Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: As Vacinas em Portugal

Berta 467.jpg

Olá Berta,

Embora tu, minha querida amiga, já me tenhas pedido para falar do plano de vacinação em Portugal, por queres saber a minha opinião sobre o assunto, eu, muito sinceramente tenho evitado trazê-lo para as nossas cartas. Porém, como algum dia terá de acontecer, pode até ser já hoje. Apenas sublinho que vou dizer o que penso sobre o assunto sem mais delongas.

Quanto ao plano em si, e as prioridades definidas para a toma de vacinas eu acho que irá sempre haver quem o conteste e quem se sinta injustamente deixado para uma segunda ou terceira linha, seja qual for o critério de prioridades. Quanto às que atualmente estão em vigor estou de acordo que existam e que se façam cumprir da melhor maneira possível e com a celeridade projetada.

Penso, no entanto, que o grupo responsável pelos critérios irá fazendo pequenos ajustes às prioridades, consoante assim se achar melhor, durante o processo, e não vejo mal algum em que o façam. Um plano rígido era por si só muito mais absurdo. Cheguem atempadamente as vacinas da Europa e o serviço tratará de as distribuir atempadamente e julgo mesmo que sem problemas de maior.

Não sou arauto da desgraça, nem sequer sou uma Clara Ferreira Alves que, ainda ontem, ouvi dizendo que tudo estava e seria um caos. Pois bem, no meu entender isso não corresponde à verdade dos factos. A vacinação está a correr muito bem e acho que assim continuará. Também discordo com a jornalista comentadora do Eixo do Mal, quando ela vê e prevê um fim à vista para António Costa, todavia isso são contas de outro rosário e não vale a pena falar nisso presentemente.

No que respeita às vacinas que têm sido dadas indevidamente, a pessoas que não constavam nas prioridades, existem dois grandes tipos de situações. As que foram dadas a qualquer pessoa, para não desperdiçar doses que sobraram e que já estavam descongeladas, numa altura em que ainda não existiam alternativas definidas para o efeito, e as que foram alvo de abusos seja de que ordem for. Enquanto que o primeiro caso não foi grave, foi residual e serviu para serem criadas listas de suplentes para as sobras, a segunda é mais séria e merece ter as devidas consequências consoante a gravidade de cada caso.

Apenas acho que no caso nacional, onde essa divergência, sobre o que estava planeado, é inferior a 0,1% das vacinas já efetuadas e que entre primeiras e segundas doses já atingiram o meio milhão praticamente, é deveras irrelevante. Dito isto todos os casos devem ser analisados e punidos quando for realmente o caso.

Por hoje fico-me por aqui minha querida Berta. Despede-se este teu velho amigo, sempre ao dispor onde e quando me achares necessário, com um beijinho,

Gil Saraiva

Carta à Berta: Memórias de Haragano - Confissões em Português - Parte X

Berta 210.jpg

Olá Berta,

Não foi ontem que terminei as minhas Confissões em Português, aliás, ainda vou a meio. Se é para me conheceres devidamente, acho justo dar-te todas as explicações possíveis. Pelo menos aquelas de que me lembro. Assim, continuando:

Memórias de Haragano: Confissões em Português – Parte X

“Entretanto casei, tive um casal de crianças para perpetuarem os genes dos progenitores, e só depois de divorciado é que consegui compreender os meus próprios pais. Efetivamente poderia ter entendido muito mais cedo. Mas, dos meus dezoito anos em diante, estive sempre distante deles. O contacto era feito por telefone, em aniversários, festividades e coisas desse género, sem grande proximidade ou relevância no que se refere a relações de mais intimidade geracional e familiar.

Não fosse essa minha opção de pré-adulto e em vez de ter sido aos quarenta poderia ter vislumbrado a realidade aos dezoito ou dezanove. Fiquei com algum remorso, mas já era tarde para esse tipo de sentimentos. Contudo, não penses com isso que eu gostava pouco dos meus pais. Nada disso. Adorava-os, tive foi a noção errada que o sentimento deles por mim não era tão forte como o meu por eles. Tolices de puto.

