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Alegadamente

Este blog inclui os meus 4 blogs anteriores: alegadamente - Carta à Berta / plectro - Desabafos de um Vagabundo / gilcartoon - Miga, a Formiga / estro - A Minha Poesia. Para evitar problemas o conteúdo é apenas alegadamente correto.

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Carta à Berta nº. 663: Os Novos 4 Cavaleiros do Apocalipse - Epílogo - VI/VI

Berta 663.jpg Olá Berta,

Está quase a fazer 4 anos que te escrevi sobre os 4 novos Cavaleiros do Apocalipse. Ainda há pouco tempo te reenviei essas cartas para que as recordasses, cara confidente. Porquê? Porque nelas te tinha prometido um epílogo que demorou a chegar. Aparece hoje, finalmente, porque me parece a altura certa. Entre setembro de 2020 e maio de 2024 muita água correu debaixo da ponte e foi longa a caminhada dos 4 Cavaleiros do Apocalipse.

Há quase 4 anos, amiguinha, já a pandemia, a famigerada Covid-19, infetava que nem peste num mundo doente, ceifando vidas a torto e a direito. Contudo, se os dados oficiais apontam hoje para mais de 7 milhões de pessoas que tombaram perante a avalanche, dizem os especialistas que, os dados reais e não declarados, devem ter levado mais de 30 milhões de almas, não parece muito se comparado à população mundial, todavia, daria para encher de gente, por 3 vezes, um país como Portugal.

Há ainda, minha querida, que falar dos infetados que, a acreditar nos especialistas, não foram apenas os 700 milhões referidos nos dados da Organização Mundial de Saúde, mas sim, quase 3.000 milhões, ou seja, mais de um terço da população do globo. Sem a descoberta das vacinas, diz-se num dos últimos estudos publicados, teríamos perdido mais de um quarto da população mundial.

Mesmo que se possa pensar que os números são exagerados, na realidade, pouco importa, porque foram sempre gigantescos. As movimentações do sinistro Cavaleiro da Peste, Bertinha, foram gigantescas e ele nos últimos tempos, muito ativo em todo o planeta.

O imenso Cavaleiro da Fome, então, parece ter tomado proporções ciclópicas e devastadoras. Entre as suas tropas e vassalos, existem atualmente uma parafernália de fenómenos, entre eles, genericamente, em primeiro plano, as alterações climáticas. Na verdade, cara amiga, a subida da temperatura das águas nos oceanos, cujo grau de acidez aumenta a um ritmo assustador, junta-se à desertificação avassaladora de milhões de quilómetros quadrados por todo o globo, ao desaparecimento de lagos e lagoas, ao degelo dos glaciares e à consequente elevação do nível das águas nos oceanos.

Estes novos paladinos da Fome, minha querida, são agora apoiados por hordas de humanos negacionistas, que negam os factos científicos, associados aos fanáticos hooligans das teorias da conspiração e aos destrutivos radicais de direita apostados na instalação do caos.

Ciumento e conflituoso, o imprevisível Cavaleiro da Guerra, caríssima, aproveita-se de toda a situação para germinar um caminho seguro para o Apocalipse. Com efeito, a sua entrada em força no final do primeiro quartel do século XXI, não beneficia, de modo algum, a paz e a harmonia.

Com o seu apoio o Cavaleiro da Fome propaga-se de África para todo o mundo. A seu lado, amiga, está a seca extrema, em certas áreas do planeta, ladeada pelas chuvas devastadoras, por inundações e por cheias sem precedentes nos últimos séculos. Os povos tentam migrar fugindo à desgraça, que nunca vem só, criando mais conflitos, aumentando devastadoramente os fenómenos da xenofobia, do racismo, da homofobia, entre outros, proporcionando o aumento de ódios e o crescimento exacerbado do populismo fácil, destinado a aumentar o caos.

O Cavaleiro da Guerra rebenta com a pacífica Europa, com Médio Oriente, e, mais disfarçadamente, minha cara, com quase todo o mundo. A China sedenta por Taiwan, a Rússia pelo regresso do Imperio Soviético, Israel disposto a extinguir o povo palestiniano, como se um ataque que ceifou um milhar de israelitas pudesse justificar o genocídio. Já não bastavam o crescendo número de focos terroristas por toda a parte, agora, a guerra contra a Ucrânia chama-se Operação Especial e ser procurado pelo Tribunal Penal Internacional aparenta ser um estatuto de prestígio dos novos “democráticos” líderes mundiais.

O Cavaleiro da Morte, autoproclama-se de Imperador do Mundo e nesta calma aparente em que a comunicação social tudo relativiza, Berta, os cães ladram e a caravana passa. O que tiver de ser… será… e assim me despeço, com um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta nº. 662: Os Ratos São Sempre os Primeiros......

