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Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro

A partir de julho de 2022 os blogs do Senhor da Bruma, assinados por Gil Saraiva, são reunidos em "alegadamente". Os blogs: Estro (poesia), gilcartoon (cartoons) e Desabafos de um Vagabundo (plectro) passam a integrar este blog. Obrigado.

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Desabafos de um Vagabundo: Série II - n.º 4: O Impossível Apenas Demora Mais Tempo

Desabafos SII - 04.jpgDesabafos de um Vagabundo

O IMPOSSÍVEL APENAS DEMORA MAIS TEMPO

Hoje, ao intervalo, a seleção feminina portuguesa de futsal universitário estava a perder contra o Brasil, na final do mundial de futsal universitário feminino, por uns expressivos 5–1. As meninas portuguesas foram para intervalo com o peso da derrota que se anunciava e, nos rostos de cada uma, apenas se espelhava a frustração.

Ninguém sabe o que o treinador Ricardo Azevedo disse às jogadoras no final do primeiro tempo, durante o intervalo. O que sabemos é que o treinador substituiu a guarda-redes, trocando Madalena Galhardo, a número 12, por Ana Pinto, a número 1. Incrivelmente tudo mudou e a quarenta segundos do final da segunda parte Portugal já tinha conseguido marcar dois golos, estando a perder por 5–3 uma vez que Ana Pinto manteve inviolável a baliza nacional.

O quarto golo da equipa portuguesa nesta final do mundial apareceu aos 40 segundos para o final do jogo e o quinto golo, o do empate, chegou, qual filme de ficção, a 1,1 segundos do final da segunda parte, colocando o resultado em 5–5 nesta mirabolante final do campeonato do mundo de futsal feminino universitário. O resultado não se alterou durante as duas metades do prolongamento e a escolha da equipa feminina campeã do mundo de futsal universitário ficou para ser decidida nos penáltis.

A grande heroína desta final foi mais uma vez Ana Pinto que conseguiu defender primorosamente o quinto penálti brasileiro. Com esta defesa Portugal ganhou nos penáltis por 5-4 contra o Brasil. Assim, a equipa feminina de futsal universitário de Portugal consagrou-se Campeã Mundial. Um feito inédito do futsal feminino universitário português. Um resultado construído na garra, na fibra, no muito acreditar destas heroínas inacreditáveis.

Eu, que tenho por lema, que “O Impossível Apenas Demora Mais Tempo” pude ver em direto, graças ao canal 11, o canal da Federação Portuguesa de Futebol, a absoluta e inequívoca confirmação desta minha máxima. É com reverência que tiro o meu chapéu a estas valorosas guerreiras do futsal feminino, um conjunto de estudantes universitárias que elevaram até ao supremo topo o nome do país que representam, o nome de Portugal.

Viva a Seleção Feminina de Futsal Universitário de Portugal. São as campeãs do mundo. Somos todos, mais uma vez, Campeões do Mundo. Caramba! Viva Portugal, porque o impossível apenas demora mais tempo., porque a realidade superou uma vez mais a ficção. Sonhar não paga imposto, acreditar nos sonhos também não e concretizar um sonho é chegar mais alto, mais longe e mais além. Parabéns Seleção, parabéns Portugal, parabéns Seleção Feminina Portuguesa de Futsal Universitário. Viva Portugal!

Gil Saraiva

 

 

 

Desabafos de um Vagabundo: Série II - n.º 3: Adeus Shinzo Abe - A História da Carochinha sobre um Assassinato Político

Desabafos SII - 03.jpg Desabafos de um Vagabundo

Adeus Shinzo Abe

A HISTÓRIA DA CAROCHINHA SOBRE UM ASSASSINATO POLÍTICO

Morreu ontem, tragicamente assassinado pelas costas, com aquilo que se diz ser uma arma artesanal composta por tubos metálicos, o ex-primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, em Nara, enquanto participava na campanha eleitoral do LDP, o Partido Liberal Democrático japonês, relativa às eleições que se realizam, já este domingo, no Japão.

