilo que cada um de nós pensa e sente e isso, para ser partilhado exige, pelo menos, uma certa atmosfera de cumplicidade entre nós os 2. Leitor e escritor.

Em resumo estou a tentar pôr-te à vontade e ao mesmo tempo a tornar-te simpatizante e cúmplice das minhas causas. É, aliás, esse grau de intimidade, que espero sinceramente que se esteja a desenvolver entre nós, pois que me permitirá, mais à frente, revelar algumas coisas possivelmente chocantes ou outras apenas fora da caixa que te levarão a entender porque é que a minha vida tem esta desagradável componente de cinismo experiente ou ironia latente ou ainda, simplesmente, esse algo que te faz pensar que eu sou doido varrido e que não passo de um Haragano, um vagabundo ermita, meio selvagem e indomável neste mundo que se quer politicamente correto.

Assim sendo, peço o devido desconto pela forma simplista, descoordenada, aparentemente sem propósito, como se estão a desenvolver estes dois primeiros capítulos. Mas preciso que fiques com a noção que eu sou gente de bem, um daqueles para quem <<todas as pessoas são basicamente boas à partida e até prova em contrário>>. Ora isto, pese embora algum <<brejeirismo>> nestes preâmbulos, faz de mim uma pessoa alegre, feliz e realizada.

Aliás, sou tão feliz que, fazendo um parêntesis ainda mais dilatado, posso mesmo afirmar que sou a pessoa mais feliz que conheço. Porém, acredita que estou convicto que o humano é, na sua essência de ente solidário, amigo do seu amigo, enquanto membro participativo e atuante da nossa evoluída sociedade.

Contudo, e porque sou genuinamente assim, não abandonarei o humor nos próximos desenvolvimentos, nem irei deixar cair este tom menos sério com que até aqui tenho encarado toda esta preleção. Posso é adiantar, para não te deixar demasiadamente em suspense, que falarei de <<afinismos>> e de capacidades ou talentos não muito visíveis no nosso dia a dia. Mas pronto, lá chegarei. Contudo, e porque já me conheces um pouco melhor, pode ser que, em vez disso, mude de ideias, aguçando a ironia e a sátira ou até, em momentos que se justifiquem, lhe junte mesmo alguma boa dose de sarcasmo.”

Pronto, querida Berta, agora que já disse ao leitor aquilo que lhe queria explicar, ou seja, que pode esperar tudo de mim e o seu contrário, já me posso despedir de ti, com o beijo sorridente e maroto do costume. Despede-se este eterno amigo,

Gil Saraiva

 

 

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