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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Malandro Tipicamente Português - O Criador de Esquemas - Parte II - II/VI

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Olá Berta,

Entramos hoje na segunda parte da saga sobre o Malandro luso. Das seis categorias principais que te apresentei, na introdução, aquela classe que mais parece representar o verdadeiro Malandro, na melhor aceção da palavra, é a do «Criador de Esquemas», um autêntico desenrascador de coisas e situações, portador de um comportamento apimentado, com uma ponta quase ingénua de malicia.

Este Malandro, que não tem problema, no meio do seu processo criativo, de pisar o risco da ilegalidade e da marginalidade, procura com naturalidade resolver qualquer problema recorrendo ao engenho da sua mente. Estas ações incluem os negócios paralelos, fora do controlo da Autoridade Tributária, as cunhas e favores, a destreza de (muitas vezes) ter de vestir a pele do «Faz-Tudo» ou o faro apuradíssimo para descobrir uma falha na legislação que lhe permita agir e atuar, com relativa segurança, à margem da mesma sem, contudo, a infringir (pelo menos em demasia).

Este «Criador de Esquemas» não é o cidadão indolente, preguiçoso e oportunista descrito por quem desconhece as artes do ofício. Apenas a palavra oportunista se conjuga com o seu “modus operandi”, pela esperteza e sagacidade com que o Malandro consegue agarrar uma oportunidade, que apenas ele granjeia vislumbrar e utilizar, em proveito próprio, com a consequente vantagem e ganho.

Este especialista é um ser social muito ativo, que se integra em ambientes que não são os seus, agindo com a naturalidade de um felino que saca o peixe já temperado da beira da travessa de uma janela de cozinha entreaberta por descuido, sem que ninguém se dê conta. O seu génio criativo consegue realizar milagres no papel de intermediário entre duas partes, muitas vezes antes mesmo de ambas saberem que precisam do que ele encontra, levando o produto ou serviço gerado por alguém, ou inventado por si ao produtor, até ao consumidor ou vendedor do mesmo.

É maioritariamente um homem bem parecido, bom falante e que nos agrada com alguma simplicidade, seja pelas boas maneiras, seja pela forma eficaz e aparentemente desinteressada com que nos resolve uma situação, um problema ou nos disponibiliza um produto a preços que, de outra maneira, nunca conseguiríamos obter. Todavia, nem sempre este ser inteligente usa a sua astúcia para tirar vantagens imediatas dos atos que pratica. Muitas vezes deixar o alvo do desenrascanço a dever-lhe um favor mostra-se, a médio e longo prazo, uma estratégia bem mais eficaz e rentável do que aquilo que poderia parecer à primeira vista, sem grande investigação.

O «Criador de Esquemas» é o bacano que todos conhecemos e a quem recorremos porque, sempre que pode, nos desenrasca sem nada pedir em troca (pelo menos assim pensamos) com aquele ar de amigo do seu amigo.

Na esperança de ter ajudado a entender este Malandro tão lusitano me despeço por hoje, minha querida amiga, com o usual beijo de até amanhã, deste teu ombro sempre pronto a servir-te,

Gil Saraiva

 

 

 

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