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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: A propósito do Chalé da Estrela

Berta 487.jpg

Olá Berta,

A propósito do demolido Chalé da Estrela, o vereador da Câmara Municipal de Lisboa com o pelouro do ambiente, José Sá Fernandes, esclarece que a demolição do edifício da antiga escola Froebel, que albergou a primeira creche do país, não estava prevista. O que aconteceu foi que o edifício já tinha problemas estruturais que se encontravam para além de qualquer reabilitação.

Sá Fernandes respondeu à vereadora do PCP, Ana Jara, na reunião pública de câmara, que o responsabilizava da demolição ignóbil do imóvel de interesse público, que não se verificou qualquer possibilidade de salvar a construção em causa devido ao avançado estado de degradação, até porque, afirmou então: “praticamente todos os pilares exteriores estavam irrecuperáveis”.

Ana Jara declarou também que: “Alguém chamou a Lisboa a Capital Europeia da Demolição. Esta é uma obra do mesmo pelouro da Capital Verde” disse a vereadora comunista e quis esclarecimentos absolutamente claros sobre a sua questão: “Qual era realmente o estado de conservação deste edifício?”, argumentando que com as “metas de sustentabilidade ambiental tão abstratas”, a cidade de Lisboa “não tem relação nenhuma com a reabilitação”.

Mais se esclareceu que a Direcção-Geral do Património Cultural tinha autorizado a intervenção desde que essa não levasse o caso para “o desmonte integral do edifício”, o que, efetivamente acabou por acontecer. Estes factos fizeram surgir uma imensidão de críticas nas redes sociais durante o fim-de-semana passado, de tal forma que o Fórum Cidadania Lx enviou uma carta de protesto à Câmara de Lisboa e o grupo cívico Vizinhos da Estrela divulgou o projeto publicamente, mal conseguiu o acesso ao mesmo.

Ora, o vereador do ambiente, Sá Fernandes, reafirmou, tal como já fora igualmente esclarecido pela autarquia, que a necessidade de demolição fora atestada por um relatório da empresa Spy Building de 2016. O vereador afirmou então que: “Há dois relatórios do mesmo dia. Um que analisa as peças que ainda estão sãs. Depois há outro relatório que analisa as patologias” acrescentando a garantia de que: “78% da totalidade dos pilares exteriores encontram-se degradados”. Aconteceu ainda por cima, segundo Sá Fernandes, que entre esses relatórios e o lançamento do concurso de empreitada (2019) e daí até à atualidade passaram mais quase cinco anos, o que levou a que: “uma parte da cobertura ficasse muito instável” impossibilitando, também aí, a recuperação.

Todos estes esclarecimentos de Sá Fernandes constituíram, no seu conjunto, a primeira intervenção pública do vereador no que se refere ao presente projeto. Aliás o autarca fez questão de incluir todos os outros vereadores na problemática ao acrescentar: “Este projeto veio aqui a reunião de câmara. Já sabíamos disto em 2016, já sabíamos disto quando foi lançado o concurso”.

Esclareceu igualmente que o comunicado da câmara de 26 de janeiro, que anunciava as obras, apenas reportava uma “intervenção de conservação e restauro” e “a reformulação integral das fundações”. Para além disso, refere que, apenas na última semana, é que foi feito uma adenda esclarecendo que, a degradação dos últimos cinco anos tinha levado a que “cerca de 70% dos materiais de origem não estivessem em condições de ser restaurados”.

Contudo, apesar de todas as contestações, Sá Fernandes afirma que a reabilitação do chalé da Estrela “não é um pastiche”, ou seja uma mera cópia de somenos valor. Aliás, garante que a sua reconstrução integral “vai ser um caso exemplar”. Afirma ainda poder garantir que o edifício “vai ser um caso exemplar de um edifício em madeira que vai ser construído exatamente da mesma forma”.

Com esta conclusão, amiga Berta, e nada me leva a suspeitar do vereador nesta matéria, podemos concluir que a demolição do edifício se ficou a dever à lenta tomada de decisões por parte da Câmara Municipal de Lisboa e que, devido a isso, a única solução encontrada foi a reconstrução integral do Chalé da Estrela, respeitando em absoluto o tipo de construção e materiais utilizados na época para o erigir pela primeira vez. Se assim for feito nada terei a criticar, veremos se a palavra se mantém.