Berta 662.jpg Olá Berta,

Já ouviste certamente, paciente confidente, falar que “os ratos são sempre os primeiros a abandonar o navio”. O caso em questão, quanto a mim, aplica-se, hoje mesmo, a Campo de Ourique. Estou a falar da anunciada demissão de Pedro Costa de presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, esta terça-feira, sem que nada o fizesse prever.

Alegando questões pessoais e políticas, cara amiga, Pedro Costa demite-se, segundo afirma, por estar esgotado o diálogo entre si e a Câmara Municipal de Lisboa, dirigida por Carlos Moedas, a quem acusa de fazer ouvidos moucos das suas reivindicações, perante a edilidade, quase desde sempre. Ora, sabendo eu com que linhas se coze Carlos Moedas, nem me devia admirar de este ser um motivo realmente relevante para o inesperado anúncio. A certa altura é natural ficarmos de saco cheio.

Se nada mais houvesse no panorama autárquico, Bertinha, eu até me deixaria facilmente convencer de que isso seria a verdade e a única razão para a saída súbita de Pedro Costa. Afinal, sendo eu socialista, de cotas pagas, como o nosso presidente de junta, porque haveria eu de duvidar de um camarada. O homem até teve um comportamento exemplar a apoiar os fregueses durante a pandemia e no processo de vacinação, de tal forma que foi destaque noticioso pelo excelente serviço prestado à população do bairro.

O problema, minha doce amiga, é que há outras coisas que estão para acontecer ainda este ano. A autarquia aprovou a construção do silo para automóveis na Travessa do Bahuto, encostando o silo ás portas e aos narizes de quem, por ali morar, queira sair de casa. Ao que se diz nem espaço ficará para entrar ou sair uma cadeira de rodas ou uma maca dos bombeiros. No entanto, quero acreditar que esta descrição será por certo exagerada, pois a não ser seria quase criminosa, para não dizer outras coisas.

Ora, amiguinha, a acontecer tamanha obra e a ser próxima da descrição feita, vai gerar muita revolta e contestação no bairro. Ainda para mais porque as gentes de Campo de Ourique são solidárias entre si. É sabido que na zona afetada os habitantes são, na sua grande maioria, idosos e pessoas de poucas posses, sem o poder reivindicativo que se poderia esperar num caso assim. Mas a vizinhança fará, certamente, barulho por eles.

Depois, como se isso não bastasse, estão para começar as obras para a estação do metropolitano no Jardim da Parada. Ora, minha querida, o barulho e a contestação que esta loucura vai gerar, terá, certamente, muito pouco paralelo com qualquer outro facto que tenha acontecido no bairro. Disso não tenho a menor dúvida. Quanto a mim, e que me desculpe o próprio se eu estiver enganado. Pedro Costa faz de rato e abandona o cargo antes destas duas situações rebentarem de facto.

Posso estar enganado, mas parece-me tudo muito mais lógico visto por esta perspetiva. Sei que é triste, mas é, sem dúvida, a melhor forma de se sacudir a água do capote, só espero nunca o ver a assumir um cargo no Metropolitano de Lisboa. Sair antes de novas eleições autárquicas, sair antes das obras previstas para quem ganhou a Junta por 15 votos parece-me um muito bom motivo, mas isto sou apenas eu a pensar. Por hoje nada mais tenho a dizer, minha querida, vêm aí tempos menos bons para o bairro, fazer o quê? A vida é assim… deixo um beijo de despedida, este teu eterno amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta nº. 661: Misturar Alhos com Bugalhos...

Berta 661.jpg Olá Berta,

Misturar alhos com bugalhos, diz o povo, nunca foi uma boa-ideia. Mas a História de Portugal ainda nos conta outros detalhes interessantes. Por exemplo, há séculos que o povo espera o regresso de D. Sebastião. Mas para que estou eu, para aqui, com estas afirmações, minha querida? É simples, o comentador da SIC, Sebastião Bugalho é o cabeça de lista da AD às próximas eleições europeias.

Trata-se, alegadamente, de um jovem viçoso, de 28 anos, que frequentou Ciência Política no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, donde saiu licenciado e aparentemente com um mestrado em ciência política, embora isso não conste no seu currículo, nem mesmo na Wikipédia e que, posteriormente, se mudou pra o ISCTE, onde ainda se mantém como aluno a efetuar um doutoramento, porém, no seu currículo, minha cara, ele apenas se apresenta como jornalista e comentador.

