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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Livro - O diário Secreto do Senhor da Bruma - II - Abordagens Sobre a Burrice (continuação - II - 3)

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Olá Berta,

Espero que estejas a gostar deste novo capítulo. Conforme já te contei, na minha opinião a burrice deriva de um somatório de fatores. Por um lado, temos a questão hereditária contra a qual pouco se pode fazer, contudo, por outro lado, com alguma atenção e muito foco, é possível minimizar o impacto genético. Para isso é preciso combater os comportamentos de carneirada ou rebanho, evitar seguir modas, populismos ou tendências que aparentemente fazem as pessoas sentirem-se integradas. É falso!

Com efeito, esses procedimentos ajudam à instalação de elevados índices de burrice e estupidez e ao apurar do embrutecimento do individuo que, sendo burro à partida, deixa de pensar por si para seguir a manada. Contrariar essas atitudes é meio caminho para uma vida mais feliz e com menos ódios e melhores parâmetros de felicidade e alegria. Mas continuemos, pois, a nossa abordagem sobre a burrice:

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II

Abordagens sobre a Burrice (continuação - II - 3)

Fevereiro, dia 22:

No âmbito estritamente nacional há quem procure incluir o populista Ventura na categoria dos asnos, mas, indevidamente. Não existe falta de inteligência na alegada e imensa cabeça narcisista de André. Aí, apenas se encontra uma suposta aptidão rara para o oportunismo lucrativo, um invulgar dom que é difícil de desenvolver num supremacista branco demasiado vaidoso para cortar o cabelo. Aliás, eu, no lugar dos portugueses, não me preocupava com o líder do CHEGA, para quem o espelho e a sua própria imagem são possivelmente bem mais importantes que qualquer ideia. A perfeição do nó da gravata em Ventura tem uma relevância que nunca poderá ser batida por qualquer das suas ideias políticas, as quais, segunda as más línguas, vão e vêm ao sabor das manadas de asnos que lhe admiram a camisa imaculada, o casaco fechado a preceito ou o corta-palha aberto, na medida certa, para cobrar alguns dividendos publicitários à Colgate.

Fevereiro, dia 23:

Se querem chamar algo ao André, chamam-lhe “pastor belga”, ele parece atuar como qualquer bom cão pastor que reúne a carneirada e os asnos que a seguem na sua cerca de populismo narcisista, comodista, oportunista e bem engomado. Não restam dúvidas que Ventura é um animal, pode não ter a inteligência e a sagacidade de um “border collie”, mas de burro não tem nada mesmo, a não ser as hipotéticas palas que o impedem de tirar os olhos da sua imagem no espelho.

Fevereiro, dia 24:

No provérbio “burro que é burro é um animal sem chatice, nem sabe o tamanho da sua burrice”, de minha autoria, podemos verificar a gravidade da situação. Não tendo conhecimento das suas limitações o asno nada faz para as minimizar. Ora, é possível diminuir o grau de gravidade e o nível de burrice de um individuo, mas, somente, se disso ele tiver alguma consciência.

Fevereiro, dia 25:

A mula, seja ela uma fêmea ou um macho, é o animal que resulta do cruzamento de um burro com uma égua. Ora, a existência dos tais movimentos feministas, que incentivam este tipo de cruzamentos dentro da esfera humana, estão a gerar cada vez mais bestas, que, na realidade, são um sinónimo de mulas. Graças aos grandes progressos da genética e da evolução do conhecimento da esterilidade, muitas destes novos indivíduos já não nascem estéreis, como antigamente acontecia, estando a surgir cada vez mais casos de seres destes em segundas e terceiras gerações de descendência. O resultado é o do aparecimento crescente de um número substancialmente maior de bestas quadradas: as mulas ou bestas de segundas ou mais gerações.

