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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: A Propósito de Uma Pandemia

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Olá Berta,

Ando aborrecido com esta pandemia. Por um lado, a quantidade de gente no mundo que já morreu por causa direta, e devidamente registada, devido à Covid-19 é algo que está para lá do aceitável. Também me aborrece ter a certeza que amanhã Portugal ultrapassa, a contar desde o início desta praga, os 800 mil infetados com o coronavírus, ou seja 8% da população, uma verdadeira tragédia. É um em cada 12,5 portugueses que já foram afetados pela ameaça do “bicho mau”. Um horror.

Por outro lado, é certo que quando a morte não bate numa porta próxima de nós a situação nos parece vaga e genérica, contudo, só para ficares com uma ideia, minha querida Berta, imagina que todas as mortes provocadas pelo coronavírus tinham acontecido em Portugal, durante este último ano.

Se assim fosse, e se fossemos somando concelho a concelho até atingirmos o número total de mortos, o cenário era o equivalente a morrerem todas as pessoas, incluindo crianças e bebés, nos seguintes concelhos do país: Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Funchal, Ponta Delgada, Aveiro, Leiria, Viana do Castelo, Beja, Évora, Setúbal, Braga, Viseu, Vila Real, Covilhã, Castelo Branco, Ponte de Lima, Bragança, Guarda, Portalegre, Santarém, Entroncamento, Loulé, Tavira, Espinho, Almada e Oeiras.

Toda esta gente somada perfaz o número de vítimas por Covid no mundo, desde que a pandemia começou até hoje, somando um total de dois milhões e meio de pessoas. Uma verdadeira barbaridade.  Tudo isto sem contar com as mortes em excesso devido às dificuldades económicas ou às doenças que ficaram por tratar.

As estimativas aproximadas parecem indicar que desde que a pandemia teve início o mundo perdeu, para além da média anual de óbitos no globo, uma população equivalente à de Portugal, ou seja, se todas as mortes em excesso, desde março de 2020 até fevereiro de 2021, tivessem ocorrido em Portugal, o país já estava dado como extinto.

É este absurdo que mexe com a minha estabilidade emocional. Porque raio é que uma coisa destas tem de acontecer? Quase parece que o planeta quis mostrar aos humanos aquilo de que é capaz de fazer se o desafiarem. Estás a ver, minha querida amiga, estou nostálgico e chato. Já basta de te aborrecer. Não te preocupes que isto passa. Recebe um beijo amigo de até amanhã,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Mercado de Campo de Ourique Fecha Devido a Covid

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Olá Berta,

O Mercado de Campo de Ourique fechou hoje devido à Covid-19. Aparentemente um funcionário da limpeza acusou positivo na quinta-feira, o que levou a junta de freguesia e a Câmara Municipal a fecharem o mercado ao público para poderem proceder durante o dia de hoje à desinfeção do espaço, por intermédio dos operacionais do Regimento dos Sapadores Bombeiros de Lisboa.

As informações foram dadas à Lusa pelo não eleito Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, o senhor Pedro Costa, filho do atual Primeiro Ministro. Segundo relatou a decisão de encerrar o espaço para descontaminação foi tomada em articulação com a Câmara Municipal de Lisboa, através do vereador da Câmara, responsável pela proteção Civil, Miguel Gaspar.

Devido ao encerramento brusco a Câmara Municipal decidiu indemnizar os comerciantes do mercado de Campo de Ourique pelas perdas das mercadorias de hoje. Contudo, devido à descontaminação não se sabe, até ao momento se o espaço reabrirá ou não já este sábado.

Aliás, no decorrer das declarações à Lusa, Pedro Costa, declarou: "Tudo depende dos contactos agora dos responsáveis da Saúde que estão a fazer o inquérito epidemiológico. Sei que se tratou de um funcionário do mercado, mas não sabemos agora os contactos que teve".

O atual presidente da junta informou ainda que poderão haver comerciantes identificados, devido aos contactos com o funcionário infetado, que terão de ficar em isolamento profilático. Adiantou ainda este responsável que a autarquia tem funcionários que poderá fazer deslocar para o mercado em caso de necessidade, para que este volte a abrir.