É aqui, neste ponto, que as coisas se complicam. Nos dias de hoje, para alguém ser jornalista, Berta, tem de ter efetuado o curso de jornalismo, depois terá de efetuar um estágio de um ano e só no fim disso tudo, terá direito a ter a Carteira Profissional de Jornalista. Ora, Sebastião Bugalho, não tem licenciatura em jornalismo, pelo que a designação de jornalista e totalmente abusiva no seu currículo. Mas porque a usa Sebastião Bugalho? A resposta é simples. Uma coisa é ser um mero comentador da SIC, licenciado em ciência política e talvez mestrado na mesma área, imposto, alegadamente, ao Canal pela Administração, outra, bem diferente, é ser-se, logo à partida, jornalista, misturar alhos com bugalhos dá sempre mau resultado.

Diz a Wikipédia, cara amiga, que: “Bugalho assume-se como sendo de direita, católico e conservador.” Católico, já lemos que é, afinal, até andou na Católica, porém, ainda não consegui descobrir se vai à missa e a que igreja vai. Pode ser até um católico não praticante. Quanto a ser de direita, bem… disso não tenho dúvidas, foi o número 6 nas listas de Assunção Cristas nas Eleições para a Assembleia da República, em 2019, apenas com 23 anos.

Não foi eleito, mas estava, já naquela altura, amiguinha, a ser projetado para a política. Finalmente, a questão de ser um conservador, aqui, acho que depende do assunto. Se for na área de se manter estudante, é verdade, aos 28 anos ainda se mantém estudante, conservando o título. Se for relativamente à forma como tem sido projetado para o estrelato, alegadamente, cunha atrás de cunha, também aqui o conservadorismo se mantém, pois tudo indica que os alegados padrinhos não desistiram dele e ainda se mantêm crentes na sua aposta.

 

Sérgio Godinho tem uma canção onde diz a dada altura:

 “…Mas o Casimiro que era tudo menos burro

E tinha um nariz que parecia um elefante

Sentiu logo que aquilo cheirava a esturro

Ser honesto não é só ser bem-falante…

Cuidado Casimiro, Cuidado Casimiro

Cuidado com as imitações

Cuidado minha gente

Cuidado justamente com as imitações”.

 

Pois é, minha doce amiga, Sebastião Bugalho é, apenas e só, uma imitação de jornalista. Projetado, alegadamente, como jornalista para parecer respeitável e ao serviço de gente (nem imagino quem) que o projetou mediaticamente para que o jovem bem-falante pudesse cumprir os desígnios de interesses até aqui ocultos

Enfim, Berta, o site da AD - Aliança Democrática devia imediatamente retirar a designação de Jornalista com que apresenta Sebastião Bugalho, como cabeça de lista às eleições europeias. É uma mentira e um embuste. É grave, muito grave. É falta de respeito pelos eleitores e não dignifica as profissões dos restantes candidatos da lista. Serão todas falsas? Por hoje é tudo, deixo um beijo de esperança ténue neste país, o teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta nº. 660: Por Morrer uma Andorinha Não se Acaba a Primavera

Berta 660.jpg Olá Berta,

Diz o povo que, “por morrer uma andorinha não se acaba a primavera”. Provavelmente, minha querida, já sabes qual é o meu tema desta carta. A Escola Secundária Pedro Nunes, em Campo de Ourique, Lisboa, tem regras de vestuário para os alunos que a frequentam.

 A direção, encabeçada pela presidente Maria do Rosário Andorinha, decidiu que, lá por se estarem a celebrar os 50 anos do 25 de abril, isso não era motivo para abrandar nas regras de conduta, que o regulamento interno tem vindo a impor aos seus alunos e assim, cara amiga, dito e feito, ameaçou não permitir que alunos com grandes decotes ou calções muito curtos possam realizar nas instalações os exames nacionais.

Não estou a inventar, Bertinha, o comunicado da escola diz o seguinte: “Caros Encarregados de Educação, agradecemos a vossa colaboração no cumprimento do regulamento interno da Escola por parte dos vossos educandos. Os alunos devem estar na escola com vestuário adequado. Isso implica não trazer roupa de praia, nomeadamente calções de banho, chinelos, calções demasiado curtos e camisolas com excessivo decote. Inclusivamente, em situação de exame, recomenda-se vestuário adequado sob impedimento de realização do mesmo. Atenciosamente, Maria do Rosário Andorinha”.

Porém, pese embora o termo indicado na comunicação seja “alunos” e “educandos”, sempre no masculino, ele é, minha querida, exclusivamente dirigido às alunas e não só não promove a igualdade de género num estabelecimento de ensino na capital, como é sexista e atenta seriamente contra a liberdade das alunas.

Segundo os alunos, entrevistados pelas estações de televisão, Berta, são as alunas (e não os alunos) quem tem sofrido com a imposição destas regras. Um dos rapazes afirmava inclusivamente não ter conhecimento de nenhum outro colega do sexo masculino ter sido, até à data, penalizado pelo regulamento escolar.

