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Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro

A partir de Julho de 2022 os blogs do Senhor da Bruma, assinados por Gil Saraiva, são reunidos em "alegadamente". Os blogs: Estro (poesia), gilcartoon (cartoons) e Desabafos de um Vagabundo (plectro) passam a integrar este blog. Obrigado.

A partir de Julho de 2022 os blogs do Senhor da Bruma, assinados por Gil Saraiva, são reunidos em "alegadamente". Os blogs: Estro (poesia), gilcartoon (cartoons) e Desabafos de um Vagabundo (plectro) passam a integrar este blog. Obrigado.

ALEGADAMENTE: Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro

Berta.jpgA partir de julho de 2022 os blogs do Senhor da Bruma, assinados por Gil Saraiva, são reunidos neste blog. Os blogs: Estro (poesia), gilcartoon (cartoons) e Desabafos de um Vagabundo (plectro) passam a integrar este blog que muda de nome para: ALEGADAMENTE: Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro, substituindo a antiga designação de: alegadamente.

Provisoriamente, até final do presente livro de poesia, "Melopeias Róridas Entre Armila e Umbra" e sempre que se justifique, as poesias e os textos poéticos serão publicados nos dois blogs (https://alegadamente.blogs.sapo.pt e https://estro.blogs.sapo.pt).

Evidentemente, a Carta à Berta, manterá o seu espaço neste blog, aparecendo sempre que o autor sinta a necessidade de desabafar com a sua querida e velha amiga Berta. As temáticas serão as de sempre, ou seja, o que eu queira destacar num dado momento ou que ache por relevante criticar num outro. Tudo pode ser tema, desde o que se na minha rua, no meu bairro, na região, num qualquer local no país e, porque não, no resto do mundo.

Quanto aos blogs Desabafos de um Vagabundo, cuja página fica em: (https://plectro.blogs.sapo.pt) e gilcartoon, devidamente localizado em: (https://gilcartoon.blogs.sapo.pt) os novos posts apenas passarão a constar no presente blog, ficando o arquivo dos posts anteriores mantido nos blogs anteriormente usados para os divulgar, ou seja, os três outros blogs (gilcartoon, plectro e estro) passam a ter a função de arquivos do passado e nada mais.

Dentro deste blog, denominado alegadamente, passarão a ficar registadas as minhas impressões do mundo, as quais eu considero alegadamente verdadeiras, mas que ficam protegidas pelo guarda-chuva do "alegadamente" enquanto opiniões que me pertencem e não como verdades irrefutáveis. A forma como eu vejo o mundo é só minha e pode coincidir ou não com a de todos os outros ou, pelo menos, com a de algumas outras pessoas. O modo como eu registo algo é apenas a minha maneira de o sentir e não uma norma que se sobreponha à opinião de terceiros.

Grato pela atenção que me dispensaram na leitura deste texto, Continuo por aqui.

Obrigado.

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 581: ESTAÇÃO de METRO no Jardim da Parada - Pedro Costa Mentiu

Berta 581.jpgOlá Berta,

Pedro Costa mentiu, em vídeo, nos esclarecimentos proferidos aos residentes, moradores e lojistas de Campo de Ourique, na resposta à pergunta colocada online por Luís Malta sobre as obras da Estação do Metro sob o Jardim da Parada. Vou afirmar que mentiu por, alegadamente, não ter sido devidamente inteirado de tudo o que está em causa. Mas isso não impede o facto de ter mentido.

A resposta pode ser ouvida e vista em vídeo no grupo de Campo de Ourique, e noutros grupos certamente, no Facebook, a partilha foi efetuada às 17:31 por César Laranjo no dia 26 de maio de 2022.

À pergunta de Luís Malta:

“Gostaria de saber por quanto tempo vai ser instalado o estaleiro das obras do Metro e quais as árvores que vão ser abatidas?” Do que o Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, Pedro Costa, respondeu importa-me realçar a grande maioria das explicações, assim como tentar verificar quais são os factos apresentados:

1) “Entendemos que é absolutamente prioritário a chegada do Metro a Campo de Ourique. Essa é a nossa principal prioridade.”

A minha Análise – Para quem e porque é que é prioritário colocar o Metro em Campo de Ourique, ainda por cima duas estações?

2) “Não devemos atrasar e discutir eternamente cada pedra tornando uma impossibilidade que o Metro cá chegue. O Metro tem que chegar e já vem tarde.”

