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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

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Carta à Berta n.º 581: ESTAÇÃO de METRO no Jardim da Parada - Pedro Costa Mentiu

Berta 581.jpgOlá Berta,

Pedro Costa mentiu, em vídeo, nos esclarecimentos proferidos aos residentes, moradores e lojistas de Campo de Ourique, na resposta à pergunta colocada online por Luís Malta sobre as obras da Estação do Metro sob o Jardim da Parada. Vou afirmar que mentiu por, alegadamente, não ter sido devidamente inteirado de tudo o que está em causa. Mas isso não impede o facto de ter mentido.

A resposta pode ser ouvida e vista em vídeo no grupo de Campo de Ourique, e noutros grupos certamente, no Facebook, a partilha foi efetuada às 17:31 por César Laranjo no dia 26 de maio de 2022.

À pergunta de Luís Malta:

“Gostaria de saber por quanto tempo vai ser instalado o estaleiro das obras do Metro e quais as árvores que vão ser abatidas?” Do que o Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, Pedro Costa, respondeu importa-me realçar a grande maioria das explicações, assim como tentar verificar quais são os factos apresentados:

1) “Entendemos que é absolutamente prioritário a chegada do Metro a Campo de Ourique. Essa é a nossa principal prioridade.”

A minha Análise – Para quem e porque é que é prioritário colocar o Metro em Campo de Ourique, ainda por cima duas estações?

2) “Não devemos atrasar e discutir eternamente cada pedra tornando uma impossibilidade que o Metro cá chegue. O Metro tem que chegar e já vem tarde.”

A minha Análise – Ora, querida Berta, porque é que o Metro tem que chegar? Que franja dos habitantes o quer? Numa freguesia sobrelotada, uma das que tem maior densidade populacional em Lisboa e onde o custo de vida é um dos mais elevados, qual é a necessidade de duas estações de metro (sim duas, uma depois do shopping das Amoreiras, em direção ao centro do bairro e outra no Jardim da Parada) bem no centro do bairro. Não chegava a das Amoreiras? Porquê duas estações no bairro?

3) “Aquilo que existe é a garantia de que a expansão da linha vermelha é feita com fundos do PRR. O que significa que terão de ser gastos até 2025 ou 2026.”

A minha Análise – É óbvio que o Governo vai dar prioridade à linha de circular em Lisboa que, ao ligar o Rato ao Cais do Sodré completa o círculo daquela que será o eixo da circular fundamental do Metro em Lisboa. Depois vem a linha vermelha, como a menos prioritária, ou seja, minha querida amiga, enquanto o Estado pretende terminar o círculo até 2024, a linha vermelha está prevista terminar em 2026.

4) “Será esse o momento previsível da conclusão da obra. Em relação ao tema Estaleiro e Impacto Ambiental… Bom, o estudo de impacto ambiental que será apresentado amanhã…” (ou seja ontem dia 27/05/2022) ”… numa sessão onde estarei presente, e em que será, muito provavelmente, debatido, mais uma vez, na semana… na segunda semana de junho, no… no bairro, com o Metropolitano – foi esse o pedido que fizemos, pedimos que fosse feito esta semana… não houve disponibilidade do Metropolitano… estamos a discutir para a semana de 8 de junho - mas os resultados desse estudo apontam que não é provável que haja qualquer impacto no património arbóreo.”

A minha Análise – Aqui, Pedro Costa não responde a nada sobre o estaleiro da obra, o que constituía 50% da pergunta, fugindo absolutamente à questão de Luís Malta, (mas tendo em conta a duração dos estaleiros de outras estações o estaleiro ocupará a quase totalidade do Jardim da Parada e por um período nunca inferior a 18 meses). Porém, Pedro Costa mente, minha cara amiga Berta, muito embora use uma probabilidade para disfarçar a sua mentira, de forma a não parecer descarada, ao dizer que “não é provável que haja qualquer impacto no património arbóreo.” – Em resposta a Sara Beatriz Monteiro do Polígrafo, segundo os resultados do Estudo de Impacto Ambiental da APA, o Metropolitano de Lisboa enviou ao Polígrafo a seguinte resposta (que colocarei na integra no final desta carta) que é confirmada pela informação constante no artigo, ou seja, «é verdade. Obras de nova estação de metro em Lisboa vão obrigar a abater árvores no Jardim da Parada.» Mas o Polígrafo foi mais longe e apurou que não estão em perigo 3 lodãos, ou seja, 3 Celtis Australis, mas sim podem estar em causa um máximo de 11 árvores, 3 das quais fazem parte do lote das 4 árvores classificadas. Ora aqui não há como dizer que o Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, Pedro Costa, não mentiu. Mentiu sim e mentiu com consciência do que estava a fazer. (não deixes de ver, amiga Berta, o que o Polígrafo publicou na integra no final desta carta, aqui só alterámos o tipo de letra e omitimos as imagens que foram publicadas no respetivo site).

