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Alegadamente

Este blog inclui os meus 4 blogs anteriores: alegadamente - Carta à Berta / plectro - Desabafos de um Vagabundo / gilcartoon - Miga, a Formiga / estro - A Minha Poesia. Para evitar problemas o conteúdo é apenas alegadamente correto.

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Carta à Berta nº. 639: Os Grupos do Facebook Onde Participo Ativamente

Berta 639.jpgOlá Berta,

Como bem sabes, eu tenho estado a gerir alguns grupos do Facebook. Não é uma tarefa muito fácil para o meu feitio. Afinal, eu não gosto de ter o poder de censurar o que os membros decidem escrever ou publicitar nos grupos. Porém, minha cara amiga, tem mesmo que ser feito. Caso contrário a publicidade toma conta dos espaços e os arautos da desgraça utilizam a maior liberdade de publicação para virem anunciar que tudo está mal, com as suas razões populistas e baratas do bota abaixo, pois quanto pior, melhor.

Nos grupos privados e mais pequenos, a coisa é mais fácil de gerir. Seja no “Encontro de Palavras” que apenas tem 130 membros, seja no “Turma de Campo de Ourique” em que nem administrador sou, mas que por só ter 463 membros não é demasiadamente alvo dos propagandistas ou dos populistas, ou até no “Lisboa com Alma” que apenas é frequentado por pouco mais de meia centena de pessoas (58). Contudo, minha querida, à medida que a dimensão dos grupos aumenta, a situação exige outros cuidados.

No grupo “Viver Feliz em Campo de Ourique” que começou a crescer, de forma acelerada, nos últimos três meses, passando de pouco mais de 150 membros para 278 elementos, porém, já se nota mais publicidade a tentar entrar. Contudo, minha amiga, esse é o preço do crescimento. Há que pacientemente tentar gerir a situação.

Quanto ao maior grupo privado que criei, o “Bairro de Campo de Ourique”, neste momento com 797 membros, já se nota, com maior evidência, Bertinha, a tentativa dos publicitários e dos populistas em terem influência no espaço. No que respeita à publicidade eu nem sou totalmente contra, se um espaço do bairro, devidamente identificado, publicitar ali, digamos, uma vez por semana, até ajuda a manter viva a atividade e vivacidade do grupo. Todavia, existe gente que acha que o ideal é colocarem a mesma publicidade três vezes por dia.

Depois, para além disso, publicitar o que vem de fora do bairro é uma inviabilidade absoluta. Significaria deixar publicar mais de 50 anúncios diários o que é um absurdo. Outro absurdo é publicar anúncios de arranjos de unhas ou de senhoras em direto a vender roupa. São coisas que efetivamente não se enquadram nestes grupos, porque não se podem escolher apenas uns em detrimento de outros e são imensas as tentativas diárias nesses setores. Aliás, cara confidente, e sendo eu um homem de esquerda moderada, mas mesmo assim um sujeito de esquerda, não faz sentido estar a dar voz às opiniões dos fiéis do Chega ou de outras pessoas igualmente radicais de direita.

Por fim, amiguinha, vem o grupo “Campo de Ourique”, com 6.905 membros, apenas a 2.156 do grupo do bairro com mais elementos, o grupo “Fãs de Campo de Ourique”, já com 13 anos de idade.

Mais novinho, o grupo “Campo de Ourique” faz 10 anos em setembro deste ano. Incrivelmente, minha querida, no último ano, passámos de um valoroso quinto lugar, no que aos grupos de Campo de Ourique diz respeito, para sermos, atualmente, o segundo maior grupo do bairro. O objetivo é celebrarmos o 10º. Aniversário com 7.500 ou mais membros.

Mais ainda, minha querida, temos todo o interesse em que se mantenham em crescimento as intervenções dos membros no grupo, quer com as suas próprias publicações, quer com os comentários aos “posts” publicados, e que, nestes primeiros 5 meses do ano, já mostra um aumento de 40% do envolvimento dos membros na participação pública, face aos últimos 4 anos.

É na vivacidade e participação de todos, Berta, que poderemos crescer em dimensão e em representação do grupo de Campo de Ourique no próprio bairro em si mesmo. Queremos ser uma voz ativa, critica e participada dos problemas que vamos enfrentando no dia-a-dia. Quanto à publicidade, ela não se rejeita no grupo, apenas somos contra o excesso da mesma. Uma vez por semana é suficiente para se publicitar cada uma das empresas ou lojas do bairro, no nosso entender.

Gostaria, amiga Berta, que todo o grupo se mantivesse ativo e participativo. Vamos chegar aos 7.500 membros até setembro, todos juntos unidos. Deixo um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta nº. 638: Resposta às Questões da Comissão de Utentes USF Campo de Ourique ao Ministro da Saúde

Berta 638.jpgOlá Berta,

Hoje, esta carta serve para te esclarecer a ti, à Margarida Vicente, à Comissão de Utentes da Unidade de Saúde Familiar Santo Condestável (USF) e a todos os 13.605 utentes desta Unidade de Saúde Familiar a que, normalmente, apenas chamamos de Centro de Saúde de Campo de Ourique, sobre o que o Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, respondeu no “II ENCONTRO SECÇÕES SECTORIAIS E TEMÁTICAS” da  Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL), ontem, dia 13 de Maio de 2023, no nº. 6 do Hotel Roma, em Lisboa, no que concerne às questões colocadas pela Comissão de Utentes USF Santo Condestável e para as quais, minha amiga, eu apenas servi de mensageiro.

