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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Pedro Costa e o "Eu É Que Sou o Presidente da Junta" - Parte III

Berta 556.jpgOlá Berta,

Termina aqui, hoje, a trilogia de: de “Pedro Costa e o “Eu É Que Sou o Presidente da Junta”. Se dividi este assunto em três partes foi porque, minha querida, não gosto de falar das coisas pela rama, mesmo quando o assunto, é, apenas e só, a minha visão dos factos. Mas voltando à vaca fria e servida com o devido requinte gourmet:

 Pedro Costa filia-se no PS em 2016 após, segundo afirmou à Sábado, pouco depois: "ver a luz". É ainda através da mesma revista semanal, querida Berta, que fiquei a saber que três anos depois de se filiar no partido do pai, Pedro Costa tem duas experiências autárquicas: Primeiro, na Junta de Freguesia do seu primo, António Cardoso, em São Domingos de Benfica, enquanto elemento independente. E, finalmente, em 2017, em Campo de Ourique, onde reside com a mulher e “se apaixonou”, pelo que diz, definitivamente, pela vida autárquica.

Foi eleito para a Junta de Campo de Ourique em terceiro na lista, de onde derivou como candidato “naturalmente” vindo de São Domingos de Benfica, por cá habitar e ter tido os seus negócios, mas ascenderia ao segundo posto depois de a número dois, Susana Ramos, mulher de Duarte Cordeiro (o socialista, amigo e atual vizinho, que assinou a sua ficha de entrada no PS), passar para a presidência da mesa da assembleia de freguesia. Pedro Costa fica, então, com o pelouro da Higiene Urbana e na rampa de lançamento para o primeiro lugar caso a “fortuna”, querida Berta, lhe viesse a bater de novo à porta.

Porém, a sua “estrela” continuava a brilhar e quando Pedro Cegonho, o então presidente da junta, escolhido previamente, nas eleições legislativas anteriores, como candidato a deputado, resolve ingressar no Parlamento, ocupando o seu lugar de eleição, deixa o seu número dois, com o lugar que antes ocupava, ou seja, Pedro Costa ascende assim, a meio do mandato autárquico, a presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique. Uma verdadeira viagem de foguetão, minha saudosa amiga, não achas? Daí até à sua recandidatura nas eleições de ontem, ao cargo de Presidente da Junta já tudo é o que parece, ou seja, um processo perfeitamente natural.

Aquilo a que eu acho graça, amiga Berta, é ao facto de Pedro Costa, ainda em declarações à Sábado, se achar um político "discreto" e "reservado", que diz não querer viver na sombra do pai, António Costa. Afirmou até, na altura: "Não é justo nem para ele nem para mim que eu me exponha excessivamente a essas colagens".

Mas Pedro Costa acha que está a ser sincero, como se fosse normal, um militante que ingressa no PS aos 26 anos, acabado de ser associado aos mais bem colocados futuros líderes do CDS-PP, chegar, digamos que naturalmente, apenas cinco anos depois, aos 31 anos de idade, à Presidência de uma Junta de Freguesia do Concelho de Lisboa, depois de ter sido proposto como o cabeça de lista e candidato do Partido Socialista à mesma.

A linhagem hereditária da monarquia, querida Berta, que já terminou em Portugal há um século e uma década, continua a impelir muitos dirigentes políticos nesta senda familiar derivada do direito consuetudinário. Pode Pedro Costa achar que foram tudo “afortunadas” coincidências, pode o seu pai negar a pés juntos nunca ter interferido na tentativa de dar um futuro promissor ao seu filho na política, pode até cair o “Carmo e a Trindade” novamente que eu não acredito no Pai Natal, mesmo que ele chegue à minha varanda do terceiro andar montado num trenó, puxado a renas, com o Rodolfo na dianteira.

