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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: A Arte de Desconfinar com CUPIDO

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Olá Berta,

“Portugal é o país da União Europeia com menos novos casos diários de infeção por SARS-CoV-2 e continua entre os com menos mortes por milhão de habitantes nos últimos sete dias, segundo o site estatístico Our World in Data”, divulgado hoje pelo site nacional “Notícias ao Minuto”.

Ainda, segundo as mesmas fontes: “Desde a semana passada, Portugal desceu em número de novos casos por milhão de habitantes para 32,29, muito longe do país em pior situação, Chipre, com uma média de 499 novos casos diários.” Por fim, pode-se ler ali também que: “Em relação à média de mortes por milhão de habitantes atribuídas à Covid-19 nos últimos sete dias, Portugal aumentou ligeiramente na última semana de 0,17 para 0,21, igual à Finlândia e quatro centésimas acima da Dinamarca, que é o país com a média inferior.”

Tudo isto é muito bonito, principalmente se nos lembrarmos do passado mês de janeiro, em que vertiginosamente atingimos o topo no ranking dos piores países do mundo em termos de pandemia. A grande questão é saber como conseguimos este feito de passar do pior país do mundo, no que à Covid diz respeito, para o ranking dos melhores em apenas dois meses. Há quem fale na vacinação eficaz, nas medidas de confinamento implantadas, da sensatez dos portugueses ou da agilidade da nossa DGS. Tudo treta.

A recuperação de Portugal ficou a dever-se, isso sim, à implantação de um método transparente, e de fácil perceção pelos cidadãos, de gestão da pandemia. Este novo processo de confinar ou desconfinar, dividido por várias fases, cada uma delas com objetivos específicos, e acompanhado por gráficos da evolução dos parâmetros adotados, permitiu o entendimento total do problema pela generalidade da população.

A reforçar a ideia, a possibilidade de os concelhos avançarem ou regredirem no confinamento, consoante o seu comportamento face ao padrão adotado, implementou responsabilidade e união em torno de objetivos comuns, ou seja, o povo sabe comportar-se se as coisas lhe forem devidamente explicadas.

É claro que a vacinação competente, o aumento do rastreio, a maior dinâmica no acompanhamento dos surtos e o grande acréscimo da testagem, também contribuíram para o sucesso, mas nada teria sido conseguido sem a implementação deste espetacular método.

Na elaboração do esquema o Governo optou, e muito bem, por criar limites aos desconfinamentos que, há data da sua implementação, eram metade dos exigidos na União Europeia, ou seja, 120 casos por cem mil habitantes, por concelho, para períodos de 14 dias, face aos 240 adotados na maioria dos países europeus e recomendados pela EMA. Uma jogada inteligente que cedo deu frutos.

Aliás, se registássemos a patente deste método, sem sermos líderes no âmbito da inteligência artificial, nem mesmo sermos produtores de qualquer tipo de vacina para a Covid-19, veríamos facilmente a importância do valor acrescentado que Portugal deu no combate a este flagelo, que não para de fazer vítimas em todo o mundo.

Fora de brincadeiras e de patentes, aplicar na Índia o método luso, poderia ajudar mais os indianos a recuperar do que qualquer ajuda material que Portugal consiga dar a este povo com quem tem laços seculares. Aliás, o mesmo se poderá dizer relativamente ao Brasil e a muitos outros países do mundo, em que as populações não conseguem compreender porque é que os seus governantes mandam confinar e desconfinar sem uma explicação evidente.

Portugal foi inovador na criação de um sistema eficaz e fácil de compreender, composto por parâmetros ambiciosos e por consequências de desvios ao plano imposto. Foi tão inovador que lhe deveria, no meu entender, minha querida amiga Berta, dar-lhe um nome.  Talvez CUPIDO (Criação Única de Processos Interativos de Desconfinamentos Organizados). Tal como o deus do arco e flecha que leva amor aos corações dos amantes este CUPIDO transporta, com provas dadas, a saúde aos lares de todo o pais, sendo radicalmente eficaz no combate à pandemia. Viva CUPIDO! Por hoje é tudo, deixo um beijo e a promessa de escrever em breve, recebe ainda um grade abraço deste amigo de todos os dias,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Não Se Aponta Que É Feio

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Olá Berta,

Tenho visto e ouvido imensa gente a criticar o Governo por andar a fazer poucos testes. Seja na Assembleia da República, por parte dos partidos da oposição, seja na imprensa escrita e, mais assertivamente nas redes sociais, que quase que espumam de raiva reivindicativa pela testagem em falta. Eu que aponto o dedo à atuação dos nossos líderes, sempre que me parecem que eles escorregam nos seus deveres, também gosto de ter a noção de que as críticas que faço são minimamente justas.

