Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alegadamente

Este blog inclui os meus 4 blogs anteriores: alegadamente - Carta à Berta / plectro - Desabafos de um Vagabundo / gilcartoon - Miga, a Formiga / estro - A Minha Poesia. Para evitar problemas o conteúdo é apenas alegadamente correto.

Este blog inclui os meus 4 blogs anteriores: alegadamente - Carta à Berta / plectro - Desabafos de um Vagabundo / gilcartoon - Miga, a Formiga / estro - A Minha Poesia. Para evitar problemas o conteúdo é apenas alegadamente correto.

Carta à Berta: Parada's Garden: The Return Of The Yodas Concil - Part II /III

Berta 228.JPG

Olá Berta,

Esta terça-feira, ou seja, ontem, fui novamente obrigado a sair do casulo, onde tenho estado confinado desde que o ano teve início, pois tive de ir à farmácia, por falta de um comprimido, de toma diária e obrigatória. Estava esgotado no domingo e ligaram-me a avisar da sua chegada 2 dias depois. Foi esta saída que me levou a escrever a carta de hoje a qual intitulei de:

“Parada’s Garden – The Return Of The Yodas  Council – Part II/III”

Quando uso a palavra yodas, não me estou a referir a velhos tolos e mentecaptos, atacados de Alzheimer e Esclerose Múltipla Aguda, que não sabem o que fazem (como muitas vezes são classificados pelos asnos, da nossa sociedade, de mente por vezes demasiado curta). Nada disso, muito pelo contrário, as palavras Yoda ou Yodas impõem o respeito por toda uma geração de anciãos e anciãs, que merecem o nosso absoluto esguardo e admiração porque, afinal, foram eles os responsáveis pela força de trabalho e de mão-de-obra, pelo pensar o país e nunca permitir que perdesse o rumo, nos últimos 50 anos. Mais, a eles e elas devemos o estarmos aqui, a lutar neste Estado de Calamidade, com a voz da experiência adquirida, de quem já travou muitas batalhas, de quem serve ainda de guardiã ou guardião milenar da nossa identidade enquanto nação, de quem porta, com orgulho a nossa bandeira enquanto país, de quem a ergue, bem alto, para que se veja e jamais se esqueça porque é que somos os Heróis do Mar e o Nobre Povo.

Os Yodas representam a sabedoria, a argúcia, a audácia e a experiência de Portugal. São eles, aliás, os guardiões e guardiãs da nossa mais pura identidade. Não os respeitar, ouvir e com eles aprender, para depois podermos evoluir um pouco mais, na direção presente que nos poderá conduzir a melhores futuros, é a condenação clara, inequívoca e evidente, à nossa estagnação enquanto povo.

Porém, por vezes, o descanso destes guerreiros de outrora, precisa ser acautelado pela sua própria descendência. É imperativo que os e as ex-combatentes de toda uma vida, quando descansam, o possam fazer em paz, conforto e segurança. Já não são eles a terem de se preocupar com isso. O acautelamento das condições de estabilidade está agora ao cuidado de filhos e netos. Foi para isso que eles e elas dedicaram toda uma vida.

Quando os séniores se reúnem em Concílio ou a jogar à Sueca nas mesas do Jardim da Parada, ou até a recordar a existência ou mesmo a falar do seu merecido repouso, nos bancos do Jardim da Parada, por exemplo, ou, simplesmente, a pôr a conversa em dia com vizinhos e vizinhas ou a mostrar as fotografias dos netos, seja lá o que for, é importante que o façam confiantes e em segurança. Ora, se a utilização das mesas de jogo e de leitura do jardim ainda estão vedadas e com fitas, a interditar o seu uso, se nos bancos da Parada, tal proibição de uso ainda se mantém, cabe à Junta de Freguesia zelar pelo cumprimento das normas impostas pela Calamidade Pública, decretada pelo Governo e, à PSP, que tem a esquadra a menos de 300 metros do local, avisar os mais distraídos de que a crise ainda não passou, por muito fartos da situação que todas elas e eles possam estar.

O dever cívico dos Yodas deve ser relativizado e ajudado a cumprir por todos, afinal, o peso dos anos, também ajuda a ver com mais benevolência a crise. É simples de entender, vindo de quem já enfrentou tantas outras no passado. O dever de alertar as anciãs e anciãos de que estamos em tempos de perigo é nosso, da nossa Junta de Freguesia, da PSP e Polícia Municipal. Não entendo porque é que a nossa autarquia não se articula com a PSP (que se localiza na porta ao lado da Junta) de forma a salvaguardarem os comportamentos no Jardim da Parada incluindo o uso das próprias máscaras por parte de todos…

Isto não é um mero conselho, é um imperativo. Temos de aprender a respeitar os nossos Yodas e a protegê-los do seu próprio cansaço ao confinamento. Passar-lhes a culpa de furarem as regras é como sacudir a água de um capote que é tanto nosso como deles.