A operação de hoje envolveu duas viaturas do Regimento dos Sapadores Bombeiros de Lisboa, mais as da Proteção Civil e da Polícia Municipal. Ao todo, pelo que consegui contabilizar, minha querida Berta, a mobilização para estas ações envolveu uma força mista de 16 elementos. Sabes, minha querida, o mercado de Campo de Ourique é um daqueles espaços que dá vida ao bairro e é constrangedor vê-lo fechado, principalmente na zona das bancas de venda do peixe, onde a tradição ainda se sente na plenitude. Por hoje fico-me por aqui, recebe um beijo amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

 

Carta à Berta: Campo de Ourique - Uma História de Três Gerações

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(Campo de Ourique – 1º Andar de casa da R. Tenente Ferreira Durão - Foto de autor, direitos reservados)

Olá Berta,

Aos 102 anos de idade, a poucos meses de fazer 103, faleceu, no lar onde atualmente se encontrava, a Dona Irene. Uma senhora cuja morada oficial ainda é, na Rua Tenente Ferreira Durão, aqui, Bem na zona central do bairro de Campo de Ourique. Conheço o caso devido à minha amizade com a nora da Dona Irene, a minha amiga Ilda. Uma menina de 72 anos, com um sorriso afável, sempre pronta a ajudar quem precisa, amante convicta de animais.

A casa da Dona Irene, que fica no primeiro e último andar, tem estado ocupada pelo seu neto. Um jovem que ainda se passeia pela maravilhosa década dos quarenta. O funeral a que só puderam ir o filho, nora e netos, mas não os bisnetos, foi de caixão selado, sem que ninguém pudesse sequer identificar a senhora. Não houve direito a velório de igreja, nem a câmara ardente, nem mesmo a um último adeus. É que a Dona Irene faleceu vítima de Covid, no dia a seguir à família ter sido informada, pelo lar onde se encontrava, de que a centenária menina, se encontrava quase recuperada de uma febre que acusara Covid e que já apresentava melhorias significativas.

Na verdade, ao dia das melhoras significativas, seguiu-se uma noite da qual a Dona Irene não chegou a acordar. Há quem chame a este óbito uma morte santa. Para mim, se não está há espera que alguém faleça, é somente um choque e ao mesmo tempo triste, seja qual for a perspetiva em que se queira olhar toda a situação.

Independente do pesar da família, tema que não vou abordar por respeito, Campo de Ourique perdeu mais um dos seus centenários residentes. Até aqui, imagino eu, esta é a história, com mais ou menos drama, do que tem acontecido a quase quinze mil portugueses desde que a Covid entrou no pais. Seria até bom que todos tivessem partido com a mesma calma silenciosa da Dona Irene e, sabemos bem, que infelizmente não é essa a regra.

Estou a tentar, amiga Berta, não colocar demasiado sentimentalismo nesta carta, até porque, pessoalmente, eu não conhecia a Dona Irene, nem imagino sequer o tipo de pessoa que foi ou deixou de ser em vida. Apenas sei que faleceu, que era sogra de uma grande amiga e que as traseiras da sua casa dão precisamente para as traseiras da minha. A fotografia que junto é precisamente da parte de trás da casa dela.

O que me faz confusão, e que me levou a descrever toda a situação, tem três dias. Ou seja, ontem, no dia que se seguiu ao funeral, o neto da Dona Irene, um homem que trabalha num dos restaurantes, que ainda fazem entregas ao domicílio em Campo de Ourique, no caso a Padaria do Povo, recebeu, na caixa do correio, o aviso do senhorio dando-lhe 30 dias para entregar a casa. Assim, sem mais nem menos, porque é o que a lei permite, mas que a ética condena de forma severa. Não sei quem é o senhorio da casa, mas, num tempo como este em que vivemos, o ato é desumano.

Penso por mim, que em tempos também já fui senhorio. Eu teria não apenas transmitido os meus pêsames, como indagaria se ele pretendia manter-se na casa e se estaria preparado para a atualização da renda, de acordo com a legislação em vigor. Perguntaria também, caso ele não achasse ter condições para lá se manter, de quanto tempo precisaria ele para se mudar. Só perante a resposta, e sendo esta negativa, quanto à manutenção, é que tentaria encontrar um prazo razoável, mas com o acordo de ambos, se possível, para a entrega da chave.

Eu entendo até a pressa do senhorio em rentabilizar um bem que tem estado alugado a baixo preço há muitos anos. Mas a humanidade, a ética e a solidariedade nunca deixaram de fazer parte do perfil da pessoa humana ou deixaram? Provavelmente o problema deve ser meu que sou um romântico. Procuro sempre a melhor solução para evitar o conflito e para não criar stress ou nervosismo aos outros. Um sócio, que tive há mais de 20 anos, dizia-me que eu tinha a mania que era a Santa Casa da Misericórdia. Porém, ele estava errado, tratava-se apenas de procurar ser humano para com os outros humanos.