Nestas coisas sobre o que o SNS anda a fazer a mando da DGS eu acho importante que se tenha em atenção dois pontos fundamentais: o rácio de testagem realmente efetuada, desde que a pandemia começou, por milhão de habitantes e a comparação com os países que têm a mesma ou maior população que Portugal.

O primeiro critério é evidente porque não faz sentido fazer comparações sem ser pela percentagem de testes realizados desde o início por cada milhão de habitantes, o segundo ponto é ainda mais importante porque não acho justa a comparação nacional com países ou territórios de menor dimensão populacional, como por exemplo o Mónaco, o Luxemburgo ou Andorra, que, dada a sua pouca população, atingem grandes percentagens por milhão de habitantes com meia dúzia de testes, porque a comparação se torna ridícula.

Ora, analisemos, portanto, quais e quantos são os países e os territórios que, com igual ou superior dimensão populacional e desde que as testagens começaram, têm mais testes por milhão de habitantes que Portugal. Serão muitos? Estaremos assim tão na cauda da testagem como se afirma? Devo confessar que eu não sabia, mas resolvi consultar as testagens em todo o globo e compará-las connosco, fazendo uso dos critérios já referidos. Para tal usei os dados da OMS e do site do “Worldometer”, que é muito usado para avaliação dos dados da pandemia.

República Checa, Bélgica, França, Reino Unido e Estados Unidos da América, são os cinco, e únicos, países do mundo que, tendo uma população igual ou superior à nossa, já fizeram mais testes por milhão de habitantes que Portugal, desde que a pandemia começou. Ora, vistas as coisas por este prisma objetivo, não se pode dizer que estamos na cauda seja lá do que for no que à testagem diz respeito.

Pelo contrário, fica demonstrado que testamos mais do que Espanha, Itália, Holanda, Alemanha, China, Rússia, Índia, Brasil, México, Canadá, Austrália, só para enunciar alguns dos países que esperaríamos encontrar mais avançados do que nós. Para cúmulo desta análise, devido ao elevado aumento da testagem nacional, e a manter-se este ritmo, dentro de menos de 30 dias, estaremos no top 3, o que não me parece um lugar de envergonhar quem quer que seja, por mais voltas que se tentem dar aos números.

Vergonha, é a palavra certa a aplicar a todos estes críticos de barriga cheia e de língua solta e viperina, que nem se dignam a consultar as tabelas oficiais antes de botarem discurso. Vir criticar o Governo, porque num período de sete ou quinze dias se fizeram menos testes que o normal, tendo em conta o universo de quase 16 meses, é como criticar a Telma Monteiro, honra e glória do judo português, por ter faltado a um treino quando, mesmo assim, sempre atingiu o pódio de cada vez que participou em campeonatos internacionais da sua modalidade. Haja bom senso e moderação.

Se querem criticar os nossos governantes atirem-lhes à cara com o abandono discriminatório, e quase xenófobo, a que os circos e as atividades circenses foram votadas desde o início da pandemia, por exemplo, no que se refere ao apoio a um setor da cultura totalmente desprezado pelo Governo, que os proibiu de exercerem a sua atividade, desde que a pandemia teve início há 16 meses. Aqui sim, há razões para indignação e vergonha, mas há mais exemplos como este, muitos mais.

A crítica, a ser feita, deve ser objetiva, assertiva e construtiva. Falar por falar fica ridículo e põe em perigo quem realmente precisa de apoio. Por hoje é tudo minha querida amiga, recebe um beijo de despedida e sempre saudoso,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta Aberta: A Pandemia e as Quatro Vagas

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Olá Berta,

Há coisas que me irritam nos meus colegas de imprensa. Quando, por exemplo, falam da pandemia, basta que Portugal se encontre desfasado do resto da Europa e neste caso até do mundo para se gerar a confusão. Ora bem, vou tentar esclarecer. A maior parte do mundo vai já muito avançado na quarta vaga e depois há alguns países, nos quais o nosso se inclui, que por um ou outro desfasamento em termos de infeções ainda estão apenas na terceira. Porém, a imprensa fala sem olhar para as tabelas mundiais como se todos ainda estivéssemos na terceira vaga de Covid-19. Isso não é verdade.

