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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Pedro Costa e o "Eu É Que Sou o Presidente da Junta" - Parte III

Berta 556.jpgOlá Berta,

Termina aqui, hoje, a trilogia de: de “Pedro Costa e o “Eu É Que Sou o Presidente da Junta”. Se dividi este assunto em três partes foi porque, minha querida, não gosto de falar das coisas pela rama, mesmo quando o assunto, é, apenas e só, a minha visão dos factos. Mas voltando à vaca fria e servida com o devido requinte gourmet:

 Pedro Costa filia-se no PS em 2016 após, segundo afirmou à Sábado, pouco depois: "ver a luz". É ainda através da mesma revista semanal, querida Berta, que fiquei a saber que três anos depois de se filiar no partido do pai, Pedro Costa tem duas experiências autárquicas: Primeiro, na Junta de Freguesia do seu primo, António Cardoso, em São Domingos de Benfica, enquanto elemento independente. E, finalmente, em 2017, em Campo de Ourique, onde reside com a mulher e “se apaixonou”, pelo que diz, definitivamente, pela vida autárquica.

Foi eleito para a Junta de Campo de Ourique em terceiro na lista, de onde derivou como candidato “naturalmente” vindo de São Domingos de Benfica, por cá habitar e ter tido os seus negócios, mas ascenderia ao segundo posto depois de a número dois, Susana Ramos, mulher de Duarte Cordeiro (o socialista, amigo e atual vizinho, que assinou a sua ficha de entrada no PS), passar para a presidência da mesa da assembleia de freguesia. Pedro Costa fica, então, com o pelouro da Higiene Urbana e na rampa de lançamento para o primeiro lugar caso a “fortuna”, querida Berta, lhe viesse a bater de novo à porta.

Porém, a sua “estrela” continuava a brilhar e quando Pedro Cegonho, o então presidente da junta, escolhido previamente, nas eleições legislativas anteriores, como candidato a deputado, resolve ingressar no Parlamento, ocupando o seu lugar de eleição, deixa o seu número dois, com o lugar que antes ocupava, ou seja, Pedro Costa ascende assim, a meio do mandato autárquico, a presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique. Uma verdadeira viagem de foguetão, minha saudosa amiga, não achas? Daí até à sua recandidatura nas eleições de ontem, ao cargo de Presidente da Junta já tudo é o que parece, ou seja, um processo perfeitamente natural.

Aquilo a que eu acho graça, amiga Berta, é ao facto de Pedro Costa, ainda em declarações à Sábado, se achar um político "discreto" e "reservado", que diz não querer viver na sombra do pai, António Costa. Afirmou até, na altura: "Não é justo nem para ele nem para mim que eu me exponha excessivamente a essas colagens".

Mas Pedro Costa acha que está a ser sincero, como se fosse normal, um militante que ingressa no PS aos 26 anos, acabado de ser associado aos mais bem colocados futuros líderes do CDS-PP, chegar, digamos que naturalmente, apenas cinco anos depois, aos 31 anos de idade, à Presidência de uma Junta de Freguesia do Concelho de Lisboa, depois de ter sido proposto como o cabeça de lista e candidato do Partido Socialista à mesma.

A linhagem hereditária da monarquia, querida Berta, que já terminou em Portugal há um século e uma década, continua a impelir muitos dirigentes políticos nesta senda familiar derivada do direito consuetudinário. Pode Pedro Costa achar que foram tudo “afortunadas” coincidências, pode o seu pai negar a pés juntos nunca ter interferido na tentativa de dar um futuro promissor ao seu filho na política, pode até cair o “Carmo e a Trindade” novamente que eu não acredito no Pai Natal, mesmo que ele chegue à minha varanda do terceiro andar montado num trenó, puxado a renas, com o Rodolfo na dianteira.

E mais não digo, porque, depois deste desabafo à minha maneira, desejo que o rapaz até tenha mesmo muita sorte, e isto porque, nesta batalha final, em que o castelo feudal de Medina desabou, ele teve que batalhar seriamente, nem que tenha sido pela primeira vez, para sobreviver politicamente. Ora, isso sim, já é, definitivamente, mérito do próprio. Assim sendo, despede-se com um beijo, sem mais comentários, este teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Pedro Costa e o "Eu É Que Sou o Presidente da Junta" - Parte II

Berta 555.jpgOlá Berta,

Voltando ao assunto de ontem, para continuar esta segunda parte sobre: Pedro Costa e o “Eu é Que Sou o Presidente da Junta”, não quero que penses que estou apenas a falar, à laia do tempo de Gil Vicente, como se estivesse a cantar apenas mais uma “Cantiga de Escárnio e Mal Dizer”. Nada disso. Gosto é que se saibam as coisas ou, pelo menos, de explicar como elas são vistas por mim. Volto, portanto, ao tema em causa:

