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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: A Minha Rua no Bairro de Campo de Ourique: Go Natural

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Olá Berta,

Como vão as coisas pelo Algarve? O pessoal está sereno? Vai dando novidades. Aqui, pelo meu Bairro de Campo de Ourique, em Lisboa, as reações parecem estar calmas. Como sabes, moro numa rua com 3 supermercados e uma farmácia. Precisamente na Rua Francisco Metrass, mesmo em frente a um deles, bem na zona onde tudo conflui diariamente.

Ao contrário das outras ruas do país vejo muito mais gente agora, da varanda de casa, no meu terceiro andar, do que via antigamente. Afinal, para conter a quantidade de clientes dentro dos supermercados, as filas são transpostas para a rua. É giro tentar entender comportamentos com base na minha visão privilegiada.

Vamos a alguns exemplos: O Go Natural, da rede verde da Sonae/Continente, nunca tem filas. É, de forma evidente, um supermercado mais caro do que os outros, de nariz empinado, destinado a gente que não tem de contar quanto dinheiro lhe resta a partir do dia 20 de cada mês. O seu ar vegetariano de Greta Thunberg, dá-lhe a irreverência necessária e suficiente para que dele se afaste o povo e boa parte da classe média.

Pergunto-me, muitas vezes, qual é a ecologia existente nos sacos de batatas ou na couve lombarda, vendida por este estabelecimento. Poder-me-ás dizer que são produtos que crescem em solos sem pesticidas e sem tratamentos químicos. Pode ser que sim, mas para acreditar é preciso ser imbuído por um ato de fé.

Não existe nenhum certificado verdadeiramente oficial, pois não estou a falar da mera publicidade de rótulos, na maioria dos produtos que me demonstre que esta seja realmente a regra, mais ainda, a exceção é ver produtos assinalados com esses tipos de certificados de garantia.

Outra dúvida… os ovos ali à venda serão ecológicos porque foram extraídos da galinha por cesariana? Ou o galo esteve a dar apoio e a assistir ao parto? Ou ainda… poderia o galinheiro estar a tocar Vivaldi durante a hora da postura? É que se saíram à mesma do cu da dita não me conseguem convencer com a ecologia. Eu quero lá saber se o que a galinha meteu pelo bico é ou não biológico, interessa-me mais por onde as coisas saem do que por onde entram.

Podes chamar-me atrasado, retrogrado, carnívoro e anti nutricionista, no que à alimentação importa destacar, e até podes ter razão. Porém, o ignorante aqui, continua a considerar a classe dos nutricionistas muito equivalente à dos videntes. A quantidade de vezes que eu já vi, por exemplo, a coitada da sardinha ser corrida da lista dos peixes eleitos na alimentação recomendada, para depois voltar a ser integrada como alimento importante é, por si só, bastante para que mantenha a pequenez do meu raciocínio quiçá atrofiado, nesta corrente de pensamento.

Por último, e porque não quero que a Sonae pense que fui contratado pela concorrência para fazer estas alegadas afirmações, fica aqui o registo que penso o mesmo sobre os supermercados Brio ou dos da marca Celeiro, ou outros de que me esteja agora a esquecer, mas que pratiquem o género que descrevi.

Mais que tudo, o que me irrita é o rótulo elitista que se desenvolveu, na nossa sociedade, para quem consome produtos biológicos, para quem é vegan ou vegetariano e para quem consulta um naturista, um homeopata ou nutricionista como quem consulta o oráculo. Todos temos o direito de optar por estes caminhos ou não, e, a carteira, não pode nunca ser um fator de exclusão.

Quem entenda e ache por bem aderir, está no seu direito de o fazer. Para além disso, o facto de eu não ser um dos adeptos da nova moda, pelo menos enquanto tiver caninos, não pode fazer de mim alvo do fundamentalismo quase religioso que graça neste universo puritano.

O outro dia, antes desta crise do coronavírus, numa conversa de café, uma jovem de 29 anos, levantou-se gritando impropérios, de dedo em riste, contra mim, como se eu fosse o novo Anticristo, ou algo assim, por me ter ouvido dizer, à mesa do estabelecimento, que achava que tudo não passava de uma questão de moda. A jovem não só me chamou de animal, facto que considerei um elogio, como fez considerações sobre a minha mãe que me ofenderam.

