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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Como Anda a Solidariedade do Estado Português no Apoio a Moçambique no Combate ao Estado Islâmico?

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Olá Berta,

Segundo o que anuncia hoje o site “Notícias ao Minuto” «O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, defendeu hoje a unidade do país na luta contra os grupos armados que protagonizam ataques na província de Cabo Delgado, região norte, reiterando o compromisso com a consolidação da paz e da democracia.»

Faz-me imensa confusão, minha querida amiga, a forma quase leviana como sinto que Moçambique, um país que já foi Portugal e que atualmente é considerado um país irmão, é tratado em termos noticiosos, diplomáticos, políticos e de cooperação institucional, quer em termos de solidariedade, quer em cooperação logística e militar, pela Nação Lusitana. Não consigo entender.

Se Moçambique não nos pedisse ajuda no combate ao Estado Islâmico na província de Cabo Delgado, eu até entenderia. Porém, pelo que consegui apurar, esse não é exatamente o caso. Segundo tenho lido, nas poucas notícias que chegam a público, parece que já houve pedido de colaboração não apenas logística como também militar.

De que serve a CPLP se permitimos que sejam decapitados moçambicanos, às dezenas de cada vez, por essa corja de bárbaros que se auto intitulam de Estado Islâmico? Podem até afirmar que não é esse o âmbito da CPLP, até aceito. Só não consigo compreender a atitude do Estado Português.

Não me adianto mais no tema porque é realmente muito vaga e pouco fundada a informação de que disponho. Contudo, pelo menos pelo que vi e li até ao momento, Portugal não ofereceu apoio logístico e militar a Moçambique até ao presente momento, situação que deveria ser, acima de qualquer dúvida, um dever nacional alicerçado em quase 500 anos de história conjunta.

Recebe um beijo de despedida, deste teu amigo do coração, que vê com desgosto o abandono de um país irmão à sua sorte, sem que a solidariedade funcione de forma efetiva e eficaz,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Eles andem aí, cuidado, muito cuidadinho...

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Olá, olá Berta,

Como vai a vidinha por aí? Espero que a adaptação esteja a correr pelo melhor. Por cá as notícias continuam a dar comigo em doido. Dias há em que penso não ligar às coisas que leio, mas a necessidade de opinar não me deixa descansado. A minha missiva de hoje é alegadamente a mais alega de todas elas. Ao fim ao cabo, é sobre o SIS, o Serviço de Informações de Segurança, a CIA à portuguesa.

O diretor-geral dos nossos serviços secretos, Adélio Neiva da Cruz, o senhor que se recusou no parlamento, mais concretamente na Comissão Parlamentar dos Assuntos Constitucionais, a responder, por 2 vezes, em 2014, se era ou não um elemento ativo e bem posicionado da maçonaria portuguesa, uma organização, ao que parece, mais secreta que os próprios serviços secretos nacionais, veio ontem a público, numa intervenção pública na Universidade do Minho, em Braga, dizer que: “a Europa não está livre de um novo ataque terrorista de larga escala”, terminando a sua intervenção com a seguinte informação: “Estamos hoje mais fortes e inequivocamente mais preparados e mais capacitados para combater a ameaça terrorista que se desenha no futuro”.

Sabes Berta, não sei o que me preocupa mais, se a propaganda de um diretor-geral sobre as futuras ameaças terroristas de que nada sabe, com vista à angariação de mais recursos financeiros para a sua organização, alegadamente liderada por um maçon cuja agenda me é desconhecida, se a possibilidade de uma ameaça terrorista em território nacional.

Afinal, se tivermos em conta que, só para medidas antiterroristas, Portugal gasta mais de 3 milhões de euros por ano, desde de 2004 até aos dias de hoje, bem perto dos 50 milhões se somarmos tudo, imagine-se a verba se a ameaça de larga escala se concretizar, seja a onde for, na Europa. É que o dinheiro em causa dava, por exemplo, para reforçar apoios socias de 417 euros, doze meses por ano, durante 10 anos, a pouco mais de mil pessoas.

Poderão os puritanos defensores do sistema dizer que eu estou a afirmar que não devia existir SIS em Portugal, o que não corresponde, em nada, às minhas palavras (até podiam ter razão, mas não é isso que está em causa). Eu não contesto a existência de uma polícia secreta, no contexto ocidental, em Portugal. Se calhar pareceria mal, aos nossos aliados, não termos nenhuma. Mas, sem contar com as quantias destinadas ao antiterrorismo, as secretas custaram-nos, só no presente século, em orçamento conhecido (ainda falta saber quanto passa por debaixo da mesa na atribuição de fundos secretos) qualquer coisa como 632 milhões de euros. Ou seja, mais de 2,6 milhões de euros por cada mês, durante os últimos 20 anos, para além dos já referidos fundos antiterroristas, entre outros.

Só para termos um termo comparativo, este valor é mais de metade do montante destinado à agricultura, florestas, desenvolvimento rural e recursos hídricos, em Portugal, em 2019, e isto antes das cativações de Mário Centeno.

Contudo, minha querida Berta, não me vou alargar muito mais com este tema sensível, apenas te digo que gostava imenso de saber onde, e em quê, aplica o SIS 3 milhões de euros todos os meses, deste 2000, ininterruptamente. Porém, como não me agrada a ideia peregrina de ter os ditos a investigarem-me seja lá por que razão for, faço minhas as palavras ditas, em 2007, por um idoso, alentejano e comunista ferrenho, de seu nome Manuel Machado, a propósito dos fascistas: <<Eles “andem” aí, cuidado, muito cuidadinho…>>.

Despeço-me com um sempre saudoso beijo, deste teu eterno amigo,

Gil Saraiva

 

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