Há que referir que o jovem, o Pedro Costa, depois de ter passado pela JS (um ingresso feito aos 14 anos), tendo sido aluno do Colégio Moderno, acabou por, ainda no entusiasmo da adolescência, se encostar aos seus amigos centristas, dos tempos da sua entrada na Faculdade de Direito na Universidade de Lisboa, com quem fez parte da associação académica e com quem acabaria por fazer a  sociedade para o negócio do bar Winston (eram três no total), um dos quais o centrista Francisco Laplaine Guimarães, atual vice-presidente do CDS-PP, altura em que privava a miude com o atual presidente do CDS-PP, à data, o afamado Chicão.  Aliás, Francisco Rodrigues dos Santos, recorda Pedro Costa, numa entrevista, há já uns anos, à revista Sábado, minha querida Berta, da seguinte forma:

"O Pedro não é socialista, é um liberal utópico em toda a aceção do termo. É um tipo empreendedor que não gosta de ser escravizado e um criativo com um rasgo de inteligência. Nos costumes é muito mais progressista do que conservador". Acrescenta ainda: "Já lhe disse isso várias vezes e ele responde-me sempre com um riso bonacheirão, concordando sem o dizer.” Finalmente conclui: “Pedro Costa é um tipo para todas as ocasiões. Além de bom conversador e um grande companheiro de copos, é leal. A nossa amizade extravasa as ideologias… O Pedro teria sempre uma carreira promissora na política independentemente do pai. Ele tem mérito próprio."

Ora, Pedro Costa, ainda com o bar, em 2013, criou uma marca de roupa com os amigos, a Pyramid Collective, e em 2016 investiu num projeto, de outro amigo, de molas para meias, tendo tido ainda uma participação minoritária de 7,50% na marca de roupa Nuno Correia, que acabou por falir, isto é, minha cara amiga, não teve grande sorte nos negócios.

Porém, também em 2016, Pedro Costa abandona o seu falhado mundo de empreendedor, já com o curso de direito no bolso, e, diria que como por “milagre”, vira-se para a política e novamente para o PS. Por “sorte” do destino, sim, porque na vida é realmente preciso ter sorte nos momentos certos e, inteligentemente, fazer o melhor uso dela, a vida voltou a sorrir para o primogénito varão do nosso Primeiro-Ministro, António Costa.

Não me vou adiantar mais por agora. Este é o momento de começar a chegar ao final desta saga de três castas, já contando com aquela que te enviarei depois desta. Por isso, recebe a minha despedida saudosa num beijo sincero, deste que está sempre ao teu dispor,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Pedro Costa e o "Eu É Que Sou o Presidente da Junta" - Parte I

Berta 554.jpgOlá Berta,

Cá estou eu feliz por retomar estes meus desabafos contigo. Foste votar? O que achaste das eleições autárquicas? Votaste bem? Certamente que sim. Só vota bem quem vota em consciência e sabe porque o faz. Eu também votei fazendo justiça às minhas convicções políticas e não me saí nada mal. Adorei os resultados e as surpresas eleitorais. Hoje envio-te a primeira parte do que eu chamei de “Pedro Costa e o “Eu É Que Sou o Presidente da Junta”.

Sabes, minha amiga, fez-me lembrar o tempo em que pertenci a uma comissão política distrital de um partido e depois à sua comissão executiva, juntamente com lugar na comissão política do mesmo partido num conselho algarvio. Ainda me lembro das duas eleições autárquicas em que participei como responsável de campanha autárquica e ajudei a eleger, em ambas, o Presidente da Câmara.

Como deves saber porque me conheces, amiga Berta, eu sou um pacato vagabundo de esquerda, embora nada tenha de radical. Mas é essa origem, tão contrária à minha família, que me faz ter pena de ver o PS perder a Câmara de Lisboa. Porém, embora me custe, não foi nada de que eu não tivesse à espera. Fernando Medina descurou todos os sinais e deixou-se estar soberbamente deitado à sombra da bananeira.

As duas grandes barracas deste ano deviam ter sido bandeiras vermelhas para o autarca, mas não foram. O mal é que ninguém avisou Medina, minha querida, que as suas atitudes perante as situações não estavam a ser bem aceites.