A minha Análise – Ora, querida Berta, porque é que o Metro tem que chegar? Que franja dos habitantes o quer? Numa freguesia sobrelotada, uma das que tem maior densidade populacional em Lisboa e onde o custo de vida é um dos mais elevados, qual é a necessidade de duas estações de metro (sim duas, uma depois do shopping das Amoreiras, em direção ao centro do bairro e outra no Jardim da Parada) bem no centro do bairro. Não chegava a das Amoreiras? Porquê duas estações no bairro?

3) “Aquilo que existe é a garantia de que a expansão da linha vermelha é feita com fundos do PRR. O que significa que terão de ser gastos até 2025 ou 2026.”

A minha Análise – É óbvio que o Governo vai dar prioridade à linha de circular em Lisboa que, ao ligar o Rato ao Cais do Sodré completa o círculo daquela que será o eixo da circular fundamental do Metro em Lisboa. Depois vem a linha vermelha, como a menos prioritária, ou seja, minha querida amiga, enquanto o Estado pretende terminar o círculo até 2024, a linha vermelha está prevista terminar em 2026.

4) “Será esse o momento previsível da conclusão da obra. Em relação ao tema Estaleiro e Impacto Ambiental… Bom, o estudo de impacto ambiental que será apresentado amanhã…” (ou seja ontem dia 27/05/2022) ”… numa sessão onde estarei presente, e em que será, muito provavelmente, debatido, mais uma vez, na semana… na segunda semana de junho, no… no bairro, com o Metropolitano – foi esse o pedido que fizemos, pedimos que fosse feito esta semana… não houve disponibilidade do Metropolitano… estamos a discutir para a semana de 8 de junho - mas os resultados desse estudo apontam que não é provável que haja qualquer impacto no património arbóreo.”

A minha Análise – Aqui, Pedro Costa não responde a nada sobre o estaleiro da obra, o que constituía 50% da pergunta, fugindo absolutamente à questão de Luís Malta, (mas tendo em conta a duração dos estaleiros de outras estações o estaleiro ocupará a quase totalidade do Jardim da Parada e por um período nunca inferior a 18 meses). Porém, Pedro Costa mente, minha cara amiga Berta, muito embora use uma probabilidade para disfarçar a sua mentira, de forma a não parecer descarada, ao dizer que “não é provável que haja qualquer impacto no património arbóreo.” – Em resposta a Sara Beatriz Monteiro do Polígrafo, segundo os resultados do Estudo de Impacto Ambiental da APA, o Metropolitano de Lisboa enviou ao Polígrafo a seguinte resposta (que colocarei na integra no final desta carta) que é confirmada pela informação constante no artigo, ou seja, «é verdade. Obras de nova estação de metro em Lisboa vão obrigar a abater árvores no Jardim da Parada.» Mas o Polígrafo foi mais longe e apurou que não estão em perigo 3 lodãos, ou seja, 3 Celtis Australis, mas sim podem estar em causa um máximo de 11 árvores, 3 das quais fazem parte do lote das 4 árvores classificadas. Ora aqui não há como dizer que o Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, Pedro Costa, não mentiu. Mentiu sim e mentiu com consciência do que estava a fazer. (não deixes de ver, amiga Berta, o que o Polígrafo publicou na integra no final desta carta, aqui só alterámos o tipo de letra e omitimos as imagens que foram publicadas no respetivo site).

5) “Ora, no primeiro projeto, não era exatamente isto que constava não era exatamente isto que constava, aquilo que constava era a necessidade de abater 3 lodãos do Jardim da Parada, mas garantir a segurança de todas as árvores classificadas. Este, para nós é um ponto essencial: Não serão postas em causa as árvores classificadas do Jardim da Parada.”

A minha Análise – Para que se saiba o Jardim da Parada só tem 4 árvores classificadas. Quanto ao lodão-bastardo, a árvore referida pelo Presidente, é uma árvore caducifólia cuja altura máxima varia dos 15 e os 30 metros, designada por Celtis Australis, que circunda todo o jardim, ou seja, não se tratam de árvores de pequeno porte. Ora, Pedro Costa fala de um novo estudo de impacto ambiental a ser apresentado a 27/05/2022 e afirma que não serão postas em causa árvores classificadas. Assim sendo, Pedro Costa, pelo que concluímos, não tem conhecimento, (tal como nós também não temos), do resultado do novo estudo (será que existe um novo ou trata-se apenas de uma presentação do atual estudo?). O que significa, minha querida Berta, que na data em que Pedro Costa respondeu a Luís Mata, voltou a mentir, desta vez desculpando-se com um futuro e desconhecido estudo de impacto ambiental a ser ainda apresentado em 27/05/2022, ou então já teve acesso privilegiado, o que seria irregular, a um estudo de impacto que ainda se desconhece e que seria duvidoso aparecer agora, uma vez que a discussão pública sobre o tema termina já a 2 de junho próximo. Só por si, um novo estudo, em cima do prazo de conclusão da discussão pública, devia originar o prolongamento do prazo da referida discussão pública, o que não consta que possa vir a acontecer e, Pedro Costa, mentiu também ao dizer que o primeiro projeto só previa o abate de 3 árvores quando na realidade eram realmente 8.