Apenas um aparte, amiga Berta, sem alarmismos idiotas, mas tentando ser realista, lembras-te da minha previsão para o fim do mês de abril, com maior probabilidade para inícios de maio no tocante ao pico da pandemia em Portugal? Pois bem, contrariamente ao que tinha sido anunciado por Marta Temido, agora é a própria DGS a falar no princípio de maio. Acontece que começaram a falar num planalto em vez de um pico, veremos, contudo, eu corrijo já hoje as minhas previsões de um pico no começo de maio para meados do mês de maio e, além disso, não vejo planalto algum, mas isto sou eu a fazer análise com os dados que tenho, afinal, sou apenas um jornalista.

Outra previsão é que, no final da próxima semana teremos cerca de 10 mil 670 infetados, no mínimo, isto já no próximo dia 4 de abril. As ARS do país não estavam a conseguir incluir todos os casos confirmados dos hospitais, isso e o acréscimo dos testes, vai levar ao aumento, em 7 dias, a mais de 150% o número de casos em Portugal. Espero mesmo estar enganado.

Amanhã continuarei a abordagem da minha rua, nesta análise aos estabelecimentos que, por estes tempos, dela fazem, a Rua Augusta do bairro. Quanto à temática de “Os Segredos de Baco”, a ela voltarei oportunamente, para não parecer que ando a fazer lobby ao setor. Recebe um beijo deste teu fiel amigo, que não se chama bacalhau, nem é ecológico,

Gil Saraiva

Carta à Berta: Série "Os Segredos de Baco" - I - Introdução

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Olá Berta,

A carta de hoje serve para te informar que, já a partir do próximo dia 6 vou dedicar algumas das cartas que te escrevo aos Segredos de Baco e à Fina Arte deste deus romano da antiguidade clássica. Estou a falar do vinho. Principalmente do vinho tinto, mas não só. Prepara-te para a série “Os Segredos de Baco”, servindo esta carta de introdução temática da série.

Podes pensar que será um exagero enviar-te várias cartas sobre o tema, mas, em vez de te ir falar sobre esta ou aquela pomada, aquilo a que vou dedicar é a alguns capítulos relacionados com o vinho em geral, as suas diferenças, aromas, por que tipo de copo beber, um glossário realizado sobre a temática, os superlativos usados neste campo, etc.. Enviar-te-ei, por exemplo, os tipos de copo aconselhados para cada género de bebida, os aromas, com as respetivas rodas aromáticas, que se podem detetar no vinho branco ou no tinto ou em ambos.

Porém, ficar por aqui seria muito curto, pelo que receberás igualmente a tabela de safras vitivinícolas em Portugal, para todas as regiões demarcadas do país, com início em 1982 até 2017, uma vez que as de 2018 e 2019 ainda estão em elaboração e seria precipitado referi-las. Esta tabela levou-me mais de um ano a elaborar e obrigou a um tremendo trabalho de investigação, porque algumas das regiões ainda não existiam em 1982. Para além disso, as opiniões e classificações dos enólogos e especialistas divergem entre si.

Dito de outra forma, e não te rias, pensa nestas cartas como uma iniciação à arte de bem beber. Aliás, também receberás uma tabela sobre o que se deve comer com cada tipo de vinho, a que temperatura se deve ingerir cada uma das várias pomadas, consoante as suas caraterísticas  específicas, para além disso também refiro o teor alcoólico respeitante às diferentes especificidades de cada néctar e até as “vino-calorias” e calorias de cada tipo de vinho. Também ficarás a entender o tempo que, teoricamente, terás para beber, segundo as recomendações dos especialistas, cada um dos diferentes vinhos depois de abrires uma garrafa.

Sei que algumas das coisas que vou referir são apenas meras curiosidades, mas, também são coisas que raramente se vêm referidas e que, por isso mesmo, têm o seu interesse ou graça. Dou-te mais um exemplo: poderás constatar, facilmente, numa das tabelas, que as calorias provenientes do açúcar existente no vinho não é a mesma coisa que as calorias do próprio vinho em si. Perguntarás se isso tem algum interesse e a resposta é, claro que sim. Tenho uma amiga nutricionista que usa a minha tabela para recomendar aos seus clientes que consomem vinho, os mais apropriados e que quantidades lhes são recomendadas numa base diária ou semanal.

Enfim, espero que te divirtas com esta nova temática dos Segredos de Baco. Despeço-me com carinho, este teu eterno amigo,

Gil Saraiva

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