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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Memórias de Haragano - A Revolução Começa na Cama - Parte XII

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Olá Berta,

Hoje, envio-te a prova provada de que, quando pensamos que nada mais pode acontecer, surge aquela coisinha inesperada que, por si só, é capaz de mudar tudo. Por isso é que eu nunca perco a esperança no dia de amanhã. O que é realmente necessário é a coragem de, a cada despertar, nos prepararmos para enfrentar o dia que por aí vem. Passo, sem delongas, às memórias de hoje. Assim:

Memórias de Haragano: A Revolução Começa na Cama – Parte XII

“Com o dia de trabalho terminado preparava-me para desligar o computador depois de fechar o mail. Estava contente com a minha nova teoria de que "a Revolução começa na Cama". Levei a mão ao rato, mas não tive tempo de fechar sequer o mail. O som de nova mensagem a entrar fez-me interromper os planos.

Abri para ler. Eu bem me parecia que teria um melhor dia de trabalho depois da próxima noite de sono. Era mais um serviço. A revista Ler pedia-me um artigo de fundo, com algumas páginas, entre três a cinco mil e quinhentos caracteres sobre o ato de escrever. Mas só me davam dois dias para o entregar, embora o pagamento fosse razoável. Disse um palavrão. Aquele que termina em alho. Era evidente que alguém tinha falhado um compromisso com eles e lá ia eu de novo servir de verbo de encher. Mas pronto, antes isso que não haver o que fazer.

Desde que enviara para toda a imprensa a minha disponibilidade para tapar buracos que o meu trabalho, e a respetiva recompensa, estava a conseguir equilibrar a minha balança de pagamentos. Não era a situação ideal, mas ajudava muito. Voltei a olhar para a encomenda. O ato de escrever… o que dizer, ai, ai…

Depois de alguns momentos a pensar, resolvi ir buscar uma frase de Clarice Lispector. Feito isto, uma vez que já tinha mote, achei que mais valia adiantar já o serviço. Decidi-me a iniciar a escrita.”

No início da carta esqueci-me ainda de te referir que um otimista vive muito mais feliz do que um pessimista mesmo que ambos tenham exatamente o mesmo tipo de vida e de problemas. O otimista passa os dias muito mais sereno pois está convencido de que algo vai acontecer que o vai acabar por ajudar. Por isso mesmo está muito mais atento e pronto a aproveitar o que se lhe depara a cada dia. É dessa forma que se desembaraça dos problemas muito mais rapidamente do que o pessimista. A forma como nos deparamos com a realidade é, por si só, um fator que condiciona e ajuda a moldar a própria existência. Eu, pelo menos, acredito que assim é.

Fico-me por estas palavras e despeço-me até amanhã com o terno e velhinho beijo do costume, enviado, como sempre, por este teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

Carta à Berta: Memórias de Haragano - A Revolução Começa na Cama - Parte IX

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Olá Berta,

Não leves a mal as comparações de ontem. Afinal, não passam de opiniões pessoais, sujeitas aos mais variados critérios de subjetividade, de gosto e de avaliação absolutamente emocional. Embora eu pessoalmente não acredite, ambos os presidentes podem ser excelentes pessoas, dignos dos mais rasgados elogios. Cá por mim dava os rasgados a um e os elogios ao outro. Porém, mais uma vez, isto sou eu.

A curta abordagem de hoje sobre a profissão de jornalista freelancer em Portugal, visa apenas, minha querida amiga, dar-te uma ideia de que, infelizmente, se queremos sobreviver profissionalmente não nos podemos dar ao luxo de escolher sobre aquilo que queremos escrever. Como diz o ditado marítimo <<o que vier à rede, é peixe>>.

Será melhor passarmos às memórias de hoje e deixar os considerandos para o final do texto. É a melhor forma de não me alargar, em demasia, em considerandos que se poderiam alargar. Assim:

Memórias de Haragano: A Revolução Começa na Cama – Parte IX

“Tudo isto para dizer que um freelancer nem sempre faz o que gosta ou que, por sua iniciativa consegue abordar os melhores temas ou os mais intelectuais. O que interessa, por exemplo, o Goucha a alguém, ou outro dos que aqui poderia deixar referidos, que não seja no contexto do que eles efetivamente fazem na área que os torna públicos? Não interessam nada, nem deveria haver mais nada a dizer sobre eles, fora desse contexto.

Contudo, como colunáveis que são, pode mesmo aparecer-nos um trabalho que nos obrigue a falar deles. Contingências do ofício. A vida é assim e temos é que seguir em frente com a melhor disposição possível. Por exemplo, é melhor ser freelancer do que trabalhar nos serviços de saneamento básico da cidade do México onde os trabalhadores entram de escafandro em esgotos, mais largos do que piscinas, para os desentupir. Isso sim é um repugnante, real e verdadeiro trabalho de merda.”

A minha abordagem sobre qualquer tema menos interessante ou até totalmente fatela ou horroroso, pode parecer que cheira mal, que é uma verdadeira porcaria, contudo, eu não sou obrigado a sentir a consistência física das poias, nem tenho que levar nariz acima com as abjeções de terceiros. Em síntese as minhas queixas são de cadeirão e, em última conclusão, totalmente irrelevantes. Todos os trabalhos têm coisas, aqui ou ali, de que não gostamos particularmente de fazer. É o caso do jornalismo de um freelancer.

Por hoje termino com uma despedida alegre, acompanhada de um beijo, deste teu amigo fiel e sempre ao dispor, seja lá para o que for,

Gil Saraiva

 

 

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