Shinzo Abe, poderia dizer-se também, poderia ter sido, se este assassinato não tivesse ocorrido, eleito o próximo Primeiro-Ministro japonês. Primeiro porque nunca perdeu uma batalha eleitoral e já, por duas vezes, vencera as eleições nipónicas. Segundo porque ele era o homem que pretendia mudar, finalmente, a Constituição japonesa, escrita depois da Segunda Grande Guerra Mundial, pelos ocupantes americanos, tornando obrigatoriamente os japoneses numa nação pacifista, que não podiam utilizar armas nucleares.

A história da Carochinha sobre o assassinato de Shinzo Abe, que está a ser vendida na imprensa nacional e internacional, não passa de areia para os olhos dos analistas políticos a nível mundial.  Segundo esse relato infantil Tetsuya Yamagami, o suspeito do ataque, que terá utilizado uma arma artesanal, tendo sido apanhado pelos serviços de segurança de Abe e entregue polícia, que posteriormente revistou a sua casa, tendo encontrado no local armas semelhantes fabricadas pelo alegado autor. Reza a mesma fábula que Yamagami se encontrava desempregado desde maio. Ainda nos é dito que entre 2002 e 2005 integrou o exército nipónico, no âmbito do serviço militar.

Na minha perspetiva, a história oficial de um homem que se desloca até ao local do crime de comboio, com intensão de matar, ter admitido disparar contra o antigo primeiro-ministro, com uma arma feita em casa por guardar rancor contra uma “organização específica”, cujo nome ninguém divulgou, por acreditar que o antigo líder era um dos membros da dita organização, não tem pés nem cabeça, nem é provável que uma arma artesanal disparada à toa num comício, atingisse mortalmente a vítima no pescoço e no peito com uma precisão profissional. Afirma a mesma versão oficial, apesar disso, que esta foi mesmo a razão pela qual Tetsuya Yamagami matou Shinzo Abe.

Para cúmulo do disparate, para quem acredita neste tipo de conto fantástico, interrogo-me para que é que foi criada no Japão uma monumental task-force composta por 90 pessoas, para investigar o caso? Então o assassino não confessou? A arma do crime não eram uns tubinhos? O caso não está resolvido?

Num dos países do mundo onde a criminalidade é quase irrelevante, onde a própria máfia japonesa evita a todo o custo crimes visíveis no território nacional, onde a Constituição proíbe expressamente a violência, aparece um pacato desempregado, que depois de uma viagem de comboio chega a um comício, aponta dois tubos ao político no palanque, e o consegue matar, pelas costas, com uma precisão diabólica atingindo a vítima no pescoço e no peito. Nem num filme policial de quinta categoria, produzido nas Ilhas Far Away um argumento destes chegava à tela.

Porque é que não nos dizem que Shinzo Abe, que já por duas vezes, num total de 13 anos, levantara a economia japonesa, se preparava para fazer aprovar a mudança da Constituição japonesa, passar a fabricar armas nucleares e a instalar silos no seu território, obrigar a Rússia a devolver-lhe as ilhas japonesas anexadas a quando da Segunda Grande Guerra Mundial, entalando Putin entre a Europa, os Estados Unidos  e o Japão?

Quando as autoridades mundiais concordam em divulgar uma história da Carochinha para entreter a população e a comunicação social, enquanto ocorre, à vista de todos, um assassinato político, friamente calculado, algo vai terrivelmente mal neste mundo. Tenho pena de Tetsuya Yamagami que, com os seus dois pauzinhos para comer arroz, foi acusado de assassinato, mas sinto, com pesar, a morte de Shinzo Abe, mais uma provável vítima do regime soviético. Adeus Shinzo Abe.