O tempo da imposição de vestuários nas escolas, por mais que se queira que assim não seja, ainda trás consigo, minha doce confidente, um bafio com mais de 50 anos. Provavelmente, Maria Rosário Andorinha, nunca usou quiçá, no seu tempo de estudante, decotes ou calções. Jamais saberemos se a vingança se está a servir fria. Mas é engraçado o texto não referir de todo as minissaias. Porquê? Porque embora implícitas no texto, a esperta presidente do Conselho Diretivo, não quer parecer sexista.

Depois, ainda fica por definir o que são “calções demasiado curtos e camisolas com excessivo decote”. Quem decide? E qual é a penalização para a minissaia? Até onde pode subir? A situação é grotesca, para não dizer cómica, amiguinha.

Finalmente, Berta, depois de o assunto rebentar na comunicação social e nas redes, a direção fechou-se em copas. Mas eu tenho a certeza que alguém avisou a presidente que proibir por um regulamento interno de uma escola uma aluna de frequentar um exame nacional extravasava, em muito, as competências e o âmbito do próprio regulamento, até porque foi a própria Andorinha a fazer sair um comunicado esclarecendo que em caso algum “um aluno” seria impedido de realizar um exame nacional.

Os pequenos poderes são isto mesmo: gente em bicos de pés a tentar impor a sua vontade por mais ridícula que ela possa ser. Por hoje é tudo, minha velha amiga, recebe um beijo do amigo saudoso,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta nº. 659: Quanto Mais Alto se Sobe...

Berta 659.jpg Olá Berta,

Faz algum tempo que não te escrevo, minha amiga. Já tinha saudades. Hoje, vou tentar fazer um ponto de situação à realidade que a todos respeita neste país. Começo meio ao acaso. Há mais de 8 anos, ainda no Governo de Passos Coelho, a nova legislação sobre o arrendamento lançou o caos sobre milhares de famílias em Portugal. Subitamente, sem atalhos, os senhorios começaram a poder fazer o que até aqui lhes estava vedado. A Lei, que ganhou o nome popular da ministra que a implementou, foi chamada de Lei Cristas, e levou milhares de famílias ao desespero e centenas de pessoas ao suicídio.

Não estou aqui, amiguinha, a criticar os senhorios, que rapidamente tentaram reverter uma situação de anos de prejuízos. Não são eles os culpados por quererem ganhar o que puderem com o que lhes pertence. Porém, Cristas, quando publicou a legislação devia-se ter preocupado em arranjar alternativa, nem que fosse à custa do Estado, àqueles que, de um dia para o outro ficaram sem lar, sem meios para adquirirem outra casa por falta dos rendimentos necessários.

Pior do que isso foi terem permitido que o mercado funcionasse sem regulamentação apropriada. De repente, o Alojamento Local era uma alternativa viável para muitos proprietários e alugar caro, mesmo sem as melhores condições dos espaços, tornava-se possível, minha amiga.

Se Cristas e Passos Coelho tivessem regulado o mercado de arrendamento, na altura, a Lei Cristas teria tido na mesma um grande impacto então, mas teria igualmente ficado por aí. Mas não, Berta. O espírito da direita, não ia agora regular algo que acabara de ser liberalizado recentemente. Ainda mais que no Parlamento, Luís Montenegro, líder da bancada do PSD, tudo fazia para agradar a Passos, Portas e Companhia.

O que aconteceu em seguida, minha cara, teve uma coisa boa: a reabilitação de edifícios nas cidades disparou, mas foi a única. De repente, diversas condições externas e internas, fizeram com que o Governo do PS demorasse a agir. Primeiro esteve ocupado em corrigir as retenções salariais, em subir o ordenado mínimo, e mais uma parafernália de medidas que Passos tinha implementado.

António Costa, de qualquer modo, Bertinha, achava que tinha tempo, deixando para os dois últimos anos do segundo mandato as correções de fundo que ainda não fizera. Só que tudo o que lhe podia correr mal, correu pessimamente.

Uma pandemia, um muito maior escrutínio por uma imprensa com pouco que fazer e casos e casinhos a marcarem-lhe a governação. Do mundo veio ainda a invasão da Rússia à Ucrânia, a guerra de Israel na Palestina, a crise dos combustíveis, o disparar da inflação e a subida das taxas de juro. Uma montanha de senãos, cara confidente.