O que mais me espanta é que na altura em que os protestos foram difundidos no Facebook já o vereador do Ambiente tinha efetuado publicamente todo o esclarecimento. Afinal, se devido ao tempo que passou até ao arranque das obras, devido à burocracia, o Chalé da Estrela teve de ser demolido totalmente, responsabilizando-se a Câmara de Lisboa pela sua reconstrução exatamente nos termos do projeto original, não vejo que mal tenha vindo ao mundo, e confio mais na reconstrução do que numa reabilitação matreira. Com isto me despeço amiga Berta, deixo um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Parabéns Bairro de Campo de Ourique. Feliz Aniversário.

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Olá Berta,

Hoje, Campo de Ourique está de parabéns. Faz anos, é dia de Aniversário, não da freguesia, mas do Bairro em si. Este aniversário secreto não foi fácil de descobrir, porém, nos tempos que correm, um jornalista freelancer, com 58 anos, pode muito bem usar os tempos livres para investigar. Afinal, tenho que tirar algum proveito e prazer dos meus 40 anos de jornalista e dos 28 que dediquei à investigação. Ainda mais que esta foi uma investigação à qual consagrei bastante tempo e alguns recursos.

Contudo, porque o esforço e dedicação sempre vão tendo as suas compensações, lá acabei por descobrir que o meu Bairro de Campo de Ourique tem um dia de Aniversário e até um dia de conceção. Deixaram de ter importância os arquivos poeirentos da Torre do Tombo ou da autarquia em que remexi, os acervos pessoais de muita gente, os estudos que encontrei em livros ou na internet sobre o bairro e até as consultas que fiz, em diversas universidades, a teses de doutoramento sobre Campo de Ourique ou os acervos históricos que consultei. O que importou mesmo foi terminar.

Abri uma garrafa especial de Cognac Remy Martin X.O., que tinha muito bem guardada, aqui em casa, e interrompi a dieta de zero álcool que ando a fazer, tem meses, enquanto espero pela minha operação à vesícula, para poder celebrar condignamente a descoberta.

O BAIRRO DE CAMPO DE OURIQUE CELEBRA 140 ANOS HOJE:

5 DE JULHO DE 2020

Com efeito, o bairro nasceu a 5 de julho de 1880, depois de uma gestação de quase 2 anos. Não vou contar aqui as aventuras e desventuras que me levaram a esta descoberta, porém, não posso deixar de não agradecer nestas linhas à Doutora Susana Pais de Almeida Maia e Silva Correia Diniz que, graças à sua magnifica Dissertação de Mestrado em História da Arte Contemporânea, publicada em 2013, comprovou de forma inequívoca as minhas próprias conclusões.

Nos inícios do século 18 existia um vasto local, na então periferia urbana de Lisboa, chamado Tapada do Campo de Ourique. Os terrenos eram pouco acidentados e situavam-se num planalto praticamente sem declives. Tratava-se de um terreno de grandes dimensões, cercado, que mirava a capital e o rio do alto do seu posicionamento estratégico face à cidade e à morada das Tágides.

A aguarela que reproduzo a preto e branco ilustra bem a referida tapada, embora a perspetiva do pintor nos dê a entender existir um relevo bem superior ao realmente existente na área, à data da pintura.

Aguarela do Século XIX Campo de Ourique.jpg

Já o mapa que apresento de seguida nos esclarece melhor sobre o terreno a que me refiro e tira algumas dúvidas sobre os limites da dita Tapada do Campo de Ourique, até então totalmente desprovida de construção. Contudo, convém esclarecer que, ainda no século anterior, a tapada tinha perdido, já dentro dos seus limites, alguma área para a edificação de um edifício militar, que por esse motivo foi chamado de Quartel de Campo de Ourique, corria o ano de 1758. Já 25 anos antes, em 1733, a roer os limites da tapada, tivera lugar a construção do Cemitério de Lisboa Ocidental, que visava dar paz a parte das vítimas do surto de cólera desse terrível ano. Aliás, é da mesma altura, e foi construído por igual motivo, o Cemitério do Alto de S. João.