Não se defendeu convenientemente das celebrações da vitória do Sporting no Campeonato e, pior ainda, geriu pessimamente o caso das comunicações das manifestações às embaixadas. Em ambas as situações, Berta, se sentiu negligência e soberba, como se ele estivesse, enfim, bem acima da carne seca. Fernando Menina, digo, Medina, ficou na manicure, fiou-se na virgem, ou seja, nas “santas sondagens” e não saiu da sombra fresca da bananeira.

Em sentido contrário agiu o antigo dono do Winston Bar, situado na Rua do Sol ao Rato, em Campo de Ourique. Pedro Costa, filho de António Costa, é o exemplo perfeito de um percurso político, planeado ao detalhe (não me perguntes por quem). Contudo, esse planeamento só se iniciou há cinco anos, em 2016, mas já lá irei.

Aliás, continuo esta trilogia na próxima carta, para não me alongar demasiadamente hoje. Deixo um beijo de despedida, certo de que estás curiosa por saber como vai terminar esta saga, porém, para já, vais ter de aguardar um pouco mais, com amizade, saudosamente,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: MEO, NOS e VODAFONE, o Trio da Vida Airada

Berta 548.jpgOlá Berta,

Lembraste de eu ter-te contado que reclamei sobre o facto de agora termos que levar com 30 segundos de publicidade obrigatória sempre que queremos ver um filme ou um documentário nas gravações automáticas da MEO? Pois bem, já tenho resposta à minha reclamação e passo a transferi-la para esta carta.

“Caro Gil Saraiva,

Em resposta ao seu pedido que mereceu a nossa melhor atenção informamos que à semelhança do que se verifica nos restantes formatos de publicidade em televisão, não existe forma de excluir a publicidade. O que este novo modelo traz de diferenciador é a possibilidade de a publicidade ser segmentada consoante o perfil de cada utilizador. A partir de agora, terá sempre a opção de escolher entre publicidade personalizada ou genérica. Para visualizar o conteúdo gravado terá sempre de escolher uma das opções de visualização da publicidade. A plataforma tecnológica utilizada para a entrega de publicidade foi desenvolvida, em cooperação, pela MEO, NOS e VODAFONE. O projeto obedece às mais rigorosas normas de privacidade e proteção de dados de clientes. A par disso, todos os dados recolhidos para efeitos de publicidade são processados de forma anonimizada na plataforma criada para o efeito. Estão por isso garantidos todos os direitos consagrados no Regulamento Geral de Proteção de Dados. A não aceitação da visualização da publicidade, genérica ou personalizada, implica a não visualização do programa gravado. Mais informamos que pode consultar as Condições de Utilização das Gravações Automáticas em:

https://www.meo.pt/condicoes-de-utilizacao/gerais-dos-servicos...”

A resposta é muito esclarecedora, contudo omite tudo o que é importante e revela que realmente existiu concertação entre empresas de comunicação. Portanto, os cérebros da MEO, da NOS e da VODAFONE juntaram-se todos para lançarem esta publicidade obrigatória, concertando estratégias. Mas o que é, realmente, grave é o facto de todos eles acharem que estão no direito de alterarem unilateralmente as regras das gravações automáticas, acrescentando às mesmas uma obrigação que não constava nos contratos feitos com os seus clientes, ou seja, connosco. Eu poderia ir para tribunal? Podia, se fosse multibilionário para combater este lóbi na barra de um tribunal e provavelmente ganhava.

Eles afirmam que o projeto obedece às leis da privacidade, mas esquecem-se de dizer que alteraram um contrato comigo, enquanto operador, sem aviso ou autorização prévia. O que importa não é a garantia dos direitos de privacidade, mas a garantia da manutenção do contrato tal e qual foi feito comigo.

Alterar as Condições de Utilização das Gravações Automáticas devia requerer o meu consentimento e o de qualquer outro utilizador dos serviços destas empresas. O erro está no abuso de poder. Eu já pago uma verba no contrato com a MEO para poder ter acesso às gravações automáticas. A obrigatoriedade de me fazer ver 30 segundos de publicidade, antes de cada filme ou documentário, das gravações automáticas, é um preço acrescido, pago em tempo, por mim e por qualquer utente destes serviços, sem o nosso consentimento. Ou será que para estas tempo não é dinheiro? Claro que é e são bem pagas pela alteração que fizeram abusivamente.

Ás vezes tenho pena de não ser rico apenas por coisas assim. Iriam ter que retirar a nova norma ou reduzir os custos do contrato, repartindo os chorudos benefícios que têm com esta nova norma publicitária, isto se me fosse viável pô-los em tribunal. Assim, infelizmente minha querida Berta, ficam-se a rir, descaradamente na minha cara.