E mais não digo, porque, depois deste desabafo à minha maneira, desejo que o rapaz até tenha mesmo muita sorte, e isto porque, nesta batalha final, em que o castelo feudal de Medina desabou, ele teve que batalhar seriamente, nem que tenha sido pela primeira vez, para sobreviver politicamente. Ora, isso sim, já é, definitivamente, mérito do próprio. Assim sendo, despede-se com um beijo, sem mais comentários, este teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Pedro Costa e o "Eu É Que Sou o Presidente da Junta" - Parte II

Berta 555.jpgOlá Berta,

Voltando ao assunto de ontem, para continuar esta segunda parte sobre: Pedro Costa e o “Eu é Que Sou o Presidente da Junta”, não quero que penses que estou apenas a falar, à laia do tempo de Gil Vicente, como se estivesse a cantar apenas mais uma “Cantiga de Escárnio e Mal Dizer”. Nada disso. Gosto é que se saibam as coisas ou, pelo menos, de explicar como elas são vistas por mim. Volto, portanto, ao tema em causa:

Há que referir que o jovem, o Pedro Costa, depois de ter passado pela JS (um ingresso feito aos 14 anos), tendo sido aluno do Colégio Moderno, acabou por, ainda no entusiasmo da adolescência, se encostar aos seus amigos centristas, dos tempos da sua entrada na Faculdade de Direito na Universidade de Lisboa, com quem fez parte da associação académica e com quem acabaria por fazer a  sociedade para o negócio do bar Winston (eram três no total), um dos quais o centrista Francisco Laplaine Guimarães, atual vice-presidente do CDS-PP, altura em que privava a miude com o atual presidente do CDS-PP, à data, o afamado Chicão.  Aliás, Francisco Rodrigues dos Santos, recorda Pedro Costa, numa entrevista, há já uns anos, à revista Sábado, minha querida Berta, da seguinte forma:

"O Pedro não é socialista, é um liberal utópico em toda a aceção do termo. É um tipo empreendedor que não gosta de ser escravizado e um criativo com um rasgo de inteligência. Nos costumes é muito mais progressista do que conservador". Acrescenta ainda: "Já lhe disse isso várias vezes e ele responde-me sempre com um riso bonacheirão, concordando sem o dizer.” Finalmente conclui: “Pedro Costa é um tipo para todas as ocasiões. Além de bom conversador e um grande companheiro de copos, é leal. A nossa amizade extravasa as ideologias… O Pedro teria sempre uma carreira promissora na política independentemente do pai. Ele tem mérito próprio."

Ora, Pedro Costa, ainda com o bar, em 2013, criou uma marca de roupa com os amigos, a Pyramid Collective, e em 2016 investiu num projeto, de outro amigo, de molas para meias, tendo tido ainda uma participação minoritária de 7,50% na marca de roupa Nuno Correia, que acabou por falir, isto é, minha cara amiga, não teve grande sorte nos negócios.

Porém, também em 2016, Pedro Costa abandona o seu falhado mundo de empreendedor, já com o curso de direito no bolso, e, diria que como por “milagre”, vira-se para a política e novamente para o PS. Por “sorte” do destino, sim, porque na vida é realmente preciso ter sorte nos momentos certos e, inteligentemente, fazer o melhor uso dela, a vida voltou a sorrir para o primogénito varão do nosso Primeiro-Ministro, António Costa.

Não me vou adiantar mais por agora. Este é o momento de começar a chegar ao final desta saga de três cartas, já contando com aquela que te enviarei depois desta. Por isso, recebe a minha despedida saudosa num beijo sincero, deste que está sempre ao teu dispor,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Pedro Costa e o "Eu É Que Sou o Presidente da Junta" - Parte I

Berta 554.jpgOlá Berta,

Cá estou eu feliz por retomar estes meus desabafos contigo. Foste votar? O que achaste das eleições autárquicas? Votaste bem? Certamente que sim. Só vota bem quem vota em consciência e sabe porque o faz. Eu também votei fazendo justiça às minhas convicções políticas e não me saí nada mal. Adorei os resultados e as surpresas eleitorais. Hoje envio-te a primeira parte do que eu chamei de “Pedro Costa e o “Eu É Que Sou o Presidente da Junta”.

