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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Um olhar sobre o CHEGA e André Ventura - Parte III/III

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Olá Berta,

Termino hoje esta minha análise sobre o CHEGA. Antes de mais agradeço que tenhas deixado os teus comentários para o final desta carta. Com efeito, um partido como este, que reúne em seu torno uma quantidade de apoiantes tão diferentes e até divergentes entre si é, por si só, um verdadeiro fenómeno.

Mas não é um partido unido e consistente se lhe retirarmos o líder. Um bom exemplo disso foi o próprio congresso do CHEGA que, sob a ameaça de saída do seu comandante supremo, correu a aprovar as listas por este propostas que tinham sido anteriormente rejeitadas consecutivamente. Estamos, portanto, perante um saco de gatos, com um cão de guarda na porta de saída.

A queda de André Ventura, só por si, acabará por gerar o estilhaçar deste partido numa parafernália de pequenos movimentos, em que cada um puxa o saco para o seu lado. Sem o chefe, os bandos dividem-se nas suas partes e esquecem o benefício do todo que os constituía.

Até este momento o partido Chega é André Ventura e André Ventura é o partido Chega. Isto, mesmo assim, poderia ser e constituir algo de perigoso se a inteligência, o conhecimento, o discernimento e a cultura geral e política do líder fossem algo fora dos padrões aceites como comuns e extravasassem para as margens da genialidade.

Contudo, e para meu alívio, Ventura é apenas um oportunista sem ideias, que navega à vista e que não apresenta qualquer evidência de vir a ter o tão desejado rasgo de génio. Porém, dirão muitos, já reúne 10% das intenções de voto numas eleições legislativas. Com efeito essa é a realidade. Mas achas, amiga Berta, que sabermos que temos 10% de gente desta neste país é verdadeiramente preocupante?

O Partido Comunista Português nem quando tinha 15% dos eleitores portugueses, nas suas hostes, conseguiu implantar uma ditadura do proletariado e isto nos idos tempos do PREC (Processo Revolucionário em Curso), com uma inteligência invulgar como a de Álvaro Cunhal à cabeça e com o apoio da antiga URSS. Ora, nem Ventura é Cunhal, nem os apoios de ventura se comparam à URSS. Por isso, minha querida, deixemos o partido CHEGA implodir, naturalmente, por si mesmo, um destes dias ou quando perder o líder. Tal como aconteceu com o PRD, partido de Ramalho Eanes, quando se viu sem o seu líder.

Por agora basta de um CHEGA que não chega a lugar algum, onde coabitam aqueles que nos interessa saber quantos são e onde estão. Despede-se este teu amigo que muito se lembra de ti, minha querida Berta, com um beijinho, saudosamente,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: O Malandro Tipicamente Português - O Casanova - Parte III - III/VI

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Olá Berta

Grato por reconheceres tão bem esta personagem da minha pequena saga. Com efeito, ao entrar na terceira parte, é tempo de falar do Malandro tipo «Casanova», o qual, embora dedique grande parte do seu tempo ao género feminino, armado em gigolo, em pintas ou em macho latino, muitas vezes alastra a sagacidade às outras áreas abrangidas pela sua atividade, a modos que profissional. Não é difícil vê-lo a aproveitar uma ocasião para dar um ar da sua graça como «Criador de Esquemas», entre outros tipos do seu vasto reportório.

O “Três-Bêços” e o “Zézé Camarinha” são duas das estampas lusas que se tornaram famosas aí pelas praias, aldeias, vilas e cidades do Algarve onde te encontras, amiga Berta. O «Casanova», se conseguir amealhar alguma riqueza, vinda das suas relações amorosas, não a rejeita nem despreza, pelo contrário, demonstra com atos e palavras o seu profundo agradecimento à vítima, digo, à namorada da altura.

A grandeza do Casanova está em conseguir obter o máximo proveito, seja ele de cariz económico, social ou simplesmente amoroso ou sexual, sem que a sua companheira do momento o veja como um oportunista sem préstimo. Se for ela a ir fazendo voluntariamente as ofertas, sem que ele fale diretamente no assunto, é porque desempenhou o seu papel com perfeição e profissionalismo.

Os exemplos algarvios de que te falei atrás chegaram, cada um com as suas variantes, a receber carro, barco e moradia de presente, de várias das suas princesas e não apenas uma delas, apenas e só porque os queriam ver felizes e melhores na vida. Tudo sem que qualquer pedido fosse feito da parte deles. Jamais! A arte estava em ter tudo sem nada, nem uma vez que fosse, pedir às ditas queridas.

Uma vez, num café muito conhecido da cidade de Faro, e que hoje já não existe, presenciei a mestria de um deles a convencer uma Bifa (nome que os Marialvas davam às inglesas) a convidar uma amiga para, em conjunto, viverem um verão a três. A coisa levou cerca de uma hora e foi feita com tal lisura que só mesmo alguém muito atento é que perceberia que a ideia não fora da senhora, mas do garboso meliante.