A machadada final, minha querida, seria dada pela justiça levando-o a demitir-se, sem terminar tudo aquilo a que se tinha proposto. A boa figura ficaria por cumprir…

É inglório, para quem teve tudo na mão, Berta. Podemos mesmo dizer que é injusto, mas a vida é assim…

Sem alternativa teve de abandonar o Governo sem ter corrigido os erros do SNS, sem ter tratado dos professores, médicos, oficiais de justiça, forças de segurança e militares, sem ter reposto a serenidade na regulamentação da habitação. Assim sendo, cara amiga, e embora tivesse julgado que ainda tinha dois anos para o fazer, a verdade é que não o fez e perdeu redondamente a batalha. Mais uma vez, a vida é assim…

Deixo, Berta, um beijo de saudade, este teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta nº. 658: Eu Voto PS. Já a Si Só lhe Peço que Vote

Gil 01.JPG Olá Berta,

Como sabes, minha cara confidente, eu tenho administrado um grupo de bairro no Facebook. Estamos perto de chegar aos dez mil membros e embora se possa falar de política, mesmo satirizando este ou aquele político faz já algum tempo que ficou claro que não é permitido insultar seja que político for, como também está fora de questão dizer que são todos desonestos ou pior do que isso.

Esse tempo, amiguinha, já não tem mais lugar nesse espaço. Contudo, não escondo de ninguém que sou socialista e até militante do Partido Socialista. Todavia, uma coisa é ser socialista filiado, outra coisa é concordar com tudo o que o PS faz ou programa fazer. Aí, como sempre, eu e o partido nem sempre estamos de acordo.

A nível autárquico fui totalmente contra o apoio demonstrado pela Junta de Freguesia de Campo de Ourique, onde o PS ganhou por menos de duas dúzias de votos, à localização da estação do metropolitano no subsolo do Jardim da Parada, ao desvio do lençol freático e à condenação à morte lenta, minha querida, num prazo não superior a dez anos, das árvores centenárias do Jardim da Parada.

Penso até que, quando a população do bairro começar a ver as consequências desta decisão, o PS autárquico estará por muitos anos longe do poder em Campo de Ourique. Infelizmente, amiga, duvido que me engane.

A vida tem destas coisas e, proximamente, no dia dez de março, vamos ter eleições legislativas. Ora, ao contrário de muita gente, eu gostei bastante da governação socialista. Aliás, apoiei internamente António Costa e fiquei muito satisfeito quando ele ganhou o partido, exatamente do mesmo modo, Berta, como fui contra José Sócrates desde o princípio. Ser socialista não é ser estúpido, nem deixei de ter pensamento próprio, eu sei que há várias crises em curso, desde o gravíssimo problema da habitação, passando pelas várias crises do SNS, até ao problema dos professores e das forças armadas e de segurança.

Mas também sei que o poder de compra em minha casa não desceu, subiu quase 25% em oito anos. Sei que não posso ser retirado da minha casa, pela senhoria, pois estou num regime protegido, graças à teimosia do PS em manter esse regime. Mesmo assim, querida amiga, a Lei Cristas fez-me pagar cinco vezes mais renda do que anteriormente pagava. Claro que nem tudo está bem. Porém, o PS fez o país crescer, face à Europa, aguentou sem se ir abaixo uma pandemia, e suportou   o rebentamento de duas guerras quase à nossa porta, conseguindo, mesmo assim, fazer diminuir a divida pública e recuperar Portugal de uma economia no lixo para um “raiting” de nível A, novamente. Já nem falo na superação da crise do petróleo.

Agora, aquilo a que eu apelo no grupo, não é para os membros votarem PS, é apenas para irem votar. No PS, na AD, na IL, no Livre, no PAN, na CDU ou no Bloco de Esquerda, não importa, votem na democracia, esqueçam dos partidos que garantem a banha da cobra, que são populistas, e que só prometem coisas porque sabem que nunca as terão de cumprir. Se não querem votar em ninguém votem em branco, mas votem. Não ir votar aumenta a abstenção e beneficia diretamente a estrema direita. Não me vou alargar mais por hoje, minha doce Berta, deixo um beijo saudoso, deste teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta nº. 657: A minha crise de Abastecimento

Berta 657.jpgOlá Berta,

Diz o povo que “não há fome que não dê em fartura”, mas hoje eu diria algo um pouco diferente, talvez… “não há fartura que não termine em fome.” Como tu bem sabes, minha cara, eu moro em Campo de Ourique, na rua Francisco Metrass, exatamente entre 3 supermercados. Na minha frente, à esquerda, tenho o “Pingo Doce”, e à direita o “Go Natural” da cadeia Continente e do meu lado direito, a pouco metros de mim, fica localizado o “minipreço”, ou seja, vivo no meio de uma fartura de locais onde me abastecer sem ter que andar muito.

Acontece que acordei recentemente, amiguinha, para uma realidade surreal. Na porta do Pingo Doce foi colocado um cartaz a avisar os utentes de que o supermercado entra em obras de remodelação já nesta segunda-feira, dia 5 deste fevereiro, e não consta qualquer previsão de duração dos trabalhos.