5) “Ora, no primeiro projeto, não era exatamente isto que constava não era exatamente isto que constava, aquilo que constava era a necessidade de abater 3 lodãos do Jardim da Parada, mas garantir a segurança de todas as árvores classificadas. Este, para nós é um ponto essencial: Não serão postas em causa as árvores classificadas do Jardim da Parada.”

A minha Análise – Para que se saiba o Jardim da Parada só tem 4 árvores classificadas. Quanto ao lodão-bastardo, a árvore referida pelo Presidente, é uma árvore caducifólia cuja altura máxima varia dos 15 e os 30 metros, designada por Celtis Australis, que circunda todo o jardim, ou seja, não se tratam de árvores de pequeno porte. Ora, Pedro Costa fala de um novo estudo de impacto ambiental a ser apresentado a 27/05/2022 e afirma que não serão postas em causa árvores classificadas. Assim sendo, Pedro Costa, pelo que concluímos, não tem conhecimento, (tal como nós também não temos), do resultado do novo estudo (será que existe um novo ou trata-se apenas de uma presentação do atual estudo?). O que significa, minha querida Berta, que na data em que Pedro Costa respondeu a Luís Mata, voltou a mentir, desta vez desculpando-se com um futuro e desconhecido estudo de impacto ambiental a ser ainda apresentado em 27/05/2022, ou então já teve acesso privilegiado, o que seria irregular, a um estudo de impacto que ainda se desconhece e que seria duvidoso aparecer agora, uma vez que a discussão pública sobre o tema termina já a 2 de junho próximo. Só por si, um novo estudo, em cima do prazo de conclusão da discussão pública, devia originar o prolongamento do prazo da referida discussão pública, o que não consta que possa vir a acontecer e, Pedro Costa, mentiu também ao dizer que o primeiro projeto só previa o abate de 3 árvores quando na realidade eram realmente 8.

6) “Em relação às árvores… o projeto inicial previa a necessidade de abater três lodãos. Não é um problema sério. Mas abater 3 árvores adultas é, na minha opinião, uma inutilidade e deve ser evitado.”

A minha Análise – Mais uma mentira reforçada, e vinda já do ponto anterior, querida amiga, sendo que esta mentira é absolutamente descarada, pois que segundo o Polígrafo o projeto inicial, “no Estudo de Impacto Ambiental relativo ao prolongamento da Linha Vermelha a Alcântara que se encontra atualmente em Consulta Pública, é referida a necessidade de abate de oito árvores”.

7) “E, portanto, aquilo que propus ao metro a 23 de dezembro…” (2021) “… foi a transferência da Estação debaixo do Jardim da Parada para a porta do quartel da Infantaria 16. Fechando a circulação daquele cruzamento, fazendo uma praça na porta do quartel e instalar ali a Estação de Metro de Campo de Ourique. Perde centralidade. Dois quarteirões, eventualmente, mas não uma centralidade extraordinária, a parte das saídas, podem, aliás manter-se, e, portanto, esta foi a proposta.”

A minha Análise – Como se o Metropolitano fosse fazer uma alteração tão radical que implicaria novo Estudo de Impacto, mais nova consulta pública e mais custos acrescidos de projeto, para além do facto de deixar duas estações de metro a apenas trezentos e poucos metros uma da outra. Esta resposta de Pedro Costa é o que eu chamo, minha amiga Berta, empurrar o problema com a barriga. E não sendo uma mentira, é, certamente, um absurdo.