Gil Saraiva

 

 

 

Desabafos de um Vagabundo: Série II - n.º 2: Adeus José Eduardo dos Santos

Desabafos SII-2.jpg Desabafos de um Vagabundo:

Adeus José Eduardo dos Santos

Morreu hoje, em Barcelona, mais um ex-ditador da Língua Portuguesa, o antigo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos. O homem que governou Angola durante trinta e oito anos e o grande arquiteto não apenas da paz em Angola, mas do seu próprio clã, o clã dos Santos. O seu afastamento do poder foi ditado pela saúde e não pelo raciocínio.

Amado pelos que o rodeavam e odiado por quase todos os outros, liderou sucessivos governos onde reinou a rainha corrupção. Foi esta mesma imperatriz que lhe permitiu criar um império em torno da família. Sendo o rosto mais visível o da sua filha mais velha, Isabel dos Santos, que, durante anos a fio, foi a mulher mais rica de África e uma das mais poderosas do mundo.

José Eduardo dos Santos sucedeu a Agostinho Neto e, quase quatro décadas depois, escolheu João Lourenço para liderar os destinos de Angola em vez de se fazer suceder por um elemento do seu próprio clã. Se o antigo presidente esperava clemência de Lourenço, no respeitante à sua pessoa, esta foi-lhe concedida. Mas o mesmo não aconteceu com o resto do clã. João Lourenço herdou Angola em plena crise petrolífera e necessitava dos fundos desviados pelo clã para repor alguma ordem nas contas públicas.

Na minha pouco romântica perspetiva, a mudança de presidente não terminou com o reinado da corrupção em Angola, longe disso. À primeira vista ela apenas mudou de mãos, sendo que desta vez, os intervenientes estão mais opacos que nunca. Para Portugal tudo continua na mesma. Não importa ao nosso Governo a falta de democracia no país irmão nem mesmo a perseverança da maldita corrupção, apenas desejamos manter forte a relação comercial e o intercâmbio com Angola, porque, se rezarmos à Nossa Senhora de Fátima, um dia, deixará de haver fome nesse país africano de que tanto parecemos gostar.

A hipocrisia do poder tem destas coisas. Mesmo que o canibalismo fosse uma realidade em Angola, que não é, o Governo de Portugal diria que se tratava apenas um fenómeno residual, proveniente de uma cultura ancestral do povo e, em ano de Europeu Feminino de Futebol, chutaria para canto a vergonha de tais práticas, exatamente como faz com a malfadada corrupção. O que importa é manter o status e a influência de Portugal em África, mesmo que para isso se percam os largos milhões de euros do BES Angola. Do alto do seu corta-palha sorridente, Marcelo Rebelo de Sousa, estará novamente disposto a ir distribuir beijinhos e abraços ao povo irmão, se for necessário reforçar mais os laços desta paz podre pós-colonial.

José Eduardo dos Santos morreu hoje, em Barcelona, e Tchizé, uma das filhas do antigo tirano, que já tinha apresentado queixa por tentativa de homicídio do seu pai contra a sua madrasta, Ana Paula dos Santos, e o médico pessoal do líder em coma, é o rosto mais visível do inconformismo. O clã divide-se depois da morte do imperador. Nada voltará a ser como dantes. A história é inflexível no seu percurso e não reza pelos fracos, por muito poderosos que possam ter sido no passado. Durante os próximos dias a nossa comunicação social aflorará ao de leve os defeitos do ditador e do clã, dando largo realce às excelentes e solidarias relações pós-coloniais entre Angola e Portugal. Se algum idiota se lembrar de tentar decretar luto nacional pela morte de um líder da Língua Portuguesa não se admirem em demasia, afinal Camões está morto e as suas cinzas já não se mexem na tumba. Vale tudo para manter o relacionamento. Adeus José Eduardo dos Santos!