Já o Continente chegou à conclusão que o Go Natural da Francisco Metrass não era rentável e fechou as portas em definitivo no passado dia 31 de janeiro. Repentinamente, sem saber ler nem escrever, querida confidente, vi 2 das 3 opções que tinha deixarem de me prestar serviços. Ora eu, que estou sempre a reclamar com os camiões de abastecimento que começam a chegar à rua às 5 da manhã, desta vez, não achei graça nenhuma às novidades.

Estava a contar este relambório ao dono do minipreço, que tem o franchising da marca aqui na rua, e o sujeito começa a rir-se para mim. Diz-me então que também eles vão fechar porque a marca foi comprada pela Auchan e vai ser preciso fazer a remodelação e troca de produtos. De sobrolho franzido, minha querida, perguntei para quando estava prevista essa operação e ele, ainda a rir, diz-me que é uma questão de poucos dias, mas que ainda não sabe ao certo. Só vai saber mesmo em cima da hora, com um aviso de 2 ou 3 dias.

Berta, tu achas isto normal? Porque eu não acho bem passar da fartura em opções de abastecimento, para ter de me deslocar 3 quarteirões para fazer as compras do dia, da semana ou do mês. Não me parece nada bem este esvaziar da minha rua em termos de supermercados. Verdadeiramente considero um atentado grave ao meu conforto e ao acesso aos bens elementares da minha estabilidade alimentar.

Eu sei que te vais rir e dizer que tenho muitas opções num raio de 500 metros, mas 500 metros é 20 vezes mais longe do que aquilo que até agora eu tinha. Nem me venhas com a história de que andar me faz bem, que na minha idade… blá blá, blá. Já estou até com nostalgias das chegadas dos camiões às 5 da manhã. Eu sei que estou a olhar apenas para o meu umbigo, mas não é o umbigo que se está a queixar é mesmo a minha pança ou bandulho e não tarda serão as minhas pernas. Tu não tens pena de um pobre desgraçado é o que é e… e para de te rires. Beijos,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta nº. 656: O Padrinho

 

Berta 656 (2).jpg Olá Berta,

Don Corleone, é uma personagem de ficção do romance The Godfather, de Mario Puzo, de 1969, e dos dois primeiros filmes da trilogia de Francis Ford Coppola. Já Alberto João Jardim, é uma pessoa real e um político aposentado, mas bem conhecido, da nossa praça. Contudo, se eu tivesse de escolher quem acho que melhor retrata o Padrinho de Coppola na vida real, a minha escolha recairia sempre em “Albertoni”. Daqui para a frente, entramos no universo do alegadamente, e, nada do que te direi, amiguinha, poderá ser entendido como um facto, visto esta carta ser mais parecida com uma narrativa de ficção.

Para o Padrinho, doce amiga, os políticos de hoje parecem-lhe um bando de amadores. Fazem as coisas sem a magia de outros tempos e deixam-se enredar nas malhas da lei. Na sua douta opinião, bem do alto do seu charuto, “Albertoni” não consegue entender o que se passa com todos estes incompetentes que agora pululam nos meios da política.

Caramba, Berta! Até o seu benjamim caiu… o pirata da perna sem pau a quem ele ensinou a fazer ar de mau, Miguel Albuquerque, o seu menino queque “Bimby”. O Padrinho está zangado, as coisas começaram a azedar com Armando Vara, depois o Sócrates (que talento tão completamente desperdiçado) seguindo o Costa (com um Governo cheio de gente que não sabe estar) e, por fim, o seu Benjamim…

Onde estavam aqueles anos dourados em que se podia fazer tudo sem que a Justiça pudesse agir? Minha querida, no tempo de Cavaco o Ministério Público e a Polícia Judiciária apenas se preocupavam em manter o emprego. Cavaco, esse velho Conde Drácula reencarnado, o homem que nascido em Boliqueime conseguiu dar dignidade ao lugar transformando o buçal poço em fonte. Sim, sim, Fonte de Boliqueime cheirava a turismo e prosperidade, enquanto Poço de Boliqueime não podia ser mais povinho.

Ah! Que saudades desse Arcanjo dos Infernos que podia impunemente arrebanhar a Casa da Coelha, ganhar cem mil euros em ações do BES, aconselhar o povo que o banco era seguro, enquanto o mesmo apodrecia e arrastava tudo e todos saindo ele incólume e impoluto. Cavaco, sim era homem, sabia-a toda. Alguém lhe tocou por causa do BPN? Jamais, Dias Loureiro, Oliveira e Costa e Duarte Lima compunham o ramalhete daquilo a que o Observador chamou o lado negro da força: o Cavaquismo. Isso sim, tinham sido dias gloriosos, Bertinha.

