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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Este Não é o Tempo dos Poetas...

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Olá Berta,

Estou a fazer mais um intervalo no Diário Secreto do Senhor da Bruma. Eu sei que falta a parte final do meu segundo pensador, Chris Anderson. Porém, sinceramente, não me apetece escrever sobre ele neste momento.

Estive a ver os dados da pandemia em termos mundiais, é terrível saber que mais de 15 milhões de pessoas foram infetadas e contraíram Covid-19, enquanto que a preocupação mundial se centra no desconfinamento, ou seja, anda tudo preocupado com a economia muito mais do que com a pandemia.

É triste. Estamos a perder em todo o globo a nossa geração de anciões. Os mais velhos, os mais experientes e os que deviam ser os mais respeitados do planeta. Contudo, o que tiro da análise dos governantes e de boa parte dos povos em geral é, antes de tudo, uma enorme falta de respeito pela nossa herança genética. Afinal, a esses homens e mulheres de outrora se deve a existência das atuais gerações. O universo humano, digam lá o que disserem os teóricos, não está no bom caminho.

Daqui a sensivelmente 11 dias, lá para 1 de agosto, vamos atingir em dose dupla, o número satânico de mortes por Covid-19 na Terra, serão: 666.666 mortos. Como número é apenas uma curiosidade, como há outras, mas como símbolo mostra bem que a humanidade tem um lado bem negro.

Existem alturas em que invejo as pessoas que acreditam num Deus, sejam elas de que religião forem, e que têm fé na humanidade. Este é um desses tempos. Hoje, aqui, sentado, a escrever para ti, Berta, acho que a humanidade é desumana e, acima de tudo, ainda demasiado primitiva, bárbara e pouco merecedora da dádiva da vida que lhe foi concedida pela evolução, por extraterrestres ou por Deus. Anda tudo demasiadamente preocupado com a estética do próprio umbigo e isso é triste.

Todavia, o que sei eu? Nada! Não passo de um romântico sentimental, desenquadrado da era da imagem, ainda agarrado aos valores da palavra e do sentimento. Costumo dizer que o impossível apenas demora mais tempo, contudo, neste caso concreto, está a demorar uma eternidade. É preciso que o mundo acorde e se respeite.

Deixo um beijo de saudade, até amanhã minha amiga e desculpa o desabafo, despeço-me como me conheces,

Gil Saraiva

 

 

P.S.: Este não é o tempo dos poetas...

 

 

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