Não sou melhor nem pior que ninguém, nem me quero armar aqui em santinho. O que digo aqui é o que tenho praticado toda a minha vida e, confesso, nem sempre me saí bem pelo facto de ser como sou. Quando digo “saí bem” estou a falar económica ou financeiramente, mas sempre fiquei de consciência tranquila. Em paz comigo mesmo. Que é realmente aquilo que mais devia importar nas relações sociais. Para quem é ateu como eu, e que não tem a ajuda da fé e da religião, continuo a considerar que esta é a melhor forma de nos sentirmos bem connosco e de alcançar paz de espírito.

Afinal, a vida dá muitas voltas e um dia, sem sabermos ler nem escrever, podemos muito bem vir a encontrarmo-nos do outro lado de uma situação idêntica. A justiça é uma balança moral com dois pratos equilibrados e muitas vezes diverge dos ditames da lei. A economia de mercado, o capitalismo, a procura do maior lucro e a sociedade de consumo, não podem tornar-se, quase exclusivamente, nos únicos valores universais. Hoje, como ontem, foi mais um dia triste para mim (para alguém alegre como eu, dois dias assim, já é uma eternidade).

Espero que me tenhas entendido, querida amiga Berta, eu sei que tenho este feitio fora do tempo em que vivemos, porém, se queres saber, na verdade, acho que ainda há muita, mas muita gente, como eu. Despeço-me com o carinho do costume, este teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Reino Unido Decide Vacinar Imigrantes Ilegais

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Olá Berta,

Sem querer sequer ser controverso eu sempre tive a noção que os britânicos, principalmente os ingleses, são tradicionalmente dos povos mais racistas que eu conheço. Porém, eu que adoro, como sabes, andar de chapéu hoje tiro-o ao Primeiro-Ministro Boris Johnson. Faço-o porque, segundo notícia do Jornal de Notícias quer os imigrantes ilegais quer os indocumentados no Reino Unido vão ter o direito de ser vacinados gratuitamente contra a pandemia, sem serem obrigados a provarem que têm direito de residência ou visto para se encontrarem no Reino de Sua Majestade, segundo o que anunciou, ontem o Governo britânico à comunicação social.

A divulgação foi acompanhada do seguinte discurso, traduzido pelo JN: "As vacinas contra o coronavírus serão oferecidas gratuitamente a todos os que vivem no Reino Unido, independentemente de seu estatuto de imigração. Os que estão registados com um médico de família serão contactados o mais rápido possível e estamos a trabalhar em estreita colaboração com parceiros e organizações externas para contactar aqueles que não estão registados e garantir que tenham acesso à vacina”.

Aliás, embora o Ministério do Interior tenha acesso a certos dados sobre os pacientes registados em centros de saúde do sistema nacional, o Governo fez questão de avisar os seus funcionários que a vacinação e igualmente a testagem (e ainda o tratamento contra a Covid-19) não estariam sob a alçada da necessidade de controle de vistos.

Porém, porque o seguro morreu e velho, a organização representante dos médicos, a British Medical Association, pediu a devida suspensão da transmissão de informações sobre estes imigrantes durante a pandemia, bem como uma comunicação "clara e ampla" da medida. O diretor britânico da comissão de ética da ordem dos médicos, afirmou inclusivamente que: "Para que a campanha de vacinação seja um sucesso, é fundamental que o maior número possível de pessoas seja vacinado". Acrescentando que a sua preocupação vai para o impacto da Covid-19 no seio das minorias étnicas existentes no Reino Unido.

Ora, sendo verdade que o país já leva mais de 112 mil mortes desde que a pandemia teve início, sendo aquele que maior número de óbitos tem na Europa e estando em quinto lugar no mundo em termos absolutos, o que importa no momento é que a vacinação seja um sucesso.

Para isso, a atual campanha de vacinação de larga escala, envolvendo meios que vão desde o exército, passando pelos profissionais de saúde, até aos milhares de voluntários que ajudam neste complexo processo, procurou trabalhar com a finalidade de se conseguir uma ampla vitória neste que é um projeto de gigantes.

Este raciocínio já permitiu administrar uma primeira dose a mais de 12 milhões de pessoas, mas as autoridades temiam que pudessem existir categorias da população que não fossem vacinadas por desconfiança, especialmente entre as minorias, o que levou às declarações prestadas ontem pelo Primeiro-Ministro, Boris Johnson.

