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Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro

A partir de julho de 2022 os blogs do Senhor da Bruma, assinados por Gil Saraiva, são reunidos em "alegadamente". Os blogs: Estro (poesia), gilcartoon (cartoons) e Desabafos de um Vagabundo (plectro) passam a integrar este blog. Obrigado.

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"Galeria de OBRIGADOS" - I: "OBRIGADO" a José Alberto Carvalho

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Olá Berta,

Conforme prometido dou hoje início, nesta nossa já longa troca de cartas, repletas de observações, comentários e opiniões, à minha “Galeria de Obrigados”. Podia começar pelo passado, era mais fácil falar daqueles que já não estão entre nós, numa temática deste género. Porém, não é isso que me apetece fazer. O meu primeiro eleito nesta minha galeria muito especial é um jornalista, tal como eu, é certo, mas com outro nível de exposição mediática, uma vez que é uma das caras da locução do Jornal das 8 da TVI. Estou obviamente a referir-me a José Alberto Carvalho: Um verdadeiro Senhor.

Ainda este ano o galardoado com o meu “OBRIGADO”, fará 53 anos, lá para o dia 12 de dezembro. É um beirão nascido em São Pedro de Alva, freguesia do Concelho de Penacova, Distrito de Coimbra. A freguesia, com a nova reorganização absorveu a sua vizinha, São Paio do Mondego, e agora é sede da nova União de Freguesias resultante dessa fusão. São mais de 31 anos de uma carreira imaculada.

O “OBRIGADO” deve-se ao excelente profissionalismo de José Alberto Carvalho aliado ao caráter de cavalheirismo, integridade e humanismo que o caraterizam sobremaneira. Todos o vimos por várias vezes, entre março e o início deste mês, de lágrima no canto do olho verdadeiramente aflito com os dramas sociais provocados face à pandemia.

Nunca José Alberto Carvalho foi agressivo numa entrevista que tenha conduzido, nem as que menos lhe agradaram. Aliás, jamais o presenciámos a ser incisivo de forma rude ou arrogante durante uma entrevista a um convidado, político, comentador ou especialista. A educação, a postura, a simpatia, a sensibilidade e o profissionalismo parecem estar sempre presentes na vida deste jornalista que se mantém modesto, sereno, humilde e um enorme ser humano, agora que já é diretor do Comité Editorial do Grupo Media Capital, detentora da TVI, estação onde se mantém como pivot do principal jornal do canal quatro.

José Alberto Carvalho é o melhor exemplo daquilo que um jornalista deve ser. Nunca o vimos enxovalhar um entrevistado para sobressair. Nunca perdeu o fio à meada num noticiário ou numa apresentação. Em resumo, querida Berta, não vem ao caso aqui o currículo do jornalista, para isso existe a Wikipédia e outros sites onde facilmente se encontram centenas de informações sobre o brilhantismo destes mais de 31 anos a dar a voz e a sua imagem enquanto jornalista. Aqui só é preciso dizer “OBRIGADO”.

Despeço-me mais uma vez, querida amiga, com um beijinho de até amanhã, cheio de saudades como sempre e ao teu dispor sempre que necessitares,

Gil Saraiva

 

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Carta à Berta: Galeria de Obrigados

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Olá Berta,

Hoje, sem dizer asneiras ou palavrões, vou dar início a uma nova temática nas nossas conversas. Assim sendo, de aqui em diante, quando calhar, vou falar-te das pessoas que, de uma forma ou de outra ganharam o meu respeito e admiração. Serão pessoas conhecidas ou pelo menos públicas. Uma ou outra tenho o privilégio de conhecer pessoalmente, porém, não é o que acontece com a grande maioria delas.

Trata-se de gente das mais diversas áreas, do jornalismo à política, da música à poesia, do romance ou da ficção ao imenso universo dos atores e atrizes, da ciência à tecnologia, enfim… gente que admiro e por quem nutro um especial carinho e respeito. Irei referir muita gente que ainda se encontra ativa na sociedade, mas também de alguns que já partiram há muito ou pouco tempo.

Afinal, pouco importa. O que é realmente relevante é que marcaram o meu percurso por esta ou aquela razão por um ou outro motivo. Em resumo, aquilo que irei introduzindo, para teu conhecimento, é a minha “Galeria de Obrigados”, sem uma ordem específica, apenas revelados à medida que eu for achando conveniente. A todos eles eu devo um obrigado por ter bebido algo do seu legado neste mundo.