6) “Em relação às árvores… o projeto inicial previa a necessidade de abater três lodãos. Não é um problema sério. Mas abater 3 árvores adultas é, na minha opinião, uma inutilidade e deve ser evitado.”

A minha Análise – Mais uma mentira reforçada, e vinda já do ponto anterior, querida amiga, sendo que esta mentira é absolutamente descarada, pois que segundo o Polígrafo o projeto inicial, “no Estudo de Impacto Ambiental relativo ao prolongamento da Linha Vermelha a Alcântara que se encontra atualmente em Consulta Pública, é referida a necessidade de abate de oito árvores”.

7) “E, portanto, aquilo que propus ao metro a 23 de dezembro…” (2021) “… foi a transferência da Estação debaixo do Jardim da Parada para a porta do quartel da Infantaria 16. Fechando a circulação daquele cruzamento, fazendo uma praça na porta do quartel e instalar ali a Estação de Metro de Campo de Ourique. Perde centralidade. Dois quarteirões, eventualmente, mas não uma centralidade extraordinária, a parte das saídas, podem, aliás manter-se, e, portanto, esta foi a proposta.”

A minha Análise – Como se o Metropolitano fosse fazer uma alteração tão radical que implicaria novo Estudo de Impacto, mais nova consulta pública e mais custos acrescidos de projeto, para além do facto de deixar duas estações de metro a apenas trezentos e poucos metros uma da outra. Esta resposta de Pedro Costa é o que eu chamo, minha amiga Berta, empurrar o problema com a barriga. E não sendo uma mentira, é, certamente, um absurdo.

8) “A resposta que tivemos do Metropolitano foi de dificuldades de engenharia na adaptação do traçado. Hoje mesmo, voltei ao assunto, junto do novo Ministro do Ambiente, que ficou de recuperar o tema junto do Metropolitano, e conversarmos nos próximos dias à cerca dessa hipótese ou da sua impossibilidade. Na sua impossibilidade, ficou assente a necessidade de reduzir ao máximo os impactos no Jardim da Parada. E de impactos falo de dois impactos: Primeiro – a necessidade de abater as árvores. - Está fora de questão o pôr em risco as árvores classificadas - aliás, o estudo do impacto ambiental diz que é pouco provável que haja qualquer impacto no património arbóreo e, portanto, façamos fé nesse estudo. E mesmo a defesa dos lodãos, que não sendo, eventualmente, património arbóreo, não me parece que haja um ganho extraordinário em que sejam abatidos e, portanto, aquilo que ficou de ser estudado e amanhã repetirei exatamente isto, na discussão pública é da hipótese de transferir os tuneis de ataque da obra do Jardim da Parada para as ruas Tomás da Anunciação e 4 de Infantaria.”

Um Pequeno Aparte: Aproveito este ponto, cara Berta, para fazer uma declaração de interesses. Não tenho nada de pessoal ou político contra Pedro Costa. Com efeito, fui militante do PS, com quotas pagas, até há uns sete anos atrás. Já fui assessor autárquico, na década de 90 de um Presidente de Câmara de Faro e também já estive quer na Comissão Executiva da Comissão Política Concelhia do PS Faro, quer na Comissão Política Executiva da Federação do PS Algarve. O PS tem sido, portanto, a referência política da minha vida. Apesar disso reconheço que sempre fui contra o direito monárquico há muito em voga no PS de os filhos dos políticos ascenderem, por causa de laços familiares a cargos políticos. Na década de 90 fui contra a ascensão de Jamila Madeira pelo simples facto de ser filha do notável do PS, Luís Filipe Madeira, tal como hoje sou contra a ascensão, pela via familiar, de Pedro Costa, a nível político, por ser filho de António Costa.

