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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Eles andem aí, cuidado, muito cuidadinho...

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Olá, olá Berta,

Como vai a vidinha por aí? Espero que a adaptação esteja a correr pelo melhor. Por cá as notícias continuam a dar comigo em doido. Dias há em que penso não ligar às coisas que leio, mas a necessidade de opinar não me deixa descansado. A minha missiva de hoje é alegadamente a mais alega de todas elas. Ao fim ao cabo, é sobre o SIS, o Serviço de Informações de Segurança, a CIA à portuguesa.

O diretor-geral dos nossos serviços secretos, Adélio Neiva da Cruz, o senhor que se recusou no parlamento, mais concretamente na Comissão Parlamentar dos Assuntos Constitucionais, a responder, por 2 vezes, em 2014, se era ou não um elemento ativo e bem posicionado da maçonaria portuguesa, uma organização, ao que parece, mais secreta que os próprios serviços secretos nacionais, veio ontem a público, numa intervenção pública na Universidade do Minho, em Braga, dizer que: “a Europa não está livre de um novo ataque terrorista de larga escala”, terminando a sua intervenção com a seguinte informação: “Estamos hoje mais fortes e inequivocamente mais preparados e mais capacitados para combater a ameaça terrorista que se desenha no futuro”.

Sabes Berta, não sei o que me preocupa mais, se a propaganda de um diretor-geral sobre as futuras ameaças terroristas de que nada sabe, com vista à angariação de mais recursos financeiros para a sua organização, alegadamente liderada por um maçon cuja agenda me é desconhecida, se a possibilidade de uma ameaça terrorista em território nacional.

Afinal, se tivermos em conta que, só para medidas antiterroristas, Portugal gasta mais de 3 milhões de euros por ano, desde de 2004 até aos dias de hoje, bem perto dos 50 milhões se somarmos tudo, imagine-se a verba se a ameaça de larga escala se concretizar, seja a onde for, na Europa. É que o dinheiro em causa dava, por exemplo, para reforçar apoios socias de 417 euros, doze meses por ano, durante 10 anos, a pouco mais de mil pessoas.

Poderão os puritanos defensores do sistema dizer que eu estou a afirmar que não devia existir SIS em Portugal, o que não corresponde, em nada, às minhas palavras (até podiam ter razão, mas não é isso que está em causa). Eu não contesto a existência de uma polícia secreta, no contexto ocidental, em Portugal. Se calhar pareceria mal, aos nossos aliados, não termos nenhuma. Mas, sem contar com as quantias destinadas ao antiterrorismo, as secretas custaram-nos, só no presente século, em orçamento conhecido (ainda falta saber quanto passa por debaixo da mesa na atribuição de fundos secretos) qualquer coisa como 632 milhões de euros. Ou seja, mais de 2,6 milhões de euros por cada mês, durante os últimos 20 anos, para além dos já referidos fundos antiterroristas, entre outros.

Só para termos um termo comparativo, este valor é mais de metade do montante destinado à agricultura, florestas, desenvolvimento rural e recursos hídricos, em Portugal, em 2019, e isto antes das cativações de Mário Centeno.

Contudo, minha querida Berta, não me vou alargar muito mais com este tema sensível, apenas te digo que gostava imenso de saber onde, e em quê, aplica o SIS 3 milhões de euros todos os meses, deste 2000, ininterruptamente. Porém, como não me agrada a ideia peregrina de ter os ditos a investigarem-me seja lá por que razão for, faço minhas as palavras ditas, em 2007, por um idoso, alentejano e comunista ferrenho, de seu nome Manuel Machado, a propósito dos fascistas: <<Eles “andem” aí, cuidado, muito cuidadinho…>>.

Despeço-me com um sempre saudoso beijo, deste teu eterno amigo,

Gil Saraiva

 

Futebol: Sporting, Porto, Benfica, Sporting de Braga

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Olá Berta,

Gostava de perceber porque é que não és minha amiga no Facebook, nem sequer vês os meus blogs. Deixo-te os endereços: http://alegadamente/blogs/sapo.pt, http:// gilcartoon/blogs/sapo.pt e http:// plectro/blogs/sapo.pt, são 3, podes escolher o que quiseres. O primeiro tem as cartas que te mando, o segundo reúne os cartoons da Miga, a Formiga e o terceiro comporta os Desabafos de um Vagabundo, atualmente na série beijos.

Contudo, mudando de assunto. Tu achas que o Benfica está mesmo a tentar fazer tudo o que pode para efetuar uma boa prova na Liga dos Campeões? É que eu quase que juro que a águia anda a ver se não passa aos oitavos de final, todavia, sem sair muita vergonha. Só não entendo qual é a estratégia, tu percebes? Já o Sporting está como peixe na água. A Liga Europa é banheira para o leão lavar as mágoas de outros campeonatos menos conseguidos. Quanto ao Porto parece-me óbvio que a Liga Europa não é a praia do dragão. O clube precisa de grandes palcos, coisa tipo Liga dos Campeões, ou quiçá, copa da Ásia ou da Oceânia, desculpas de quem parece que se está a cagar para a Liga Europa, embora na verdade o que realmente acontece é que a equipa perdeu o fogo, talvez o dragão anda constipado.

Tu podes dizer que o mesmo se passa com o Benfica. Podes, mas quase que aposto que não tens razão. O Benfica, mais uma vez, embora não o diga, continua apenas focado no campeonato nacional. Afinal na Champions o Bruno Lages é mais novato que bebé de fraldas, talvez se safe daqui a 2 anos, se ainda for o treinador. A meu ver os encarnados, se querem ganhar algo internacionalmente deviam tentar primeiro a Liga Europa e depois, aos pouquinhos, marcar posição na Liga dos Campeões. O Sporting, esse sim, está a tentar fazer da Liga Europa a sua montra, tal como o Sporting de Braga. O campeonato corre mal a ambos e a Liga Europa pode ser a melhor maneira de salvar a época.

Já sei que me vais dizer que eu não sirvo para analista de futebol. Todavia, acho-me bem melhor que mais de metade dos comentadores desportivos das diferentes televisões. Sei falar, não repito cassetes, não transmito recados de nenhum clube, nem mesmo recebo comissões de ninguém.

Enfim, eu adoro futebol, tenho direito aos meus alegadamente como qualquer outro. Não podes levar a mal. Fica bem minha querida, recebe um beijo saudoso deste amigo que não te esquece,

Gil Saraiva

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