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Nós apenas tivemos três vagas. A que começou em março e se estendeu ate maio de 2020, a que se iniciou em outubro e terminou em dezembro de 2020 e a que rebentou em janeiro e terminou em março de 2021. O Reino Unido teve a primeira vaga como nós, mas mais forte, a segunda de setembro a novembro de 2020 e a terceira de dezembro de 2020 a fevereiro de 2021.

Berta 520 A.jpgA Itália teve a primeira vaga em março de 2020, a segunda começou em outubro, a terceira na antevéspera da passagem de ano e a quarta iniciou-se em fevereiro de 2021. Sendo que as três últimas vagas foram muito seguidas, como, aliás, também aconteceu na Alemanha, que teve a primeira vaga a começar em março de 2020 a segunda entre outubro e novembro de 2020, a terceira logo de seguida de dezembro a fevereiro de 2021 e a quarta vaga de fevereiro até hoje, sendo que ainda se encontra a subir.

Já a Espanha ao que tudo indica está a iniciar uma quinta vaga, neste momento, mas ainda é cedo para afirmar isso com segurança. Teve a primeira em março de 2020, a segunda entre agosto e setembro de 2020, a terceira de outubro a novembro de 2020, a quarta de dezembro de 2020 a fevereiro de 2021 e em março de 2021 iniciou a quinta. Já a República Checa teve uma primeira vaga em março de 2020 quase insipiente e de setembro de 2020 até abril de 2021 foi fustigada por 3 vagas seguidas bastante fortes.

Berta 520 B.jpgTudo isto para sublinhar que quando se analisam os casos e as vagas por países existem desfasamentos entre as diferentes vagas entre cada território. É preciso, inclusivamente, estudar de onde vem a vaga, se de ocidente se de oriente e, para além disso, se o país em causa ainda estava a subir numa certa vaga quando é apanhado pela seguinte. Nesse caso esse território não inicia uma nova vaga, mas prolonga a que já possuía por mais tempo. Em geral, principalmente no ocidente, com Europa e Américas à cabeça, são quatro as vagas existentes, porém, há algumas exceções, como são os casos de Portugal e do Reino Unido.

Espero que tenhas entendido a explicação deixada neste meu desabafo, minha querida Berta, por hoje é tudo, despeço-me com o beijinho de saudade habitual,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Finalmente Vou Ser Operado ou Quem Espera Sempre Alcança

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Olá Berta,

Já ultrapassei as 500 cartas diárias para ti desde finais de outubro de 2019. Olha que é muita carta, minha querida amiga. Estávamos ambos a precisar de um intervalo. Foi este, aliás, conforme tínhamos combinado, o motivo da minha ausência nos últimos tempos.

Claro que retomarei a nossa rotina, mas agora sem a obrigação diária. Não só nem sempre se justifica, como nenhum de nós quer fazer da escrita ou da leitura, uma chata obrigação. A minha carta de hoje prende-se com um acontecimento previsto para amanhã:

Vou finalmente, depois de um ano e 5 dias em lista de espera, ser operado à vesícula, a uma hérnia e nem sei bem a que mais. A minha entrada no Hospital da Trofa Saúde, na Amadora, está prevista para as 7,30 da manhã. Ontem fiz o teste PCR à Covid-19, cujo resultado veio negativo e, portanto, estou apto para ser intervencionado.

Embora esta seja uma operação de rotina, que os cirurgiões costumam fazer com uma perna às costas, no meu caso há algum risco acrescido. Em primeiro lugar, fui obrigado a parar a medicação preventiva de AVC e a fazer um tratamento alternativo. Em segundo lugar, de acordo com o meu médico, tenho uma vesícula grande e mais espessa do que a média o que dificulta o trabalho. Em resumo, as hipóteses de não ficar internado depois da intervenção são de 50%.

Claro que eu, enquanto otimista nato, estou convencido de que regresso a casa já amanhã. Todavia, a realidade é que essa é apenas uma de duas hipóteses. Seja como for eu prefiro pensar que retornarei no próprio dia e que o resto é somente um cenário hipotético.

Fui ver as estatísticas e as operações do tipo da minha têm uma taxa de sucesso de 95% e uma probabilidade de sair no próprio dia de 80%. Assim sendo, como sempre fui um rapaz com sorte, tudo aponta para um imediato regresso a casa, sem problemas de maior.