Se todo este processo for sério e honesto, eu, minha querida Berta, não apenas tiro o chapéu a Boris, como quase me proponho a comê-lo a seco, embora o chapéu custe a digerir, tal é o meu grau de espanto. Nada mais há a dizer, a não ser que a história me provará se devia ter ou não mastigado o ornamento craniano. Despede-se com um beijinho o teu amigo, repleto de saudades,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Covid em Dia dos Namorados

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Olá Berta,

Faltam oito dias para o dia de São Valentim, o Dia dos Namorados. São tempos estranhos estes que vivemos. Tão estranhos que não me lembro de os ver relatados sequer na ficção. Em Portugal, pela primeira vez desde que tenho memória, não se recomenda a troca de beijos nem mesmo o famoso abraço apertado entre pessoas que se amam.

É claro que, para quem já vive no mesmo domicílio em comunhão de leito com o amor da sua vida, estas recomendações não se aplicam e apenas são recomendados alguns conselhos especiais, sobre as atividades antecedentes aos mimos, por parte de cada um dos elementos do casal. Por exemplo, são desaconselhadas partilhas de intimidade com elementos estranhos ao casal. Entre outras recomendações mais ou menos bizarras.

Contudo, para aqueles que ainda se encontram na fase de namoro (propriamente dita), ainda sem partilha de um teto ou uma cama de forma permanente e continuada, é que as coisas se tornaram quase absurdas. Se em janeiro de 2020 alguém dissesse que se iria pedir a um casal de namorados para não se abraçarem ou beijarem, já para não falar de partilhas mais íntimas, seria chamado de lunático, idiota ou pior ainda, seria insultado com aquela forma, tão em voga nas redes, impregnada de essências viperinas e carregada de insultos e impropérios dos mais variados.

Porém, é isso mesmo que está a acontecer este ano. Aos namorados é recomendado que façam uso do distanciamento social e que se evitem mutuamente, quer não partilhando beijos, mãos dadas ou abraços de modo a ajudarem, com a sua atitude a prevenir a propagação da famigerada pandemia.

Só falta mesmo alguém ter a ideia brilhante de criminalizar o abraço, o beijo e a mão na mão, para que se atinja o cúmulo da paranoia “covidiana”.  Mas já há quem defenda que, estes namorados (os que ainda não coabitam juntos) só troquem mimos, seja de que ordem for, se ambos estiverem testados e dados como negativos no que concerne ao coronavírus.

Agora experimentem imprimir alguma lógica a isto quando se dirigem a um casal na casa dos 13 aos 17 anos, por exemplo, seja este constituído ou não por heterossexuais, mas ambos com as hormonas aos saltos e em ponto de ebulição, sem serem, devido a essa mensagem, tratados com o devido escárnio por parte dos visados.

É que, principalmente para os jovens e com maior enfase nos adolescentes, é inconcebível que lhes seja solicitado que evitem os impulsos e as interações amorosas próprias destas idades tão especiais. É o tempo deles. Aquele tempo que recordarão para toda a vida com a famosa expressão “no meu tempo”.

Enfim, minha querida Berta, tudo isto para dizer que ainda não vi esta matéria devidamente tratada, pelos especialistas, com o cuidado e a atenção que deveria efetivamente merecer por parte de quem decide.

Educar é um processo complicado e é preciso fazê-lo tendo em conta as especificidades de cada ato educativo e do grupo alvo que se pretende formar. Faltam oito dias para o Dia dos Namorados… despede-se este teu amigo, com um beijo virtualíssimo, sempre ao dispor, saudosamente,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: As Vacinas em Portugal

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Olá Berta,

Embora tu, minha querida amiga, já me tenhas pedido para falar do plano de vacinação em Portugal, por queres saber a minha opinião sobre o assunto, eu, muito sinceramente tenho evitado trazê-lo para as nossas cartas. Porém, como algum dia terá de acontecer, pode até ser já hoje. Apenas sublinho que vou dizer o que penso sobre o assunto sem mais delongas.

Quanto ao plano em si, e as prioridades definidas para a toma de vacinas eu acho que irá sempre haver quem o conteste e quem se sinta injustamente deixado para uma segunda ou terceira linha, seja qual for o critério de prioridades. Quanto às que atualmente estão em vigor estou de acordo que existam e que se façam cumprir da melhor maneira possível e com a celeridade projetada.

Penso, no entanto, que o grupo responsável pelos critérios irá fazendo pequenos ajustes às prioridades, consoante assim se achar melhor, durante o processo, e não vejo mal algum em que o façam. Um plano rígido era por si só muito mais absurdo. Cheguem atempadamente as vacinas da Europa e o serviço tratará de as distribuir atempadamente e julgo mesmo que sem problemas de maior.

