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Alegadamente

Este blog inclui os meus 4 blogs anteriores: alegadamente - Carta à Berta / plectro - Desabafos de um Vagabundo / gilcartoon - Miga, a Formiga / estro - A Minha Poesia. Para evitar problemas o conteúdo é apenas alegadamente correto.

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Carta à Berta n.º 616: O Metro no Jardim da Parada - Parte II/VI

Berta 616.jpg(Jardim da Parada, fotografia de autor, todos os direitos revervados)     

Olá Berta,

Continuando hoje com a Parte II/VI sobre a temática: “O Metro no Jardim da Parada” vou começar por te contar a reação de um dos membros do grupo Fãs de Campo de Ourique, no Facebook, o senhor Gonçalo de Mello-Barreto, cujo primeiro comentário foi, e passo a citar: “Bla bla bla”, ao qual juntou um “imoji de ira” apenso ao “post” da tua carta. Do número redondo de visitas que ontem viram a minha Carta à Berta, amiguinha, num total de 2.200 pessoas, apenas este senhor se mostrou desagradado com o que escrevi e tem todo o direito a isso.

Os grupos onde partilhei a carta e que a aceitaram publicar foram, até ao momento, minha querida,  o grupo “Campo de Ourique”, o grupo “Bairro de Campo de Ourique” o grupo “Fãs de Campo de Ourique”, o grupo “Crescemos em Campo de Ourique”,  o grupo “Campo de Ourique de Ontem”, o grupo “Encontro de Palavras”, o grupo “Turma de Campo de Ourique”, o grupo “Lisboa com Alma” e o grupo “Política em Portugal PT”. O grupo “Campo de Ourique Bairro de Campeões” ainda não deve ter visto o meu pedido de publicação e o grupo “Tertúlia de Campo de Ourique”, não sei porquê, nunca publica as minhas crónicas nem que o tema seja o bairro. Estou a dizer-te isto porque é importante que as pessoas estejam informadas e possam formar a sua própria opinião. Espero que a minha visão dos factos ajude e agradeço a todos os administradores que me têm dado voz.

Mas voltemos ao senhor Gonçalo de Mello-Barreto. É óbvio, Berta, que ele tem todo o direito em não estar de acordo. Na sua ira está o convencimento que o Metropolitano de Lisboa vai cumprir a sua palavra e que no fim das obras apenas seis árvores desaparecem, não sendo a raízes das outras centenárias árvores afetadas. O tempo nos dirá se ele tem razão. Contudo, continuo sem entender porque é que a estação do metro de Campo de Ourique não há de ser feita, sem sequer alterar em nada o trajeto da linha vermelha, na Rua Saraiva de Carvalho com entradas e saídas perto da Tentadora e junto à igreja Santo Condestável.

Na Saraiva de Carvalho, cara amiga, a rua é bem mais larga e pode facilmente levar duas ou três entradas e saídas paralelas às anteriormente projetadas, não seria isto melhor do que colocá-las na Rua Francisco Metrass, na esquina do Az de Comer e da Biblioteca, bem junto ao edifício Europa, onde estão previstas as duas entradas e saídas, bem mais condicionadas, e do que a da Rua Almeida e Sousa, no cruzamento com a Rua Ferreira Borges, para onde irá a outra entrada e saída?

Nesta nova possibilidade não se perderiam lugares de estacionamento. A Rua Saraiva de Carvalho tem autocarros e elétricos com paragens perto e é tão central e acessível como o Jardim da Parada, mais ainda, tem o Mercado de Campo de Ourique logo ali, bem perto, mais a Polícia, o polo universitário e até a Junta de Freguesia. E o melhor de tudo, no meu entender de leigo, é que o trajeto do metropolitano não teria de ser alterado. Somado a isso tudo, doce amiga, o metro aí nem sequer interfere com a zona do estacionamento subterrâneo junto à igreja, nem haveria árvores a abater.