Mandei também a minha reclamação para as entidades de defesa do consumidor, até ao momento nem uma respondeu. Infelizmente é assim que funcionam os grandes grupos e pouco podemos fazer do modo como as coisas estão implementadas. Despeço-me triste, até à próxima carta, a imaginar que a MEO é um enorme “smile” de riso cínico e arrogante, fica um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: A Alegadamente Ignóbil Graça Freitas - Parte II/II

Berta 552.jpgOlá Berta,

Terminando o assunto relativo à entrevista dada ao jornal Público, no início da semana pela alegadamente ignóbil Graça Freitas, passo a comentar a restante entrevista e o que me ficou por assinalar sobre essa senhora na carta anterior e que não quero deixar de referir.

Na entrevista ao Público, a Diretora-Geral de Saúde sublinhou que, num tempo em que a Covid-19 está a começar a ser confinada, muitas das normas que estão em vigor deverão desaparecer brevemente. Ora, minha querida amiga, tu vês algum controle efetivo da pandemia? Neste momento só não estamos pior do que nos meses de janeiro e fevereiro e talvez março deste ano. O famoso RT continua acima dos 0,8. O número de casos ainda não baixou do milhar e os óbitos não mostram qualquer esperança de passarem a residuais. Onde está então o controle? Na vacina?  No excelente trabalho do almirante? Claro que isso ajuda, mas não resolve a situação.

A dona Graça fala no regresso à normalidade. Sempre com enfoque na vacina. Mas faz tábua rasa das previsões da Organização Mundial de Saúde, que apontam uma subida de mortos para a Europa, durante o inverno, que poderá ultrapassar o quarto de milhão de futuras vítimas. A senhora Freitas disse igualmente que: “Vamos tender a voltar à nossa vida como era em 2019”. Ninguém reforma esta mulher?

Ela prepara-se para enviar para o “Domínio dos Deuses” e para o “Reino da Opacidade” a informação referente ao evoluir da Covid-19 em Portugal seguindo o único exemplo mundial que sempre assim atuou, desta forma tão iluminada, a Coreia do Norte. Como é óbvio, amiga Berta, o fim dos boletins diários da covid-19 é um ato absolutamente condenável e de falta de respeito pelos portugueses. Se a DGS acabar mesmo, como promete a dita Freitas com os documentos que todos os dias informam o público do número de casos, mortes e internamentos pela pandemia, entraremos no âmbito norte-coreano da desinformação, situação que, no meu modesto entendimento, viola os direitos constitucionais de todo a população portuguesa.

Se esta entrevista, minha amiga, fosse efetuada pelo falecido Max, a senhora Graça seria equiparada certamente à mula da cooperativa por afirmar convictamente a seguinte asnice: “O foco da DGS vai tender a ser na doença propriamente dita e não tanto na infeção. Para isso, o boletim vai deixar de ser diário, para libertar os portugueses do peso dos números. Queremos aumentar o intervalo desta publicação, sendo que, sempre que acontecer alguma coisa inesperada, comunicaremos”.

Uma atitude que, a acontecer, vai levar este país em que vivemos a uma nova e gravíssima crise pandémica. Pode não morrer tanta gente como aconteceu até esta fase da vacinação, mas as consequências serão de uma gravidade completamente inimaginável. Despeço-me triste com tanta asneirada proferida por alguém que devia ter responsabilidades sérias na gestão da pandemia. Os meus votos, desejos e anseios vão para que Marta Temido e António Costa se apercebam da asneirada antes de esta se iniciar e que a possam extinguir atempadamente. Ah, resolvi nem esperar pela reunião do INFARMED para escrever esta segunda parte. Por hoje é tudo. Recebe um beijo de despedida deste teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: A Alegadamente Ignóbil Graça Freitas - Parte I/II

Berta 551.jpgOlá Berta,

Por mais que eu não queira voltar a falar desta senhora, lá vem, de novo, a dita cuja Diretora Geral de Saúde, dizer uma alarvidade que me tira do sério. Desta vez, Graça Freitas (a alegadamente ignóbil diretora das ideias peregrinas e dos raciocínios absurdos), cujo nome já se tornou famoso no país, veio, através de uma entrevista dada ao jornal Público anunciar, como se algo de bom se tratasse, mais uma tentativa de fuga à transparência, com o mais vil descaramento.