Mas não fiques com pena, não tive uma infância infeliz, nem nunca me senti um coitadinho. Aliás, abomino coitadinhos. Porém, cada um tem o direito a ter as suas opções de vida. No meu caso acho que a minha infância foi normal, a passagem pela adolescência maravilhosa e o casamento cinco estrelas até os feitios de ambos mudarem tanto que deixaram de ser compatíveis. O que foi pena. Ainda hoje me lembro com saudade de uma cara de mimo deliciosa que ela fazia quando me queria pedir algo que sabia que eu discordaria normalmente. Acabava sempre por ganhar. Quando nos separamos, resolvi lembrar apenas as coisas boas e arquivar em palavras e poemas as más e também as maravilhosas. Assim evitava sentir rancores e, do lado inverso, saudades. Fiz exatamente o mesmo com as outras relações de amor e de união que fui tendo ao longo da vida. Em última análise acho que foi a melhor opção.

Desde o episódio com os meus pais que passei a tentar, e ainda tento, mesmo que às vezes não seja assim tão fácil, não fazer julgamentos precipitadamente seja do que for. É uma questão de bom senso. Temos obrigação de aprender com os nossos próprios erros e de evitar repeti-los a não ser que a repetição seja, por qualquer outro motivo, intencional.”

Esta é uma boa altura para me despedir desta carta e de ti, minha querida amiga. Fica bem e recebe um beijo de até amanhã deste teu grande amigo,

Gil Saraiva

Carta à Berta: Série: Quadras Populares Sujeitas a Tema - 8) A Vida

Berta 101.jpg

Olá Berta,

Cá estou eu mais uma vez a escrever os meus desabafos. Vivemos num tempo em que tudo acontece como se nada fosse. Acabei de ler uma notícia em que os serviços secretos alemães e americanos espiaram através da empresa de encriptação que vendia os sistemas de segurança a 120 países, Portugal incluído, porque tinham adquirido conjuntamente a empresa em segredo (Alemanha até 2016 e Estados Unidos até 2018).

Estivemos nós e mais 119 países do mundo inteiro expostos à devassa desta gente e ninguém pede contas a ninguém? Mas isto virou a República do Bananal ou temos medo de ofender quem violou a privacidade nacional porque são nossos pretensos aliados?

Aliado que o é não espia às escondidas os parceiros. E já agora era giro saber que medidas tomámos nós para evitar a repetição de tais situações… pois uma coisa é não confrontar os nossos supostos amigos, mas outra, bem diferente, é permitir a continuação da devassa e da bandalheira.

Porque é que na Assembleia da República ninguém questiona o Governo sobre as medidas tomadas perante tal revelação. Porque isto sim, é grave. Bem mais grave do que a saga de Isabel dos Santos que salvou várias empresas portuguesas de falirem, a pedido dos nossos queridos governantes, e a quem nós agradecemos arrestando-lhe as contas. Detesto gente sem coluna vertebral. Assumam os erros que fizeram se acham que foram erros e corrijam o que está errado porque isso sim é que é bonito.

Bem, o melhor mesmo é regressar à nossa saga das quadras sujeitas a mote. É algo bem mais divertido e não me deixa indignado com o comportamento sabujo de quem, neste país, detém o poder.

Série: Quadras Populares Sujeitas a Tema - 8) A Vida.

 

A Vida

 

Sorria, nunca ande triste,

Pelos caminhos da vida,

Que a vida que em nós existe

Não tem volta, só tem ida…

 

Gil Saraiva

 

Por hoje fico por aqui. Recebe um beijo amigo, deste que se mantém saudoso,

Gil Saraiva

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

Em destaque no SAPO Blogs
pub