8) “A resposta que tivemos do Metropolitano foi de dificuldades de engenharia na adaptação do traçado. Hoje mesmo, voltei ao assunto, junto do novo Ministro do Ambiente, que ficou de recuperar o tema junto do Metropolitano, e conversarmos nos próximos dias à cerca dessa hipótese ou da sua impossibilidade. Na sua impossibilidade, ficou assente a necessidade de reduzir ao máximo os impactos no Jardim da Parada. E de impactos falo de dois impactos: Primeiro – a necessidade de abater as árvores. - Está fora de questão o pôr em risco as árvores classificadas - aliás, o estudo do impacto ambiental diz que é pouco provável que haja qualquer impacto no património arbóreo e, portanto, façamos fé nesse estudo. E mesmo a defesa dos lodãos, que não sendo, eventualmente, património arbóreo, não me parece que haja um ganho extraordinário em que sejam abatidos e, portanto, aquilo que ficou de ser estudado e amanhã repetirei exatamente isto, na discussão pública é da hipótese de transferir os tuneis de ataque da obra do Jardim da Parada para as ruas Tomás da Anunciação e 4 de Infantaria.”

Um Pequeno Aparte: Aproveito este ponto, cara Berta, para fazer uma declaração de interesses. Não tenho nada de pessoal ou político contra Pedro Costa. Com efeito, fui militante do PS, com quotas pagas, até há uns sete anos atrás. Já fui assessor autárquico, na década de 90 de um Presidente de Câmara de Faro e também já estive quer na Comissão Executiva da Comissão Política Concelhia do PS Faro, quer na Comissão Política Executiva da Federação do PS Algarve. O PS tem sido, portanto, a referência política da minha vida. Apesar disso reconheço que sempre fui contra o direito monárquico há muito em voga no PS de os filhos dos políticos ascenderem, por causa de laços familiares a cargos políticos. Na década de 90 fui contra a ascensão de Jamila Madeira pelo simples facto de ser filha do notável do PS, Luís Filipe Madeira, tal como hoje sou contra a ascensão, pela via familiar, de Pedro Costa, a nível político, por ser filho de António Costa.

A minha Análise – Pedro Costa volta a mentir ao dizer que: “Está fora de questão o pôr em risco as árvores classificadas - aliás, o estudo do impacto ambiental diz que é pouco provável que haja qualquer impacto no património arbóreo e, portanto, façamos fé nesse estudo.” Mas não é isso que o Estudo de Impacto Ambiental diz, minha saudosa e querida amiga Berta, podemos ler no Poligrafo que: os autores do relatório consideram que “poderá haver impactos indiretos sobre as três árvores classificadas presentes no Jardim Teófilo Braga”. Ainda assim, este impacto negativo será “pouco provável, indireto, local, temporário, reversível, de reduzida magnitude”, podendo ir de “pouco significativo a significativo, dependendo das consequências da perturbação das raízes para a integridade das árvores”. Isto quer dizer que o Metropolitano tem o conhecimento prévio de que a construção da Estação do Metro de Campo de Ourique por debaixo do Jardim da Parada pode prejudicar, de modo significativo, 75% das árvores classificadas no Jardim da Parada, por consequência da perturbação das raízes na manutenção da integridade das árvores mas que deposita, tal como Pedro Costa, uma grande fé de que isso não venha a acontecer. Ainda assim, solicita à população que tenha fé de que tudo decorrerá, se houver otimismo e fé, sem incidentes graves. Viva a fé que todos nós, portugueses, temos nas expetativas auspiciosas de construtores de infraestruturas, do Metropolitano e das afirmações do inexperiente político (neste capítulo) Pedro Costa. Deixar o património Arbóreo entregue à fé é no mínimo algo muito preocupante.

9) “Esta é a proposta que farei amanhã e que espero ver garantida. Na primeira reação que tive do Sr. Ministro do Ambiente é da mesma vontade. Conciliar vontades com os autarcas e com as populações no âmbito da discussão pública do projeto.”