Sabes, minha amiga, fez-me lembrar o tempo em que pertenci a uma comissão política distrital de um partido e depois à sua comissão executiva, juntamente com lugar na comissão política do mesmo partido num conselho algarvio. Ainda me lembro das duas eleições autárquicas em que participei como responsável de campanha autárquica e ajudei a eleger, em ambas, o Presidente da Câmara.

Como deves saber porque me conheces, amiga Berta, eu sou um pacato vagabundo de esquerda, embora nada tenha de radical. Mas é essa origem, tão contrária à minha família, que me faz ter pena de ver o PS perder a Câmara de Lisboa. Porém, embora me custe, não foi nada de que eu não tivesse à espera. Fernando Medina descurou todos os sinais e deixou-se estar soberbamente deitado à sombra da bananeira.

As duas grandes barracas deste ano deviam ter sido bandeiras vermelhas para o autarca, mas não foram. O mal é que ninguém avisou Medina, minha querida, que as suas atitudes perante as situações não estavam a ser bem aceites.

Não se defendeu convenientemente das celebrações da vitória do Sporting no Campeonato e, pior ainda, geriu pessimamente o caso das comunicações das manifestações às embaixadas. Em ambas as situações, Berta, se sentiu negligência e soberba, como se ele estivesse, enfim, bem acima da carne seca. Fernando Menina, digo, Medina, ficou na manicure, fiou-se na virgem, ou seja, nas “santas sondagens” e não saiu da sombra fresca da bananeira.

Em sentido contrário agiu o antigo dono do Winston Bar, situado na Rua do Sol ao Rato, em Campo de Ourique. Pedro Costa, filho de António Costa, é o exemplo perfeito de um percurso político, planeado ao detalhe (não me perguntes por quem). Contudo, esse planeamento só se iniciou há cinco anos, em 2016, mas já lá irei.

Aliás, continuo esta trilogia na próxima carta, para não me alongar demasiadamente hoje. Deixo um beijo de despedida, certo de que estás curiosa por saber como vai terminar esta saga, porém, para já, vais ter de aguardar um pouco mais, com amizade, saudosamente,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Vivências em Campo de Ourique - A minha Junta de Freguesia

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Olá Berta,

É fácil criticarmos o que os outros fazem. Mais ainda se não pudermos ou quisermos fazer nós aquilo que criticamos, para demonstrar as diferenças entre o que se apresenta feito e realizado e o que nós poderíamos alcançar e que convictamente produziríamos.

A Junta de Freguesia de Campo de Ourique

Dito isto, só porque não existe como demonstrar como se faria melhor, na prática, porque na teoria todos somos muito bons, isso não impede a existências de críticas. Ainda mais, como é este meu caso de hoje, quando a crítica recai sobre uma entidade pública e, ainda por cima, quando esta foi eleita pelo voto das pessoas. Estou a falar concretamente da minha Junta de Freguesia.

Esta minha Junta é bem maior que muitas Câmaras do país, em termos populacionais, tendo apenas 1,65 Km quadrados de área, com um orçamento anual superior a muitas vilas e cidades portuguesas, algures na casa dos milhões de euros. É, aliás, a Junta que maior densidade populacional tem em Lisboa, a capital e a maior cidade deste país em que vivemos.

Faz hoje um mês que a Junta de Freguesia de Campo de Ourique publicou um Edital. Sobre ele tenho a tecer alguns comentários. Aliás, não é bem sobre ele, mas é mais a propósito da sua existência e contexto. Em si, ele reflete na Freguesia as medidas relacionadas com o Estado de Calamidade e toda a situação em volta do Covid-19.

Lido o Edital ficamos a saber o que funciona ou não no que às atividades relacionadas com a Junta, ou com projetos e espaços onde a mesma intervém, diz respeito. Como comunicado cumpre a sua função cinzenta, grave e institucional, ou seja, não há nada a dizer. Muito menos a criticar quanto à forma ou ao conteúdo. Podes lê-lo se tiveres interesse pois está online na página oficial da freguesia.

