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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Memórias de Haragano - A Revolução Começa na Cama - Parte XVI - Última

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Olá Berta,

Termina hoje o longo capítulo das Memórias de Haragano, mais propriamente aquele que afirma que <<A Revolução Começa na Cama>>. Na próxima carta as memórias continuam, contudo, sem mais demora, daremos entrada no segundo segmento. <<Confissões em Português>>.

Espero que estejas de acordo comigo quando digo onde começam todas as revoluções, sejam as minhas ou aquelas que fomos acompanhando ao longo da história. No meu entender a razão é simples: antes de levarmos a cabo uma revolução temos sempre, em primeiro lugar, que sonhar com ela. Ora, como é absolutamente evidente, o melhor lugar para se sonhar, foi, é e será sempre, a cama. Berço de todas as verdadeiras revoluções.

Memórias de Haragano: A Revolução Começa na Cama – Parte XVI

“Se a sensação que me levou a <<poetar>> é algo de negativo ela é, ao ser escrita, arquivada num arquivo morto. Consigo por de lado o desgosto, a dor mais profunda depois de a transcrever completa e devidamente. Mesmo quando releio um desses excertos é como se já não fosse bem coisa minha, é, enfim, quase como se se tivesse transformado em algo que apenas se gerasse enquanto fruto da minha imaginação. Se pelo contrário foi uma coisa boa que me levou ao arquivo ela é, depois de passada a palavras e a texto poético, um motivo de consulta, um arquivo vivo, dinâmico, catalisador de energias positivas, um animador do desânimo e da nostalgia, ou seja, o melhor antidepressivo natural que conheço.

Agora que terminei a minha já longa palestra sobre o ato de escrever (mas dentro dos parâmetros do acordo ortográfico) sou levado a concluir que Clarice Lispector era capaz de ter alguma razão <<…se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu morreria simbolicamente todos os dias>>.

Abri o computador, digitei o email da revista Ler anexei o artigo e escrevi: Caríssimos, envio o artigo solicitado. Sai do programa e desliguei o computador. Decidi regressar à cama para terminar os meus profundos pensamentos, aqueles que me levam sempre a chegar à conclusão de que <<A Revolução começa na Cama>>. Sorri satisfeito.”

Desde que começámos esta aventura de te enviar diariamente uma carta, ainda não te ouvi queixar daquilo que lês. Já discordaste, já me contrariaste, já riste e já choraste, mas, ao que parece, até ao presente momento ainda não te fartaste de ler este teu bom amigo, querida Berta.

Pode não te parecer muito importante, porém a mim, provoca-me algum orgulho saber que, do outro lado de cada carta, estás tu, sempre disposta a mais 5 ou 10 minutos de leitura diária. É realmente maravilhoso e por isso, na despedida de hoje, te agradeço do coração. Um beijo sincero deste teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

Carta à Berta: Memórias de Haragano - A Revolução Começa na Cama - Parte XV

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Olá Berta,

Lembras-te daquela quadra minha que te enviei faz algum tempo. Foi no meio de uma série de cartas com quadras populares que criei quando me quiseste pôr à prova, a que me estou a referir rezava assim:

Sorria, nunca ande triste

Pelos caminhos da vida,

Que a vida, que em nós existe,

Não tem volta, só tem ida.

Fui repescá-la para esta carta precisamente para te dizer que é isso que eu faço com o que escrevo, é a minha forma de sorrir, mesmo perante acontecimentos que possam ser trágicos, Ao escrever, nesse caso, arquivo a mágoa e tiro-a da minha vista. Fica ali, parada, imóvel e segura. Contudo, atuo do mesmo modo com aquilo que me é prazenteiro. Nesse caso o arquivo serve de armazém, para que mais tarde possa, novamente, saborear um pouco do anterior momento de felicidade.

São truques simples os meus. Não têm a complexidade dos intelectuais ou dos sábios, contudo, funcionam na perfeição. Mas, vamos regressar às memórias, que já tardam em sair. Assim:

Memórias de Haragano: A Revolução Começa na Cama – Parte XV

“Voltando atrás, dizia eu que escrever, para mim, é uma de duas coisas, ou um processo de arquivo ou uma aspirina para a imaginação. Começando pela aspirina devo confessar que funciona maravilhosamente. Sempre que me dedico ao conto, à ficção ou ao romance, enfim à prosa, é a híper imaginação que muitas vezes me enche a cabeça, que eu aproveito para esvaziar, isso permite-me que, na minha cabeça, recomece o processo de criar novas situações, enredos, tramas e mistérios, seja o que for até que, a dada altura, lá tenho que tomar de novo a aspirina, ou seja, escrever novamente, para reequilibrar os níveis de ocupação cerebral, não ter insónias, conseguir dormir e descansar em paz e muito sossego.

<<Last but not least>> o meu escrever, enquanto inigualável processo de arquivo. É verdade, sempre que me viro para a poesia, e passo para o papel os versos que me vão na alma, consigo arquivar sentimentos, emoções, vivências, paixões, amores, desgostos, tragédias, mortes. Enfim, tudo o que respeita o nosso mundo sensitivo, emotivo e quase que arrisco dizer sensorial. Mas trata-se de um arquivo em duas partes. Bem delimitado, com todos os parâmetros realmente nos devidos lugares.”

É com esta minha forma de entender e digerir o que escrevo que, por hoje, parto e te dou descanso das minhas letras. Recebe um beijo deste velho amigo,

Gil Saraiva

 

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