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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta - 559: O Chumbo do Orçamento do Estado - Parte I/II

Berta 559.jpgOlá Berta,

Conforme comprovaste esta semana o Orçamento do Estado não passou. Agora já me podes dar razão relativamente ao meu parecer do fim-de-semana passado. Conforme eu te tinha dito o Bloco de Esquerda estava fiado na abstenção do PCP, dos Verdes e das duas deputadas independentes, que lutavam para segurar o poleiro e do voto a favor do PAN, que já o tinha prometido.

Porém, Catarina Martins não imaginou que o PCP queria ir já a eleições, minha amiga, para tentar minimizar prejuízos na queda de eleitores que vem tendo, pois ir só a votos em 2023 poderia retirar-lhe muitos lugares na Assembleia da República, assim, mesmo que perca mais um ou dois, ainda mantém um grupo parlamentar talvez na casa dos dois dígitos, ou seja, o tiro saiu pela culatra ao Bloco de Esquerda que poderá perder imensa força já nestas eleições. Afinal, o partido de Catarina é tido como um dos principais culpados pelo fim da geringonça e da maioria de esquerda.

Ora, o Presidente, que se julgava mais influente do que é, à esquerda do parlamento, queimou todas as possibilidades de deixar o PS, querida Berta, apresentar um novo orçamento ao garantir, repetida e insistentemente, que, se o primeiro não passasse dissolveria a Assembleia da República e marcaria eleições antecipadas. Ninguém entenderia que, face ao acontecido, desse agora o dito por não dito.

Assim, postas as coisas nestes termos, Marcelo Rebelo de Sousa, vê-se obrigado a dissolver a Assembleia da República e a convocar eleições. Consta que, para os lados de Belém, a simpatia do nosso Presidente recai, no que aos candidatos a líder no seio do PSD diz respeito, para o jeitinho de Rangel, que fez questão de ir ao beija-mão presidencial. Para Marcelo, Rui Rio, parece demasiado tolerante com o Governo de Costa e o nosso presidente tem outro tipo de perfil em vista para a liderança do seu antigo partido político, que não passa, evidentemente, por Rio.

Mas, fazendo uma breve síntese de como os partidos estão a ver a dissolução da AR, podemos dizer que o mais feliz é o Chega de André Ventura. A ânsia de ter um grupo parlamentar é superior ao ganho que teria com o aumentar do descontentamento dentro de dois anos. Já o Iniciativa Liberal está aflito, Cotrim acha que lhe falta tempo para fazer uma campanha que lhe traga mais deputados. Por outro lado, minha querida, o CDS tem uma crise de poder grave e o Chicão, preferiu atirar com a escolha do novo líder para depois das eleições, desterrando Nuno Melo. Quanto a Rangel está convencido que pode ser alternativa a Costa e, na sua vaidade infinita, não consegue antever que o apoio que tem no partido existe apenas no aparelho e não nas bases, onde a maioria dos militantes são do Norte e do interior do país e que, quer ele queira quer não, ainda são bastante homofóbicos, coisa com que Rio conta para vencer.

Amanhã termino esta breve análise, minha querida Berta, pois não quero ser demasiado maçador. Deixo um beijo saudoso, deste que todos os dias tem imensas saudades das nossas antigas conversas de fim de tarde, o teu eterno amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Memórias de Haragano - A Revolução Começa na Cama - Parte VII

Berta - 187.jpg

Olá Berta,

Com que então tens-te divertido com as minhas antigas viagens entre a cama e o computador. Pelo menos, enquanto faço esta repescagem, já não me lês a falar de pandemia, de coronavírus, de óbitos, de Donald Trump, André Ventura ou Bolsa-aí, digo, Bolsonaro, ou do raio da palavra feminina “doença” que, por o ser, me querem convencer que a palavra Covid também se deve ler como um termo feminino. Não é nada disso. Não concordo em absoluto.

Recuso-me mesmo a aceitar. Não, não e não. Aliás, Sarampo é uma doença altamente contagiosa causada pelo vírus do sarampo e não dizemos a Sarampo só por estarmos a falar da doença. Essa agora. A palavra cancro, designa quer o tumor (masculino) como a doença (feminina), mas sempre dizemos o cancro, para ambos os casos. Teimo que a doença provocada pelo cororavírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave 2 (SARS-CoV-2), deve e pode ser uma palavra masculina, o Covid-19.