Gil Saraiva

 

 

 

Desabafos de um Vagabundo: Série II - n.º 1: Um Adeus a Boris Johnson

Desabafos SII -1.jpgDesabafos de um Vagabundo  

Um adeus a Boris Johnson

Finalmente demitiu-se de líder do Partido Conservador o inconformado, rebelde e inexplicável Boris Johnson. “L’enfant terrible” para já apenas se demitiu enquanto líder do partido, mas continua a ser o primeiro-ministro britânico enquanto é escolhido um sucessor. Pelo menos é isso que o atual Primeiro-Ministro britânico pretende fazer. O homem considerado o responsável máximo pelo Brexit foi, contra a sua vontade, obrigado a sair.

Amado por uns, odiado por outros, Boris Johnson nunca deixou que a sua pessoa fosse indiferente. Longe disso. Venceu na sua luta para tirar o Reino Unido da União Europeia, ultrapassou a crise dramática da Covid-19 em terras de sua majestade. Tornou-se peça chave no apoio europeu à Ucrânia, contra a invasão russa, mas acabou por cair devido aos problemas internos, gerados em catadupa, nos corredores do poder, muito fruto da sua irreverência de vagabundo carismático e irresponsável, ou seja, Boris Johnson, demite-se pelas mesmas razões porque foi eleito, por ser o “l’enfant terrible” da política britânica.

Na minha perspetiva, Boris Johnson nunca foi diretamente responsável pelos factos passados que acabaram por o fazer demitir-se, nem as festas, nem o último escândalo.

Das festas em tempo de confinamento ao seu conhecimento de alegações de conduta sexual imprópria de um deputado antes de o promover para o governo, tudo é apenas resultado do seu feitio balofo, despenteado e totalmente rebelde e irreverente. Era como se o Primeiro-Ministro apenas tivesse de prestar contas a si próprio. Cai assim por motivos de lana-caprina, algo que nunca seria suficiente para causar a demissão um presidente americano, nos nossos dias, conforme se viu com Donald Trump, um outro poderoso balofo como Boris Johnson.

Johnson irá abandonar as rédeas do Reino Unido, com um terço da população britânica infetada pela Covid-19, ao longo de dois anos, e mais de 180 mil mortos provocados pelo vírus. No que respeita às suas relações com Portugal as coisas correram-nos de feição. Os britânicos continuaram a ver assegurados os seus direitos de virem para Portugal viver tranquilamente os anos da reforma, os emigrantes portugueses viram assegurados os seus direitos no Reino Unido e foi assinado, entre os dois países, o maior acordo comercial da história da velha aliança.

O humor mundial sofre um revés, uma vez que Boris era um dos personagens preferidos dos cartoonistas, dos rapazes da “Stand-Up Comedy”, dos comediantes em geral, para dizermos o mínimo. A política externa britânica ficará mais débil, porque o que se perdoava a um “l’enfant terrible” não se perdoará a um político sério. Por colorir a cinzenta política mundial resta-me desejar a Johnson um feliz regresso ao anonimato e pouco mais. Adeus Boris!

Gil Saraiva

 

 

 

ALEGADAMENTE: Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro

Berta.jpgA partir de julho de 2022 os blogs do Senhor da Bruma, assinados por Gil Saraiva, são reunidos neste blog. Os blogs: Estro (poesia), gilcartoon (cartoons) e Desabafos de um Vagabundo (plectro) passam a integrar este blog que muda de nome para: ALEGADAMENTE: Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro, substituindo a antiga designação de: alegadamente.

Provisoriamente, até final do presente livro de poesia, "Melopeias Róridas Entre Armila e Umbra" e sempre que se justifique, as poesias e os textos poéticos serão publicados nos dois blogs (https://alegadamente.blogs.sapo.pt e https://estro.blogs.sapo.pt).