Mapa de Campo de Ourique 1812.jpgMapa da cidade de Lisboa. 1812 conforme as observações feitas por um oficial do exército de (…)

Marechal Duque de Wellington, I. Tomkins, 1812 (MC, GRA 292. Col. Vieira da Silva)

A adoção do nome de Cemitério dos Prazeres, é posterior à construção e foi escolhido aquando da sua passagem para a gestão municipal. Reza a lenda, que junto a uma fonte, anteriormente existente no local, teria aparecido a Virgem Maria. A quinta e a ermita construídas junto à fonte tomaram então o genérico da santa, a Nossa Senhora dos Prazeres, tendo aquela área sido desanexada da tapada de Campo de Ourique. Contudo, há historiadores que afirmam que a Quinta dos Prazeres nunca fez parte da tapada, embora pequem pela demonstração factual dessas afirmações. O que importa aqui é referir a existência destas construções limítrofes à restante Tapada do Campo de Ourique.

Uma outra zona delimitava a tapada no seguimento do Quartel (anoto aqui que a tapada era composta por 4 quintas, segundo alguns documentos e por 8 segundo outros, se bem que eu não tenha conseguido descobrir nem os limites destas últimas 4, mas apenas os seus nomes, nem sequer consegui identificar sequer os seus proprietários). Todavia o nome da zona que ladeava, em colina, a tapada e o quartel, era a bem mais antiga Freguesia de Santa Isabel, criada em 1741, tendo a sua igreja iniciado a construção em 1742, área, portanto, bastante anterior ao aparecimento do Bairro de Campo de Ourique em 1880.

São os arruamentos de Santa Isabel que se podem observar à direita no mapa acima apresentado, pois a freguesia permitia a ligação da cidade ao quartel. Na parte inferior do mapa ficava a antiga Freguesia da Lapa desanexada à de Santos-o-Velho em 1770, devido ao seu crescimento para a zona da Estrela, cuja Basílica foi concluída em 1779. Contudo, o lado sul não estabelecia, tal como do lado do Cemitério dos Prazeres, qualquer acesso direto à Tapada do Campo de Ourique. Já o cimo do mapa anterior fica delimitado pela atual freguesia de Campolide, à época parte integrante da freguesia de S. Sebastião da Pedreira, mas em grande crescimento, para fazer face à imensidão de trabalhadores e mestres necessários para a construção do troço local do Aqueduto das Águas Livres durante o Século XVIII. De referir ainda a inexistência de acessos à tapada no setor norte da mesma.

Tapada do Campo de Ourique 1857.jpg

Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, dir. Filipe Folque, lev. Carlos Pézerat, Francisco Goullard e César Goullard,

Plantas nº 24 (3), 25 (4), 32 (5) e 33 (6),1857 (AML-AC, CMLSB/URB/A/01)

Convém não perder o foco do assunto central desta carta, minha querida Berta, com efeito, em 1878, a Tapada do Campo de Ourique, mantinha o seu aspeto integralmente rural. Conforme podes constatar nas plantas das cartas topográficas acima apresentadas, datadas de 1857. Porém, precisamente no início do século XIX a tapada foi agregada à Freguesia de Santa Isabel e passou a fazer parte integrante da zona urbana de Lisboa.

Conforme já referi esta área estava dividida em 4 grandes quintas (a Quinta da Pacheca Grande que juntava a si a Quinta do Bahuto, a Quinta da Pacheca Pequena, a Quinta do Dourado e a Quinta do Dourado de Baixo). Os proprietários das quintas da Pacheca (adquiridas por eles em 1878) eram os donos da firma de construção civil Silva, Esteves, Lopes e Companhia e pretendiam construir na Tapada do Campo de Ourique tendo, por isso, apresentado à Câmara os seus planos ainda em 1878. Ora a autarquia, desejosa de expandir a zona urbana, em grande crescimento à época (basta lembrar que na altura se preparava o início da construção da Avenida da Liberdade), rapidamente abraçou a ideia, tendo vistoriado os terrenos ainda nesse ano.

A autoria do plano do novo Bairro de Campo de Ourique tem sido indevidamente atribuída ao Engenheiro-Chefe na autarquia, ligado à Repartição Técnica, Frederico Ressano Garcia.

Porém, o verdadeiro autor do plano, criado ainda em 1878, do novo Bairro de Campo de Ourique é Augusto César dos Santos, então chefe da 2ª secção da 3ª Repartição Técnica da Câmara Municipal de Lisboa. Durante bastante tempo a negação da autoria deveu-se ao facto de, à data destas demandas, Augusto César dos Santos, ainda não ter os diplomas académicos necessários, sendo considerado apenas Condutor de Obras Públicas, qualquer coisa como os atuais capatazes, que são, ainda hoje, quem se encontra efetivamente no terreno.

