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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Saudades de um Beijo

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Olá Berta,

Como irás por certo reparar terminei hoje a divulgação dos beijos do meu “ensaio sobre o beijo” segundo o que tinha inscrito no meu livro: “O Colecionador de Beijos”, que tenho vindo a divulgar regularmente, há mais de um ano, em https://plectro.blogs.sapo.pt, com imenso gosto por poder efetuar esta partilha com quem me lê.

A partir de amanhã este blog irá mudar de temáticas, contudo, não será a mesma coisa. Acredita que terminei hoje e já sinto saudades dos beijos. Não sei se tem a ver com esta pandemia tão contrária aos afetos e ao carinho, porém, esta era a minha forma de perpetuar algo que se tornou perigoso e quase hostil nos tempos que correm.

Posso colocar imagens, divulgar alguns dos meus quadros e loucuras plásticas, mas nada substitui o ato de beijar. Mesmo as fotografias que podem trazer-nos imagens de nostalgia e de saudade como igualmente nos conseguem transportar para momentos idílicos e belos ou para situações de catástrofe e terror, não me catapultam como o beijo para esse campo único em que a alma se revela num ato físico de partilha solidária, amiga, franca e fraterna.

Todavia tudo tem um fim, até a nossa vida, quer o queiramos quer não e eu lá terei de me adaptar a isso uma vez mais. Desculpa a nostalgia e a falta de notícias da atualidade, as apeteceu-me desabafar. Despeço-me com um BEIJO,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Tributo de Aguarela

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Olá Berta,

Estava a começar a escrever esta carta quando, na M80 começou a tocar a Aguarela de Toquinho. Não sei bem o que me deu, mas dei comigo a escrever um tributo à aguarela. Como é evidente, embalado pela musicalidade segui o ritmo de Toquinho, embora descrevendo apenas o meu desejo. Coisa que acontece em dias assim. Dias em que se pensa em amor, desejo e partilha e em que vindo do éter algo nos inspira e nos leva a escrever. Espero que te agrade o que aqui vai:

 

“TRIBUTO DE AGUARELA”

 

Se um diário eu puder

Transformar logo em caramelo

E assim que quiser

Desfazê-lo com um cutelo…

 

Para escrever imaginação

Ou um poema à chuva

Eu preciso saber

O que sente, espremida, uma uva…

 

Se há alguém que minta

Para o meu coração eu sinto o fel,

A dor, de sexta a quinta,

Uma imensa derrota escrita em papel,

Desprezando

A minha harmonia deste meu paul,

Dessa estrela, que brilhando,

Desta minha alma esconde o azul…

Vivo para ela

Porque me entregando

Sinto na minha vida o Norte e o Sul…

 

E aos sonhos vou pedindo

Desejos de vida e de oxalá

Onde agora tudo é lindo

Porque a sinto eu agora cá…

Quero acreditar nesses lábios rindo,

Olhar sorrindo,

Porque de ti mulher

Não vem coisa má…

 

Posso ser quem eu quiser,

Com empenho te dou a minha vida.

Sou teu homem, teu, mulher…

Sou um lar, nunca a saída,

Ser teu espaço no espaço

E chamá-lo de nosso mundo…

Ser a seta, ser o traço,

Que na alma chega ao fundo…

 

Se um sonho vira mina

De água, em nascente de futuro,

Porque a sonhar a mente

Ultrapassa vala, parede, muro ou mar…

 

E sem muro a cidade

Continua a aumentar

Procura a felicidade

Que quer vir a alcançar…

Meu amor avança

Como ela, querida,

Tu és minha vida

Só eu te quero amar…

 

És minha rocha, meu jade,

Joia minha, no alto a brilhar…

O princípio da saudade

Que mais não pode aumentar.

 

Menina linda e bela, nessa janela,

Uma aguarela

À beira jardim.

Ela me amará

Só porque me ama a mim…

 

E quero eu ser um caramelo

Que ela degustará,

Ser seu rei ou castelo

Feito de amor e de orixá

E que ela amará

Por instantes, um segundo

Tão imenso como o mundo

E que ela adorará…

 

Termino poeticamente a minha carta de hoje, despeço-me com um beijo saudoso, este teu grande amigo (bem... razoável, só tenho 1,82 metros de altura), sempre à disposição,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: "António Costa - O Grande Golpe - Peça em Três Atos" - "Ato III - Um Corredor Aéreo Para Portugal"

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Olá Berta,

Termina hoje aqui, minha amiga, a minha peça em três atos sobre o que se pode ter passado realmente entre Portugal e o Reino Unido entre o fim de agosto e o princípio de setembro deste ano.