Em síntese, minha querida amiga Berta, amanhã “desconfino” a minha vesícula e mando-a à vida, para que esta possa ter as suas próprias aventuras sem ter de me arrastar com ela nesses processos. Por hoje é tudo, aproveita bem os “dias do desconfinamento 2.0” que amanhã começam. Deixo um beijo saudoso, este que nunca te esquece,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: “A Prova dos Nove da Profecia de Haragano” ou a “Crónica do Impossível” - Epílogo

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Olá Berta,

Entramos hoje no epílogo da “Prova dos Nove da Profecia de Haragano” ou, mais concretamente, a “Crónica do Impossível”. Ontem acabei a falar na capicua do número total de óbitos no mundo que chegou ao muito trágico valor de 2.722.272, o qual fazendo a operação dos noves fora não perfazia nenhum 666, mas apenas um único 6. Felizmente, embora sendo o primeiro algarismo do demo não era o número completo.

De repente vi o que ainda não vira, os 384 dias entre a primeira infeção e o dia 21/03/21 dera-me também um 6, ou seja, os algarismos dos quadros que faltavam (dias passados, total de recuperados e total de óbitos) cada um deles apresentava o algarismo 6. Ora, colocando todos, porque estavam intimamente relacionados num quarto e último quadro, teria outra vez o número de Satanás: 666 (ver quadro abaixo). Fiquei a olhar para o quadro de boca aberta. Era impressionante aquilo. Completamente incrível.

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Fascinado com os quatro quadros, a apresentarem todos o número do cornudo, resolvi fazer um estudo paralelo. Apesar de tudo o que já tinha visto, estes números não podiam ser apenas fruto do acaso, nem sequer dizer respeito à profecia de acertar que entre março de 2020 e março de 2021 aconteceriam 123.456.789 infeções no mundo inteiro. Todos aqueles dados pareciam apontar para algo mais. Esta carta estava a transformar-se numa Crónica do Impossível e parecia apontar para a verdadeira Profecia de Haragano e não para um caso de sorte, em que aleatoriamente eu acertara no número de infeções mundiais a ocorrer no espaço de um ano e pouco.

Peguei nos meus livros de ciências ocultas e botei mãos à obra. Consultei vários livros, desde as “Profecias de Nostradamus” ao “Livro de São Cipriano”, passando pelo Oráculo Egípcio, pelo I Ching, pelas Runas, pela numerologia, pela astrologia (onde fiz a carta astral do dia 21/03/21) até ao “Relógio de Haragano”. Porém, não vou descrever aqui de onde fui tirando as minhas conclusões, pois nunca mais acabava, mas cheguei à conclusão que os quatro quadros representavam os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, sem tirar nem pôr.

O primeiro quadro representava a pandemia de Covid-19 (ou a Peste), o segundo quadro revelava a Guerra, os conflitos cada vez maiores contra os confinamentos em todo o mundo associados aos problemas climáticos e aos restantes conflitos mundiais, o terceiro quadro mostrava a Fome, também associada à grave crise económica a que as medidas da pandemia tinham conduzido, quando integradas nos outros já referidos problemas mundiais e, por fim, o quarto quadro, o mais complexo por ser o somatório de três números diferentes, apresentava-se como a Morte, o último dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse.

Ora, o mais interessante, foi que também cheguei à conclusão que o dia 21/03/21 é o momento zero, o ponto de partida da profecia. Assim sendo, posso afirmar que a humanidade tem dois caminhos daqui para a frente: um leva à vitória do caos e à glória dos Quatros Cavaleiros do Apocalipse, o outro conduz a população mundial ao regresso à normalidade e a um caminho parecido ao que tínhamos antes da pandemia.

A escolha é de todos, porém, existem dois números que não se podem voltar a repetir, pois já aconteceram em janeiro deste ano (embora em dias diferentes) e acabaram por despertar os Cavaleiros. Se os dois acontecerem em simultâneo entraremos numa nova Idade das Trevas. Assim se num mesmo dia tivermos mais do que 765.432 num único dia, no mundo inteiro, e, nesse mesmo dia, atingirmos no planeta, devido à pandemia, 15.651 óbitos o Diabo ficará à solta, o que é o mesmo que dizer que o caos já não terá retorno e o mundo enfrentará uma extinção em massa sem precedentes na história humana.

As capicuas são números enigmáticos e quando se ligam a desgraças tendem a instalar o caos. Já tivemos em termos de óbitos no mundo duas capicuas fatais: a primeira quando o número total de óbitos atingiu (a 21 deste mês) o fatídico número de 2722272 de óbitos registados e causados desde o início da pandemia. Também já tivemos 15651 mortos num mesmo dia, no mundo, em janeiro. Temos de evitar a todo o custo uma repetição deste triste total.