Amanhã, minha querida Berta, termino este caminho pelo Regresso do Concílio dos Yodas ao Jardim da Parada, em Campo de Ourique. Deixo um beijo de despedida, deste amigo sempre presente,

Gil Saraiva

 

 

Carta à Berta: Parada's Garden: The Return Of The Yodas Concil - Part I /III

Berta 226.jpg

Olá Berta,

Este domingo passado fui obrigado a sair do casulo onde tenho estado confinado desde que o ano teve início, pois tive de ir à farmácia por falta de um comprimido de toma diária e obrigatória. Foi esta saída que me levou a escrever a carta de hoje a qual intitulei de:

“Parada’s Garden – The Return Of The Yodas  Council - Part I/III”

O confinamento foi devido primeiro por um problema de saúde e depois por eu fazer parte de 2 ou 3 dos chamados grupos de risco. Em 5 meses e pouco esta foi a quarta ou quinta vez que tive de sair de casa.

À exceção da minha saída voluntária, para ir à reabertura do restaurante Verde Gaio, também ele localizado na minha rua, a Francisco Metrass, todas as outras foram por obrigações ligadas com o meu estado de saúde. Idas ao médico, consultas de controle e farmácia. Enfim, querida Berta, saí apenas e quase para o absolutamente necessário e imperativo.

Claro que a ida ao Verde Gaio, a 19 de maio, foi exclusivamente um imperativo da minha cabeça de confinado. Mas não deixou de ser um imperativo. Já fui até ao momento, testado, por 2 vezes, à Covid-19, e continuo tão negativo como antes da pandemia. Embora esta negatividade seja uma daquelas em que o sinal de menos é algo de positivo, não estava preparado para o cenário a que assisti ontem nas ruas do bairro. Tive a noite para pensar no assunto e mesmo assim não consegui descobrir o que poderia aconselhar à minha vizinhança.

Acompanhado pela música de um ciclista, muito conhecido de todos os residentes, que se passeia de bicicleta pelo bairro, em circuitos previamente determinados por um raciocínio que desconheço, engalanado com a bandeira do Benfica e com um rádio e gravador quase no máximo, a pimpar por onde passa, pude conferir o comportamento dos meus irmãos de bairro, nesse dia solarengo, de 7 de junho. Embora o ser domingo tivesse ajudado, a quantidade de gente que vi na rua, não me pareceu conjugada com a existência de um Estado de Calamidade.

Os cafés e as pastelarias, criaram verdadeiros salões de baile dentro dos seus espaços, sendo os únicos locais onde me apercebi haver realmente algumas medidas ligadas ao momento e às restrições. “O Meu Café”, o “Trigo da Aldeia” e o “Az de Comer” são 3 bons exemplos disso.

Quanto ao Jardim da Parada o desrespeito pela pandemia não tem descrição razoável que se possa fazer (eu dei uma volta maior do que o que realmente precisava para ver como as coisas corriam). A Hamburgueria da Parada esticou-se jardim fora, qual polvo que alarga os seus tentáculos gulosos, em vez de apenas reduzir o número de mesas. Os bancos, todos com as fitas vermelhas e brancas de proibição de uso, estavam salpicados de idosos a descansar as pernas e a ver o ambiente. O uso de máscara pareceu-me ter sido esquecido, porque deu para contar com as mãos, quantas pessoas as estavam a usar.

Contudo, o que mais me afligiu, minha amiga, embora não faça ideia como é que este espaço esteve no resto do domingo, foi ver a quantidade de séniores a encher, por completo, as 4 mesas de jogo do jardim, fixas ao chão, como sempre, a dizer que dali não vão a lugar nenhum, rodeadas de mais duas (ou mais) dezenas de gente de risco a assistir em pé, bem perto dos 16 jogadores sentados, ao decorrer das partidas. Perfeitamente indescritível.

Este perigoso, aflitivo, dramático e irresponsável ajuntamento de séniores, mais parecia saído da Saga da Guerra das Estrelas, onde o episódio anunciaria em título “Parada’s Garden – The Return Of The Yodas  Council - Part I/III”, em português seria algo como: “Jardim da Parada – O Regresso do Concílio dos Yodas - Parte I/III”.

Regressei a casa a pensar que assim, dificilmente, os números de infetados poderão vir a baixar em Lisboa. Se o que vi for realmente uma amostra do que se passa no resto da zona da Grande Lisboa e Vale do Tejo, então, sem dúvida, estão explicados os números e o aumento dos casos registados. Todavia, como sou fulano positivo, acalento ainda a esperança de que tudo isto tenha sido apenas um desabafo domingueiro e que esta segunda-feira todos voltem à normalidade cuidadosa que os tempos exigem.

Despeço-me com um beijo, este teu amigo do peito, com quem sempre podes contar,

Gil Saraiva

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em destaque no SAPO Blogs
pub