Agora tudo começara a sair dos eixos quando os burros do PS quiseram ter uma Justiça mais forte e independente. Para quê? Os idiotas meteram a lenha toda na fornalha, deram força e poder à Justiça e agora queixavam-se que se estão a queimar? Burros. Minha cara confidente, toda a gente sabe que não se brinca com o fogo. A Justiça tinha um açaime perfeito, porque raio foi o PS mexer naquilo?

O Padrinho estava chateado. Agora até ele tinha que ter cuidado. Ele o Rei da Pérola do Atlântico. Que vergonha, que humilhação. Pois é Berta, “mudam-se os tempos…” por hoje fico-me por aqui, recebe um beijo saudoso deste teu eterno amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

gilcartoon n.º 1103 - Miga, a Formiga: Série "Dah!" - Bocas Foleiras: O Filho de Marcelo e o Enteado de Montenegro

Miga 1103.JPG 

 

 

Carta à Berta nº. 654: O "péssimo" Governo Socialista, segundo o Prémio Nobel da Economia de 2008, Paul Krugman.

Berta 654 (1).jpg Olá Berta,

No início da passada semana, cara amiga, esteve em Portugal o Prémio Nobel da Economia de 2008, o economista norte-americano Paul Krugman, que deu uma excelente entrevista ao Jornal de Negócios, na qual aborda a situação portuguesa de uma forma desprendida, sem sectarismos partidários, tão em moda no nosso país, normalmente usados para criticar aquilo que os que não são da mesma cor fizeram ou deixaram de fazer, sem a isenção de quem vem de fora e não pretende agradar a gregos ou a troianos, enfim, de quem apenas se rege por apresentar uma opinião sustentada.

Em 2013, refere Krugman, Portugal era um país pobre e com problemas estruturais, problemas que se iam manter até 2015, enquanto durou o Governo de Passos Coelho. Agora, Bertinha, ao comparar, o economista refere, claramente, que as complicações atuais são “muito menos”, mas que não desapareceram todas.

Diz Paul Krugman, minha cara, que os portugueses “Continuam a ser mais pobres do que muitos países da Europa, mas já não tão pobres”, e relata “a transformação” efetuada em Portugal entre 1976 e o Governo da “Troika”.

Afirma ainda, minha querida, o especialista: “Trabalhei em Portugal, em 1976, e a transformação em termos de infraestruturas, nível de vida visível, níveis de educação, é enorme”, aponta o Nobel, realçando que quando cá esteve em 76, “Portugal parecia mais um mercado emergente do que uma nação europeia, e isso hoje não é de todo verdade”.

Ora, Berta, segundo o estudioso: A economia portuguesa do pós-troika é “uma espécie de milagre económico” que parece não ter uma clara explicação. É “misterioso…”. Aliás, afirma que o país poderia ser um caso de estudo “se percebêssemos o que estão a fazer bem”, disse, assinalando o crescimento económico de Portugal nos últimos oito anos.

O Nobel e Professor da Universidade de Princeton, nos EUA, acha que “Portugal é uma espécie de milagre económico”, e que deveria haver mais “otimismo” do que aquando da “crise do euro”, mesmo tendo em conta, amiguinha, os temores de uma nova recessão europeia.

Acrescenta ainda, cara confidente, que na “crise da dívida, tendíamos a colocar Portugal e Espanha no mesmo cesto… ambos tinham tido entradas maciças de capital, tinham ficado seriamente sobrevalorizados em termos de custos laborais, tinham níveis de dívida elevados e enfrentavam um período prolongado de austeridade. Espanha acabou por alcançar a recuperação económica, mas fê-lo passando por anos e anos de desemprego elevado, desvalorização interna e queda dos custos”, porém, “Portugal teve uma recuperação sem isso”, relata o Professor da Universidade de Princeton. Depois, acrescenta: “Tive longas conversas com o meu amigo Olivier Blanchard, o antigo economista-chefe do FMI, e ele diz: «Não percebo como é que Portugal se saiu tão bem. Como é que eles fizeram isso?».

Para o economista, minha amiga, o turismo e as exportações foram fundamentais, mas Espanha também tinha ambas e o resultado não foi o mesmo, afirmando que “é um pouco misterioso como é que as coisas correram tão bem”. Segundo Krugman, os portugueses “Continuam a ser mais pobres do que muitos países, mas já não tão pobres…” Aliás, reporta: “Ninguém sabe realmente porque é que alguns países se saem bem, mas Portugal fez claramente muito melhor nos últimos… anos”.