Esta foi a minha maneira de justificar a mudança de atitude do Governo Britânico, que estava determinado a fazer cumprir o fecho dos corredores aéreos para os países que, como Portugal, tivessem ultrapassado os 20 infetados por cada 100 mil habitantes e que, de repente, aparece com o critério (que apenas beneficia Portugal) do rácio entre o número de testes efetuados no país e o número real de infetados.

Uma surpreendente mudança, em cima da hora, a dias de anunciar como ficariam os corredores aéreos britânicos para os 15 dias seguintes.

“Terceiro Ato: Um Corredor Aéreo para Portugal

Na segunda e terça-feira seguintes, à conversa Costa versus Boris, os noticiários de todas as rádios e televisões anunciavam, com drama, o possível fecho do corredor aéreo entre Portugal e o Reino Unido. O país tinha ultrapassado o limite de 20 infetados por cada 100 mil habitantes o que implicava o automático anúncio, na quinta-feira seguinte, do fecho do corredor turístico entre Reino Unido e Portugal. Tudo parecia indicar este desfecho trágico para a economia portuguesa, já a braços com mais uma centena de outros problemas. A gota de água que podia fazer transbordar o copo do descalabro estava prestes a ocorrer. Muitos comentadores, principalmente os televisivos, davam o facto como inevitável e analisavam as consequências trágicas para o país.

Na quarta-feira o assunto Rui Pinto, e o julgamento do mesmo que começaria na sexta-feira, relegavam para segundo plano, um assunto que parecia condenado à tragédia e cujo desfecho se previa como óbvio. Apenas de passagem, sem relevo, se falava ainda do fecho do corredor aéreo com Inglaterra. Já existiam turistas a desmarcar férias, outros a antecipar para sexta-feira o regresso de férias, para não ficarem sujeitos ao confinamento no retorno ao Reino Unido.

Surpreendentemente na quinta-feira o Governo de Boris Johnson anuncia oficiosamente a mudança dos critérios de avaliação de risco para o turismo dos ingleses fora de Inglaterra. O novo critério só tem um único beneficiário: Portugal. Passa a ser recompensado quem mais testa, face ao número de infetados que estes testes revelam. O rácio volta a colocar Portugal nos países seguros e viáveis para o povo do Reino de Sua Majestade. Ninguém consegue entender ou encontrar uma justificação plausível para esta nova forma de avaliação inglesa.

Na sexta-feira a notícia torna-se oficial. Portugal vai continuar no verde no que toca aos corredores turísticos aéreos entre Inglaterra e Portugal. Os empresários algarvios, madeirenses e dos Açores respiram de alívio. Têm mais 15 dias de negócio pois, pelo menos, até 19 de setembro o corredor manter-se-á aberto.

Sentado em casa, a ouvir os noticiários, António Costa sorri. Ninguém suspeita do negócio. O país ganhou um novo fôlego e já só se fala do julgamento de Rui Pinto, passada que foi a enorme surpresa. O sentido de dever cumprido deixa-o feliz. Aquilo podia ter corrido mal, muito mal mesmo. Felizmente, por mais 15 dias tudo está bem na pacata Lusitânia.

Costa sabia que havia um preço a pagar, mas desde que ele cumprisse o prometido Boris Johnson nunca o poderia acusar de incumprimento do prometido. Isso era o mais importante, poder manter a face, sem ter cedido em nada de realmente importante para Portugal.”

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Fico-me por aqui, amiga Berta. Espero que te tenha agradado esta minha peça em três atos. Personagens reais, países reais, factos reais, causas alegadas no domínio do «podia ter sido assim». Com um beijo saudoso este teu amigo do coração despede-se até amanhã,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: O Próximo Homem

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Olá Berta,

Estamos quase a abandonar o presente ano. A mim não me deixa saudades pois os 9 AVC que ele me deu não foram a melhor coisa do mundo. Tu, pelo menos concretizaste o teu sonho de te instalares no Algarve. É sempre assim. Os anos bons de uns não são necessariamente igualmente bons para os outros. Contudo, esta transição fez-me voltar ao ano de 1994. Sabes que tenho um blogue onde estou a colocar a minha poesia, não sabes? Pois bem, vou reformar um velho livro de poemas meus desse ano, reformatá-lo e editá-lo nesse blogue a partir de hoje mesmo.