Por hoje é tudo, querida Berta, espero que venhas a gostar da nova temática. Eu estou certo que adorarei falar de todos eles e elas. Despeço-me com um até amanhã, acompanhado por um grande abraço de saudades, este teu amigo eterno, sempre ao dispor,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta. Os Filhos da Solidão...

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Olá Berta,

Folgo em saber que gostaste dos 6 episódios da história que te contei nas últimas cartas. Com que então estiveste em Faro, a passear no Jardim Manuel Bivar, junto à doca. Gosto que ele te tenha feito lembrar o Jardim da Parada, de Campo de Ourique. Eu sei que não são parecidos, apenas ambos têm um coreto, as árvores daqui dão lugar às palmeiras dai, ambos têm bancos e ambos têm pombos. Contudo, é ternurento saber que ligaste os 2 por causa dos velhotes que viste espalhados pelos bancos do jardim.

Porém, se olhares pelos jardins de todo o país, vais ver sempre essas imagens. Uns poderão não ter coreto, mas todos, sem exceção, terão velhos sentados pelos bancos, muitos deles olhando a mesma coisa, onde quer que os encontres: a solidão. Vou-te enviar um poema, à laia de balada, que fiz sobre o assunto, já tem algum tempo, pois eu, como sabes, também já vivi em Faro, foi há muitos anos, mas vivi. Espero que gostes:

OS FILHOS DA SOLIDÃO

(balada de um tempo que passa)

 

Em Campo de Ourique, no Jardim da Parada,

Eu desvio o olhar para não ver nada…

Em Faro nos bancos do Jardim Manuel Bivar

Eu fecho os olhos para não olhar...

 

Caras rugosas, com idade de avô,

No Jardim, sentadas, na Doca,

Ou perto do Lago,

Formas sombrias onde o tempo parou…

Bocas que apenas provam o vago,

Rostos que já ninguém foca...

Olhando o vazio...

Silêncios de arrepio...

 

Em Campo de Ourique, no Jardim da Parada,

Eu desvio o olhar para não ver nada…

Em Faro, nos bancos do Jardim Manuel Bivar,

Eu fecho os olhos para não olhar...

 

Caras dos filhos da Solidão,

Avôs, avós,

De tantos como nós,

Rostos reformados,

Sem compreensão...

E vozes, berros e gritos calados

Nos olhos perdidos,

Pelos filhos esquecidos...

 

Em Campo de Ourique, no Jardim da Parada,

Eu desvio o olhar para não ver nada…

Em Faro, nos bancos do Jardim Manuel Bivar,

Eu fecho os olhos para não olhar...

 

Na calçada eu vejo migalhas de pão

Para os pombos, por certo,

Alimentar...

Mas para os filhos da Solidão

Não vejo por perto

Uma esperança a pairar...

Filhos que agora são avôs, avós,

De gente que já os esqueceram,

Perdendo os olhares, os laços, os nós,

Daqueles para quem eles viveram…

 

Em Campo de Ourique, no Jardim da Parada,

Eu desvio o olhar para não ver nada…

Em Faro, nos bancos do Jardim Manuel Bivar,

Eu fecho os olhos para não olhar...

 

E passam os dias,

Os meses, os anos,

E mudam os rostos da solidão...

Novos enganos,

Outra geração,

Mas a forma de olhar não vai mudar,

Não...

As mesmas rugas parecem ficar

Em outros olhos pregados no chão...

 

Em Campo de Ourique, no Jardim da Parada,

Eu desvio o olhar para não ver nada…

Em Faro, nos bancos do Jardim Manuel Bivar,

Eu fecho os olhos para não olhar...

 

E ao olhar os filhos da solidão,

Escuto o cantar da brisa cansada

Cantando a balada do tempo que passa,

Escuto de inverno, primavera, verão,

Escuto o outono no Jardim da Parada,

Escuto a balada perdendo a raça,

E vejo, no Jardim Manuel Bivar,

A doca de lágrimas sempre a brilhar…

 

Em Campo de Ourique, no Jardim da Parada,

Eu desvio o olhar para não ver nada…

Em Faro, nos bancos do Jardim Manuel Bivar,

Eu fecho os olhos para não olhar...

 

Com o refrão me despeço, minha amiga Berta, obrigado por me fazeres recordar. Recebe um beijo saudoso deste teu amigo que não te esquece nunca,

Gil Saraiva

 

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