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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: A Ameaça do Chicão Queixinhas

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Olá Berta,

Como não podia deixar de ser, com alguém que se dá a conhecer aos outros pelo nome de Chicão, aí vem o potencialmente perigoso Chicão ameaçar quem trabalha e tenta fazer o seu melhor. A situação só é suavizada pelo ridículo da situação. Com efeito, a ameaça traduz-se em fazer queixinhas. Ora fazer queixinhas é algo que não se mescla muito bem com o cognome Chicão.

Mas pronto, vamos aos factos, o Chicão Queixinhas fala em palhaçada (mais uma afronta grave de alguém que devia saber que os circos estão encerrados há um ano), quando se refere à última sondagem encomendada pela TSF, DN e JN à empresa profissional de sondagens Aximage. Sobre o assunto podemos ler as duras palavras de Chicão no Facebook:

“A Aximage decidiu antecipar o carnaval e começou hoje a ensaiar umas ‘palhaçadas’. Publicou uma sondagem de alfaiate, feita à medida de quem manda, na qual dá o PS a subir – apesar dos recentes escândalos – e o CDS, que os tem denunciado, a descer para os 0,3%”.

Ou seja, Francisco Rodrigo dos Santos, o “«pseudo-sanguinário» Chicão Queixinhas” e líder do CDS, ameaça fazer queixa da Aximage sobre a sondagem partidária, por esta efetuada, à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

Mas o malfadado Chicão não se fica por aqui. Na sua douta verborreia de contra-ataque afirma:

 “Anunciar a morte do CDS-PP até pode ser um desporto que agrade a alguns (…) O problema é que as eleições nos Açores desmentiram essa morte e contrariaram todas as sondagens – a Aximage dava ao CDS, naquela altura, 1%”. Que segundo o mesmo contradiz a sondagem foi o facto de o CDS ter sido o terceiro partido mais votado nos Açores com 5,51%.

“Os erros repetidos sistematicamente contra o CDS deixam de ser apenas erros: são má fé ou incompetência”, proclama o Chicão Queixinhas que, na sua publicação, agride a Aximage, que pertence ao Grupo Bel, e lança ainda um feroz ataque à pessoa de José Almeida Ribeiro, que é quem assegura a direção técnica da referida empresa.

Ora eu compreendo que o Chicão Queixinhas esteja aos saltos por uma sondagem lhe reduzir o partido que “lidera”, se é que podemos chamar ao reinado do Chicão uma liderança, a uma expressão bem perto do zero.

Sou solidário com a contrariedade que uma revelação destas possa trazer aos sobreviventes centristas, o que não consigo entender são as ameaças à empresa de sondagens e aos seus colaboradores, coisa que nem, nas Américas, Donald Trump e Jair Bolsonaro se lembraram de fazer. É urgente que alguém explique ao Chicão Queixinhas a Democracia.

Assim sendo importa explicar ao Chicão Queixinhas não apenas como funcionam as instituições e os partidos democráticos, como o que é a liberdade de imprensa, e ainda o que significa a margem de erro apresentada na divulgação de sondagens pelas empresas do setor. Quiçá, com sorte, o grande Chicão Queixinhas conseguirá aprender alguma coisa com essa douta explicação, que urge realizar-se, quer para bem do próprio quer para o partido em si.

Por hoje termino esta carta com um beijo de até amanhã. Despede-se sempre saudoso este teu grande amigo, sempre pronto para o que for preciso,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: O Regresso do Fantasma de Passos Coelho

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Olá Berta,

Como já deves ter visto nas notícias, morreu, devido ao problema oncológico, que a afetava desde 2015, Laura Maria Garcês Ferreira, a esposa de Pedro Manuel Mamede Passos Coelho. O facto não seria notícia se a senhora em causa não fosse a mulher do ex-presidente do PSP e ex-primeiro-ministro, Passos Coelho. Com o seu falecimento o regresso do político, ainda com 55 anos, às lides partidárias, deixará, algures após um período de nojo natural, de ser apenas uma ameaça fantasma para Rui Rio.

Pelas minhas contas esse regresso ocorrerá no final do próximo verão, após as férias dos políticos em agosto. Até lá, Passos Coelho, respeitará uns dignos 6 meses de luto enquanto, sem dar muito nas vistas, recupera, junto do partido e no seu seio, o capital político de que precisa para se voltar a afirmar.

No meu entender, Laura Ferreira era o único e verdadeiro travão que mantinha o ex-primeiro-ministro longe da luta política. Uma doença da gravidade da identificada à esposa, e o seu agravamento progressivo, terá funcionado como freio, mantendo Passos longe do circuito da luta pelo poder. Uma vez desaparecido o impedimento o que poderá deter agora este homem de avançar com as suas convictas ambições? Eu respondo-te, minha querida amiga, absolutamente nada.

Passos Coelho está, na linha de partida da corrida ao poder, prontíssimo. Conforme já referi, é claro que os 6 meses de recato se vão respeitar, por 2 motivos: primeiro, porque o eleitorado conservador veria com maus olhos um regresso logo após o falecimento da consorte, segundo, porque o calendário da luta política apenas se começa a tornar favorável a partir de setembro ou outubro próximos. Aliás, sendo 2021 um ano de eleições, com umas presidenciais logo em janeiro e as autárquicas por volta de outubro, o regresso de Pedro Passos Coelho terá tudo a ver com a proximidade dessas datas.

