Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Covid em Dia dos Namorados

Berta 468.jpg

Olá Berta,

Faltam oito dias para o dia de São Valentim, o Dia dos Namorados. São tempos estranhos estes que vivemos. Tão estranhos que não me lembro de os ver relatados sequer na ficção. Em Portugal, pela primeira vez desde que tenho memória, não se recomenda a troca de beijos nem mesmo o famoso abraço apertado entre pessoas que se amam.

É claro que, para quem já vive no mesmo domicílio em comunhão de leito com o amor da sua vida, estas recomendações não se aplicam e apenas são recomendados alguns conselhos especiais, sobre as atividades antecedentes aos mimos, por parte de cada um dos elementos do casal. Por exemplo, são desaconselhadas partilhas de intimidade com elementos estranhos ao casal. Entre outras recomendações mais ou menos bizarras.

Contudo, para aqueles que ainda se encontram na fase de namoro (propriamente dita), ainda sem partilha de um teto ou uma cama de forma permanente e continuada, é que as coisas se tornaram quase absurdas. Se em janeiro de 2020 alguém dissesse que se iria pedir a um casal de namorados para não se abraçarem ou beijarem, já para não falar de partilhas mais íntimas, seria chamado de lunático, idiota ou pior ainda, seria insultado com aquela forma, tão em voga nas redes, impregnada de essências viperinas e carregada de insultos e impropérios dos mais variados.

Porém, é isso mesmo que está a acontecer este ano. Aos namorados é recomendado que façam uso do distanciamento social e que se evitem mutuamente, quer não partilhando beijos, mãos dadas ou abraços de modo a ajudarem, com a sua atitude a prevenir a propagação da famigerada pandemia.

Só falta mesmo alguém ter a ideia brilhante de criminalizar o abraço, o beijo e a mão na mão, para que se atinja o cúmulo da paranoia “covidiana”.  Mas já há quem defenda que, estes namorados (os que ainda não coabitam juntos) só troquem mimos, seja de que ordem for, se ambos estiverem testados e dados como negativos no que concerne ao coronavírus.

Agora experimentem imprimir alguma lógica a isto quando se dirigem a um casal na casa dos 13 aos 17 anos, por exemplo, seja este constituído ou não por heterossexuais, mas ambos com as hormonas aos saltos e em ponto de ebulição, sem serem, devido a essa mensagem, tratados com o devido escárnio por parte dos visados.

É que, principalmente para os jovens e com maior enfase nos adolescentes, é inconcebível que lhes seja solicitado que evitem os impulsos e as interações amorosas próprias destas idades tão especiais. É o tempo deles. Aquele tempo que recordarão para toda a vida com a famosa expressão “no meu tempo”.

Enfim, minha querida Berta, tudo isto para dizer que ainda não vi esta matéria devidamente tratada, pelos especialistas, com o cuidado e a atenção que deveria efetivamente merecer por parte de quem decide.

Educar é um processo complicado e é preciso fazê-lo tendo em conta as especificidades de cada ato educativo e do grupo alvo que se pretende formar. Faltam oito dias para o Dia dos Namorados… despede-se este teu amigo, com um beijo virtualíssimo, sempre ao dispor, saudosamente,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Dois Beijos Para um Dia Singular - Namorados e São Valentim

Beijo de Outono.jpg

Olá Berta,

Escrevo-te pela segunda vez para te enviar os beijos do meu livro “O Colecionador de Beijos” sobre o dia dos namorados ou dia de São Valentim. Aqui vão eles:

258 - namorados.jpg

  1. Beijo de Namorados, obrigatoriamente um beijo envolvente, arrebatador nas intensões límpidas de renunciar a qualquer resistência, disposto ao abandono passivo da entrega, emocional e apaixonado no desejo ímpar da comunhão do ato. Um beijo sensual e quase lascivo pela volúpia imaginada de lábios que se tocam, cruzam, fundem, proporcionando a comunicação direta das línguas, o acesso a uma conversa sem palavras nem recurso a dicionário. Beijo de namorados, universalmente conhecido, conduzindo, a dada altura, à erosão dos sentimentos numa metamorfose em que estes se transformam em sentidos que se deixam conduzir pelo instinto fecundo da união, num querer tão forte que lhe chamam amor, mas que pode não passar de paixão.

 

350 - são valentim.jpg

  1. Beijo de São Valentim, um beijo Santo diria o milenar elemento da Igreja. Um beijo para a eternidade, dirão outros. A data é também denominada por dia dos namorados, protegidos pelo santo. Por isso este beijo deverá acontecer entre pessoas com sentimentos mútuos, profundos e inequivocamente apaixonados, sem artifícios, oportunismos ou egoísmo. Um beijo a dois, ambos enamorados, se possível em absurdo. Um beijo quente, húmido, demorado, vibrante, inebriante, encantado, inesquecível, mas, acima de tudo, sincero, puro e verdadeiro. Um beijo especial pela renovação de um sentimento de amor, de uma entrega feita celebração, e exigente pela mutualidade do sentir. Um beijo soberano, uma força muito superior aos usuais poderes mundanos, oferecido com alma, executado pelos corpos, veiculado pelas bocas e línguas, assimilado pelos egos, impregnado nas essências, embebido de hormonas e fantasias arrebatadas, mas sempre entregue e tomado pelos corações.

Trata-os bem, eu por minha parte deixo-te um abraço deste amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Série: Quadras Populares Sujeitas a Tema - 12) Jogo de Interesses

Berta 109.jpg

Olá Berta,

Peço imensa desculpa por ainda não te ter perguntado se tinhas namorado novo. Coisas de que efetivamente me lembro pouco. Não é muito educado, nem mesmo polido não me recordar de coisas tão básicas como estas, mas para mim amigo não tem sexo. Por isso me esqueço das delicadezas que se devem ter para com uma senhora. Resumindo, se tiveres namorado desejo que tenhas passado um bom dia dos namorados, se não tiveres espero que o dia tenha corrido de feição, mesmo sem esse apêndice.

Hoje não me vou pôr com outro tipo de considerações políticas ou sociais. É um dia para curtir e não para falar muito. Ora, quando digo curtir não é preciso ter namorado, basta que exista vontade para saíres e para te divertires um bocado, ao teu gosto, sem te incomodares com mais nada. Só por si, tirar uma noite para se ir beber um copo ou sair com os amigos já é uma coisa excelente.

Fico-me, portanto pela quadra sujeita a tema de hoje, ou seja, o jogo de interesses. Espero que te agrade, embora sendo tu uma dama possas não achar muita graça à pequena sátira que apresento. Contudo, garanto que foi escrita sem maldade, talvez, apenas com uma pequena pitada de malícia, mais nada.

Série: Quadras Populares Sujeitas a Tema - 12) Jogo de Interesses.

 

Jogo de Interesses

 

No calor das madrugadas,

Chamas-me amor, com paixão,

Mas nas montras decoradas

Chamas-me amor, sem razão…

 

Gil Saraiva

 

Por hoje já chega que não é dia de cartas, mas sim de namorados, despeço-me com o costumeiro beijo, sempre saudoso,

Gil Saraiva

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

Em destaque no SAPO Blogs
pub