A minha Análise – Pedro Costa volta a mentir ao dizer que: “Está fora de questão o pôr em risco as árvores classificadas - aliás, o estudo do impacto ambiental diz que é pouco provável que haja qualquer impacto no património arbóreo e, portanto, façamos fé nesse estudo.” Mas não é isso que o Estudo de Impacto Ambiental diz, minha saudosa e querida amiga Berta, podemos ler no Poligrafo que: os autores do relatório consideram que “poderá haver impactos indiretos sobre as três árvores classificadas presentes no Jardim Teófilo Braga”. Ainda assim, este impacto negativo será “pouco provável, indireto, local, temporário, reversível, de reduzida magnitude”, podendo ir de “pouco significativo a significativo, dependendo das consequências da perturbação das raízes para a integridade das árvores”. Isto quer dizer que o Metropolitano tem o conhecimento prévio de que a construção da Estação do Metro de Campo de Ourique por debaixo do Jardim da Parada pode prejudicar, de modo significativo, 75% das árvores classificadas no Jardim da Parada, por consequência da perturbação das raízes na manutenção da integridade das árvores mas que deposita, tal como Pedro Costa, uma grande fé de que isso não venha a acontecer. Ainda assim, solicita à população que tenha fé de que tudo decorrerá, se houver otimismo e fé, sem incidentes graves. Viva a fé que todos nós, portugueses, temos nas expetativas auspiciosas de construtores de infraestruturas, do Metropolitano e das afirmações do inexperiente político (neste capítulo) Pedro Costa. Deixar o património Arbóreo entregue à fé é no mínimo algo muito preocupante.

9) “Esta é a proposta que farei amanhã e que espero ver garantida. Na primeira reação que tive do Sr. Ministro do Ambiente é da mesma vontade. Conciliar vontades com os autarcas e com as populações no âmbito da discussão pública do projeto.”

A minha Análise – Mas onde é que a dita vontade de políticos e ministros tem validade na prática e nas ações das construtoras? E desde quando é que a vontade de Pedro Costa é a vontade da população do Bairro de Campo de Ourique, o que te parece Berta? Saberá Pedro Costa que o Metropolitano prevê uma afluência de 5 milhões de passageiros por ano, no mínimo, às estações do Metro de Amoreiras e Jardim da Parada, as duas estações de Campo de Ourique? E saberá que isto resulta em que, no horário das 8 da manhã até às 19 horas, o Metropolitano prevê um fluxo de 1500 utentes por hora, todos os dias, doze meses por ano, incluindo sábados, domingos e feriados no nosso já congestionado bairro? E saberá que as saídas de Metro vão implicar a supressão de, no mínimo, 25 lugares de estacionamento na Rua Francisco Metrass e de, pelo menos, mais 10 na Rua Almeida e Sousa? E saberá que é do interesse dos residentes da Rua Francisco Metrass, que já têm cargas e descargas de dos camiões do Pingo Doce, Go Natural do Continente e Minipreço, a partir das 6 da manhã, ter mais de 600 pessoas por hora a sair e entrar nas Estações de Metro que irão ficar entre o Edifício Europa e o Supermercado Go Natural nesta rua? Não tem como saber. Como não pode saber que os habitantes do bairro queiram mais 5 milhões de pessoas, por ano, a andar ou passear pelo bairro.

10) “Julgo ter esclarecido os principais pontos do comentário do Luís Malta, mas de vários comentários que fui lendo ao longo da semana. Este afastar dos poços de ataque do centro do jardim permite, aliás, manter, naturalmente, o jardim mais transitável. O Metro tem previsto para o Jardim da Parada apenas uma saída, uma saída de elevador no local onde estão hoje os sanitários, e, portanto as saídas dos Metros de elevador nunca são saídas principais, são sempre saídas residuais. Há poucas pessoas que utilizem uma saída de elevador para sair de uma estação de Metro.”

A minha Análise – Não consigo compreender, cara Berta, como é que se coloca um elevador de Metro encostado a um Parque Infantil, achas que alguém me consegue explicar? Está certo que os 5 milhões de utilizadores anuais das estações de Metro de Campo de Ourique não irão todos usar o elevador do Metro do Jardim da Parada, encostado ao Parque Infantil, mas daqueles que usarem o elevador qual é a probabilidade de existirem pedófilos entre eles? Entre 5 milhões acho que a probabilidade tenderá a ser elevada. E dá-se acesso a possíveis predadores pedófilos a um Parque Infantil encostado a uma estação de Metro, ainda por cima, através de um elevador? O Senhor Presidente da Junta que me desculpe, mas acho que, uma obra destas, roça a incúria e incentiva o ataque dos predadores que, como é sabido, de anjinhos nada têm.