Mas é melhor regressarmos, sem mais demora, à minha revolução. Bem pacífica, por sinal. Nela, todas as pessoas sobrevivem, ninguém sai doente de cena. Afinal, é sobre a revolução, e onde se inicia, que esta carta segue a saga, por isso mesmo, e para já, a minha teima terá de ficar de lado, reservada para um dia mais erudito, em que a temática da língua e das palavras esteja em cima da mesa. Assim:

Memórias de Haragano: A Revolução Começa na Cama – Parte VII

“Há mais coisas do mesmo género da caixa do correio com as quais tenho o mesmo tipo de relação visceral. É o caso do meu correio eletrónico que, todos os dias, recebe mensagens de vendedores de viagra, da Autoridade Tributária ou dos Dadores de Sangue e Companhia (não tenho nada contra os dadores, mas eu não posso doar sangue, infelizmente). Não entendo a insistência e irrita-me. Já sobre as minhas potencialidades e virilidade gosto de manter a situação privada, quanto à AT prefiro distância, até porque me tem sido difícil evitar não ter problemas com eles e no que concerne aos dadores abomino o tipo de abordagem, fazem-me sempre lembrar uma música do Zeca, lembras-te, Berta? <<Os Vampiros>>.

Outros temas para os quais já não há paciência: Primeiros-Ministros, bem como outros altos políticos, com casos de corrupção em tribunal. Incomoda-me o facto de se atirar com alguém para a cruz sem culpa formada, por isso não me peçam para ser eu a pôr os pregos; Também não dou para ressuscitar antigos Presidentes da República, com vocação para pastores de cabras, que saem das catacumbas para anunciar sábios e doutos bitaites. Digo sempre o mesmo: quem? Como? Quando? Onde? Porquê? Fiz mal a alguém, eu? Em resumo, e como não me resta mais nenhuma alternativa, mudo imediatamente de tema.

Porém, há outras situações ou coisas que, com um pequeno toque, ficariam aceitáveis. Dou o exemplo de certos comentadores desportivos e ou políticos que podiam ser perfeitamente reaproveitados para um repescar da série Morangos com Açúcar, bastava acrescentar, os Anos Dourados ou Brancos, que iria ser um êxito de audiência. Estou a pensar em Paulo Portas, Luís Filipe Meneses, Marques Mendes, Fernando Seara, Santana Lopes, enfim, a lista é infindável. Marques Mendes, por ser pequenino e, que se saiba, não ser bailarino, podia fazer o papel do velhaco da trama, ajudado, na sombra, pelo dissimulado José Miguel Júdice.”

Se fossem hoje, esses Morangos com Açúcar podiam ainda ter esses e outros intervenientes notáveis, como o viperino André Ventura, o santo incontestável José Sócrates, cujo único crime se baseia nas suas fortes e duradouras amizades, e talvez repescar, de outros setores bem próximos, gente como Joacine Katar Moreira, Ana Drago, Joana Amaral Dias e Ana Gomes.

Como estou a enviar-te, minha amiga, estas recordações aos bocadinhos, por favor, não te zangues se, às vezes, um tema específico passar de uma carta para a outra, pois pode acontecer, mesmo que por mera disposição dos textos selecionados para cada carta.

O que importa aqui é dar-te uma ideia da mente humana que, numa simples análise pessoal e em privado, no seu mundo exclusivo de pensamentos e raciocínios, pode ser bem diferente daquela que observamos em contexto social e comunitário, pese embora se trate, no fundo, da mesmíssima mente. Apesar de tudo, é engraçado constatar como um simples habitante da aldeia lisboeta de Campo de Ourique, pode ter, em si mesmo, realidades tão distintas no que ao seu comportamento diz respeito, como se calhar, é bem provável, que o mesmo possa acontecer com todos os outros residentes do bairro, da cidade ou do país. Pensa nisso. Por hoje é tudo. Despede-se este teu amigo com um beijo franco,

Gil Saraiva

 

 

A Deputada: Jacine Katar Moreira

Joacine.jpg

Olá Berta,

A minha mensagem de hoje é sobre a recém-eleita deputada do Livre, Joacine Katar Moreira. Esclareço-te desde já não fui um dos que votei nesse partido, contudo, vi com agrado a eleição de um dos seus elementos para o parlamento. A diversidade não prejudica a democracia e é, a meu ver, até muito bem-vinda.