Não sou arauto da desgraça, nem sequer sou uma Clara Ferreira Alves que, ainda ontem, ouvi dizendo que tudo estava e seria um caos. Pois bem, no meu entender isso não corresponde à verdade dos factos. A vacinação está a correr muito bem e acho que assim continuará. Também discordo com a jornalista comentadora do Eixo do Mal, quando ela vê e prevê um fim à vista para António Costa, todavia isso são contas de outro rosário e não vale a pena falar nisso presentemente.

No que respeita às vacinas que têm sido dadas indevidamente, a pessoas que não constavam nas prioridades, existem dois grandes tipos de situações. As que foram dadas a qualquer pessoa, para não desperdiçar doses que sobraram e que já estavam descongeladas, numa altura em que ainda não existiam alternativas definidas para o efeito, e as que foram alvo de abusos seja de que ordem for. Enquanto que o primeiro caso não foi grave, foi residual e serviu para serem criadas listas de suplentes para as sobras, a segunda é mais séria e merece ter as devidas consequências consoante a gravidade de cada caso.

Apenas acho que no caso nacional, onde essa divergência, sobre o que estava planeado, é inferior a 0,1% das vacinas já efetuadas e que entre primeiras e segundas doses já atingiram o meio milhão praticamente, é deveras irrelevante. Dito isto todos os casos devem ser analisados e punidos quando for realmente o caso.

Por hoje fico-me por aqui minha querida Berta. Despede-se este teu velho amigo, sempre ao dispor onde e quando me achares necessário, com um beijinho,

Gil Saraiva

Carta à Berta: As Quatro Cores da Pandemia

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Olá Berta,

Entrámos hoje num novo Estado de Emergência. Agora temos o país dividido, face à pandemia, em 4 cores. Quanto mais carregada é a cor, mais grave é a situação do concelho assinalado. Os graus de gravidade são igualmente quatro: moderado, elevado, muito elevado e extremamente elevado. Até aqui a coisa parece clara.

Contudo, se não há diferença entre as consequências entre muito elevado e extremamente elevado, a criação dos escalões perde algum sentido. Qual é a motivação que um concelho tem para descer do nível máximo para o imediatamente anterior? Ah! A responsabilidade de combater a pandemia. Certo. Mas isso chega em termos de incentivo? Tenho as minhas dúvidas, sabendo eu como funciona o poder local, sem prémio não há motivação.

Se os níveis agora anunciados, para classificar o risco pandémico, servissem para esclarecer os efeitos na performance masculina sobre o efeito do viagra e similares, a situação seria bem mais divertida e muito menos perigosa, quiçá mesmo competitiva. Um concelho com uma performance extremamente elevada, principalmente nos idosos seria, nesta hipótese demonstrativa, um concelho feliz. Contrariamente à pandemia nenhuma região iria querer fazer parte do escalão dos moderados. Aliás, conhecendo o povo português, rapidamente seriam alcunhados.

Já estou a imaginar o Correio da Manhã a fazer manchete, em gigantescas parangonas, com as autarquias dos pilas-moles ou o Expresso a apresentar um Estudo ou uma douta Opinião Especializada e aborrecida, sobre as consequências, do efeito extremamente elevado, nos séniores portadores de doenças cardiovasculares, entre outras.

De uma forma ou de outra, a imprensa e a comunicação social em geral, haveriam de arranjar maneira de tirar todo o divertimento aos efeitos na performance masculina sobre o efeito do viagra e similares no escalão sénior da sociedade. Porém, tenho dúvidas se com isso afetariam a competição saudável que esta luta pela busca dos prazeres básicos iria certamente suscitar.

Estava a imaginar, aqui com os meus botões, como seria este novo mapa nacional a quatro cores. Que concelhos estariam em ambos os extremos do mapa? À partida, eu que de sexologia, enquanto ciência, sei muito pouco, sou levado a pensar que o Norte continuaria a ser o grande detentor do tom carregado próprio da classificação de extremamente elevado.

Nunca saberemos. Como sempre parece haver pouco interesse em medir e aferir a verdadeira felicidade do povo, pois é mais dramático e vende mais massacrá-lo com os níveis da desgraça nacional. Todavia, não me admiraria se a sombra de um chaparro não contribuísse positivamente para uma atividade mais dinâmica, mas isto sou só eu a pensar. Fico-me por aqui, querida amiga, recebe um beijo de até amanhã deste que não te esquece,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Covid-19 >>> Portugal - União Europeia - Europa - Mundo

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Olá Berta,

Como bem sabes não sou um fã da desgraça e muito menos desta pandemia que assolou o mundo. Não gosto de coitadinhos e não aprecio gente que se faz de vítima para conseguir a atenção e a solidariedade de terceiros. Porém, reconheço que muita coisa vai mal e pior ainda agora, principalmente, desde que fomos invadidos por esta coisa chamada de Covid-19. A pandemia pôs a nu fragilidades e, em muitos casos e situações, revelou mais nitidamente muitas das assimetrias existentes por este mundo a fora.

