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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: A Peça do Chinês - Parte I - O Antes...

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Olá Berta,

Vou-te contar nas próximas cartas uma história da minha vida, em 6 episódios, que poderia ter corrido mal, mas que acabou por terminar, finalmente, no início destes anos 20, ou seja, hoje, para ser exato. Tudo começou há 3 anos, um mês e alguns dias atrás.

Corria a véspera dos idos de dezembro de 2016, segundo o antigo calendário romano, pelas 20 horas, mais coisa, menos coisa, e eu, sentado placidamente no sofá, fazia o balanço dos últimos dias.

Iria no dia seguinte à cirurgia plástica na Clínica Ibérico Nogueira (numa visita quase de rotina, para remover uma dúzia e meia de pontos do rosto junto aos glóbulos oculares, fruto duma intervenção efetuada cinco dias antes, onde me livrara de três monstruosos quistos, que me desfiguravam o fácies e que ameaçavam seriamente um dos meus nervos óticos).

Sorri, lá pelo facto de me julgar poeta não me estava a ver de pala no olho, qual Camões dos tempos modernos, menos inspirado talvez, mas igualmente convicto de possuir alguma sensibilidade no que ao dom da escrita diz respeito, não só na prosa como na vertente lírica.

O médico, de quem a clínica herdara o nome, tinha sido supereficiente, o que abonava a favor da fama que dele se apregoa no meio, mas, mais ainda, a favor da minha amiga que, simpaticamente, mo tinha indicado.

Enfim, aos 55 anos não me podia queixar em demasia. Já tinha passado por alguns episódios de saúde menos felizes, mas saíra sempre deles airosamente e sem grandes consequências para o futuro.

Olhei para o relógio, à direita do sofá, e dei-me conta que era tempo de tratar dos "comes". Seria um jantar frugal, uma coisa simples, pois, apesar da hora, a fome não abundava nessa segunda-feira calma e pachorrenta. Contudo, estava na hora de comer.

Elevei-me da preguiça com algum esforço e avancei para a cozinha, decidido a iniciar as tarefas a que me tinha proposto, ia provido de alguma alegria, o que a princípio pode parecer estranho, mas que é bem verdade, principalmente pelo facto de eu ser daquele tipo de homens que adora cozinhar.

Por favor, Berta, não me confundas com os que, aqui ou ali, de vez em quando, fazem um petisco ou outro. Nada disso, eu sou mesmo daqueles que se pelam por criar novos e saborosos pratos, diariamente, e para muita gente se for preciso. Porquê? Não sei bem, mas acho que tem a ver com todo o processo de criação de uma boa refeição e com a expetativa de ver se os outros gostaram ou não do que acabei de produzir.

Quando ouvi o bater das 21 horas já eu ia nos "finalmentes" da preparação da janta. Uns bifinhos de frango, grelhados no carvão, que começara por fatiar, temperados com muito alho, picante, vinho branco corrente, algumas gotas de limão e uma mistura de ervas onde o manjericão e os coentros predominavam, acompanhados por umas batatinhas cozidas em água e sal, a ser regadas por um claro e fluído molho de manteiga.

Conforme podes confirmar, pela descrição que acabei de fazer, tratava-se de uma comidinha descomprometida, leve, mas de carne, porém, ao mesmo tempo, simples, para um jantar de início de semana. Eis senão quando o inesperado aconteceu…

Como esta é uma história longa, de 6 episódios, fico-me por aqui, no meio do suspense, e continuo amanhã. Tu, minha amiga, só não conheces os primeiros 5 capítulos porque, nessa altura, te encontravas fora de Lisboa, em serviço, segundo me recordo. Acho que ainda estiveste mais de um par de meses ausente, talvez 3, mas já não tenho certezas quanto a isso.

Sendo assim, despeço-me com um saudoso beijo, até ao segundo episódio desta história, que nunca me lembraria de inventar, mesmo que tivesse de escrever algo de parecido sobre o assunto. Por isso, Bertinha, aqui fica o meu até amanhã carinhoso, deste teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

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