Relembro-te, querida Berta, que a ela se deve o alegado facto de, em todo o país, (e principalmente nas zonas metropolitanas de Lisboa e Porto) nunca terem sido divulgados os casos, infeções e óbitos ao nível das freguesias, no âmbito da pandemia, mesmo contrariando com isso o que os especialistas acham ser o procedimento mais correto e eficaz para ajudar as populações a fazer uso das medidas anunciadas de combate à Covid-19. Usar de maior transparência podia trazer à ribalta e à vista de todos a imensa incompetência inicial da gestão pandémica.

O anúncio que a Dr.ª Freitas tinha para fazer ao país, minha querida amiga, bem no final da entrevista, como se isso alguma vez pudesse repor a normalidade no quotidiano ou como se fosse algo que realmente viesse a trazer algum benefício às pessoas, foi o seguinte:

“Vamos libertar os portugueses desta carga que é recordar todos os dias quantos casos, quantos internamentos, porque isso também dá um peso à nossa vida.”

Fazer esta afirmação a um órgão de comunicação social, como se estivesse a querer fazer algo de positivo não só é ridículo como é uma afronta à inteligência das pessoas. Graça Freitas não quer é continuar a ser escortinada pelos portugueses e está a tentar arranjar uma desculpa (esfarrapada, diga-se) para levar a água ao seu moinho. Esta é mais uma atitude inaceitável. Acabar com os relatórios diários da pandemia e os respetivos gráficos, numa altura em que os casos diários se mantêm na ordem dos milhares, a cada dia que passa, só pode servir interesses obscuros e quiçá sinistros.

É tão grave como quando afirmou, com total desconhecimento médico e científico, que: “O uso generalizado de máscara, por parte dos portugueses, só vai trazer à população uma falsa sensação de segurança.” Ainda te lembras amiga Berta?

A Dr.ª Freitas também queria ficar, alegadamente, com o controlo da vacinação em Portugal, imagina só o que poderia ter acontecido querida Berta. Para nossa sorte quer a Ministra da Saúde, Marta Temido, quer o Primeiro-Ministro, António Costa, dessa vez, estavam atentos e à revelia da DGS nomearam uma task-force cujo comando, depois das barracas de mais um burocrata, acabou por ser assumido, com o máximo sucesso, por um militar, o vice-almirante Gouveia e Melo.

É preciso arranjar uma forma de impedir que Freitas cancele os relatórios diários sobre a Covid-19 a que a DGS está atualmente obrigada, e isso, custe o que custar. Para não me alongar em demasia terminarei esta carta na próxima sexta-feira, já depois da reunião do INFARMED na quinta-feira, ou seja, amanhã. Despeço-me com um beijo saudoso,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: O Bom Taliban - Parte II/II

Berta 550.jpgOlá Berta,

Voltando ao tema do bom taliban, para concluir a ideia de ontem, escusas de avançar com a ideia de que só é aceitável aquele que está morto. Esse não é coisa alguma porque, pura e simplesmente, já não existe. Mas voltando ao que sabemos dos novos Talibans, no atual Afeganistão, já é certo que o Governo vai estar sob o comando e supervisão de um líder religioso e também é sabido que, em vez de uma constituição no país, a lei suprema será a religiosa, ou seja, aquela que aplica uma fanaticamente deformada definição de islamismo.

O ministro do Ensino Superior do novo Governo taliban, um tal de Abdul Baqi Haqqani, expôs as novas políticas religiosas numa conferência de imprensa em Cabul, dias depois da formação de um executivo que, como é do conhecimento de todos, é exclusivamente masculino. Para serem considerados diferentes este atual ministro taliban diz que as mulheres vão ter acesso à universidade, como se estivesse a conceder um prémio à comunidade internacional, imagina tu, amiga Berta. Porém, mais à frente no discurso, entre linhas, explica que as mulheres vão passar a frequentar universidades exclusivamente femininas, onde os 'hijabs' serão obrigatórios, só não especificou se tal significa o uso de lenços obrigatórios na cabeça, tapando totalmente a cara, mas não é difícil de adivinhar qual será o procedimento a adotar num próximo ano escolar.

Para além disso, o ministro quis ainda deixar claro que a coeducação não é, nem será nunca, permitida, bem como deverá ser imposta a segregação de género para (desculpou-se o líder taliban) assegurar a integridade física feminina. O que te parece Berta? O preocupado ministro garante ser também esse o motivo da implementação de um conjunto de regras para as mulheres que incluem igualmente um código de vestuário obrigatório. Apesar de tudo, de um modo condescendente, o ministro do Ensino Superior afirma ainda que as disciplinas ou cadeiras dos cursos superiores ministrados às mulheres vão ser alteradas, de maneira a melhor se adaptarem à sua própria condição feminina. Um verdadeiro rei da hipocrisia.