Quanto aos emails enviados pela Comissão é reconhecido que os sistemas de correio eletrónico do Ministério da Saúde, não andam a funcionar devidamente e que o Ministério está a trabalhar com a Modernização Administrativa, amiguinha, para fazer do mesmo um verdadeiro instrumento de comunicação e não um entrave ao esclarecimento daqueles que o usam, como atualmente acontece.

Presentemente, Bertinha, o Ministério da Saúde não tem um prazo para poder dar aos utilizadores sobre a resolução do problema, porque não está diretamente sob a sua alçada a resolução do mesmo. Contudo, espera ter as devidas soluções num espaço de tempo aceitável.

Relativamente à segunda questão, minha cara, a resposta veio anexada à terceira pergunta, num conjunto que visa tranquilizar todos os utentes do Centro de Saúde de Campo de Ourique e até aqueles que ainda o não são e que aguardam a sua aceitação nesta Unidade de Saúde Familiar.

Existe, Berta, por parte do Ministério da Saúde, a intensão de transformar a USF de Santo Condestável numa USF tipo B, a quanto da criação do novo Centro de Saúde ou, no limite, num espaço temporal que não se prolongue para além da atual legislatura, permitindo a inclusão dos 2.440 sem médico de família na respetiva USF. Todavia, contrariamente ao que alegadamente proferiu o Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, querida amiga, ainda não está resolvido o problema do Contrato de Arrendamento com o proprietário do imóvel, ou seja, ainda não existe acordo sobre o prolongamento do mesmo.

No que respeita às alegadas afirmações da Vereadora da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa, pelo PSD, com os pelouros da Habitação e Desenvolvimento Local, minha amiga, fonte do PS alega que era melhor que a digníssima Professora Universitária e Arquiteta, não adiantasse nada sobre a nova USF de Campo de Ourique, porque o assunto ainda está inteiramente sob a alçada do Ministério da Saúde. Assim sendo, tudo o que a senhora vereadora possa afirmar sobre o assunto é, no mínimo, prematuro e demasiado especulativo para poder ser considerado seriamente.

Ainda sobre a possibilidade dos utentes do atual Centro de Saúde de Campo de Ourique deixar de existir ou de os utentes serem espalhados por outros Centros de Saúde das freguesias vizinhas foi afirmado, e pelo próprio Ministro da Saúde, minha querida confidente, que essa hipótese é, em absoluto, uma impossibilidade e um absurdo que jamais acontecerá.

Esclareço também, doce amiga, que, em todas as diligências que fiz durante toda a manhã do passado sábado, jamais usei o tom belicoso, conflituoso, arrogante e de confronto direto que me foi apresentado pela Comissão de Utentes USF Santo Contestável, através da formulação das questões que recebi no grupo de Campo de Ourique do Facebook, pela Margarida Vicente.

É entendível, minha cara, que a Comissão esteja a agir em desespero de causa e que a linguagem usada seja um reflexo disso, bem como a longa lista de insinuações, provocações e frustrações implícitas na exposição e nas questões. Porém, e por não me parecer crível que um Governo formado pelo PS, enquanto criador do SNS, tenha qualquer intuito em destruir a sua obra, o tom com que coloquei as questões foi educado, cordato, mas suficientemente assertivo para que as respostas fossem claras e esclarecedoras.

Aproveito, Berta, esta carta para esclarecer que alguns dos destinatários para quem a Comissão de Utentes enviou emails não tinham competência para darem uma resposta.

No entanto, minha querida, foi-me assegurado durante o II Encontro que, apesar de tudo, essas entidades, podiam e deveriam ter respondido aos emails da Comissão de Utentes USF Santo Condestável, pois nem todas enfrentam o problema de tráfego de emails e de atraso nas respostas que o próprio Ministério da Saúde atravessa. Mais informo que foram tomadas notas no sentido de se ir tentar apurar a falta de respostas, nem que fossem apenas para confirmarem que o assunto ainda não se encontrava sob a sua alçada.

Foi igualmente reconhecido que o direito constitucional à saúde, à organização de uma defesa e o direito à informação não estão em causa. No momento, o que se passa, cara amiga, é apenas que o Ministério da Saúde, ainda está a recuperar dos anos da Covid-19, que paralisou imensos serviços durante demasiado tempo. Para além disso, como esclareceu o próprio Ministro, o seu tempo no cargo ainda é curto para que tudo tenha voltado à desejada normalidade, mas deixou a garantia de que para lá caminha a passos largos.

Segundo garante o Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, e contrariando a desinformação que circula nas redes sociais e nalguma comunicação social e que lavra no seio de certa oposição, Berta, ele só está interessado em desenvolver três vetores essenciais de momento: “Promoção da Saúde”, “Acesso à Saúde” e “Requalificação do SNS”. Nestes pontos enquadra-se a USF de Campo de Ourique.

Sobre o que se passa com a atual USF do bairro, caríssima, o Ministro da Saúde não só mostrou estar pessoalmente a par do problema como deu a garantia de que, e passo a citar: “Não vai deixar de haver um Centro de Saúde em Campo de Ourique. A USF não sairá de onde se encontra atualmente enquanto o problema não estiver resolvido.”

Manuel Pizarro assegurou que é o próprio ministério que está em negociações com o senhorio e que este tem toda a vontade de que a situação seja resolvida por acordo entre as partes, minha amiga.