A minha Análise – Mas onde é que a dita vontade de políticos e ministros tem validade na prática e nas ações das construtoras? E desde quando é que a vontade de Pedro Costa é a vontade da população do Bairro de Campo de Ourique, o que te parece Berta? Saberá Pedro Costa que o Metropolitano prevê uma afluência de 5 milhões de passageiros por ano, no mínimo, às estações do Metro de Amoreiras e Jardim da Parada, as duas estações de Campo de Ourique? E saberá que isto resulta em que, no horário das 8 da manhã até às 19 horas, o Metropolitano prevê um fluxo de 1500 utentes por hora, todos os dias, doze meses por ano, incluindo sábados, domingos e feriados no nosso já congestionado bairro? E saberá que as saídas de Metro vão implicar a supressão de, no mínimo, 25 lugares de estacionamento na Rua Francisco Metrass e de, pelo menos, mais 10 na Rua Almeida e Sousa? E saberá que é do interesse dos residentes da Rua Francisco Metrass, que já têm cargas e descargas de dos camiões do Pingo Doce, Go Natural do Continente e Minipreço, a partir das 6 da manhã, ter mais de 600 pessoas por hora a sair e entrar nas Estações de Metro que irão ficar entre o Edifício Europa e o Supermercado Go Natural nesta rua? Não tem como saber. Como não pode saber que os habitantes do bairro queiram mais 5 milhões de pessoas, por ano, a andar ou passear pelo bairro.

10) “Julgo ter esclarecido os principais pontos do comentário do Luís Malta, mas de vários comentários que fui lendo ao longo da semana. Este afastar dos poços de ataque do centro do jardim permite, aliás, manter, naturalmente, o jardim mais transitável. O Metro tem previsto para o Jardim da Parada apenas uma saída, uma saída de elevador no local onde estão hoje os sanitários, e, portanto as saídas dos Metros de elevador nunca são saídas principais, são sempre saídas residuais. Há poucas pessoas que utilizem uma saída de elevador para sair de uma estação de Metro.”

A minha Análise – Não consigo compreender, cara Berta, como é que se coloca um elevador de Metro encostado a um Parque Infantil, achas que alguém me consegue explicar? Está certo que os 5 milhões de utilizadores anuais das estações de Metro de Campo de Ourique não irão todos usar o elevador do Metro do Jardim da Parada, encostado ao Parque Infantil, mas daqueles que usarem o elevador qual é a probabilidade de existirem pedófilos entre eles? Entre 5 milhões acho que a probabilidade tenderá a ser elevada. E dá-se acesso a possíveis predadores pedófilos a um Parque Infantil encostado a uma estação de Metro, ainda por cima, através de um elevador? O Senhor Presidente da Junta que me desculpe, mas acho que, uma obra destas, roça a incúria e incentiva o ataque dos predadores que, como é sabido, de anjinhos nada têm.

11) “As saídas previstas estão na Rua Almeida e Sousa, na Rua Francisco Metrass, e está-me a faltar uma, não consigo, não me lembro exatamente onde é, mas estão previstas duas na Francisco Metrass e uma na Almeida e Sousa e serão as principais saídas do Metro e não exatamente no jardim.”

A minha Análise – Ora bem, e tu acho que concordas comigo, minha cara Berta, o uso pouco frequente do elevador do Metro no Jardim da Parada, encostado a um Parque Infantil, ainda mais a possibilidade de este ser de uso apetecível dos prováveis predadores pedófilos que o descubram, não lhe parece senhor Presidente da Junta de Freguesia, Pedro Costa?

12) “Dar ainda nota sobre uma outra questão dos pedidos que fizemos ao Metropolitano para a intervenção no Jardim da Parada, garantir que um respiradouro previsto para uns canteiros seja uma grelha e não uma torre e, portanto, reduzir o impacto visual do mesmo num espaço tão importante como o Jardim da Parada.”

A minha Análise – Com efeito, caro Pedro Costa, espero que pelo menos essa sua expetativa se possa cumprir. Quando ao resto, infelizmente, a minha costela de ateu, não me deixa grandes esperanças na fé que o senhor e, pelo que afirmou, o senhor Ministro do Ambiente e também o próprio Metropolitano, parecem ter. O que te parece, amiga Berta?