Trata-se de “O Próximo Homem” e faz parte de um tempo em que eu ainda me indignava com a injustiça e a desgraça. Hoje, com tantas notícias, a toda a hora, fica mais difícil de sentir os males do mundo ou de fazer a verdadeira triagem, mas pouco mudaram as coisas 25 anos depois. Mando-te parte da introdução original que usei na época, já atualizada, para que te possas enquadrar.

O PRÓXIMO HOMEM II

Introdução

Quando em novembro de 1994 decidi publicar “O Próximo Homem” em versão inédita e integral na internet, então apelidada de autoestrada da comunicação, foi com a clara intenção de ser o primeiro a fazê-lo em toda a Web.

Pouco tempo depois a página era editada em formato eletrónico antes ainda de ter passado para papel… conforme a net foi evoluindo foi mudando de site, mas manteve-se sempre online. Agora, depois de ter os poemas publicados de forma, mais ou menos avulsa no blog: https://plectro.blogs.sapo.pt, regressa novamente, mas desta vez com ordem e à razão de um poema por dia, a uma casa, onde estou a publicar online todos os meus livros de poesia. Estou a falar do blog: https://estro.blogs.sapo.pt.

A decisão de editar o primeiro livro eletrónico, inédito e integral, e de o colocar, enquanto pioneiro, à disposição de todos na rede mundial de computadores e similares, teve como objetivo colocar um marco português na internet. Não se tratou de um padrão, como os dos Descobrimentos Portugueses, nem mesmo de uma lança em África, apenas o espírito foi o mesmo. Sermos nós, os portugueses, os primeiros a fazê-lo. Só em novembro de 1998, quatro anos depois, é que o livro passou, finalmente, a papel, através da sua publicação integral na Plectro Magazine.

Não pretendi, todavia, que pensassem na proeza e na primazia de ser o primeiro a fazê-lo, de divulgar a coisa como um feito inabalável. Não seria verdade afirmá-lo, apenas se tratou de colocar um marco. Sim, porque, apesar de tudo, se tratou do primeiro livro a estar integralmente publicado na internet e isso acabou por ser um marco histórico, que foi divulgado pelas próprias revistas de informática da época.

Porém, se alguém se interrogasse porque é que ninguém o tinha feito ainda a resposta seria mais simples do que possa parecer à primeira vista. Aliás é mesmo tão evidente que salta aos olhos daqueles um pouco mais atentos.

Primeiro que tudo, convém não esquecer que a rede dava os seus primeiros passos mais definidos e, depois, quem seria tolo suficiente para colocar online, gratuitamente, um livro de forma absoluta e integral? Quem editaria um livro à disposição de milhões, em versão completa, antes sequer de o ter vendido, primeiramente, em papel?

Talvez só eu mesmo. Eu que me queria servir disso para deixar um marco, mesmo sabendo que, comercialmente, a ideia não passava de um absurdo. Eu que preferi a inovação ao dinheiro agi em conformidade: publiquei e fiquei muito feliz porque fui o primeiro a fazê-lo, anos antes de o “eBook” ter sido inventado.

Esta segunda versão apresenta algumas restruturações por força do evoluir dos tempos, das vontades, e dos gostos. Contudo, “O Próximo Homem II” continuará a ser um livro de alerta poético. Quem sabe um dia não chama a atenção que alguém com poder para fazer com que alguma coisa, efetivamente, se resolva.

Por outro lado, sem desprimor do primeiro objetivo, “O Próximo Homem II” é também um hino aos sentimentos dos homens, embora as mulheres não fiquem de todo esquecidas. Por aqui, facilmente se encontram, versos de amor, de ternura, de impulso, de carinho, de raiva, de revolta, de mágoa, de injustiça, de medo, de tristeza e de saudade. Uma mescla que nos torna únicos enquanto seres na pequena parcela do universo que conhecemos.

A vida não é uma tarefa fácil para “O Próximo Homem” como nunca o foi para os seus antecessores. É a batalha eterna entre o que se quer e o que se tem, o que se despreza e o que se ama, o que se perde e o que se ganha. Sair vencedor nos primeiros grandes confrontos e saber agir de acordo com isso, conseguindo enfrentar as derrotas e tirar delas as lições necessárias para alcançar futuras vitórias é o segredo para que alguém se possa tornar “O Próximo Homem”. É o segredo para a compreensão e, mais do que tudo, a fórmula certa para o amor.

Deixo-te com esta peque explicação das minhas razões. Vai ao blogue amanhã que começam a sair os poemas. Recebe um beijo pleno de saudades, deste amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

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