Fiquei a saber, igualmente, Bertinha, mas não pelo Ministro, que o proprietário quer evitar, a todo o custo, que o Ministério da Saúde invoque o “Superior Interesse Nacional”, que o poderiam levar, em última análise, a perder o direito sobre a propriedade, cujo valor declarado nas Finanças se encontra bem abaixo do real valor do imóvel na atualidade, o que seria um verdadeiro inconveniente com perdas de verbas significativas para o senhorio.

Porém, cara amiga,  quando, no final do “II ENCONTRO SECÇÕES SECTORIAIS E TEMÁTICAS” da Federação da Área Urbana de Lisboa do Partido Socialista, questionei o Dr. Manuel Pizarro se o podia dar com vinculado à certeza de que o Centro de Saúde se mantém onde está, para já, e que em altura alguma sairá de Campo de Ourique e que a nova Unidade de Saúde Familiar será uma realidade requalificada nos termos anunciados, este deu-me a sua garantia pessoal.

Mais do que isso, fui autorizado a transmitir esta garantia pessoal, enquanto pessoa e enquanto Ministro da Saúde, à Comissão de Utentes Unidade de Saúde Familiar Santo Condestável, coisa que estou a fazer através desta “Carta à Berta”. Espero ter ajudado em alguma coisa, principalmente devido à consideração que tenho pela Margarida Vicente e encontro-me ao dispor da mesma sempre que for preciso ajudar em mais algum assunto, em que eu possa ou consiga ser útil. Por hoje é tudo, minha querida Berta, despeço-me com um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 627: Prémios Lisboa com Alma - para o Maior Centro Comercial de Ar Livre de Portugal - Centro Comercial de Campo de Ourique

Berta 627.jpgOlá Berta,

Cá estou eu, mais uma vez a retomar a escrita contigo. Espero que o meu livro policial te tenha agradado como leitura descontraída. Hoje, regressei para te relatar que os Prémios Lisboa com Alma (LcA) vão voltar a ser atribuídos no Centro Comercial de Campo de Ourique (CCCO), o Maior Centro Comercial ao Ar Livre de Portugal, que envolve a Restauração, o Comércio Lojista (incluindo Supermercados, Frutarias, Minimercados, Lojas de Conveniência e Quiosques) os Serviços Liberais, os Serviços Solidários, de Saúde e Sociais, os Espaços Desportivos, Recreativos, Artísticos e Culturais e os Espaços de Lazer, Culto e Segurança, do Bairro de Campo de Ourique.

Das seis categorias com que se iniciam os Prémios Lisboa com Alma de 2023/2024, apenas a Restauração apresentará, na edição atual, quinze subcategorias, nomeadamente, Restaurante de Bairro, Restaurante Vegetariano e/ou Vegan, Pizaria e/ou Restaurante Italiano, Tasca e/ou Pequeno Restaurante, Hamburgueria, Snack-Bar, Pastelaria e/ou Padaria, Cafetaria (inclui Croissanteria, Leitaria, Casa de Chá e Gelataria), Restaurante de Petiscos e/ou Tapas,  Restaurante Temático, Especializado, de Chef,  Restaurante de/com Cozinha Internacional, Restaurante Regional, Restaurante de Peixe e/ou Marisqueira, Takeaway e Bar.

As escolhas são sugeridas por um conjunto de vinte e cinco pessoas convidadas a fazer parte do Júri que emanam dos seguintes Grupos do Facebook. “Encontro de Palavras”, “Lisboa com Alma”, “Viver Feliz em Campo de Ourique”, “Turma de Campo de Ourique”, “Bairro de Campo de Ourique” e “Campo de Ourique” escolhidas de um universo de mais de 8.500 membros.

Em caso de empate nalguma categoria o desempate será efetuado por mim, Gil Saraiva, enquanto detentor da marca registada “Lisboa com Alma” e presidente do Júri dos “Prémios Lisboa com Alma” desde 2012.

A divulgação dos galardoados deste ano será anunciada no próximo dia um de maio de 2023 e será válida pelo biénio 2023/2024. Os diplomas dos premiados serão entregues entre o dia dois de maio e o dia cinco de maio. De forma a evitar a falta de avaliadores, por alguma desistência, serão escolhidos, se houver necessidade, entre um a dez jurados suplentes para suprir alguma desistência até final da votação.

Ao contrário dos prémios anteriores, este ano não serão divulgados publicamente os cinco nomeados para cada um dos diplomas em causa. Contudo, o prémio Diploma Superlativo de Excelência continuará a ser atribuído, agora com este nome, para o negócio ou serviço que obtiver o maior número de votos angariados, independentemente da categoria a que puder pertencer.

Os elementos do Júri enviarão, por mensagem, para mim, os seus votos em cada categoria, sendo obrigados a votar em pelo menos dez das vinte categorias.

Agradeço, minha amiga Berta, a forma solidária como me incentivaste a voltar a esta modesta forma de premiar os esforços de alguns para o esforço conjunto do Bairro, ao serviço de todos, deixo um beijo de saudade,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 596: Campo de Ourique - Movimento Cívico “Salvar o Jardim da Parada”

Berta 596.jpg Olá Berta,

Há um movimento cívico de cidadãos e cidadãs que luta nas redes sociais, na imprensa e, basicamente, por onde pode, mas principalmente no terreno, pela manutenção do Jardim da Parada tal como ele está hoje em dia. Usam o nome de movimento cívico “Salvar o Jardim da Parada” e tentam, imaginativamente, lutar de todas as formas de que se lembram contra a ideia peregrina do Metropolitano de Lisboa de colocar a Estação do Metro de Campo de Ourique por baixo do pequeno pulmão do Bairro de Campo de Ourique. Porém, minha amiga, não é uma luta nada fácil.