------------------------- Fim da Carta à Berta -------------------------

Polígrafo

Passemos agora ao artigo de Sara Beatriz Monteiro, que aqui reproduzo na integra e que é acompanhado de imagens e que poderá consultar na integra no Site do Sapo, na respetiva página do Polígrafo, de 6 de maio do corrente ano em https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/e-verdade-obras-de-nova-estacao-de-metro-em-lisboa-vao-obrigar-a-abater-arvores-no-jardim-da-parada#. Onde se lê (as palavras a negrito são da minha responsabilidade):

Polígrafo

«É verdade. Obras de nova estação de metro em Lisboa vão obrigar a abater árvores no Jardim da Parada.

O QUE ESTÁ EM CAUSA?

Escreve-se nas redes sociais que o Jardim Teófilo Braga, também conhecido como Jardim da Parada, em Campo de Ourique, foi escolhido para “instalar uma estação de metro”. Numa publicação do Facebook, assinala-se que naquele espaço “existem algumas das mais importantes árvores de Lisboa”. O Polígrafo consultou o estudo de impacto ambiental da obra e concluiu que o projeto obrigará ao abate de algumas árvores sem classificação de interesse público.

“Esta gente perdeu o juízo de vez e acredita que vale tudo para concretizar as suas loucuras. Quem no seu devido juízo escolheria o histórico Jardim da Parada, onde existem algumas das mais importantes árvores de Lisboa, como o local ideal para esburacar e instalar uma estação de metro?”, questiona-se numa publicação partilhada num grupo de Facebook com mais de 27 mil membros, a 24 de abril.

O texto é acompanhado de uma imagem onde se vê um projeto da localização exata da futura estação que, segundo o post, poderá ser construída sob o Jardim Teófilo Braga/Jardim da Parada, no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa.

Confirma-se?

O Polígrafo consultou o Estudo de Impacto Ambiental do prolongamento da Linha Vermelha entre São Sebastião e Alcântara do Metropolitano de Lisboa, que está em consulta pública de 21 de abril a 2 de junho, e confirmou que as alegações feitas na publicação em análise são verdadeiras.

Segundo este documento, será “inevitável a necessidade de abate de algumas das árvores do Jardim da Parada para a instalação dos dois poços de ataque”, sendo que o número e porte das árvores a abater “dependem da localização exata e das medidas de segurança associadas à abertura dos poços de ataque”.

O estudo explica, contudo, que serão abatidas apenas árvores sem classificação de interesse público. No entanto, os autores do relatório consideram que “poderá haver impactos indiretos sobre as três árvores classificadas presentes no Jardim Teófilo Braga”. Ainda assim, este impacto negativo será “pouco provável, indireto, local, temporário, reversível, de reduzida magnitude”, podendo ir de “pouco significativo a significativo, dependendo das consequências da perturbação das raízes para a integridade das árvores”.

Num esclarecimento enviado ao Polígrafo, o Metro de Lisboa sublinha que “o abate de árvores no Jardim da Parada fica a dever-se apenas a necessidades imprescindíveis de âmbito técnico e de segurança para a concretização da construção da estação Campo de Ourique”.

Nesse plano, acrescenta, “os estudos das componentes de paisagismo e fitossanitária considera o abate de seis lódãos (celtis australis) no Jardim Teófilo Braga/Jardim da Parada, mas não integram o grupo de espécies florestais protegidas por lei específica”. A empresa adianta que “está prevista a reposição no final da obra de quatro árvores no âmbito da preocupação do Metro de Lisboa a nível paisagístico”.

 Importa sublinhar que, apesar de estar previsto o abate de apenas seis árvores no Estudo de Impacte Ambiental, um aditamento a este relatório salienta que "apenas em fase de projeto de execução será possível determinar, com rigor, quais as árvores afetadas pela implementação do projeto". Assim sendo, nesta fase, não se pode afirmar o número concreto de árvores não classificadas que serão abatidas.