Há ainda o problema de permitir no país o acesso à música e às artes, como o teatro, o cinema, entre outras formas de expressão cultural, sendo que o governo taliban admite ainda estar a estudar o problema. Problema são também as manifestações públicas femininas que, segundo o novo Estado, estão absolutamente proibidas e que, caso aconteçam de novo, serão reprimidas rápida e violentamente. Os talibans afirmam que não pode haver direitos iguais entre géneros que são diferentes e que cada género terá de ocupar o seu verdadeiro lugar na sociedade islâmica que pretendem construir.

Como se tudo isto não fosse, por si só, suficiente, há ainda que lembrar que entre os elementos do governo e dos líderes religiosos, estão mais de uma dúzia de terroristas, atualmente com a cabeça a prémio nos Estados Unidos e que constam das listas de criminosos de guerra procurados pela NATO. Para cúmulo, a velha guarda taliban de há vinte anos (ou seja, os líderes talibans que sobreviveram aos últimos vinte anos) estão todos em lugares de poder ou na eminência de serem nomeados para muitos dos altos cargos ainda por preencher.

Voltando, por tudo isso, há existência ou não de um bom taliban tenho que reconhecer que tal não existe, porque a própria filosofia radical destes fanáticos religiosos impede que isso possa ser uma realidade. A verdade, minha grande amiga Berta é que o bom taliban permitiria uma carta de direitos humanos e nunca diria que a atual carta universal dos direitos humanos é uma distorção ocidental do significado de humanidade, completamente incompatível com a filosofia que está por detrás do novo regime taliban no Afeganistão. O exemplo da igualdade de género é usado para explicar que géneros diferentes (homens e mulheres) pelo simples facto de o serem, nunca poderiam ter direito a qualquer forma de paridade, quanto mais de igualdade.

Em resumo, minha querida Berta, este regime taliban é uma cópia fiel do anterior, apenas está a demorar algum tempo a ser integralmente implementado, a ver se o Ocidente liberta o país, quer das sanções, quer dos fundos monetários a que de momento lhes falta o acesso. E por aqui me fico, sem mais delongas. Despeço-me por hoje com esta minha conclusão sobre o que é o bom taliban. Conforme acho que deves ter adivinhado, o bom taliban é um conceito que não pode existir de modo algum, o fanatismo explica-o bem, ou se é bom ou se é taliban. Recebe mais um beijo de despedida,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: O Bom Taliban - Parte I/II

Berta 549.jpgOlá Berta,

A celebração do 11 de setembro é algo que me faz alguma confusão. Ainda mais quando já lá vão vinte anos. E pior ainda quando os americanos acabaram de abandonar à sua sorte o povo afegão, deixando-os entregues aos talibans. Quanto à lembrança de datas tristes eu sou dos que preferem não ficar a remoer. Registei por escrito e em poema a data, sofri na altura, perdi inclusivamente um grande amigo no ataque às torres, mas, porque a vida continua, arquivei o tema e deixei de celebrar a efeméride.

Não digo que aqui ou além, querida Berta, não tenha um momento de nostalgia amarga quando algo me traz à memória esse dia, porém, não gosto de carpir o passado, não é saudável e tende mesmo a ser algo depressivo.

Para meu espanto ainda há gente que acredita, não sei se genuinamente, que os atuais talibans são diferentes dos terroristas de há duas décadas atrás. As maiores estátuas do mundo budista, os budas de Bamiyan, de 55 e 38 metros de altura, destruídas selvaticamente pelos primeiros fanáticos, deviam ter servido de alerta para esta gente que abrigou carinhosamente Osama bin Laden e que foi mais do que berço do Estado Islâmico, pois que, minha grande amiga, serviu de refúgio e de campo experimental de um Estado Islâmico ultrarradical, como não há memória na história universal deste nosso imenso globo terreste.

Com efeito, querida amiga Berta, estou a falar de uma gente responsável por dar guarida aos planeadores e executores do 11 de setembro de 2001, um evento que usou aviões, carregados de seres humanos, como mísseis e que os fez explodir nas torres gémeas, no Pentágono, para além do que se despenhou na Pensilvânia, por intervenção heroica da tripulação. Estou a falar de assassinos religiosos da pior espécie, aos quais os talibans nunca deixaram de estar intimamente associados, por mais que atualmente tentem fugir com o rabo à seringa. Contudo, no meu modesto entendimento, são tão culpados como a Al-Qaeda, o ISIS e todos os grupos e organizações radicais de islamismo fundamentalista.