Portanto, em conclusão, “A Profecia de Haragano” diz que podemos sair de tudo isto se não tivermos um dia em que apareçam 765.432 infetados no mundo que causem 15.651 óbitos ou mais. A parte positiva é que, embora os casos estejam de novo a aumentar na Europa e na América do Sul, tudo aponta para que não voltemos a ultrapassar os 15,000 falecimentos num só dia. Há que ter fé, esperança e sobretudo muito acreditar. Espero ter-te agradado, minha querida amiga, despeço-me cansado desta Crónica do Impossível. Ainda bem que eu não passo de um aprendiz que brinca com os números. Deixo um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: “A Prova dos Nove da Profecia de Haragano” ou a “Crónica do Impossível” - Parte III/III

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Olá Berta,

“A Prova dos Nove da Profecia de Haragano” ou, mais sobriamente, a “Crónica do Impossível”, terminaria hoje a revelação da profecia projetada para o dia de ontem e com consequências no futuro que podem ou não ser graves, consoante o caminho escolhido pela humanidade, isto, claro está, se eu for um profeta que se veja, contudo, amanhã ainda publicarei o epílogo com as últimas observações e conclusões finais.

Vamos, pois, aos números e aos seus possíveis significados. Vou começar pelo número total de infetados no mundo que foi atingido ontem, dia 21/03/21, e que fez parte da minha previsão em março de 2020 para este março de 2021. Trata-se do número 123.456.789 os primeiros algarismos do 1 ao 9 seguidos, daí resulta o n.º de Lúcifer: 666, (ver quadro).

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Ora, se fizermos a Prova dos Nove ao dia 21/03/21 obtemos o seguinte resultado: 2+1+0+3+2+1= 9, noves fora = 0. Zero é, pois, um dia de início de qualquer coisa, o ponto de partida, por exemplo, para uma profecia. Não é à toa que, ao contrário do que eu pensava, o n.º 123.456.789 de infetados só foi atingido um ano e 19 dias depois do primeiro caso de Covid-19 em Portugal. Afinal, se somarmos os 365 dias do ano aos 19 dias extras que precisámos para termos chegado ao n.º de Lúcifer obtemos: 365+19=384, ou seja 3+8+4=15, número que, se tirados os noves fora, dá 6 (1+5=6), o primeiro algarismo do Demo. Faz todo o sentido que assim seja.

Porém, o dia 21/03/21 trouxe mais surpresas, pelas quais eu não esperava. Assim, ao olhar para o total de casos ativos no mundo, descobri que tínhamos atingido os 21.285.612, o que (como mostra o gráfico abaixo apresentado) volta a fazer aparecer o nº de Mefistófeles, ou seja, pela segunda vez: 666. Ora, eu nunca fui muito de acreditar em coincidências.

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Apesar de tudo, achei que poderia acontecer algo assim, mas com alguma sorte à mistura ou muito azar, falando mais corretamente. Certamente que os ciclos do demo ficariam por aqui e ainda me faltavam verificar mais dois parâmetros importantes: os totais de casos encerrados globalmente e o número total de mortos atingidos no mundo. Por mais que as coisas tendam todas a correr mal quando algo corre mal, como diz a Lei de Murphy, seria difícil continuar a ter números estranhos e arrepiantes.

Fui consultar o número de casos encerrados no mundo. O quadro do worldometer.com, que costumo consultar na internet, mostrava o seguinte número total de casos encerrados no planeta: 102.156.966. Pela terceira vez o 666, o n.º de Belzebu, voltou a aparecer (ver o quadro abaixo). Aquilo já não era uma banal coincidência fortuita.

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O dia continuou a passar e eu tinha abandonado esta carta um pouco impressionado com tanta repetição de números do demo. Faltavam-me ver o total de recuperados no mundo, que anotei como 99.429.333 e o número total de óbitos no globo, aquela palavra que tenta disfarçar que se fala de pessoas que morreram mesmo, cujo somatório era 2.722.272. Fazendo a conta e tirando os noves fora, para cada um dos números, o resultado apresentava apenas o algarismo 6.

Por hoje fico-me por aqui, querida Berta, voltarei amanhã com o epílogo desta Crónica do Impossível. Deixo um beijo de despedida, este teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: A Propósito de Uma Pandemia

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Olá Berta,

Ando aborrecido com esta pandemia. Por um lado, a quantidade de gente no mundo que já morreu por causa direta, e devidamente registada, devido à Covid-19 é algo que está para lá do aceitável. Também me aborrece ter a certeza que amanhã Portugal ultrapassa, a contar desde o início desta praga, os 800 mil infetados com o coronavírus, ou seja 8% da população, uma verdadeira tragédia. É um em cada 12,5 portugueses que já foram afetados pela ameaça do “bicho mau”. Um horror.