De acordo com a mesma fonte oficial, “no Estudo de Impacto Ambiental relativo ao prolongamento da Linha Vermelha a Alcântara que se encontra atualmente em Consulta Pública, é referida a necessidade de abate de oito árvores”. No entanto, “o Metro e as entidades envolvidas já conseguiram reduzir esse número para seis árvores, com vista a minimizar e proteger a natureza envolvente”.

Em suma, é verdade que a construção da nova estação do metro em Campo de Ourique obrigará a abater algumas árvores. No entanto, segundo o estudo de impacto ambiental, os exemplares arbóreos com classificação de interesse público não correm risco de abate.»

Declarações do Metropolitano de Lisboa

Outras divulgações públicas do Metropolitano de Lisboa: “Amoreiras - A estação Amoreiras terá a sua localização ao longo da Rua Conselheiro Fernando Sousa, próximo do cruzamento desta com a Av. Engenheiro Duarte Pacheco. Prevê-se a sua construção a céu aberto, por método C&C (cut and cover) e terá uma profundidade de 18,5 metros.”

“Campo de Ourique - A estação Campo de Ourique ficará localiza sob o Jardim Teófilo Braga/Jardim da Parada, no bairro de Campo de Ourique. Esta estação representa um grande desafio do ponto de vista construtivo, considerando a malha urbana apertada, com arruamentos com uma única faixa de circulação por via e com falta de alternativas de estacionamento. A estação terá uma profundidade de 31 metros e três pontos de acesso.”

“O prolongamento da linha Vermelha está enquadrado no Plano de Recuperação e Resiliência 2021-2026 com um financiamento no montante global de € 304.000.000,00 (trezentos e quatro milhões de euros). A expetativa é que esta extensão da linha Vermelha esteja em concurso no ano de 2022 e que seja uma realidade em 2025/2026.”

“Os estudos realizados indicam que a procura diária captada nas quatro estações que integram este prolongamento corresponderá a um acréscimo no primeiro ano após a entrada em exploração de 11 milhões de passageiros (4,7%) em toda a rede. Considerando a análise a 30 anos, os benefícios gerados por este projeto da linha Vermelha ascendem a 1.047 milhões de euros. A nova configuração da linha Vermelha vai conseguir retirar da circulação diária de Lisboa 3,7 mil viaturas individuais, o que significa menos 6,2 mil toneladas de CO2 no primeiro ano de operação.”

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Pedro Costa e o "Eu É Que Sou o Presidente da Junta" - Parte III

Berta 556.jpgOlá Berta,

Termina aqui, hoje, a trilogia de: de “Pedro Costa e o “Eu É Que Sou o Presidente da Junta”. Se dividi este assunto em três partes foi porque, minha querida, não gosto de falar das coisas pela rama, mesmo quando o assunto, é, apenas e só, a minha visão dos factos. Mas voltando à vaca fria e servida com o devido requinte gourmet:

 Pedro Costa filia-se no PS em 2016 após, segundo afirmou à Sábado, pouco depois: "ver a luz". É ainda através da mesma revista semanal, querida Berta, que fiquei a saber que três anos depois de se filiar no partido do pai, Pedro Costa tem duas experiências autárquicas: Primeiro, na Junta de Freguesia do seu primo, António Cardoso, em São Domingos de Benfica, enquanto elemento independente. E, finalmente, em 2017, em Campo de Ourique, onde reside com a mulher e “se apaixonou”, pelo que diz, definitivamente, pela vida autárquica.

Foi eleito para a Junta de Campo de Ourique em terceiro na lista, de onde derivou como candidato “naturalmente” vindo de São Domingos de Benfica, por cá habitar e ter tido os seus negócios, mas ascenderia ao segundo posto depois de a número dois, Susana Ramos, mulher de Duarte Cordeiro (o socialista, amigo e atual vizinho, que assinou a sua ficha de entrada no PS), passar para a presidência da mesa da assembleia de freguesia. Pedro Costa fica, então, com o pelouro da Higiene Urbana e na rampa de lançamento para o primeiro lugar caso a “fortuna”, querida Berta, lhe viesse a bater de novo à porta.