Fevereiro, dia 26:

A besta quadrada, é muito mais difícil de ajudar no que à burrice diz respeito. Se a besta simples, a chamada mula de primeira geração, já era, por si só, mais resistente a tratamentos do que o comum jerico, por associar com mais facilidade a burrice com a teimosia, uma caraterística inata das mulas, imaginem o grau de inoperância de uma besta quadrada no que à aprendizagem e tratamento da burrice diz respeito. Pior, a besta é mais resistente e fisicamente mais forte do que o jumento, além de ter mais facilidade em executar tarefas pesadas com um muito menor esforço, o que leva à criação dos chamados “paus mandados” ou “paus para toda a obra”. Se ampliarmos estas caraterísticas para a besta quadrada é fácil pensar nas consequências.

Fevereiro, dia 27:

Analisando seriamente estes cruzamentos de asnos com éguas (mais conhecidas no universo humano como libertinas ou meretrizes), estamos a permitir a criação de indivíduos sem princípios morais, extremamente teimosos, por vezes bastante musculados e detentores de um grau de burrice muito desenvolvido.

A situação só não é mais grave porque os bardotos ou as bardotas, ou seja, os filhos resultantes de cruzamentos de cavalos, também apelidados de garanhões ou cavalões, com burras, está morfologicamente mais delimitado, principalmente, devido ao tamanho que os fetos podem atingir no ventre das fêmeas jumentas.

A quantidade de abortos destes cruzamentos é imensa e, a esmagadora maioria, resulta em nados-mortos. Os abortos que sobrevivem são aqueles seres conhecidos, na gíria humana, pelos verdadeiros abortos. Mesmo assim, ainda aparecem bastantes, na sociedade contemporânea.

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Podia, minha querida amiga Berta, dar-te aqui vários exemplos dos abortos públicos, que abundam na nossa sociedade, porém, a exposição dos casos não traz grandes benefícios. Apenas torna mais alerta o bando de cretinos a que me refiro. Dito isto, está na altura deste teu amigo se despedir com um beijo ameno e desejar-te um bom dia de verão, parto saudoso da tua companhia, sempre disponível para o que quer que seja,

Gil Saraiva

 

 

Carta à Berta: Livro - O diário Secreto do Senhor da Bruma - Abordagens Sobre a Burrice - II - 1

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Olá Berta,

Depois do intervalo, na carta de ontem, regresso hoje ao Diário Secreto do Senhor da Bruma. Hoje para entrar numa temática um pouco sensível: a burrice. Sim porque se há coisa que não falta, pelo contrário abunda é gente burra neste nosso globo. Por incrível que possa parecer estes burros de cariz bem humano ocupam todo o planeta e falam, cada um em seu celeiro, todas as línguas conhecidas, pese embora o facto de cada um só falar a sua e pouco mais. Mas são efetivamente uma imensa maioria.

Atenção que ao escrever-te isto não estou a querer insultar ninguém. As pessoas são o que são, umas evoluem enquanto outras não, e, nem sempre, são culpadas da sua tendência flagrante para a asnice. Mas voltando aos jumentos, é hora de analisar o tema:

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II

 

Abordagens sobre a Burrice

(início - II - 1)

Fevereiro, dia 11:

Convém esclarecer, logo à partida, que ninguém é burro porque quer. Se a tendência gritante da humanidade para a asnice fosse uma opção, então ela já estaria extinta.

Nota: Não se deve ler de seguida o parágrafo da listagem que se segue no dia 12. Seria uma burrice. (aqui apenas pretendo deixar registado, para minhas futuras consultas, a lista quase exaustiva dos sinónimos que eu encontrei nas buscas efetuadas. Mais à frente tentarei fazer o mesmo usando, porém, os termos brasileiros).