Por outro lado, é certo que quando a morte não bate numa porta próxima de nós a situação nos parece vaga e genérica, contudo, só para ficares com uma ideia, minha querida Berta, imagina que todas as mortes provocadas pelo coronavírus tinham acontecido em Portugal, durante este último ano.

Se assim fosse, e se fossemos somando concelho a concelho até atingirmos o número total de mortos, o cenário era o equivalente a morrerem todas as pessoas, incluindo crianças e bebés, nos seguintes concelhos do país: Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Funchal, Ponta Delgada, Aveiro, Leiria, Viana do Castelo, Beja, Évora, Setúbal, Braga, Viseu, Vila Real, Covilhã, Castelo Branco, Ponte de Lima, Bragança, Guarda, Portalegre, Santarém, Entroncamento, Loulé, Tavira, Espinho, Almada e Oeiras.

Toda esta gente somada perfaz o número de vítimas por Covid no mundo, desde que a pandemia começou até hoje, somando um total de dois milhões e meio de pessoas. Uma verdadeira barbaridade.  Tudo isto sem contar com as mortes em excesso devido às dificuldades económicas ou às doenças que ficaram por tratar.

As estimativas aproximadas parecem indicar que desde que a pandemia teve início o mundo perdeu, para além da média anual de óbitos no globo, uma população equivalente à de Portugal, ou seja, se todas as mortes em excesso, desde março de 2020 até fevereiro de 2021, tivessem ocorrido em Portugal, o país já estava dado como extinto.

É este absurdo que mexe com a minha estabilidade emocional. Porque raio é que uma coisa destas tem de acontecer? Quase parece que o planeta quis mostrar aos humanos aquilo de que é capaz de fazer se o desafiarem. Estás a ver, minha querida amiga, estou nostálgico e chato. Já basta de te aborrecer. Não te preocupes que isto passa. Recebe um beijo amigo de até amanhã,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Mercado de Campo de Ourique Fecha Devido a Covid

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Olá Berta,

O Mercado de Campo de Ourique fechou hoje devido à Covid-19. Aparentemente um funcionário da limpeza acusou positivo na quinta-feira, o que levou a junta de freguesia e a Câmara Municipal a fecharem o mercado ao público para poderem proceder durante o dia de hoje à desinfeção do espaço, por intermédio dos operacionais do Regimento dos Sapadores Bombeiros de Lisboa.

As informações foram dadas à Lusa pelo não eleito Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, o senhor Pedro Costa, filho do atual Primeiro Ministro. Segundo relatou a decisão de encerrar o espaço para descontaminação foi tomada em articulação com a Câmara Municipal de Lisboa, através do vereador da Câmara, responsável pela proteção Civil, Miguel Gaspar.

Devido ao encerramento brusco a Câmara Municipal decidiu indemnizar os comerciantes do mercado de Campo de Ourique pelas perdas das mercadorias de hoje. Contudo, devido à descontaminação não se sabe, até ao momento se o espaço reabrirá ou não já este sábado.

Aliás, no decorrer das declarações à Lusa, Pedro Costa, declarou: "Tudo depende dos contactos agora dos responsáveis da Saúde que estão a fazer o inquérito epidemiológico. Sei que se tratou de um funcionário do mercado, mas não sabemos agora os contactos que teve".

O atual presidente da junta informou ainda que poderão haver comerciantes identificados, devido aos contactos com o funcionário infetado, que terão de ficar em isolamento profilático. Adiantou ainda este responsável que a autarquia tem funcionários que poderá fazer deslocar para o mercado em caso de necessidade, para que este volte a abrir.

A operação de hoje envolveu duas viaturas do Regimento dos Sapadores Bombeiros de Lisboa, mais as da Proteção Civil e da Polícia Municipal. Ao todo, pelo que consegui contabilizar, minha querida Berta, a mobilização para estas ações envolveu uma força mista de 16 elementos. Sabes, minha querida, o mercado de Campo de Ourique é um daqueles espaços que dá vida ao bairro e é constrangedor vê-lo fechado, principalmente na zona das bancas de venda do peixe, onde a tradição ainda se sente na plenitude. Por hoje fico-me por aqui, recebe um beijo amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

 

Carta à Berta: Campo de Ourique - Uma História de Três Gerações

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(Campo de Ourique – 1º Andar de casa da R. Tenente Ferreira Durão - Foto de autor, direitos reservados)

Olá Berta,

Aos 102 anos de idade, a poucos meses de fazer 103, faleceu, no lar onde atualmente se encontrava, a Dona Irene. Uma senhora cuja morada oficial ainda é, na Rua Tenente Ferreira Durão, aqui, Bem na zona central do bairro de Campo de Ourique. Conheço o caso devido à minha amizade com a nora da Dona Irene, a minha amiga Ilda. Uma menina de 72 anos, com um sorriso afável, sempre pronta a ajudar quem precisa, amante convicta de animais.