Pessoalmente não conheço as pessoas que lideram o movimento, mas, pelo que vi até agora lutam numa desigualdade de David contra Golias. Não têm com eles uma agência de publicidade ou de meios que os ajudem na campanha, não possuem verbas próprias para poderem produzir material de divulgação das suas ideias, falta-lhes ainda, minha amiga, um núcleo de juventude, que consiga congregar os jovens na defesa do espaço.

Porém, Berta, em compensação, é notória a entrega dos envolvidos e das envolvidas à causa da preservação do Jardim da Parada. Eu mesmo já fui convidado para me juntar ao movimento e só não o fiz porque a saúde não me tem facilitado a vida, embora, até aqui, valorize esta luta desigual e sem tréguas, que se desenrola à minha porta, por parte de um movimento onde arde a chama da vitória.

Apesar de tudo não é de esperar que o Metropolitano de Lisboa seja sensível aos argumentos do movimento, querida amiga. Afinal, em última análise, trata-se de uma empresa de toupeiras, entretidas a fazerem buracos no subsolo, sem grande sensibilidade para questões de ambiente, natureza, convívio social e preservação do único espaço lúdico do bairro ao ar livre.

Já o Partido Socialista, com o qual, ainda por cima, eu simpatizo, devia ter mais cuidado com as opções que toma. Bem pode o Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique ser filho do Primeiro-Ministro, e nem importa se transitou dos negócios da noite para a política através de obscuras jogadas partidárias de bastidores sombrios, pois, mesmo assim, à tangente, conseguiu ser eleito, minha querida. Todavia, se o resultado for a tragédia que se anuncia, quando a Estação de Metro do Jardim da Parada ficar concluída, jamais, quem estiver no poder na Junta de Freguesia, voltará a ganhar votos suficientes para se fazer eleger novamente neste bairro.

Também não podemos contar com Moedas, que está mais preocupado em se manter, no equilíbrio instável e débil do poder, à frente da Câmara Municipal de Lisboa, cara Berta. Para além disso, o Carlinhos aparenta ter a sensibilidade de um bloco de cimento no que respeita ao ambiente ou às preocupações sociais dos seus eleitores. Embora o homem ainda não se tenha manifestado claramente sobre a Estação de Metro no jardim, eu acho que, pelo que vou ouvindo, ele valoriza a centralidade do local em detrimento de eventuais prejuízos.

O que eu não consigo entender, e nisso a minha opinião diverge da que parece existir no movimento, é qual a necessidade da existência de duas estações de metro num bairro que apenas tem 1,5 quilómetros quadrados. A futura Estação de Metro das Amoreiras, fica a menos de 50 metros da Rua Ferreira Borges, e está bem dentro de Campo de Ourique, por isso eu me pergunto se terão mesmo de existir duas estações de metro no seio de um território tão diminuto? Ainda mais quando já existe uma outra no Rato e vai nascer mais uma na Estrela. Acho mesmo um desperdício de recursos e fundos. Mas isto, minha amiga, sou eu a pensar.

De qualquer modo, ainda agora a procissão saiu da igreja. Muita tinta ainda há de ser gasta para se escrever sobre o assunto. Com sorte, ganha o bom senso e com isso o movimento, mas é preciso que a população do bairro adira e assine o abaixo-assinado em curso. Contudo, se esta for a história habitual, vencerão aqueles que se estão borrifando para a qualidade de vida de um bairro, já vezes sem conta, considerado o melhor bairro de Lisboa para se viver. Por hoje é tudo, amiga Berta, este teu confesso admirador deixa-te um beijo carinhoso de despedida,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 595: Campo de Ourique - Xenofobia, Racismo e Homofobia

Berta 595.jpg Olá Berta,

Um dia destes, ao publicar no Facebook um cartoon da “Miga, a Formiga”, um membro do grupo de Campo de Ourique, o senhor António Lebre, sugeriu com algum humor que eu devia era falar do racismo e da xenofobia que grassam em Campo de Ourique, principalmente, referia ele, entre os residentes de idade mais avançada que, inversamente aos mais novos, demonstram ainda um elevado grau de intolerância. Chegando a afirmar, querida amiga, que a xenofobia estava bastante enraizada, nas pessoas da velha guarda, contra indianos, retornados, chineses, espanhóis, angolanos, franceses, etc..

Até o Presidente da República afirmou recentemente que: "Não vale a pena negar que há, infelizmente, setores racistas e xenófobos entre nós". É claro que o presidente, amiga Berta, não se referiu nomeadamente a Campo de Ourique como obviamente o fez o simpático senhor António Lebre, mas tornou-se óbvio que este tema estava na ordem do dia e que por isso mesmo era a melhor altura para se malhar em ferro quente.