11) “As saídas previstas estão na Rua Almeida e Sousa, na Rua Francisco Metrass, e está-me a faltar uma, não consigo, não me lembro exatamente onde é, mas estão previstas duas na Francisco Metrass e uma na Almeida e Sousa e serão as principais saídas do Metro e não exatamente no jardim.”

A minha Análise – Ora bem, e tu acho que concordas comigo, minha cara Berta, o uso pouco frequente do elevador do Metro no Jardim da Parada, encostado a um Parque Infantil, ainda mais a possibilidade de este ser de uso apetecível dos prováveis predadores pedófilos que o descubram, não lhe parece senhor Presidente da Junta de Freguesia, Pedro Costa?

12) “Dar ainda nota sobre uma outra questão dos pedidos que fizemos ao Metropolitano para a intervenção no Jardim da Parada, garantir que um respiradouro previsto para uns canteiros seja uma grelha e não uma torre e, portanto, reduzir o impacto visual do mesmo num espaço tão importante como o Jardim da Parada.”

A minha Análise – Com efeito, caro Pedro Costa, espero que pelo menos essa sua expetativa se possa cumprir. Quando ao resto, infelizmente, a minha costela de ateu, não me deixa grandes esperanças na fé que o senhor e, pelo que afirmou, o senhor Ministro do Ambiente e também o próprio Metropolitano, parecem ter. O que te parece, amiga Berta?

------------------------- Fim da Carta à Berta -------------------------

Polígrafo

Passemos agora ao artigo de Sara Beatriz Monteiro, que aqui reproduzo na integra e que é acompanhado de imagens e que poderá consultar na integra no Site do Sapo, na respetiva página do Polígrafo, de 6 de maio do corrente ano em https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/e-verdade-obras-de-nova-estacao-de-metro-em-lisboa-vao-obrigar-a-abater-arvores-no-jardim-da-parada#. Onde se lê (as palavras a negrito são da minha responsabilidade):

Polígrafo

«É verdade. Obras de nova estação de metro em Lisboa vão obrigar a abater árvores no Jardim da Parada.

O QUE ESTÁ EM CAUSA?

Escreve-se nas redes sociais que o Jardim Teófilo Braga, também conhecido como Jardim da Parada, em Campo de Ourique, foi escolhido para “instalar uma estação de metro”. Numa publicação do Facebook, assinala-se que naquele espaço “existem algumas das mais importantes árvores de Lisboa”. O Polígrafo consultou o estudo de impacto ambiental da obra e concluiu que o projeto obrigará ao abate de algumas árvores sem classificação de interesse público.

“Esta gente perdeu o juízo de vez e acredita que vale tudo para concretizar as suas loucuras. Quem no seu devido juízo escolheria o histórico Jardim da Parada, onde existem algumas das mais importantes árvores de Lisboa, como o local ideal para esburacar e instalar uma estação de metro?”, questiona-se numa publicação partilhada num grupo de Facebook com mais de 27 mil membros, a 24 de abril.

O texto é acompanhado de uma imagem onde se vê um projeto da localização exata da futura estação que, segundo o post, poderá ser construída sob o Jardim Teófilo Braga/Jardim da Parada, no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa.

Confirma-se?

O Polígrafo consultou o Estudo de Impacto Ambiental do prolongamento da Linha Vermelha entre São Sebastião e Alcântara do Metropolitano de Lisboa, que está em consulta pública de 21 de abril a 2 de junho, e confirmou que as alegações feitas na publicação em análise são verdadeiras.

Segundo este documento, será “inevitável a necessidade de abate de algumas das árvores do Jardim da Parada para a instalação dos dois poços de ataque”, sendo que o número e porte das árvores a abater “dependem da localização exata e das medidas de segurança associadas à abertura dos poços de ataque”.

O estudo explica, contudo, que serão abatidas apenas árvores sem classificação de interesse público. No entanto, os autores do relatório consideram que “poderá haver impactos indiretos sobre as três árvores classificadas presentes no Jardim Teófilo Braga”. Ainda assim, este impacto negativo será “pouco provável, indireto, local, temporário, reversível, de reduzida magnitude”, podendo ir de “pouco significativo a significativo, dependendo das consequências da perturbação das raízes para a integridade das árvores”.