A saída junto à Tentadora ainda poria o metro a dois passos da estação de Metro da Estrela, pertencente à linha verde, e a poucos metros, menos de 50, mais coisa menos coisa, do Jardim da Estrela. Se quisessem, Bertinha, até haveria vantagem em colocar uma ligação pedonal entre a linha vermelha e a verde nessa zona, facilitando enormemente a mobilidade entre linhas. Quanto à malha urbana nem há comparação possível entre as áreas livres de edifícios e árvores num ou no outro local.

Basta referir que a Rua Saraiva de Carvalho tem quase o dobro da largura da Rua Francisco Metrass e que o mesmo acontece se comparada com a Rua Almeida e Sousa. Por outro lado, a área livre para construir a estação de metro é quase três vezes superior à do Jardim da Parada, já descontando o estacionamento subterrâneo, e, caríssima, não existem árvores para abater.

O problema é que a chamada “discussão pública” dos prolongamentos das linhas do Metropolitano de Lisboa, funciona apenas como verbo de encher. É verdade, Berta, ao que transparece não há a mínima intenção por parte do Governo, do Metropolitano, da Câmara de Lisboa e da Junta de Freguesia de Campo de Ourique (em concreto) em alterar o que quer que seja ao plano traçado. A “discussão pública”, está mais do que visto, não pode levar a alterações ao plano traçado e ao tempo e dinheiro já gasto no projeto, pelo que não passa de um embuste descarado de quem manda sobre quem reside nos bairros de Lisboa, nomeadamente no de Campo de Ourique.

Porém, minha amiga, e apesar de nem os planos de pormenor serem mostrados à população para consulta, no caso do nosso bairro, concretamente, o “Movimento Salvar Jardim da Parada” resolveu ir à luta. É um movimento civil, sem advogados caros e políticos ardilosos, mas luta pelo que é justo. Foi organizado através de gente revoltada com a possibilidade de verem o Jardim da Parada desventrado e posto em risco. A pouco e pouco tem ganho adeptos, apoiantes e participantes e vai crescendo…

Muita pena tenho eu de não poder participar mais ativamente na sua luta, mas a minha saúde tem-me impedido de o fazer como gostaria. Lá vou participando como posso, mas não como gostaria, minha velha e querida confidente. O que peço a todos os que lerem esta tua Carta à Berta é que, por favor, não deixem mesmo de assinar a petição pública que circula na internet é só ir a salvarojardimdaparada.pt/peticao. Já só faltam 781 assinaturas para que a localização sobre a Estação de Metro de Campo de Ourique possa ser discutida na Assembleia da República.

Num bairro de 22.000 pessoas, arranjar 7.500 assinaturas, que depois têm de ser confirmadas pelos emails dos próprios, é obra. Como sou um romântico ainda gosto de pensar que o povo ainda é quem mais ordena. Por força da petição, Bertinha, já sabemos que pelo menos um terço da população do bairro se opõe à estação do metro no Jardim da Parada e o movimento não tem como chegar a toda a gente, porque se tivessem meios já estariam reunidas bem mais de 15.000 assinaturas, eu acho.

Porém, nem toda a gente tem internet, nem todos a sabem usar, e muitos há que nem se querem incomodar com a situação, como em tudo nesta vida, amiguinha. Todavia, mesmo assim, arranjar 7.500 assinaturas será uma lança em África e um feito histórico digno da história do bairro onde o 25 de abril começou.

Daí o meu apelo, nesta segunda de seis cartas sobre este tema, para que todos os que concordam que a Estação de Campo de Ourique deve mudar de local, assinarem a “petição pública”. Não deixem de o fazer, é imperativo! Ela encontra-se no site das petições públicas e pode ser acedida através dos vários grupos de Campo de Ourique existentes no Facebook. Chama-se: Salvar Jardim da Parada e é a causa mais nobre que eu já defendi nos últimos 30 anos, em termos de causas locais. Por hoje é tudo, minha querida. Viva a Alma de Campo de Ourique, viva o Jardim da Parada! Deixo um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta nº. 336: Os Novos 4 Cavaleiros do Apocalipse - Guerra - II/VI

Berta 336.jpg Olá Berta,

Nesta segunda de 6 cartas sobre os renovados 4 Cavaleiros do Apocalipse, vou falar-te da Guerra, que se tem vindo a desenvolver usando outros nomes mais imaginativos, pseudónimos que tentam esconder ao que vem, para que não se dê conta, cedo demais, do seu verdadeiro objetivo, minha amiga.