Fevereiro, dia 12:

Sinónimos de burro, nominais ou figurativos na língua portuguesa:

Acéfalo, animal, asno, analfabeto, anta, apancadado, aparvalhado, asneirão, atónito, azêmola, babuíno, banana, bacoco, badana, beócio, besta, bestial, bobo, bom-serás, boquiaberto, boçal, bronco, borrego, bruto, burgesso, burrico, cabaça, cabeça-dura, cabeça-oca, cabeçudo, calino, cavalgadura, chochinho, choné, cretino, curto, débil mental, deficiente mental, desajeitado, disparatado, doudivanas, doido, energúmeno, enfadonho, entorpecido, estulto, estúpido, grosseiro, idiota, ignorante, imbecil, imperito, incapaz, inepto, ingénuo, insensato, jerico, jumento, lambão, lerdaço, limitado, lerdo, lérias, lorpa, lunático, manco, mentecapto, microcéfalo, molusco, néscio, obtuso, onagro, otário, pacóvio, palerma, pancrácio, papalvo, paralisado, patinho, pato, parvalhão, parvo, pascácio, paspalhão, patego, pateta, pedaço-de-asno, pequeno, perturbado, retardado, ridículo, rombo, rude, simplório, songo-mongo, sonso, sobreiro, tacanho, tanso, tapado, tantã, teimoso, toleirão, tolo, tonto, totó, toupeira, trouxa.

Fevereiro, dia 13:

Ninguém tem especial prazer em reconhecer que não passa de uma besta quadrada, de um verdadeiro asno, de um grande burro ou, simplesmente, de uma mula. Se pensarmos um pouco no assunto é normal. A burrice, seja qual for o seu grau, não só não dá currículo, como não ajuda nada no desenvolvimento pessoal e apenas se demonstra útil para aqueles que normalmente gostam de seguir a carneirada. Não se sabe a origem, mas é um facto que, todos os tipos de burros, têm um gosto especial pelos carneiros e seus rebanhos. Há quem defenda que os níveis intelectuais os aproximam mais do que as diferenças morfológicas os afastam. No entanto, não há certezas.

Fevereiro, dia 14:

Está, contudo, provado que a burrice não é uma mera condição hereditária. No final destes últimos anos do primeiro quartel do século XXI já sabemos, inclusivamente, que existem vários fatores externos ao individuo burro que contribuem sobremaneira para o seu desenvolvimento, disseminação e expansão exponencial. Os primeiros grandes contribuintes são, logo à partida, a sociedade e os países, com cada Estado a tentar convencer os seus cidadãos que as regras, leis e ordem do território são premissas inquestionáveis. O mesmo acontece com a religião, a filosofia, o associativismo e a política, só para abordar alguns dos gigantes.

Fevereiro, dia 15:

Todavia, o século passado juntou alguns ingredientes indispensáveis à massificação do idiota, quero dizer, do burro. Entre eles a rádio, a televisão, o cinema e todos os meios de comunicação do telefone aos telemóveis, até à internet e aos jogos eletrónicos. Depois somou-se-lhe a publicidade e a moda, e, já no nosso século, a globalização à séria, o capital desregulado, as redes sociais e a desinformação descarada. Um caldo perfeito para o mundo civilizado poder ser alarvemente invadido por gente burra.

Fevereiro, dia 16:

Estamos na era do asno moderno, mas que permanece em total negação da sua absoluta burrice. No final do segundo milénio era comum escutar provérbios sobre o assunto que sugeriam coisas do género: “À primeira cai qualquer, à segunda cai quem quer e à terceira só cai quem é burro”. Ora, esta fraseologia está totalmente obsoleta. O burro moderno cai logo à primeira e o mais espantoso, dizem alguns teóricos da burrice, é que muitos deles já nem caem, atiram-se.

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Mais uma vez não tenho remédio e já me estou a alongar na minha carta. Terás de reconhecer, amiga Berta, que a burrice é um tema fascinante. Contudo, amanhã também é dia. Despede-se este teu saudoso amigo, com um beijo, sempre ao dispor, caso seja necessário, e com um sorriso nos lábios

Gil Saraiva

 

 

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