Não sou, nem nunca fui um nacionalista ferranho, todavia, adoro ser português e tenho muito orgulho em sê-lo. Considero que vivemos num país especial. Não é apenas o facto de estarmos estrategicamente situados no centro do mundo Ocidental. É o sermos o melhor destino turístico do mundo já há três anos consecutivos, é mantermo-nos como o terceiro país mais pacifico e seguro do globo, apenas ultrapassados pela Islândia (que conta com menos de meio milhão de habitantes) e pela Nova Zelândia (que tem uma população que é em número menos metade da portuguesa), ou seja, estou convencido que vivo num país realmente especial, moderado em usos e costumes, moderado no clima e cujo passado de mais de oito séculos muito me orgulha, independentemente das asneiras que alguns dos nossos líderes foram fazendo ao longo da História.

Ultimamente, por causa do novo aumento de infeções, andam por aí umas vozes a dizer que o país perdeu o rumo, que não soubemos sair do confinamento, que agora é que está tudo a caminhar para o caos.

Desculpa que o diga de uma forma mais grosseira, amiga Berta, mas é tudo uma grande treta. Continuamos a ser um país moderado até quanto à pandemia. Nos indicadores que importam estamos proporcionalmente colocados se levarmos em consideração a população de Portugal face aos outros países e territórios. A tabela do «worldometer» que divulga, entre outros dados, os números da pandemia em termos mundiais e europeus, é disso a melhor das provas, não deixando dúvidas sobre o tema.

Mas analisemos mais de perto os dados europeus. O site que referi identifica 48 países e territórios na Europa (podes consultar, minha amiga, a tabela que te enviei a ilustrar esta carta com os primeiros 14 países em termos de população). Ora, dos 48 referidos existem 13 que não chegam ao milhão de habitantes, e que vão desde o Vaticano ao Luxemburgo. Depois há mais 10 que não conseguem ultrapassar a barreira dos 5 milhões, situados em números entre a Estónia e a Irlanda. Em seguida vêm mais outros 10 que se ficam abaixo dos 10 milhões e acima dos 5, enquadrados em crescendo entre a Noruega e a Hungria. Em resumo existem 33 países e territórios na Europa cuja população não alcança os 10 milhões de habitantes.

Quando imaginamos que somos um país pequenino no Velho Continente, convém sabermos que há 34 países e territórios na Europa com uma população menor que a nossa, pois a Suécia, embora ultrapasse os 10 milhões de habitantes, tem menos umas largas dezenas de milhares de pessoas do que nós. Aliás apenas, 13 países nos ultrapassam em população, desde a Grécia com mais 222 mil indivíduos que Portugal até à Rússia com quase 146 milhões de habitantes… e sim, estou a contar com a Rússia, que abrange 2 continentes, estendendo-se bem Ásia adentro.

Pelo que atrás vai dito ficamos com a perfeita noção que somos o décimo quarto país mais populoso da Europa. Ora, não é, portanto, estranho que ocupemos igualmente esse mesmo lugar no que respeita aos países mais infetados do continente. A proporção é a mesma. Também somos o 14.º no que aos novos casos diários de infeções diz respeito e isso também acontece já há mais de uma semana. Pode parecer estranho, contudo, é também essa a posição que ocupamos quanto ao total de mortos e ao número de casos críticos em cada país ou território europeu.

Mas as coisas ainda são melhores se pensarmos nos casos recuperados da pandemia onde estamos em sexto lugar em números absolutos. Já quanto ao número de mortos diários e no número total de infetados por milhão e de óbitos por milhão de habitantes ocupamos orgulhosamente o 18.º nos primeiros dois e o 19.º no último destes parâmetros.

De referir que somos o décimo país (de 27) com mais população no seio da União europeia e igualmente o décimo com mais casos registados até ao momento. Todavia, no número absoluto de testes realizados por cada país europeu estamos orgulhosamente acima da média, no 10.º lugar entre os 48. Mas se olharmos para os testes por milhão de habitantes passamos rapidamente para o terceiro lugar do ranking, só sendo ultrapassados pela Rússia, logo seguida do Reino Unido. O destaque ainda é mais espantoso porque podemos dizer que somos o país da União Europeia que mais tetes realiza por milhão de pessoas. Ao todo já testámos mais de 20% da população nacional. Um facto absolutamente revelador da nossa firme determinação em combater a pandemia, com mais testes por milhão de habitantes que Alemanha, França, Itália, Espanha, Holanda, Polónia, Roménia, Grécia ou Bélgica, só para falar dos casos mais flagrantes.