Contudo, a Doutora Susana Diniz, não tem dúvidas, na sua Tese de Mestrado, em atribuir a autoria do nome do bairro e a elaboração do respetivo plano e plantas de pormenor, a Augusto César dos Santos que (que eu tenha descoberto) nem um chafariz anão ou uma placa minúscula tem com o seu nome em todo o bairro.

Campo de Ourique Zona da Igreja.jpg

Fotografia aérea de Campo de Ourique e Igreja de Santo Condestável, Mário Oliveira, 1950-1959 (AMF-AC, A 24526)

Como curiosidade apenas, convém referir que o bairro foi construído em 4 fases e que levou bastantes anos até abranger o atual formato. Os mais puritanos chegam a afirmar que a Rua Silva Carvalho serve de fronteira ao Bairro de Campo de Ourique, embora a Freguesia de Campo de Ourique se estenda ainda até ao Rato. Quanto às fases de construção do bairro, estas foram planeadas e projetadas em sequência, tendo implicado vários estudos e levantamentos da mais variada ordem, assim:

Primeira Fase: 1878 – 1906 - Início do projeto de edificação e construção do Bairro de Campo de Ourique.

Segunda Fase: 1906 - 1914 – Desenvolvimento do primeiro plano oficial de ampliação e amplificação do Bairro

Terceira Fase: 1914 – 1932 - Atuação da Empresa de Terrenos de Campo de Ourique Lda. Novos alargamentos.

Quarta Fase: 1932 – 1958 - Novos equipamentos, definição de limites do Bairro e conclusão oficial dos trabalhos (contudo, na realidade, apenas terminados em 1964).

Nota: Para alguns autores a primeira fase ainda é dividida em duas. Uma que começa logo em 1870 com a aquisição e terraplanagens em volta da zona do quartel de Campo de Ourique e termina em 1984, quando os primeiros arruamentos e infraestruturas são concluídos. Por outro lado, a segunda tem início logo de seguida com a consolidação e ampliação da malha de ruas que termina em 1906.

Ainda importa referir que muitos dos novos residentes das habitações do Bairro de Campo de Ourique eram igualmente os construtores das mesmas. Tendo o bairro sido projetado para albergar, como veio a acontecer, a pequena e média burguesia, já que a alta burguesia estava a ser instalada ao longo da Avenida da Liberdade.

Isso fez com que o Bairro, desde o seu início limitado em acessos à restante cidade, criasse rapidamente uma enorme rede de comércio e serviços que viriam a ser definidores das suas caraterísticas tão específicas e peculiares, a tal ideia do bairro ser uma aldeia dentro da cidade, coisa totalmente inexistente em qualquer outro bairro da cidade construído antes ou depois deste.

Mercado CO.jpg

Mercado de Campo de Ourique

Em resumo:

  • O Bairro de Campo de Ourique destaca-se pela existência, na atual Rua Infantaria 16, de uma vila operária, conhecida como “Pátio das Barracas”. Este conjunto habitacional foi construído em 1879 pela Firma Silva, Esteves, Lopes e Companhia, para albergar os operários que trabalhavam na construção dos imóveis planeados por si para o bairro. O Pátio das Barracas destaca-se ainda por ser o primeiro e único exemplo da preocupação com a habitação do operariado num bairro, tendo depois o exemplo sido seguido para os bairros da Estefânia, de Santo Amaro, da Avenida Almirante Reis, entre outros. Todavia, embora tenha efetuado grande pesquisa sobre o tema, não consegui saber a data certa, apenas sabendo que foi em 1879.
  • O primeiro projeto de edificação em Campo de Ourique entra na Câmara Municipal de Lisboa a 18 de outubro de 1878 e foi aprovado a 15 de novembro de 1878.
  • O termo “bairro”, referido ao projeto do Bairro de Campo de Ourique, apenas surge de forma explícita na documentação cartográfica, apresentada por Augusto César dos Santos, relativa a esta urbanização, em 1880 (nas atas das sessões da Câmara Municipal de Lisboa), mais precisamente, a 12 janeiro de 1880.
  • Em julho 1880 a Firma Silva, Esteves, Lopes e Companhia requer à Câmara Municipal de Lisboa que atribua numeração aos prédios já concluídos (um conjunto de 8 edifícios, de 3 andares cada (mais águas-furtadas), destinados a 2 inquilinos por piso, e uma vila, de pequenas dimensões, constituída por 2 alas de pavimento térreo, destinada a 30 inquilinos (com lavadouro comum), com uma capacidade total para albergar perto de 200 pessoas, muitas das quais aguardam essa numeração para poderem tomar posse das habitações. Estas construções ainda existem e constituem as edificações mais antigas de todo o bairro. Com a aprovação em ata (p. 387) da numeração, fica oficializado o aparecimento do Bairro de Campo de Ourique, precisamente no dia 5 de julho de 1880.