O Casanova típico nunca aborda diretamente uma presa. Pode até meter conversa para pedir um cigarro ou um isqueiro ou para perguntar as horas. Com essas solicitações lança um ténue elogio à dama, faz uma ou outra observação jocosa e, se a mulher não inicia conversa afasta-se novamente. Essa que parece ser a pior hipótese é muitas vezes a sua melhor arma. Pois numa segunda ocasião em que encontra a mesma pessoa, o seu reconhecimento desta gera normalmente empatia e diálogo mais fácil. Daí a levá-la para a cama está a grande diferença entre um Casanova e um fala-barato.

Podia contar-te muito mais destes imanes do sexo oposto, mas o que escrevi é suficiente, minha querida amiga, para facilmente reconheceres o género. Termino com o envio de um forte abraço, este que não te esquece,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: O Colecionador de Beijos - Introdução - Parte III - V/VII

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Olá Berta,

Termino aqui a apresentação inicial do livro “O Colecionador de Beijos”. Depois desta carta apenas ficam a faltar mais duas outras referentes à conclusão do ensaio sobre o beijo e respetiva bibliografia. Assim sendo aqui vai a terceira e última parte da introdução.

 

“Introdução

 

Na Igreja Católica, o beijo pode ser um sinal de reverência, ao se beijar, por exemplo, o anel do Papa ou de membros da alta hierarquia eclesiástica. Já os romanos da Antiguidade tinham 3 palavras para beijo, “basium”, “osculum” e “suavium”, se o primeiro se dava entre conhecidos, o segundo era apenas partilhado entre os amigos íntimos e o terceiro destinava-se em exclusivo para os amantes. Aliás, o beijo tinha um papel nas lides do poder romano, com efeito, somente os nobres mais distintos podiam beijar o imperador nos lábios, os restantes tinham de se contentar com um beijo nas mãos e os súbditos apenas tinham direito a beijar o seu soberano nos pés. Efetivamente a partilha de beijos entre guerreiros, quer na Grécia, terra onde o beijo tinha um papel fundamental, quer em Roma, era comum no regresso das campanhas. Consta, também, que na Suméria, a antiga Mesopotâmia, os beijos serviam como prendas aos deuses.

Já na Rússia Czarina o beijo era uma verdadeira demonstração de poder porque, um beijo do Czar, traduzia uma das mais prestigiadas honras imperiais. O beijo era tão importante que, por exemplo, em França, no decorrer do século XV, os nobres tinham o privilégio de poderem beijar todas as mulheres que quisessem. Porém, na Itália medieval, um homem cavalheiro que beijasse uma dama em público era imediatamente obrigado a contrair o matrimónio, o assunto era tão sério que o costume se espalhou a uma grande parte do povo. Porém, na Escócia medieval era costume o padre beijar os lábios da noiva no final da cerimónia de casamento para haver felicidade conjugal.

Durante o copo de água, e ainda em prole da felicidade, a noiva devia beijar na boca todos os homens presentes, trocando cada beijo por uma quantia em dinheiro.

No caso português, e já no Brasil, D. João VI introduziu a cerimônia do beija-mão. Assim, em determinados dias, o acesso ao Paço Real era conferido a todos os que desejassem apresentar alguma demanda. Nessa ocasião, em sinal de respeito, tanto os nobres, como o povo, e até os escravos, tinham que lhe beijar a mão direita antes de fazerem o seu pedido. Esse costume foi mantido por D. Pedro I e por D. Pedro II. Porém, a troca de beijos entre portugueses e índias, no Brasil, era mal visto por estas, que achavam o ato nojento, quer por estarem habituadas a cheirar o corpo do parceiro, em busca das feromonas do sexo oposto, em vez de usarem os beijos, quer porque contraíam uma parafernália de maleitas vindas do continente europeu por via dessa troca.

Podemos encontrar o beijo representado e apresentado nas diferentes formas de arte, seja na pintura onde o génio da pintura Gustav Klimt deu cartas, como escultura, com Rodin, na literatura com imensos autores de diferentes épocas, na sétima arte e nas redes sociais. Pelo que investiguei o beijo propaga-se cada vez mais pelo mundo e até já tem um dia próprio. O Dia Internacional do Beijo a 13 de abril de cada ano. O ato de beijar em público é generalizado no mundo ocidental e nos territórios ocidentalizados dos diferentes continentes, mas cerca de dez por cento da humanidade simplesmente não usa o beijo e cerca de vinte e cinco por cento só o faz na esfera privada e íntima. O oriente é a zona do globo onde a prática pública do beijo apenas se encontra nas grandes urbes e mesmo aí, vê-se quase exclusivamente entre casais jovens ou em grupos onde a presença de pessoas de mais idade não se verifica.

Porém, o mais comum, hoje em dia, na cultura ocidental é o beijo ser considerado um gesto de afeição. Entre amigos, é utilizado como cumprimento ou despedida e entre amantes e apaixonados beija-se como prova da paixão, de agrado ou de dedicação. Resta-me desejar uma boa leitura deste ensaio jornalístico e literário, onde se apresentam, numa visão possivelmente esclarecedora, 435 beijos, esperando que este livro possa contribuir para um melhor entendimento cultural e sociológico e uma mais apurada compreensão das afinidades e das consequências desse fenómeno espetacular a que chamamos beijo. Mas passemos ao conteúdo...”

Assim chega ao fim esta introdução e com ela, sempre saudoso, me despeço uma vez mais, este teu amigo do dia-a-dia,

Gil Saraiva

 

 

 

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