Evidentemente, a Carta à Berta, manterá o seu espaço neste blog, aparecendo sempre que o autor sinta a necessidade de desabafar com a sua querida e velha amiga Berta. As temáticas serão as de sempre, ou seja, o que eu queira destacar num dado momento ou que ache por relevante criticar num outro. Tudo pode ser tema, desde o que se na minha rua, no meu bairro, na região, num qualquer local no país e, porque não, no resto do mundo.

Quanto aos blogs Desabafos de um Vagabundo, cuja página fica em: (https://plectro.blogs.sapo.pt) e gilcartoon, devidamente localizado em: (https://gilcartoon.blogs.sapo.pt) os novos posts apenas passarão a constar no presente blog, ficando o arquivo dos posts anteriores mantido nos blogs anteriormente usados para os divulgar, ou seja, os três outros blogs (gilcartoon, plectro e estro) passam a ter a função de arquivos do passado e nada mais.

Dentro deste blog, denominado alegadamente, passarão a ficar registadas as minhas impressões do mundo, as quais eu considero alegadamente verdadeiras, mas que ficam protegidas pelo guarda-chuva do "alegadamente" enquanto opiniões que me pertencem e não como verdades irrefutáveis. A forma como eu vejo o mundo é só minha e pode coincidir ou não com a de todos os outros ou, pelo menos, com a de algumas outras pessoas. O modo como eu registo algo é apenas a minha maneira de o sentir e não uma norma que se sobreponha à opinião de terceiros.

Grato pela atenção que me dispensaram na leitura deste texto, Continuo por aqui.

Obrigado.

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Série: Quadras Populares Sujeitas a Tema - 17) Segundos Sentidos

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Olá Berta,

O dia 9 de fevereiro chega ao fim com o aparecimento da Lua Cheia. Entramos em noite de lobisomens, de bruxas, de encantamentos, isto se levarmos em linha de conta o lado místico e mais oculto dos cultos que se dedicam ao nosso satélite natural, ou seja, à Lua. Esta é a noite perfeita para pragas, feitiços e bruxedos, poções, magias e outros medos, feitos nas montanhas, nos montes, nas grutas e rochedos, tudo coisas importantes para mágicos, profetas, alquimistas, druidas, feiticeiros, bruxas e artistas dos contos absurdos de ocultos rituais, que tentam à força dar nas vistas.

É o caso concreto do site que dispõe de “videntes”, “astrólogos”, “tarólogos”, “numeralólogos” e “positivólogos” da Wengo, nome que por coincidência rima com trengo, que nos apresenta as caraterísticas desta específica Lua Cheia em Leão, sendo que estas explicações, pelo que me foi dado a compreender, nada têm a ver com o facto de estarmos perante uma Lua de Neve, a primeira grande “Super Lua” de 2020.

A Lua de Neve ganhou o seu nome dos indígenas americanos, pela forma quase fluorescente como a neve brilha sob a sua luz.  A NASA explica que se trata de uma Lua Cheia Maior, parecendo 14 porcento mais volumosa e 30 porcento mais brilhante do que uma Lua Cheia normal por se encontrar no perigeu lunar que é o ponto em que a Lua se encontra mais próxima da Terra, ora quando nessa altura especifica isso coincide com uma Lua Cheia ficamos, obviamente perante uma “Super Lua”.

Todavia, amiga Berta, eu queria era falar do tal site da Wengo.pt, que dá consultas sobre variadíssimos temas, a preços que oscilam entre 1 e 2 euros por minuto. As consultas aparecem no separador das terapias, sendo 14 os protagonistas. Passo a citar: Paulo Horta Silva, “psicólogo clínico” e “hipnoterapeuta”; Carla Santos, “naturopata” e “coaching”; Marcia Esteves, “naturopata”; Maria Silva, “líder yoga do riso”; Ana Gomes, “conselheira de moda”; Vitor Valente, “terapeuta”; Patrícia Chagas, “socióloga” e “psicoterapeuta holística”; Maria Amaral, “terapeuta” e “conselheira espiritual”; Maria do Rosário Fonseca, “chef de cozinha”; Paula Terapias, “terapeuta” e “naturopata”; Lília Abreu, “terapeuta de riso” e “risoterapeuta”; Rowena Terapeuta, “terapeuta holística”; Alexandra Silva, “terapeuta”; Cigana Sulamita, “terapeuta floral”.