O Nobel da Economia, Berta, critica os “orçamentos de austeridade” da Troika pela “quantidade de dor que foi criada” e porque considera que estes foram baseados “numa falsa premissa”. Diz sobre o assunto Krugman: “A premissa era que os encargos da dívida eram simplesmente insustentáveis e que havia uma crise que exigia uma austeridade extrema”, mas “hoje sabemos que a crise era basicamente um pânico de mercado…”, ou seja, “era uma crise de liquidez causada por receios de incumprimento… a maior parte da crise desapareceu quando Mário Draghi disse quatro palavras: «O que for preciso». E, de repente, os spreads vieram por aí abaixo”, afirmando perentoriamente que Portugal adotou “medidas extremas baseadas numa apreensão errada do problema”.

Nas considerações do Prémio Nobel da Economia, Portugal “Não é a Dinamarca, não é a Suécia, continua a ser relativamente pobre, mas há muito mais razões para otimismo agora do que no meio da crise do euro” e aproveita para se referir às dificuldades no acesso à habitação, refletindo que este é “um problema feliz de se ter” porque ele exprime que “as pessoas querem estar” em Portugal. Sobre o assunto, cara amiga, ele compara: “Portugal está a parecer-se com São Francisco, com um sector tecnológico em expansão e com a habitação a tornar-se inacessível”, adiantando que, agora, a questão pede “alguma ação”.

“Os riscos externos são grandes” declara Krugman, quer os riscos associados às taxas de juro elevadas, quer ainda se houver “uma recessão europeia”, porque Portugal será logicamente afetado por ser “demasiado pequeno e estar demasiado ligado” à Zona Euro, com forte dependência, sobretudo, de países como Alemanha e Espanha. Assim, minha querida, o Professor entende que “Portugal não está livre” do problema, mas que “pode ser algo que consiga ultrapassar” devido ao crescimento económico dos últimos anos.

Aliás, Berta, para o Nobel da Economia, “Portugal tem estado muito bem, a Europa não” e isso é um problema para o país por causa da nossa dependência da economia europeia. “A Zona Euro domina o vosso comércio” e “a vossa economia está agora bastante orientada para o exterior”.

Austeridade baseou-se numa “falsa premissa”.

Porém, para Paul Krugman, simpática ouvinte, “Portugal está a fazer em termos orçamentais o que os Estados Unidos deveriam estar a fazer” se não tivessem “um sistema político dominado por pessoas completamente loucas”.

Afinal, a entrevista do Prémio Nobel da Economia de 2008 que vem constatar, cara confidente, que o Governo Socialista fez algo muito bem feito, o tal chamado “milagre económico” que Krugman não consegue explicar, não me parece, a mim enquanto leigo, difícil de entender. No espaço de 8 anos foram revertidas a grande maioria das medidas de austeridade de Passos Coelho e substituídas por impostos indiretos sobre bens de consumo: o imposto sobre bebidas açucaradas, o imposto sobre o tabaco, o imposto sobre os sacos de plástico, o imposto sobre as bebidas alcoólicas, o imposto especial sobre os produtos petrolíferos, o imposto de selo, entre muitos outros, tiveram reforços efetivos e substanciais.

Porém, enquanto nos impostos indiretos o povo pode optar, nas taxas e no corte dos subsídios de Natal e Férias não havia opção possível. Os portugueses podem continuar a precisar do automóvel, mas se calhar agora só o usam se necessário, podem continuar a beber e a consumir sumos com açúcar, mas podem não o fazer se assim o entenderem e por aí em diante. O tipo de cortes não é cego e permite-nos gerir.

Com isto, com a subida de quase 40% do salário mínimo e com o reforço das pensões e reformas, o país passou com distinção a pandemia, tem suportado a inflação que vem da Europa, com níveis mais baixos que os seus parceiros e contrariado os efeitos da guerra da Rússia contra a Ucrânia. No entanto, amiguinha, o aumento forçado das taxas de juros pelo Banco Central Europeu, gerou rapidamente um agudizar da crise da habitação e um peso demasiado na carteira dos portugueses. Atrás disso, vieram as reivindicações aceleradas dos médicos e professores, pedindo melhores salários e condições, gerando um imenso desconforto na Educação e graves problemas no SNS. Todavia, nada me parece impossível de solucionar nos próximos anos.

Se, conforme penso, os socialistas voltarem a ganhar as eleições, julgo que durante a próxima legislatura e até ao fim da mesma, a situação será estabilizada. Com efeito, as taxas de juro parecem vir a estabilizar e posteriormente a descer, as medidas para a habitação terão quatro anos para poderem vingar e o acordo com os professores e o pessoal da saúde tornar-se-á inevitável. Mas isto, Berta, sou eu a pensar. Muitos acham precisamente o inverso, enquanto eu, do meu lado, apenas tenho o Prémio Nobel da Economia de 2008. Deixo um beijinho saudoso.

Gil Saraiva

 

 

 

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