Faço aqui um aparte para relembrar-te, cara Berta, que a tradição das apelidadas tias, em Portugal, está intimamente ligada a Cascais. Afinal, era por lá que viviam, em maior quantidade, há muitos anos, pessoas ligadas à nobreza e realeza, bem como os, na altura, novos e bem instalados burgueses da pós-revolução industrial. Juntando-se a esta nata um clero em óbvio compadrio com o antigo regime. Desta mescla nasceram as tias, a simbolizar uma população desligada da dura realidade do país em que viviam. Porém, dando vital importância a coisas supérfluas e de relevância duvidosa.

Ora, Campo de Ourique, minha amiga de há tanto tempo, com os seus 141 anos de história, não tendo herdado esta nata cascalense, decidiu, já lá vão umas boas dezenas de anos, adotar um estilo parecido, devido ao bem-estar económico de uma boa parte dos seus novos residentes nessa época. Foi assim que nasceram as tias (e tios) de Campo de Ourique que, não podendo plagiar a designação cascalense, se contentaram pela designação de Damas e Cavalheiros de Campo D’Ourique, para parecerem mais finos e requintados.

Todavia, paralelamente, muitos dos indivíduos que ergueram o bairro com o seu esforço e suor e os serviçais destas damas e cavalheiros, também se instalaram com as respetivas famílias, pela periferia do bairro que foi, paulatinamente, alargando as suas fronteiras. Estava criada a poção perfeita para a implantação de valores como refere António Lebre, querida amiga, ou seja, para o aparecimento de racismo e xenofobia contra indianos, retornados, chineses, espanhóis, angolanos, franceses, etc.. Um conceito que foi sendo adaptado e alargado consoante as décadas e a fixação destas pessoas no bairro.

É claro que nas referências de António Lebre, minha querida, faltaram ainda os judeus, os ciganos, os descendentes da mistura de, pelo menos, duas raças ou etnias, os negros em geral e não apenas os angolanos, os pobres e deficientes, os drogados do Casal Ventoso e da Meia Laranja, os pedintes e mais todos aqueles que, por um ou outro motivo, não correspondiam aos elevados padrões destas damas e cavalheiros, mas ele apenas estava a exemplificar e não a querer mostrar uma lista completa dos descriminados em Campo de Ourique.

O grave nesta situação toda, Berta, não é a evolução histórica destas vastas formas de xenofobia, racismo e até homofobia, o grande problema é que a consciência dos povos mudou muito neste século vinte e um e que o que era tolerável e normal no passado, devido às mentalidades da época e do contexto, é, aos olhos de hoje, inaceitável e uma verdadeira afronta aos atuais direitos humanos.

Em conclusão, está na hora das Damas e dos Cavalheiros de Campo de Ourique se adaptarem aos tempos modernos, porque hoje em dia somos todos diferentes entre iguais. Ninguém está num patamar superior por ser branco ou rico ou simplesmente idiota. Com isso me despeço, minha querida, recebe um beijo deste teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 583: O Homem Que Sabe o Que o Povo Quer.

Berta 583.jpg Olá Berta,

Para Carlos Moedas, o Presidente da Câmara de Lisboa, o conceito de Feira Popular pertence ao passado, minha querida amiga. O senhor doutor conclui, do alto do seu pedestal, com a sapiência especializada dos seus anos na Europa, que os seus munícipes já não querem saber de carrinhos de choque, de montanhas russas, do poço da morte, do comboio fantasma, da barraca da Madame Futuro, do carrinho do algodão doce, da barraca das farturas ou dos restaurantes de grelhados num parque de diversões público dentro da cidade.

Para este visionário das aspirações do povo o que devia existir era, não muito afastado da cidade, mas fora do seu perímetro de governação, um parque temático. Já nas suas freguesias, Carlos Moedas, o homem que vai ficar na história por permitir e concordar com a abertura de um poço de ataque à construção da estação do Metro, com pelo menos 16 metros de diâmetro, no Jardim da Parada, em Campo de Ourique, prefere que existam parques verdes com equipamentos para as pessoas, porque, afirma convicto, cara Berta, ele sabe o que o povo quer.

É por causa destas sólidas convicções que o Presidente deixou cair a instalação da Feira Popular em Carnide, conforme estava previsto desde que esta desapareceu do centro da cidade.

Porém, amiga Berta, para não pensares que eu estou a inventar, transcrevo para aqui algumas das afirmações do intérprete do povo, o senhor doutor Carlos Moedas, à Agência Lusa, sobre o tema:

"Não é uma questão aqui de desistir do projeto, é que mesmo que eu não desistisse, ele desaparecia por si só".

"Hoje em dia não há, de certa forma, nem sequer há procura para este tipo de parques de diversão dentro das cidades, ou seja, nós nem estamos num cenário em que haja procura, com promotores que queiram fazer este tipo de coisas".

"Olhar para uma solução de um parque Feira Popular, que é uma solução que já não é da atualidade. Como se sabe, na maior parte das cidades europeias, estes parques são feitos longe da cidade, são parques temáticos, o caso de Madrid, o caso de Paris, portanto isso terá de ser repensado".

"Porque é que isso aconteceu? Eu penso que uma das razões é porque hoje em dia nas cidades já não faz sentido este tipo de soluções, porque se fizesse sentido alguém tinha na altura concorrido para fazer esse tipo de serviço, para fazer um parque de diversões. Ninguém concorreu, não há, eu pelo menos não tenho nota disso, portanto não vale a pena insistir numa coisa que não faz sentido".