Às portas da terceira década do primeiro século do terceiro milénio d.C., a famígera usa agora, minha cara, nomes diferentes como, por exemplo, cibercrime, terrorismo (um termo que tem vindo a ganhar valoração própria desde o quarto quartel do século XX), nova ordem, “fakenews”, distorção histórica e sensibilidade hipócrita. Há mais, mas estes são apenas padrões entre outros.

Voltemos, amiguinha, à guerra, deste novo século. Desde 2000 que a Bielorrússia e a Rússia assinaram um tratado de cooperação, indicando uma possível formação de uma União Estatal. Esta foi a forma dissimulada com que Putin, com o conluio de Alexander Lukashenko, se tornou dono e senhor da denominada Rússia Branca (tradução de Bielorrússia), mantendo um fantoche no poder.

Foi neste formato, minha querida, num golpe de estado apelidado de tratado, que um país recentemente separado da antiga União Soviética, e a prosperar em democracia, se viu novamente sob o jugo do poder do novo Czar russo, Vladimir Putin. Também sob o jugo russo ficou a Venezuela, graças à forjada reeleição de Nicolás Maduro, em 2018, que se tornou assim um falso democrata. Um ditador que transformou um país próspero numa terra de corrupção (um outro nome da nova Guerra), enfim, numa nação à beira da miséria.

Com Bin Laden, em setembro de 2011, a palavra terrorismo ganhou folego para traduzir mais um aspeto assumido da nova Guerra. Com efeito, doce confidente, por toda a Europa se seguiram atentados, atos terroristas e tentativas de instalar o caos. Culpando o todo pela parte, o Ocidente ganhava uma nova aversão aos árabes, aos muçulmanos e a Guerra, Bertinha, rapidamente adotou os conceitos de racismo, xenofobia, supremacia branca, com rancor pela igualdade de género ou pela liberdade sexual dos indivíduos que tão justamente vinha em crescendo.

Um vento de direita, impulsionado pela revolta (nome oculto da Guerra) fazia renascer o machismo, gerava conflitos religiosos entre católicos, protestantes, evangelistas, muçulmanos, só para citar alguns. Por outro lado, ajudava a conflitos contra o Irão, contra a Rússia, que entretanto ocupou a Crimeia, gerando por toda a parte o aparecimento de líderes sem espinha vertebral, capazes das maiores mentiras e teorias da conspiração, como se tudo fosse, cara amiga, tão normal como beber água. As ideias de direita ajudavam à Guerra e ao conflito.

Subitamente ascenderam ao poder pessoas como Viktor Orbán, na Hungria, Erdogan na Turquia, Donald Trump, nos Estados Unidos, Jair Bolsonaro no Brasil, Benjamin Netanyahu em Israel, e os exemplos não vão parar de crescer, minha querida. Não importa que se prometa, mentido, o paraíso aos carneiros, o sentimento de frustração e abandono dos mais desfavorecidos, dos ignorantes e a ascensão dos oportunistas, vai ajudar a fazer crescer a direita, novamente, como se de uma coisa normal se tratasse, conduzindo a manada que, entretanto, cegou.

A ideia, Berta, é banalizar conceitos antidemocráticos como sendo estes os verdadeiros representantes da nova verdade. Centralizar o poder e voltar a valores arcaicos e feudais de modo a que se possam voltar a instalar ditaduras como se de democracias se tratassem. A guerra agora é outra, mas poucos se dão conta do caminho que está a ser encetado paulatinamente. Enfim, amanhã falarei da fome. Recebe um beijo deste teu amigo do peito,

Gil Saraiva

 

 

 

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