Estão, aliás, minha amiga de tantos anos, na mesma categoria do nazismo ou do estalinismo e deviam ser tratados com a devida proporção face aos atos praticados. Não há, nem pode haver qualquer perdão, para genocidas, assassinos, esclavagistas de género (neste caso, o sexo feminino) e qualquer tipo de facínoras à face deste nosso planeta, tendo em conta a mentalidade e o contexto dos factos, nas épocas em que os mesmos se desenrolaram. No atual mundo em que vivemos, tais práticas são absolutamente inadmissíveis e não deviam ter qualquer tipo de condescendência.

Por hoje fico-me por aqui, pois não te quero maçar em demasia com esta minha explosão de genuíno sentido de total afronta. Amanhã termino esta minha ideia. Um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: MEO e os Abusos das Grandes Empresas

Berta 548.jpgOlá Berta,

Cá estou eu, de novo, a reclamar. Desta vez, e ainda agora voltei ao meu convívio contigo através destas cartas, contra a MEO. Esta entidade está, uma vez mais, a abusar dos seus direitos e a obrigar-me a ver o que eu não quero ver. O problema tem a ver com publicidade obrigatória, daquela que não dá para saltar ou passar à frente, sempre que quero ver um documentário ou um filme nos canais incluídos no meu pacote de “canais pagos à MEO”, através das gravações manuais ou automáticas.

Ainda por cima, querida Berta, como se já não fosse um total abuso de poder impor publicidade na modalidade de obrigatória, a referida propaganda é sempre um anúncio de jogos ou casas de apostas ou de casinos online. Uma publicidade que deveria inclusivamente estar banida da televisão por ser, de longe, bem mais prejudicial para as famílias portuguesas do que o álcool ou o tabaco.

Não sei o que se passa nas outras operadoras como a NOS ou a Vodafone, porém, se o arranjinho for generalizado, o caso é ainda mais grave. Grave porque traduz uma ação concertada que visa viciar os mais fracos na prática do jogo a dinheiro, uma atividade que causa uma terrível dependência e graves problemas em muitos lares deste país que é o nosso. No entanto, eu estaria contra a propaganda obrigatória mesmo que ela fosse sobre a vacinação.

O meu contrato com a MEO, minha querida amiga, não tem nenhuma cláusula onde diga que, para além do pagamento mensal a que estou obrigado para usufruir dos serviços, eu ainda tenho que levar com a obrigação de gastar o meu tempo a ver publicidade que não quero.

Por isso mesmo, através do portal da queixa, apresentei a seguinte reclamação contra a MEO: “Venho, por este meio, reclamar contra a nova forma de publicidade imposta na MEO sempre que pretendo ver um filme ou um documentário nas gravações manuais ou automáticas dos canais pagos da MEO, ou seja, se eu já pago para ter acesso a um pacote de canais de filmes e documentários porque é que sempre que recorro às gravações sou obrigado a ver uma publicidade de 28 segundos, onde não me é permitido avançar para o que quero ver, sem primeiro ter de visualizar um spot de uma casa de jogos online?”

Não sei, minha querida, com que operadora tu tens contrato, mas se for outra que não a MEO, diz-me se isso também acontece contigo ou não e de que operadora se trata. Tenho estado a pensar apresentar queixa formal, contudo, não sei se o melhor canal para o fazer é o Provedor de Justiça, se as organizações de defesa do consumidor ou o PAN. Sim, sim, o PAN, porque só podem ser animais, para não dizer umas grades bestas, quem teve a ideia peregrina de implementar este sistema. Ora, o PAN tem certamente muito mais jeito do que eu para lidar com animais.

Por hoje é tudo, despeço-me sem reclamações, recebe um beijo deste teu amigo sempre pronto para desabafar e também para te escutar quando precisas, espero que tudo continue bem contigo e deixo um imenso registo das minhas saudades, sempre ao teu dispor,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Cristiano Ronaldo - "Está Matematicamente Provado Que CR7 é o Melhor Entre os Melhores"

9db018b10f3cfa65cde7dbb78edc02c6.jpgOlá Berta,

Este é um regresso ainda tímido de férias. Enviar-te-ei uma ou outra carta durante o mês de setembro, mas efetivamente estava mesmo a precisar desta paragem criativa. Como diz o povo, e bem, eu estava a precisar de recarregar baterias. O tema de hoje é sobre Cristiano Ronaldo.

Um matemático bastante premiado e igualmente excêntrico da prestigiada Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirma ter provado matematicamente que CR7 é o melhor jogador de futebol de todos os tempos. Ora, como diz o povo, mais uma vez, se está provado é porque deve ser, mesmo se o cientista em causa tem ar de derivar do cruzamento de Albert Einstein com a cantora Lady Gaga.