"Não posso ter um plano para fazer um parque de diversões no centro da cidade quando isso hoje nas cidades europeias não acontece, gostasse eu ou não, portanto aqui o ponto, neste momento, é que não há condições para realizar esse projeto".

"um parque verde… é o que as pessoas que ali vivem querem, portanto isso é o que faz sentido".

Estás a ver Berta, quando convém o que as pessoas “querem” faz sentido. Fará sentido concluir que o que as pessoas “não querem” também faz sentido? É que mais de 99% da população de Campo de Ourique não quer uma estação de Metro no Jardim da Parada, só para reforçar o exemplo já dado. Contudo, para algo fazer sentido para Moedas não basta a vontade popular, ela tem de estar alinhada com a sua própria vontade e, ao que parece, com os interesses económicos envolvidos.

Não é uma originalidade ver um dirigente a falar em nome do povo, sem fazer a mínima ideia do que o povo quer. É mais do mesmo, apenas e só. Porém, não deixa de ser triste assistir à “demagogia feita à maneira” como cantava em tempos idos Lena d’Água. Por hoje é tudo minha querida, resta-nos ficar com a notícia triste de que, tão cedo, não voltará a haver Feira Popular em Lisboa. Deixo um beijo sentido, este teu eterno amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 580: ALERTA - Marcha Popular de Campo de Ourique e Saída de Metro no Jardim da Parada

Berta 580.jpg Olá Berta,

Campo de Ourique, talvez porque vivo neste maravilhoso bairro volta a estar na minha ordem do dia. Estou feliz porque o Bairro de Campo de Ourique voltará a participar nas Marchas Populares de Lisboa este ano, como habitualmente no próximo dia 12 de junho de 2022.

Não se trata de um bairro qualquer a participar nas marchas, mas sim de um dos Bairros Fundadores e Participantes no Primeiro Desfile no Parque Mayer em 1932, há precisamente 90 anos, nesta que sempre tem sido uma das mais claras homenagens ao Santo António.

Sob o lema “Campo de Ourique, Arraiais, Fado e outras coisas tais” o Bairro de Campo de Ourique marchará, novamente, este ano, na Avenida da Liberdade. Os preparativos e ensaios, ficam muito a dever-se aos Alunos de Apolo, e não pela primeira vez, mas a colaboração tem também outras gente e instituições envolvidas como não podia deixar de ser. A 29 de março tiveram início os ensaios que envolvem jovens dos14 aos 60 anos.

Contudo, a organização tem um apelo muito importante a fazer a todo o nosso Bairro: É preciso arranjar mais homens que queiram e possam entrar na Marcha. Por isso rapaziada toca a contactar com urgência os alunos de Apolo, eles tratarão de vos envolver no elenco, com todo o gosto e satisfação.

Se as Marchas Populares de Lisboa este Santo António são uma excelente notícia, já o rumor, cada vez mais forte e preocupante de que o Metro de Lisboa quer fazer uma saída em pleno Jardim da Parada revolta até os estômagos mais resistentes de qualquer habitante do Bairro de Campo de Ourique.

Por isso mesmo faço um outro apelo hoje. Quem está contra uma saída do Metro de Lisboa no Jardim da Parada, por favor envie um email, com os nomes e identificação do vosso agregado familiar, a dizer o seguinte: “Esta Família (ou apenas eu, se for o caso de viver sozinho) está contra a Saída do Metro no Jardim da Parada e igualmente contra o abate das suas árvores centenárias.”

Amiga e querida Berta, como também já cá viveste, peço-te que não te esqueças de enviares o teu email. O endereço para enviar esta opinião é: geral@jf-campodeourique.pt, deixo um beijinho do teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 579: Apelo aos Habitantes de Campo de Ourique!

Berta 579.jpg Olá Berta,

Faz algum tempo que não conversava contigo. A vida não tem sido fácil, nos últimos tempos isso calhou-me a mim. É desesperante estar há meio ano na expetativa da chegada de uma reforma, que tarda mês após mês, já sem meios de subsistência. A luta por uma sobrevivência tem o poder de retirar a quem luta a capacidade da partilha. Desculpa o meu feitio minha querida Berta.

Como sabes odeio os coitadinhos e as coitadinhas deste mundo que se queixam de barriga cheia, porque não ganharam no Euromilhões ou porque partiram uma unha. Tudo serve para uma pieguice pegada, que nos faz esquecer quem verdadeiramente precisa de ajuda.

Hoje, depois do Festival da Canção da Eurovisão 2022, em que venceu, ontem à noite, a canção da Ucrânia, venho fazer um apelo de Campo de Ourique para o mundo, mas principalmente para ti, minha querida amiga, e para o meu Bairro, o Bairro de Campo de Ourique. Neste domingo, 15 de maio, pelas 19 horas e amanhã, segunda, 16, à mesma hora, toca, toquem, nos vossos telemóveis, aparelhagens e computadores a música da Ucrânia.

As minhas dificuldades são uma pieguice pegada se comparadas com o que tem passado o povo da Ucrânia. Invadidos, mortos, torturados, arrasados por um invasor vizinho, prepotente, que se instalou em Guerra apenas por cobiça do país de quem dizia ser irmão.

Sejamos solidários para com a Ucrânia. Já estou cansado e desgastado de ver esta guerra em direto na televisão, quase já não consigo ouvir as suplicas do seu Presidente, que o nosso governo promove até à exaustão para esconder que é o único país da Europa que passou a esconder: os dados diários da Covid-19, os problemas com a subida do custo de vida, os serviços que não funcionam, um governo em quem votei mas que se esquece facilmente dos seus eleitores, por muito que isto me custe dizer.