Podia continuar com o mesmo tipo de comparação em relação ao mundo onde somos o 89.º país ou território do mundo com mais população, havendo 125 países ou territórios com um número de habitantes inferior ao nosso. Posso afirmar que relativamente ao globo, contando os países com população igual ou superior à nossa, ainda estamos mais bem colocados do que a nível exclusivamente europeu. Todavia acho que já seriam números a mais para uma só carta, pelo que me fico por aqui. Julgo que até me agradeces por não me alargar em demasia.

Porém, só para dar uma ideia, acima dos 10 milhões de habitantes somos o quinto país que mais testes faz, por milhão de habitantes, no mundo inteiro, apenas sendo ultrapassados por colossos como a Rússia, o Reino Unido, os Estados Unidos e Austrália.

Como podes comprovar, minha querida Berta, temo-nos portado muito bem nesta coisa do Covid. Recebe deste teu amigo um beijo de despedida e carinho, saudosamente,

Gil Saraiva

 

PS: Apenas um aparte, querida amiga, a saga do fogo em coberturas continua, agora alargada ao país. Desta vez foi a cobertura, no sótão, localizado no terceiro piso de um restaurante, em Felgueiras. Com este, em 4 dias úteis (desde a passada sexta-feira), já são 11 as coberturas, sótãos ou águas-furtadas que ardem pelo país. Espero que isto tenha um fim, pois não consigo compreender tanta coincidência.

 

 

 

Carta à Berta: Covid-19 - Vacinação Gratuita e Universal em Portugal. E Obrigatória?

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Olá Berta,

A minha carta de hoje prende-se com a notícia, do Jornal Público, que anuncia que «o Governo investe 20 milhões em vacinação “universal e gratuita”», contra a Covid-19. Esta é realmente uma notícia que merece destaque. Contudo, e eu nunca fico plenamente satisfeito com as coisas que leio, esta declaração devia dizer mais. Assim, conforme é descrita a coisa, embora me agrade a divulgação da intenção, não me deixa completamente satisfeito. Sinto ausência de mais responsabilidade e de alguma determinação.

Com efeito, na modesta opinião de um cidadão anónimo como eu, sinto alguma falta de rasgo e determinação naquilo que é a narrativa do Estado, ou seja, acho que esta era uma boa altura para o Primeiro-Ministro ser claro e determinado nas intenções. Assim, o anúncio deveria dizer: Costa investe 27 milhões em vacinação obrigatória, universal e gratuita. Porém, eu não escrevi 20 milhões, mas sim 27.

Porquê? Porque acho que era uma ocasião soberba para os socialistas se anunciarem solidários, cooperativos, agradecidos e fraternos para com os países de língua oficial portuguesa e anunciarem a oferta de toda a vacinação necessária a países como Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné e Timor-Leste pois estamos a falar de apenas mais 4 milhões, 72 mil e 122 pessoas, no total das 4 populações abrangidas. Um custo que não ultrapassaria os 7 milhões de investimento.

Angola, Moçambique e Brasil, já não precisam tanto do nosso apoio como os anteriores 4. Primeiro, porque têm entre 3 a 21 vezes mais população do que nós e, segundo, porque detêm outros recursos que os outros não abarcam. Talvez Moçambique pudesse ter algum apoio nosso, mas pela dimensão teria de ser sempre algo bem menos significativo do que para os países que referi logo à partida.

Todavia, ter anunciado a atitude e intenção com esta dimensão teria sido uma notícia de absoluta relevância. Seria sempre uma ação determinada, forte, atuante, séria, participativa, solidária e fraterna. Uma ação diferenciadora do que temos assistido no “venha a nós” de muitos outros países por este mundo fora.

Também a palavra obrigatória na vacinação deveria constar na notícia. É imperativo garantir à população de risco a segurança de uma vacinação plenamente universal, por isso obrigatória. Nestas coisas da vida e morte, da saúde e da doença, os paninhos quentes apenas nos dão uma falsa sensação de conforto, mas não resolvem os problemas pela raiz.