Ora, minha querida amiga Berta, a fórmula criada para um algoritmo por Tom Crawfort (que me lembra, não sei porquê, Lara Croft no filme Tomb Rider) prova que Cristiano Ronaldo é o melhor jogador de sempre, enquanto Messi e Pelé são os seus companheiros de pódio. Destaco que o matemático da Universidade de Oxford, no Reino Unido, criou esta maravilha da matemática para determinar quem é o melhor jogador de futebol de sempre e pôr um ponto final numa eterna discussão sobre o tema. Segundo o próprio professor surreal não restam dúvidas, se as houvesse, que Cristiano Ronaldo é o melhor de todos os tempos, quer se goste ou não do nosso herói.

Consultando o pódio, que acompanha a ilustração desta carta, podemos constatar que depois do nosso jogador internacional estão, obviamente, Lionel Messi, e o brasileiro Pelé. Porém, para surpresa certa do povo argentino, fora do pódio fica Diego Maradona, o que significa que, para este povo da América do Sul, a matemática deve ser uma batata e que eles optam por escolhas mais divinas ou coca-dependentes, como parece efetivamente ser o caso concreto e sem grandes dúvidas temáticas.

Segundo as “Notícias ZAP” do portal nacional da aeiou.pt, amiga Berta, o estudo foi encomendado pelo LiveScore, um dos líderes entre os fornecedores mundiais de informações desportivas em tempo real. O próprio LiveScore confirma que foram analisadas dezenas dos jogadores de futebol mais importantes da história, desde o início da modalidade, confirma igualmente que a escolha dos critérios foi criteriosamente avaliada tendo gerado sete parâmetros de dados fundamentais.

Desta avaliação resultou que os principais elementos que elevaram a fasquia para Cristiano Ronaldo foram os seus títulos nos clubes, os golos internacionais e recordes individuais, tendo o atleta criado, com estas escolhas de avaliação uma pequena, mas determinante vantagem sobre todos os seus adversários mais próximos. Segundo o avaliador, querida amiga, para melhor entendimento dos leitores, a lista dos dez melhores jogadores de sempre foi apresentada em percentagem, onde 100% é a maior pontuação possível.

Tom Crawfort, o invulgar professor e teórico matemático da Universidade de Oxford, revela na sua entrevista, minha querida Berta, que adora aplicar a matemática em temas que possam suscitar o interesse das pessoas e que para isso escolhe temas de interesse de cariz popular ou generalizado pelas redes sociais. Afirma mesmo que, nos últimos anos, tem sido muito divertido gerar respostas matemáticas para estas temáticas e que o futebol não podia ficar de fora das suas escolhas evidentes.

Numa entrevista ao “Soccerex”, Tom Crawford explicou que, embora Cristiano Ronaldo tenha ficado no topo do seu algoritmo, é claro que as estatísticas de todos os outros jogadores foram absolutamente incríveis, e que está certo que o debate vai continuar. Na sequência da mesma entrevista o diretor de marketing do LiveScore, Ric Leask, afirmou que:

“Pela primeira vez, queríamos aplicar a ciência da matemática para nos ajudar a resolver a questão eterna, e tem sido fascinante ver o professor Tom Crawford falar sobre os números em nome de milhões de fãs em todo o mundo.” Tendo ainda afirmado que “O índice é muito mais do que uma pontuação; para nós, ajuda a encerrar um debate que se arrasta há gerações. Em maio, apoiamos o nosso homem ao revelar Cristiano Ronaldo como o nosso embaixador mundial da marca e agora sabemos com certeza que temos a matemática do nosso lado.”

De notar ainda, querida Berta, que os sete parâmetros adotados como critérios e tidos em conta foram:

1- Golos por Clubes,

2- Títulos por Clubes,

3- Golos por Seleções,

4 - Títulos por Seleções,

5 - Bolas de Ouro,

6- Recordes Individuais

7- Épocas Fator-Z — um nome atribuído ao impacto de um jogador nas competições nacionais e internacionais que, de forma significativa, o tornam superior, relevante e único, num determinado ano, quando comparado com os demais jogadores, num período temporal de cinco temporadas consecutivas.

A este último fator eu teria dado o nome de o “Ano de Génio”, mas isso sou eu que não sou matemático nem tatuado. Espero que a temática de hoje te tenha agradado, minha querida Berta, neste meu ainda tímido regresso a estas nossas cartas. Despeço-me com um beijo saudoso,

Gil Saraiva

 

 

 

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