Por outras palavras e com menos palavreado, as datas chave relativas à conceção e posterior nascimento do Bairro de Campo de Ourique são:

  • 18 de outubro de 1878 – 1.º Projeto de Edificação para a Tapada do Campo de Ourique.
  • 15 de novembro de 1878 - Aprovação camarária do projeto que dera entrada no mês anterior.
  • Novembro (possivelmente, sem certezas) de 1879 – Construção do Pátio das Barracas para os trabalhadores.
  • 12 de janeiro de 1880 – Nomeação da designação oficial do Bairro de Campo de Ourique.
  • 5 de julho de 1880 – criação oficial por atribuição de moradas do Bairro de Campo de Ourique.

 

Já vai longa a minha carta de hoje, minha querida amiga Berta, contudo tens de reconhecer que o bairro merece. É com a satisfação de quem hoje comemora o aniversário do seu adorado bairro, com uns novinhos 140 anos, acabadinhos de fazer, que me despeço com um beijo saudoso.  Sempre ao dispor, reafirmando que podes contar comigo para o que precisares,

Gil Saraiva

 

 

Carta à Berta: O Requerimento à Câmara Municipal - Ruído em Campo de Ourique

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Olá Berta,

Escrevi ontem um requerimento para a Câmara Municipal de Lisboa. Não fiques intrigada, isto sou apenas eu farto dos abusos praticados nas cargas e descargas dos 3 supermercados da Rua Francisco Metrass em Campo de Ourique. Já se tornou banal os camiões chegarem antes das 6 da manhã, como se fossem realmente os Reis da Rua. Nem sequer distingo o Minipreço, do Pingo Doce ou do Go Natural (da Sonae). São os 3 em conjunto que geram o problema. Em resumo, o direito ao descanso da vizinhança e ao respetivo silêncio, não tem lugar na ordem de prioridades destas superfícies do retalho.

Mando-te, embora tenha tapado os meus dados pessoais com uns “aliens”, uma cópia do requerimento enviado para a autarquia. Nele solicito 3 coisas:

  1. Uma fiscalização devidamente bem elaborada que acabe, definitivamente, com os abusos praticados no que se refere aos horários de cargas e descargas presentemente em vigor na Rua francisco Metrass em Campo de Ourique, mas uma fiscalização que multe e penalize esta gente de acordo com o que a própria lei prevê;
  2. Um esclarecimento sobre como é possível uma deliberação e regulamento camarário se poderem sobrepor aos Decretos-Lei que se encontram em vigor no que concerne ao Regulamento Geral do Ruído.
  3. Um pedido de alteração do horário de funcionamento das cargas e descargas, para tentar que o mesmo só seja autorizado a funcionar a partir das 8 horas da manhã.

Eu sei que provavelmente esta última solicitação vai cair em saco roto. Afinal estas cargas e descargas afetam pouco mais de 200 pessoas. Um peso que pode não chegar para obrigar a Câmara Municipal a repensar o horário atribuído a estes “aliens” que, por não pertencerem ao bairro, se estão nas tintas pelo respeito de vizinhança que deveriam ter.

Contudo, se for efetuada uma fiscalização séria aos abusos no que aos horários diz respeito, pode ser que, com sorte e algum bom senso, deixem de existir cargas e descargas antes das 7 da manhã, o que, a acontecer, já era um progresso muito significativo.

Estou ainda curioso de saber como a Câmara vai ou não contornar o facto de estar a fazer letra morta do Regulamento Geral do Ruído ao colocar horários de carga e descarga de camiões, em áreas residenciais, antes da hora estipulada por aquele regulamento.

Prometo enviar-te notícias assim que obtiver uma resposta final dos serviços. Porém, caso tudo fique em águas de bacalhau, estou decidido a avançar para um abaixo assinado a enviar conjuntamente com um segundo requerimento, espero é que isso não seja preciso, mas apenas pela trabalheira que dá e pelo tempo que demora.

Por hoje é tudo, despeço-me com um abraço enorme, sempre saudoso, este que não te esquece,

Gil Saraiva

 

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