Joacine Katar Moreira tem ainda a seu favor o seu problema da gaguez. Quando o digo desta forma refiro-me à onda solidária que se gerou com a sua eleição. Afinal não é fácil ser mulher e a única representante de um partido, pertencer ao mesmo tempo a uma minoria racial no hemiciclo, onde apenas mais 2 deputadas são negras, ao que se soma o facto da deputada ter dupla nacionalidade, não ter nascido em território nacional mas na Guiné, na capital Bissau há 37 anos atrás e demonstrar ser afetada por uma gaguez profunda numa profissão a onde a voz é um dos principais instrumentos de trabalho.

Faço estas observações preliminares porque Joacine reunia as condições perfeitas para ser levada ao colo durante grande parte da legislatura. Os portugueses são muito mais solidários, do que demonstram à primeira vista, e gostam sobremaneira de apoiar o elo mais fraco. É a chamada descriminação positiva. Uma forma de agir que não só não critico como sou daqueles que apoia e incentiva este tipo de atitudes.

Mas algo não vai bem com a deputada Joacine Katar Moreira, licenciada em História Moderna e Contemporânea, nomeadamente em Gestão de Bens Culturais, detentora do mestrado em Estudos do Desenvolvimento e com o doutoramento em Estudos Sociais Africanos pelo Instituto Universitário de Lisboa. Digo isto porque, de repente, a doutora deputada resolveu começar a disparar para todo o lado, lançando aos 7 ventos, a notícia de que tem sido vítima de mensagens de ódio inarráveis e inadmissíveis, como nunca imaginou ser possível.

Até aqui, a serem verdade as críticas apresentadas nada haveria a dizer sobre este comportamento e a vitimização poderia até ser justificada. Porém, a causa cai por terra quando Joacine mistura verdadeiras mensagens de ódio, essas absolutamente condenáveis, com as que apenas refletem oposição às suas ideias ou apresentam perspetivas diferentes das que o atual Livre demonstra ter.

Ora, erroneamente, a deputada põe tudo no mesmo saco o que se torna totalmente inaceitável. Não é compreensível que uma pessoa formada em História Moderna e Contemporânea, com mestrado em Estudos de Desenvolvimento e doutoramento em Estudos Sociais Africanos confunda a crítica ou as ideias diferentes das suas com mensagens de ódio, como algumas das que recebeu. Por exemplo, não consigo sequer entender o ataque que fez a Daniel Oliveira acusando-o de pensar como a extrema-direita em vez de rebater a opinião critica do cronista.

Já agora é preciso que se diga que há idiotas em todo o mundo e que sempre haverá mensagens de ódio, racismo, xenofobia, entre outras, por parte de indivíduos sem grandes princípios e que, obviamente, Portugal não foge à regra.  É que, neste campo, que envolve o insulto vindo de gente que não sabe estar, como diria Ricardo Araújo Pereira, Joacine Katar Moreira não está sozinha. Basta dar uma voltinha nalgumas redes sociais para ver um certo tipo de seres a achar que Portugal não pode ser governado por um velho monhé, que come palavras ao discursar.

A continuar a agir com esta vitimização total, a atingir vertiginosamente a irracionalidade, a deputada corre sério risco de ver desaparecer o capital de solidariedade, justa e sensata, com que iniciou o seu mandato. Em Portugal não é apenas fácil passar de besta a bestial, o inverso é igualmente verdadeiro e, Joacine, devia ponderar seriamente sobre o caminho que parece ter escolhido. Cá por mim espero que o bom senso prevaleça nas atitudes da luso-guineense e que os acontecimentos recentes não vir o seu novo “modus operandi”, sob pena de se vir a esbater a sua importância na Assembleia da República.

Deixo-te um beijo saudoso em mais esta despedida, este amigo que não te esquece,

Gil Saraiva

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