Então porque estou eu a falar dele? Tem a ver com o seu enquadramento na página principal, a usual “homepage” da Junta de Freguesia. Neste que é o Órgão de poder mais próximo de mim, cidadão e residente no Bairro de Campo de Ourique. Tem a ver com o restante conteúdo desta página. Da esquerda para a direita encontramos, sequencialmente, o Edital, seguido de uma publicação institucional relativa ao Coronavírus, depois vem o apoio domiciliário aos maiores de 64 anos ou portadores de 60% ou mais de deficiência e termina com a publicidade narcisista às revistas alegadamente mensais da Junta.

Abro aqui um parenteses para louvar a forma correta e absolutamente eficaz com que o serviço de apoio domiciliário tem estado a operar em Campo de Ourique. Funciona de segunda a sexta-feira, entre as 9 e as 18 e faz entregas de compras de supermercado (só trabalha com o Pingo Doce) ou de farmácia ao domicílio. Bem coordenado, boa distribuição, pessoal simpático na receção telefónica e na distribuição. Verdadeiramente muito bom e extremamente útil para quem precisa deste apoio.

Então, perguntarás tu, amiga Berta, de que me queixo eu afinal? Queixo-me da frieza institucional e da ausência de uma relação de proximidade, solidariedade ou até carinho com que o Presidente da Junta se deveria dirigir aos seus munícipes, numa esperada mensagem menos informal e mais emotiva de quem está ao nosso lado, bem no meio da página principal da Junta na internet.

Pode ser que a culpa, desta falta que sinto ali, seja do nosso Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que nos habituou a essa partilha continuada e cuidada de conselhos, apoios e preocupação com todos nós, cidadãos de Portugal. Mesmo assim, acho que os bons exemplos são para se seguirem, principalmente quando estamos a falar de quem está mais próximo de nós ou deveria estar.

Eu sei que o nosso bonacheirão Presidente de Junta, Pedro Cegonho, é um homem ocupado, seja nos meandros do PS, seja no seu lugar de Deputado da Assembleia da República, seja como Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, seja a preparar o filho do Primeiro-Ministro para o suceder na mesma no próximo mandato autárquico, enquanto ele se prepara para outros voos, mas, que diabo, uma carta solidária e agradável aos munícipes, assinada por si, só lhe requer o tempo para a ler e assinar, nem tem de a escrever, ora bolas.

Esta é, de longe, a maior queixa sobre a forma como a minha Junta de Freguesia se tem portado nestes tempos de pandemia. Porém, há uma outra que assinalo com desagrado. Sendo nós todos, os residentes do Bairro de Campo de Ourique, os seus quase 30 mil habitantes, gente preocupada com o presente vírus, faria algum mal a Junta manter um aviso diário de como a pandemia se está a comportar no bairro? Quantos casos temos? Quantos estão internados? Quantos recuperaram? Quantos residentes já perdemos nesta batalha? Custava muito? Não, não custava e demonstrava, mais uma vez, preocupação e carinho por todos nós.

Afinal, Campo de Ourique não é uma Junta de Freguesia qualquer. Tem, por exemplo, o dobro dos habitantes do Concelho de Valença do Minho, com uma área geográfica 71 vezes menor, enquanto possui, por outro lado, a maior concentração de seres humanos da Capital, num espaço circunstancialmente curto e muito limitado. Se Valença, como exemplo escolhido, tem direito a saber como está a sua população relativamente à doença, por que razão não o sabemos nós?

Mesmo não tendo a DGS optado pela divulgação transparente e universal dos casos de Covid-19 em cada Junta de Freguesia, dados que possui desde a primeira hora, pelo menos as grandes Juntas deveriam substituir-se nesse papel à Direção Geral de Saúde e informar a população sobre a atualidade da sua situação face à pandemia.

Em resumo, querida amiga, da minha Junta de Freguesia apenas me posso queixar da pobreza de proximidade da “homepage” oficial da mesma, onde informação, carinho, solidariedade e ombro amigo pouco significado têm face ao flagelo que a todos atinge, sem escolha de idade, sexo, raça ou credo e, infelizmente, fico triste, muito triste. Por hoje é tudo, despeço-me com o tradicional beijo, este sempre teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

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