Ora, as consultas, esclarece o site, podem ser feitas por chat, por email ou por telefone e só se iniciam depois do pagamento confirmado. Não pense, porém, que só há Trengo em Portugal, digo Wengo, nada disso eles existem no Brasil, na Turquia, na Dinamarca, nos Estados Unidos, na Alemanha, no Reino Unido, em Espanha, em Itália, em França e na Suíça, só para citar os principais.

A minha principal curiosidade sobre estes ditos especialistas, que prometem segredo (eu, no lugar deles, até o jurava), não é se no meio desta fantochada não possam existir uma ou 2 pessoas, com boas intenções, e até, com alguns conhecimentos reais, nada disso. O que me deixa realmente curioso, é saber como, por exemplo, a dona Lília Abreu me ia ajudar com a sua “risoterapia” estando eu a pagar um euro e dez cêntimos por minuto de consulta. É que se a minha cura é rir, basta-me o disparate da expressão “risoterapeuta” para eu me rir por algum tempo só de imaginar os papalvos na consulta, enquanto o taxímetro debita 1,10 euro por minuto.

E quanto tempo levará a “chef de cozinha” a dar-me a receita da felicidade? É que não sei se, a 2 euros por minuto, não seria melhor eu ir jantar ao restaurante do Ritz? E não ficaria, mesmo assim, mais barato? Por outro lado, adoro a ideia do “hipnoterapeuta” me hipnotizar por email. Não sei porquê, mas acho mais fácil eu livrar-me primeiro de uma prisão de ventre do que isso acontecer. Se bem que a merda é a mesma, mas estou mais acostumado à última, vá-se lá saber porquê. Por fim, quanto à “terapeuta floral” da Cigana Sulamita, eu mesmo era capaz de lhe explicar que era pela mitra, palavra educada para cu de galinha, que eu lhe metia as flores, se ela me tentasse tratar com um cheirinho de alfazema.

O mais espantoso disto tudo, nem é o disparate das terapias, mas a cobrança ao minuto, qual taxímetro frenético a dar com os “pseudo-pacientes” em “provável-depenados” no final de uma consulta. Muito mais fica por dizer, deste site que descobri por causa da Lua de Neve, mas acho que descrevi, suficientemente, a alegada fraude a que tudo isto cheira. Aliás nem vi, em lado nenhum, como são feitos os descontos se, por exemplo, um destes terapeutas resolve espirrar ou começar a tossir ou se lhe der uma caganeira a meio da consulta, fazendo a chamada cair, por força do perfume e da temática em causa. Devo confessar que, a dada altura, esperei poder encontrar uma “naturoputa” no meio de tanto especialista, pelo menos desta eu sabia perfeitamente o que esperar como remédio ou cura.

Passemos, mas é, para o teu desafio das quadras populares sujeitas a mote. Hoje, sob a égide dos Segundos Sentidos, passamos à que eu construi para ultrapassar o tema.

Série: Quadras Populares Sujeitas a Tema - 17) Segundos Sentidos.

 

Segundos Sentidos

 

Mezinha, não é remédio,

Omitir, não é mentir,

Cortejar, não é assédio

Nem ir p’ra cama, é dormir.

 

Gil Saraiva

 

Enfim, todos no mundo têm direito a ganhar a vida, eu, por exemplo, poderia ganhá-la como “carto-terapeuta”, e como levo, pelo menos, um bom par de horas em cada carta, sempre ganhava 240 euros por carta o que era um progresso imenso na minha vida. Recebe um beijo, despeço-me saudosamente, este teu amigo de todos os dias,

Gil Saraiva

 

 

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