Estou farto da guerra pela televisão, mas continuo firmemente solidário com a Ucrânia e com a sua luta. Aceita o meu apelo, querida Berta e hoje e amanhã, pelas sete da tarde, toca a música da Ucrânia, que venceu o Festival da Eurovisão. Deixo o link do YouTube: https://youtu.be/Z8Z51no1TD0. Recebe um beijo de despedida deste teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 569: Ser Ancião em Campo de Ourique ou em Portugal

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Olá Berta,

Esta tarde, farto de estar confinado há já três anos. Dois pela Covid-19 e um devido à minha repetição de AVC (por nove vezes) em 2019 a que acresceu o entupimento por um calhau, do meu canal biliar, que depois me provocou uma infeção grave, resolvi ir dar um pequeno passeio pelo bairro de Campo de Ourique. É raro fazê-lo, mas de vez em quando, sabe imensamente bem.

Nunca tive problemas em viver com gente ou sozinho, mas hoje, não sei porquê, algo me fez pensar no assunto assim que coloquei um pé no passeio. Estou a falar da solidão das pessoas idosas, sendo que idoso, para mim, são aqueles e aquelas que já ultrapassaram os três quartos de século de idade há mais de um ano. Existem dois tipos desses idosos. Os que aparentam a idade que têm e os que a combatem.

Lembrei-me da solidão talvez pelo facto de ter reparado no touro gigante  e só, na fachada do edifício do antigo Cinema Europa, ou de me ter lembrado da grua gigante que instalaram na nova obra ao pé de minha casa, erguendo-se altiva e solitária acima dos prédios, ou, quem sabe, por ver uma velhinha quem já conheço há mais de uma década a competir com um caracol, na sua marcha lenta em direção a um almoço costumeiro e frugal na pastelaria Az de Comer, sendo que, até ao momento continua a ser ela a bater o danado do caracol.

A mesma velhinha irá, depois de conversar com as suas amigas no café, uma vez mais, ao Pingo Doce, comprar o seu costumeiro jantar e o pequeno-almoço para o dia seguinte. A ementa varia pouco, normalmente as compras alternam entre uma perna de frango ou uma lata de atum, por vezes um saco de arroz, raramente, uma embalagem de creme de cenoura, mas nem sempre, mais uma garrafa de água, um pão, um iogurte e uma banana ou uma maçã e talvez, uma vez por semana, uma alface fresca.

Atenção, amiga Berta, que a senhora em causa, não tem uma aparência pobre, de quem vive com dificuldades, nada disso. Pelo contrário, aparenta ser alguém que se aposentou, há mais de uma década atrás, de um qualquer serviço público após quarenta anos de trabalho. Mantém um ar limpo e tratado onde o vergar das costas, num arco já prenunciado, desmascara a sua idade real. Descobri há mais de seis anos que a senhora é viúva. O marido faleceu cedo do coração.

Pelo que me é dado a perceber o seu grupo da pastelaria tem vindo a perder elementos. Das seis ou sete senhoras que se encontravam ali, na mesa do costume, junto à janela, restam agora ela e mais três. Antigamente, quase todas as tardes, também a encontrava sozinha a olhar para os pombos como quem olha para o infinito no Jardim da Parada, outras vezes, perdida nos seus pensamentos, junto ao parque infantil, onde os seus olhos escolhiam esta ou aquela criança para recordar tempos há muito ultrapassados.

Esta anciã, tem uma filha, um genro e uma neta que nunca a visitam. Numa conversa que escutei, faz tempo, na pastelaria, a falta de convívio deve-se ao facto de ela não ter querido vender a sua casa, para partilhar com a filha parte da herança do marido. Esta queria a toda a força que a mãe vendesse a casa e se mudasse para um lar. Como a idosa senhora não concordou o corretivo por parte da descendente passou a ser a sua ausência na vida da senhora.

Esta pessoa, minha amiga, vive só, privada do conforto e do carinho dos que lhe eram próximos, apenas porque optou por viver onde sempre viveu. A solidão, desta senhora, como de tantas outras e outros no nosso país é aflitiva, injusta e constrangedora. Todavia, mais do que isso tudo, é inaceitável. A sociedade, no seu conjunto, devia ter formas de combater o isolamento e o abandono dos seus anciãos.

Isto é, sem dúvida, o mínimo que lhes devemos. Eu vi a minha mãe a definhar, aos poucos, muito lentamente, vítima de Alzheimer. Algo que não desejo a ninguém que assista. Mas, a minha mãe, nunca esteve só, um único dia, dos quase seis anos que a doença levou para a vencer. É tempo de olharmos com respeito e orgulho para os nossos idosos e de começar a fazer algo por eles. Principalmente pelos que estão sós, seja em Campo de Ourique ou em Portugal…

Por hoje é tudo, desculpa a nostalgia, mas todos nós temos dias assim, recebe um beijo deste que não te esquece, um amigo para sempre,  

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 562: Campo de Ourique e a Clonagem de Cartões Multibanco (versão alterada a pedido de Nuno Martins)

Berta 562.jpgOlá Berta,

Campo de Ourique não é a minha terra natal só porque nasci numa outra parte do campo, lá para os lados de Campo Grande. Porém, foi o bairro que me acolheu com um carinho como nenhum outro. Conforme já te contei por diversas vezes, minha querida amiga, já me encontro por cá há mais de treze anos.