Contudo, e eu sou um crente nos homens, sempre e até prova em contrário, pode ser que algo de semelhante ao que acabo de desejar, venha a ser anunciado pelo nosso Governo, na pessoa de António Costa. De uma coisa tenho a certeza, nos próximos tempos jamais poderemos demonstrar tanta solidariedade e irmandade fraterna como desta vez, com um custo reduzido de apenas 7 milhões de euros. Despeço-me com o costumeiro beijo de até amanhã,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Transparência

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Olá Berta,

Não queria falar da pandemia tão depressa, ando cansado de tanta notícia em redor de um assunto deprimente e grave que parece não ter fim à vista. Estou farto de olhar para os quadros mundiais e oficiais da pandemia e de ter a certeza absoluta que não correspondem à verdade.

Por este ou aquele motivo os governos, em todo o globo, mentem descaradamente no número de infetados e nos óbitos. Hoje li um artigo numa revista científica que sigo há muitos anos que o mundo apenas conhece 10% da verdade. O sujeito, um cientista de carreira sólida e respeitável dava vários exemplos dos 4 cantos da terra, ou seja, a ser verdade, e eu concordo com a opinião dele, existem 200 milhões de infetados no planeta e cerca de 8 milhões de mortos provocados pela pandemia. Contadas as mortes indiretas os números sobem para os 15 milhões.

Parece irreal, afinal, nos óbitos, os números do estudo são 20 vezes superiores aos oficiais. Contudo, tem toda a lógica. Os dados divulgados apenas têm por fundamento manter os povos em alerta, sendo o suficiente para que as pessoas se preocupem e tomem alguns cuidados no combate ao vírus. Contudo, dar informações mais reais e fidedignas seria bem capaz de gerar o caos. Ora esse descontrolo provocaria um acelerar ainda mais drástico e sério do coronavírus. Rapidamente os números voltariam a decuplicar.

Ora, ninguém quer algo assim. O ser humano quando se sente verdadeiramente ameaçado, e a uma escala global, facilmente se torna básico e regressa ao uso sistemático dos instintos mais primitivos. A devastação provocada por esta reação seria mais mortífera e penalizadora do que 5 pandemias juntas. Em termos civilizacionais o retrocesso seria de séculos. Podendo levar o planeta a níveis pré-industriais. Um verdadeiro horror.

Por isso me irrita quando vejo os nossos líderes a falar de transparência. Qual transparência? Se fossem transparentes a informar, toda a gente sabia o verdadeiro número de casos, testes e óbitos, e estes seriam publicados freguesia por freguesia, diariamente, para que dúvidas não existissem. Isso sim, era transparência. Tudo o resto é areia junto a uma ventoinha.

Temos, aqui ao lado, o exemplo espanhol. Durante 4 dias não divulgaram nem o número de infetados, nem mesmo o número dos óbitos. Depois, quando retomaram os dados com os totais nacionais, “esqueceram-se” de incluir os da Catalunha, que ficaram à parte e são quase tantos como o resto de Espanha. A realidade é que os nossos vizinhos estão quase de regresso às 6 mil infeções por dia. Uma estratégia absurda para não perder turistas, que, mais dia menos dia, ainda os fará ter consequências bem piores do que as que querem evitar servindo-se de mentiras e falsos problemas informáticos.

Na Venezuela, na Bielorrússia ou na Hungria, os números são trabalhados de forma a parecer que os regimes têm tudo minimamente controlado e que os sistemas de saúde funcionam. Uma imensa mentira. No Brasil, 30% dos óbitos são declarados, com o conluio das autoridades, como pneumonias, para os cidadãos da classe média ou superiores possam receber os devidos seguros de saúde, que não abrangem as mortes por Covid. Na Rússia e no Reino Unido os números viram armas políticas destinadas a proteger a política externa desses países.

Enfim, por todo o lado, mas mesmo por todo o lado, a pandemia serve os regimes, os governos, o poder e só depois se tenta proteger o povo. Basta ver que a Índia apenas faz 20% dos testes por milhão de pessoas, dos que se realizam, por exemplo, em Portugal. Eles não querem, com medo do caos, sequer saber a verdadeira dimensão da tragédia no seu imenso país. É triste, mas é assim que tudo tem vindo a funcionar.

No nosso caso, a situação agravou a depressão das pessoas e o Victan, medicamento contra os sintomas ansiosos ou a própria ansiedade desapareceu do mercado e, o Infarmed já veio anunciar que o seu regresso não está previsto, senão para outubro ou novembro. Algo muito grave quando se sabe que quase 2,5 milhões de portugueses consomem o fármaco com regularidade. Numa altura destas, até o acesso à calma está condicionado pelo mercado, o que é vergonhoso.

É com um beijo triste que me despeço, querida amiga Berta. Espero não voltar proximamente a estes temas, mas é triste de ver o que se passa à nossa volta. Este teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

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