A casa da Dona Irene, que fica no primeiro e último andar, tem estado ocupada pelo seu neto. Um jovem que ainda se passeia pela maravilhosa década dos quarenta. O funeral a que só puderam ir o filho, nora e netos, mas não os bisnetos, foi de caixão selado, sem que ninguém pudesse sequer identificar a senhora. Não houve direito a velório de igreja, nem a câmara ardente, nem mesmo a um último adeus. É que a Dona Irene faleceu vítima de Covid, no dia a seguir à família ter sido informada, pelo lar onde se encontrava, de que a centenária menina, se encontrava quase recuperada de uma febre que acusara Covid e que já apresentava melhorias significativas.

Na verdade, ao dia das melhoras significativas, seguiu-se uma noite da qual a Dona Irene não chegou a acordar. Há quem chame a este óbito uma morte santa. Para mim, se não está há espera que alguém faleça, é somente um choque e ao mesmo tempo triste, seja qual for a perspetiva em que se queira olhar toda a situação.

Independente do pesar da família, tema que não vou abordar por respeito, Campo de Ourique perdeu mais um dos seus centenários residentes. Até aqui, imagino eu, esta é a história, com mais ou menos drama, do que tem acontecido a quase quinze mil portugueses desde que a Covid entrou no pais. Seria até bom que todos tivessem partido com a mesma calma silenciosa da Dona Irene e, sabemos bem, que infelizmente não é essa a regra.

Estou a tentar, amiga Berta, não colocar demasiado sentimentalismo nesta carta, até porque, pessoalmente, eu não conhecia a Dona Irene, nem imagino sequer o tipo de pessoa que foi ou deixou de ser em vida. Apenas sei que faleceu, que era sogra de uma grande amiga e que as traseiras da sua casa dão precisamente para as traseiras da minha. A fotografia que junto é precisamente da parte de trás da casa dela.

O que me faz confusão, e que me levou a descrever toda a situação, tem três dias. Ou seja, ontem, no dia que se seguiu ao funeral, o neto da Dona Irene, um homem que trabalha num dos restaurantes, que ainda fazem entregas ao domicílio em Campo de Ourique, no caso a Padaria do Povo, recebeu, na caixa do correio, o aviso do senhorio dando-lhe 30 dias para entregar a casa. Assim, sem mais nem menos, porque é o que a lei permite, mas que a ética condena de forma severa. Não sei quem é o senhorio da casa, mas, num tempo como este em que vivemos, o ato é desumano.

Penso por mim, que em tempos também já fui senhorio. Eu teria não apenas transmitido os meus pêsames, como indagaria se ele pretendia manter-se na casa e se estaria preparado para a atualização da renda, de acordo com a legislação em vigor. Perguntaria também, caso ele não achasse ter condições para lá se manter, de quanto tempo precisaria ele para se mudar. Só perante a resposta, e sendo esta negativa, quanto à manutenção, é que tentaria encontrar um prazo razoável, mas com o acordo de ambos, se possível, para a entrega da chave.

Eu entendo até a pressa do senhorio em rentabilizar um bem que tem estado alugado a baixo preço há muitos anos. Mas a humanidade, a ética e a solidariedade nunca deixaram de fazer parte do perfil da pessoa humana ou deixaram? Provavelmente o problema deve ser meu que sou um romântico. Procuro sempre a melhor solução para evitar o conflito e para não criar stress ou nervosismo aos outros. Um sócio, que tive há mais de 20 anos, dizia-me que eu tinha a mania que era a Santa Casa da Misericórdia. Porém, ele estava errado, tratava-se apenas de procurar ser humano para com os outros humanos.