Adoro o bairro, embora para muitos dos meus vizinhos, ainda hoje, eu seja um novato (pese embora os meus sessenta anos) que acabou de chegar à freguesia. Com efeito, muitos deles já ultrapassaram os quarenta e os cinquenta anos, alguns ainda mais, de convivência íntima com a terra. Esta é a mais linda aldeia da minha cidade berço, Lisboa, a capital do país. Muitos lembram, saudosamente, que o bairro já não é o que era e eu acredito. Mas é assim, Berta, num pequeno espaço de 1,65 quilómetros quadrados, esta é, hoje em dia, a segunda freguesia da cidade com mais habitantes por quilómetro quadrado.

Aliás, enquanto Lisboa tem perdido bastante população para a periferia, Campo de Ourique nunca parou de crescer e aumentar as suas gentes. Enquanto em 2011 a população era de 22.120 habitantes, em 2021 passou para 22.169, com este aumento de quarenta e nove pessoas a freguesia foi das poucas de Lisboa a crescer em número de habitantes. São, mais trinta pessoas por quilómetro quadrado.

Isto quer dizer que hoje, querida Berta, Campo de Ourique tem 13.436 pessoas por quilómetro quadrado, ou seja, vivem 13 indivíduos por cada metro quadrado. Quer isto dizer que se não existissem prédios, muitos com bastantes andares e vários apartamentos por andar, e que se toda a população do bairro viesse em simultâneo à rua, nós não caberíamos, uns ao lado dos outros, coladinhos, nas ruas do bairro em que vivemos.

Por outras palavras, em Portugal vivem cerca de 112 pessoas por cada quilómetro quadrado, isto tendo em conta a população e a área do território nacional, ilhas incluídas, enquanto em Campo de Ourique vivem cento e vinte vezes mais pessoas concentradas por cada quilómetro quadrado.

Ora, minha amiga, a acreditar nos dados das eleições autárquicas de 2021 e simultaneamente nos valores apresentados nos censos deste ano, existem 3.087 menores de 18 anos no nosso bairro. Um valor muito baixo, a ser real.

Dito isto não é para admirar que, este mês, ao sair da Pastelaria Trigo da Aldeia, onde vou frequentemente buscar bolinhas de pão malcozidas e o melhor bolo de laranja do bairro, uma rapariga na casa dos trinta anos, me tenha clonado o cartão de débito que eu acabara de meter no bolso detrás das calças. Minutos depois já me tinha sacado 60,21 euros da conta numa compra internacional, online, na aquisição de um qualquer produto de estética. Por sorte eu tinha seguro do cartão e o banco fez a reposição da verba.

Mas isso só acontece porque vivemos num local onde a população é considerável e os recursos são cada vez mais escassos. Eu nem sabia que era possível um cartão multibanco ser clonado desta forma, porém, essa é a triste realidade. E nem Campo de Ourique, na sua pacatez de aldeia escapa aos novos métodos dos bandidos e burlões. É o excesso de população em relação aos recursos a fazer-se sentir. Por isso, Bertinha, tem cuidado, se aconteceu comigo aqui, pode muito bem acontecer contigo por aí. Ainda mais nesta época natalícia onde andamos sempre de cartão multibanco à mão de semear.

Por hoje é tudo, fica com os meus votos de Boas Festas. Com um beijo de saudade, deste teu amigo de sempre, me despeço até à próxima carta,

Gil Saraiva

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PS: A imagem anterior foi removida a pedido do senhor Nuno Martins. Transcrevo o texto que originou esta mudança.

Nuno Martins (13:58) - Bom dia. Agradeço que apague a publicação que tem no seu Facebook relativamente ao trigo da aldeia. Não queremos ser associados às suas publicações sem a nossa autorização, ainda para mais sendo o assunto sobre um tema que nada nos diz respeito. Atentamente, Nuno Martins

Gil Saraiva (17:08) - Caro Nuno Martins, entendo a sua posição.  Mas é esta a realidade de um jornalista. Coloquei efetivamente a vossa publicidade na esquina da fotografia apenas para não identificar quem lá se encontrava. Podia ter tirado outra que não seria tão apelativa. Isto no que se refere à publicidade. Quanto à Carta à Berta são crónicas de um Jornalista Profissional em atividade e sinceramente não preciso da vossa autorização, nem a vou remover, evidentemente. Contudo, se desejar, posso alterar a fotografia que ilustra a peça, com a divulgação desta troca de mensagens entre os dois, no final da mesma. Uma vez que se dirigiu diretamente a mim. Aguardo a sua decisão. Sem outro assunto de momento, atentamente, Gil Saraiva

Nuno Martins (18:09) - Boa tarde. Agradeço que altere a fotografia, e de preferência que não apareça a nossa imagem. Atentamente, Nuno Martins

Gil Saraiva (19:40) – Caro Nuno Martins mudança de imagem efetuada para uma de minha autoria. Estou a proceder à respetiva alteração nos grupos do Facebook onde esta entrou e espero ter a situação resolvida ainda hoje. Contudo, nos grupos e nas partilhas que não controlo não poderei fazer grande coisa. Obrigado. Com a mais elevada consideração, Gil Saraiva

Nuno Martins (19:45) - Muito obrigado. Boa semana.

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