Porém, a sua “estrela” continuava a brilhar e quando Pedro Cegonho, o então presidente da junta, escolhido previamente, nas eleições legislativas anteriores, como candidato a deputado, resolve ingressar no Parlamento, ocupando o seu lugar de eleição, deixa o seu número dois, com o lugar que antes ocupava, ou seja, Pedro Costa ascende assim, a meio do mandato autárquico, a presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique. Uma verdadeira viagem de foguetão, minha saudosa amiga, não achas? Daí até à sua recandidatura nas eleições de ontem, ao cargo de Presidente da Junta já tudo é o que parece, ou seja, um processo perfeitamente natural.

Aquilo a que eu acho graça, amiga Berta, é ao facto de Pedro Costa, ainda em declarações à Sábado, se achar um político "discreto" e "reservado", que diz não querer viver na sombra do pai, António Costa. Afirmou até, na altura: "Não é justo nem para ele nem para mim que eu me exponha excessivamente a essas colagens".

Mas Pedro Costa acha que está a ser sincero, como se fosse normal, um militante que ingressa no PS aos 26 anos, acabado de ser associado aos mais bem colocados futuros líderes do CDS-PP, chegar, digamos que naturalmente, apenas cinco anos depois, aos 31 anos de idade, à Presidência de uma Junta de Freguesia do Concelho de Lisboa, depois de ter sido proposto como o cabeça de lista e candidato do Partido Socialista à mesma.

A linhagem hereditária da monarquia, querida Berta, que já terminou em Portugal há um século e uma década, continua a impelir muitos dirigentes políticos nesta senda familiar derivada do direito consuetudinário. Pode Pedro Costa achar que foram tudo “afortunadas” coincidências, pode o seu pai negar a pés juntos nunca ter interferido na tentativa de dar um futuro promissor ao seu filho na política, pode até cair o “Carmo e a Trindade” novamente que eu não acredito no Pai Natal, mesmo que ele chegue à minha varanda do terceiro andar montado num trenó, puxado a renas, com o Rodolfo na dianteira.

E mais não digo, porque, depois deste desabafo à minha maneira, desejo que o rapaz até tenha mesmo muita sorte, e isto porque, nesta batalha final, em que o castelo feudal de Medina desabou, ele teve que batalhar seriamente, nem que tenha sido pela primeira vez, para sobreviver politicamente. Ora, isso sim, já é, definitivamente, mérito do próprio. Assim sendo, despede-se com um beijo, sem mais comentários, este teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Pedro Costa e o "Eu É Que Sou o Presidente da Junta" - Parte II

Berta 555.jpgOlá Berta,

Voltando ao assunto de ontem, para continuar esta segunda parte sobre: Pedro Costa e o “Eu é Que Sou o Presidente da Junta”, não quero que penses que estou apenas a falar, à laia do tempo de Gil Vicente, como se estivesse a cantar apenas mais uma “Cantiga de Escárnio e Mal Dizer”. Nada disso. Gosto é que se saibam as coisas ou, pelo menos, de explicar como elas são vistas por mim. Volto, portanto, ao tema em causa:

Há que referir que o jovem, o Pedro Costa, depois de ter passado pela JS (um ingresso feito aos 14 anos), tendo sido aluno do Colégio Moderno, acabou por, ainda no entusiasmo da adolescência, se encostar aos seus amigos centristas, dos tempos da sua entrada na Faculdade de Direito na Universidade de Lisboa, com quem fez parte da associação académica e com quem acabaria por fazer a  sociedade para o negócio do bar Winston (eram três no total), um dos quais o centrista Francisco Laplaine Guimarães, atual vice-presidente do CDS-PP, altura em que privava a miude com o atual presidente do CDS-PP, à data, o afamado Chicão.  Aliás, Francisco Rodrigues dos Santos, recorda Pedro Costa, numa entrevista, há já uns anos, à revista Sábado, minha querida Berta, da seguinte forma:

"O Pedro não é socialista, é um liberal utópico em toda a aceção do termo. É um tipo empreendedor que não gosta de ser escravizado e um criativo com um rasgo de inteligência. Nos costumes é muito mais progressista do que conservador". Acrescenta ainda: "Já lhe disse isso várias vezes e ele responde-me sempre com um riso bonacheirão, concordando sem o dizer.” Finalmente conclui: “Pedro Costa é um tipo para todas as ocasiões. Além de bom conversador e um grande companheiro de copos, é leal. A nossa amizade extravasa as ideologias… O Pedro teria sempre uma carreira promissora na política independentemente do pai. Ele tem mérito próprio."