Não sou melhor nem pior que ninguém, nem me quero armar aqui em santinho. O que digo aqui é o que tenho praticado toda a minha vida e, confesso, nem sempre me saí bem pelo facto de ser como sou. Quando digo “saí bem” estou a falar económica ou financeiramente, mas sempre fiquei de consciência tranquila. Em paz comigo mesmo. Que é realmente aquilo que mais devia importar nas relações sociais. Para quem é ateu como eu, e que não tem a ajuda da fé e da religião, continuo a considerar que esta é a melhor forma de nos sentirmos bem connosco e de alcançar paz de espírito.

Afinal, a vida dá muitas voltas e um dia, sem sabermos ler nem escrever, podemos muito bem vir a encontrarmo-nos do outro lado de uma situação idêntica. A justiça é uma balança moral com dois pratos equilibrados e muitas vezes diverge dos ditames da lei. A economia de mercado, o capitalismo, a procura do maior lucro e a sociedade de consumo, não podem tornar-se, quase exclusivamente, nos únicos valores universais. Hoje, como ontem, foi mais um dia triste para mim (para alguém alegre como eu, dois dias assim, já é uma eternidade).

Espero que me tenhas entendido, querida amiga Berta, eu sei que tenho este feitio fora do tempo em que vivemos, porém, se queres saber, na verdade, acho que ainda há muita, mas muita gente, como eu. Despeço-me com o carinho do costume, este teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Reino Unido Decide Vacinar Imigrantes Ilegais

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Olá Berta,

Sem querer sequer ser controverso eu sempre tive a noção que os britânicos, principalmente os ingleses, são tradicionalmente dos povos mais racistas que eu conheço. Porém, eu que adoro, como sabes, andar de chapéu hoje tiro-o ao Primeiro-Ministro Boris Johnson. Faço-o porque, segundo notícia do Jornal de Notícias quer os imigrantes ilegais quer os indocumentados no Reino Unido vão ter o direito de ser vacinados gratuitamente contra a pandemia, sem serem obrigados a provarem que têm direito de residência ou visto para se encontrarem no Reino de Sua Majestade, segundo o que anunciou, ontem o Governo britânico à comunicação social.

A divulgação foi acompanhada do seguinte discurso, traduzido pelo JN: "As vacinas contra o coronavírus serão oferecidas gratuitamente a todos os que vivem no Reino Unido, independentemente de seu estatuto de imigração. Os que estão registados com um médico de família serão contactados o mais rápido possível e estamos a trabalhar em estreita colaboração com parceiros e organizações externas para contactar aqueles que não estão registados e garantir que tenham acesso à vacina”.

Aliás, embora o Ministério do Interior tenha acesso a certos dados sobre os pacientes registados em centros de saúde do sistema nacional, o Governo fez questão de avisar os seus funcionários que a vacinação e igualmente a testagem (e ainda o tratamento contra a Covid-19) não estariam sob a alçada da necessidade de controle de vistos.

Porém, porque o seguro morreu e velho, a organização representante dos médicos, a British Medical Association, pediu a devida suspensão da transmissão de informações sobre estes imigrantes durante a pandemia, bem como uma comunicação "clara e ampla" da medida. O diretor britânico da comissão de ética da ordem dos médicos, afirmou inclusivamente que: "Para que a campanha de vacinação seja um sucesso, é fundamental que o maior número possível de pessoas seja vacinado". Acrescentando que a sua preocupação vai para o impacto da Covid-19 no seio das minorias étnicas existentes no Reino Unido.

Ora, sendo verdade que o país já leva mais de 112 mil mortes desde que a pandemia teve início, sendo aquele que maior número de óbitos tem na Europa e estando em quinto lugar no mundo em termos absolutos, o que importa no momento é que a vacinação seja um sucesso.

Para isso, a atual campanha de vacinação de larga escala, envolvendo meios que vão desde o exército, passando pelos profissionais de saúde, até aos milhares de voluntários que ajudam neste complexo processo, procurou trabalhar com a finalidade de se conseguir uma ampla vitória neste que é um projeto de gigantes.

Este raciocínio já permitiu administrar uma primeira dose a mais de 12 milhões de pessoas, mas as autoridades temiam que pudessem existir categorias da população que não fossem vacinadas por desconfiança, especialmente entre as minorias, o que levou às declarações prestadas ontem pelo Primeiro-Ministro, Boris Johnson.

Se todo este processo for sério e honesto, eu, minha querida Berta, não apenas tiro o chapéu a Boris, como quase me proponho a comê-lo a seco, embora o chapéu custe a digerir, tal é o meu grau de espanto. Nada mais há a dizer, a não ser que a história me provará se devia ter ou não mastigado o ornamento craniano. Despede-se com um beijinho o teu amigo, repleto de saudades,

Gil Saraiva

 

 

 

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