Quanto a mim, acontecerá logo em setembro, porque algures em outubro, ainda este ano, decorrerão as eleições legislativas referentes aos Açores. Um excelente ponto de partida para alguém que se quer reposicionar no xadrez político e partidário. Para quem pensa que estou a fazer uma mera futurologia política, embora admita que assim pode parecer, respondo com o facto de tudo se poder vir a esclarecer já daqui a 6 parcos meses.

Para além de Rui Rio existe mais um político preocupado, com o regresso do filho pródigo e com o renascer desta fénix da austeridade gratuita. Com efeito, o ressurgir político de Passos faz mossa nos seguidores de Ventura. A direita passará a ter, novamente, um protagonista de peso, que poderá abalar os planos de expansão de um Chega para quem um deputado não basta.

Muita água vai correr debaixo da ponte da direita política e será interessante ver que tipo de estratégias seguirão estes partidos. De qualquer maneira, desperto que fique o fantasma de Passos e logo após a sua genuína materialização, uma reorganização à direita parece ganhar força. A Iniciativa Liberal provavelmente vai diluir-se em pouco mais do que nada, o partido de Santana Lopes vai fazer um esforço enorme por ter o raio do anel a reluzir e já estou a ver um tal de Chicão, em bicos de pés, a gritar do meio da sala, das futuras alianças, “- Então e eu, ó Passos, então e eu?”

Por outro lado, lá para as bandas socialistas, a preocupação não existe no que concerne aos próximos 2 anos. Até porque as movimentações dos partidos à sua direita, antes de crescerem podem até ficar mais enfraquecidas. A grande preocupação do PS existirá, isso sim, nas próximas legislativas, porém, até lá, faltam quase 4 anos, e enquanto o pau vai e vem, folgam as costas.

Com isto termino, amiga Berta, veremos se esta carta se transformará numas meras páginas de ficção ou se, pelo contrário, se aproximará de um Oráculo por devir. Despeço-me com um beijo. Este teu eterno amigo,

Gil Saraiva

 

Carta à Berta: Livre Resolvido, Chega sem Basta...

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Olá Berta,

Cá estou eu de novo a “falar” contigo. Mesmo que não oiças os sons tenho a certeza que me consegues imaginar a articular as palavras e, se bem concentrada, quase que te parecerá estares a escutar o som do meu diálogo provido do entusiasmo do costume.

Como sabes, realizou-se ontem a Assembleia Geral do Livre, toda a comunicação social esperou ansiosamente por assistir à luta titânica entre os escassos elementos de um partido, que pouco mais tem que uma direção e um grupo de contacto. De um lado do ringue deveria estar o aguerrido e imenso líder do Livre, Rui Tavares, e, do outro, seria de esperar, de lenço da Guiné Bissau a prender-lhe os cabelos, à laia de pirata que roubou o protagonismo ao partido, a única deputada eleita pelo mesmo nas últimas eleições legislativas, Joacine Katar Moreira, pronta a pôr “knockout”, atirando palavras soltas, como se de lâminas ninja se tratassem, ao líder do partido.

No final, a montanha pariu um rato, pequeno, minúsculo, invisível mesmo. Tudo continua igual. Isto é, sem alterações, se nos esquecermos das feridas mortais que toda a história gerou. Há já quem diga que o partido é um quase nato morto que não sobrevive mais de 4 anos na incubadora da democracia com assento para lamentar. E lamentar muito, pois muito de bom se augurava ao líder, um homem arguto que levou a liberdade demasiado à letra.

Enquanto que, para os lados do Livre se vai assistindo a este Carnaval antecipado, nas bandas do PSD a luta interna faz esquecer a política nacional, um galo, um pinto e um frango da Guia disputam o poder. Se eu fosse de dar prognósticos diria que o animal com maior crista sairá vencedor.

Por falar em cristas, no seguimento da bancada, o CDS continua a descer a escada nas sondagens rumo à porta de saída do Parlamento, o PC e os Verdes ainda lambem as feridas da machadada eleitoral e esforçam-se por recuperar o controlo dos sindicatos que, por estes dias, parecem querer nascer independentes e livres do jugo vermelho, que nem cogumelos.

Ainda importa referir que o Bloco de Esquerda, distraidamente, serve de ama seca a Greta Tunberg e se preocupa com a política internacional ligada à COP 25 e à Emergência Climática, descorando a problemática nacional. Já o Iniciativa Liberal reorganiza a sua estrutura, face ao abandono do seu líder, depois das eleições. Por fim, o PAN ainda não deixou de se ver ao espelho depois de ter quadruplicado de tamanho, qual porco antes da matança.

O partido socialista, orgulhosamente sozinho no Governo, anda atarefadíssimo a tentar fazer passar o Orçamento de Estado para o ano de 2020, como quem não quer a coisa, enquanto a oposição anda ocupada.

Aproveitando tamanhas distrações as ervas daninhas prosperam e propagam-se. A levar em linha de conta o que dizem as sondagens o Chega cresce, diz que não basta e afinal quer mais. A acreditar nos especialistas, ultrapassou já as intenções de voto no CDS e continua de bola em campo, movendo um ataque consertado às balizas do poder.

Dando outra imagem: o Chega é como que um touro enraivecido, de cornos em riste, apontados à arena da democracia serena e pacífica de Portugal, a quem convém travar a investida, antes que este derrube e massacre os forcados distraídos, armados em deputados, em altura de pega brava.

Espero que esta carta te receba alegre e feliz. Despede-se este teu amigo de sempre, com um beijo,

Gil Saraiva

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