Ora, Pedro Costa, ainda com o bar, em 2013, criou uma marca de roupa com os amigos, a Pyramid Collective, e em 2016 investiu num projeto, de outro amigo, de molas para meias, tendo tido ainda uma participação minoritária de 7,50% na marca de roupa Nuno Correia, que acabou por falir, isto é, minha cara amiga, não teve grande sorte nos negócios.

Porém, também em 2016, Pedro Costa abandona o seu falhado mundo de empreendedor, já com o curso de direito no bolso, e, diria que como por “milagre”, vira-se para a política e novamente para o PS. Por “sorte” do destino, sim, porque na vida é realmente preciso ter sorte nos momentos certos e, inteligentemente, fazer o melhor uso dela, a vida voltou a sorrir para o primogénito varão do nosso Primeiro-Ministro, António Costa.

Não me vou adiantar mais por agora. Este é o momento de começar a chegar ao final desta saga de três cartas, já contando com aquela que te enviarei depois desta. Por isso, recebe a minha despedida saudosa num beijo sincero, deste que está sempre ao teu dispor,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Pedro Costa e o "Eu É Que Sou o Presidente da Junta" - Parte I

Berta 554.jpgOlá Berta,

Cá estou eu feliz por retomar estes meus desabafos contigo. Foste votar? O que achaste das eleições autárquicas? Votaste bem? Certamente que sim. Só vota bem quem vota em consciência e sabe porque o faz. Eu também votei fazendo justiça às minhas convicções políticas e não me saí nada mal. Adorei os resultados e as surpresas eleitorais. Hoje envio-te a primeira parte do que eu chamei de “Pedro Costa e o “Eu É Que Sou o Presidente da Junta”.

Sabes, minha amiga, fez-me lembrar o tempo em que pertenci a uma comissão política distrital de um partido e depois à sua comissão executiva, juntamente com lugar na comissão política do mesmo partido num conselho algarvio. Ainda me lembro das duas eleições autárquicas em que participei como responsável de campanha autárquica e ajudei a eleger, em ambas, o Presidente da Câmara.

Como deves saber porque me conheces, amiga Berta, eu sou um pacato vagabundo de esquerda, embora nada tenha de radical. Mas é essa origem, tão contrária à minha família, que me faz ter pena de ver o PS perder a Câmara de Lisboa. Porém, embora me custe, não foi nada de que eu não tivesse à espera. Fernando Medina descurou todos os sinais e deixou-se estar soberbamente deitado à sombra da bananeira.

As duas grandes barracas deste ano deviam ter sido bandeiras vermelhas para o autarca, mas não foram. O mal é que ninguém avisou Medina, minha querida, que as suas atitudes perante as situações não estavam a ser bem aceites.

Não se defendeu convenientemente das celebrações da vitória do Sporting no Campeonato e, pior ainda, geriu pessimamente o caso das comunicações das manifestações às embaixadas. Em ambas as situações, Berta, se sentiu negligência e soberba, como se ele estivesse, enfim, bem acima da carne seca. Fernando Menina, digo, Medina, ficou na manicure, fiou-se na virgem, ou seja, nas “santas sondagens” e não saiu da sombra fresca da bananeira.

Em sentido contrário agiu o antigo dono do Winston Bar, situado na Rua do Sol ao Rato, em Campo de Ourique. Pedro Costa, filho de António Costa, é o exemplo perfeito de um percurso político, planeado ao detalhe (não me perguntes por quem). Contudo, esse planeamento só se iniciou há cinco anos, em 2016, mas já lá irei.

Aliás, continuo esta trilogia na próxima carta, para não me alongar demasiadamente hoje. Deixo um beijo de despedida, certo de que estás curiosa por saber como vai terminar esta saga, porém, para já, vais ter de aguardar um pouco mais, com amizade, saudosamente,

Gil Saraiva

 

 

 

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