Num esclarecimento enviado ao Polígrafo, o Metro de Lisboa sublinha que “o abate de árvores no Jardim da Parada fica a dever-se apenas a necessidades imprescindíveis de âmbito técnico e de segurança para a concretização da construção da estação Campo de Ourique”.

Nesse plano, acrescenta, “os estudos das componentes de paisagismo e fitossanitária considera o abate de seis lódãos (celtis australis) no Jardim Teófilo Braga/Jardim da Parada, mas não integram o grupo de espécies florestais protegidas por lei específica”. A empresa adianta que “está prevista a reposição no final da obra de quatro árvores no âmbito da preocupação do Metro de Lisboa a nível paisagístico”.

 Importa sublinhar que, apesar de estar previsto o abate de apenas seis árvores no Estudo de Impacte Ambiental, um aditamento a este relatório salienta que "apenas em fase de projeto de execução será possível determinar, com rigor, quais as árvores afetadas pela implementação do projeto". Assim sendo, nesta fase, não se pode afirmar o número concreto de árvores não classificadas que serão abatidas.

De acordo com a mesma fonte oficial, “no Estudo de Impacto Ambiental relativo ao prolongamento da Linha Vermelha a Alcântara que se encontra atualmente em Consulta Pública, é referida a necessidade de abate de oito árvores”. No entanto, “o Metro e as entidades envolvidas já conseguiram reduzir esse número para seis árvores, com vista a minimizar e proteger a natureza envolvente”.

Em suma, é verdade que a construção da nova estação do metro em Campo de Ourique obrigará a abater algumas árvores. No entanto, segundo o estudo de impacto ambiental, os exemplares arbóreos com classificação de interesse público não correm risco de abate.»

Declarações do Metropolitano de Lisboa

Outras divulgações públicas do Metropolitano de Lisboa: “Amoreiras - A estação Amoreiras terá a sua localização ao longo da Rua Conselheiro Fernando Sousa, próximo do cruzamento desta com a Av. Engenheiro Duarte Pacheco. Prevê-se a sua construção a céu aberto, por método C&C (cut and cover) e terá uma profundidade de 18,5 metros.”

“Campo de Ourique - A estação Campo de Ourique ficará localiza sob o Jardim Teófilo Braga/Jardim da Parada, no bairro de Campo de Ourique. Esta estação representa um grande desafio do ponto de vista construtivo, considerando a malha urbana apertada, com arruamentos com uma única faixa de circulação por via e com falta de alternativas de estacionamento. A estação terá uma profundidade de 31 metros e três pontos de acesso.”

“O prolongamento da linha Vermelha está enquadrado no Plano de Recuperação e Resiliência 2021-2026 com um financiamento no montante global de € 304.000.000,00 (trezentos e quatro milhões de euros). A expetativa é que esta extensão da linha Vermelha esteja em concurso no ano de 2022 e que seja uma realidade em 2025/2026.”

“Os estudos realizados indicam que a procura diária captada nas quatro estações que integram este prolongamento corresponderá a um acréscimo no primeiro ano após a entrada em exploração de 11 milhões de passageiros (4,7%) em toda a rede. Considerando a análise a 30 anos, os benefícios gerados por este projeto da linha Vermelha ascendem a 1.047 milhões de euros. A nova configuração da linha Vermelha vai conseguir retirar da circulação diária de Lisboa 3,7 mil viaturas individuais, o que significa menos 6,2 mil toneladas de CO2 no primeiro ano de operação.”

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 580: ALERTA - Marcha Popular de Campo de Ourique e Saída de Metro no Jardim da Parada

Berta 580.jpg Olá Berta,

Campo de Ourique, talvez porque vivo neste maravilhoso bairro volta a estar na minha ordem do dia. Estou feliz porque o Bairro de Campo de Ourique voltará a participar nas Marchas Populares de Lisboa este ano, como habitualmente no próximo dia 12 de junho de 2022.

Não se trata de um bairro qualquer a participar nas marchas, mas sim de um dos Bairros Fundadores e Participantes no Primeiro Desfile no Parque Mayer em 1932, há precisamente 90 anos, nesta que sempre tem sido uma das mais claras homenagens ao Santo António.

Sob o lema “Campo de Ourique, Arraiais, Fado e outras coisas tais” o Bairro de Campo de Ourique marchará, novamente, este ano, na Avenida da Liberdade. Os preparativos e ensaios, ficam muito a dever-se aos Alunos de Apolo, e não pela primeira vez, mas a colaboração tem também outras gente e instituições envolvidas como não podia deixar de ser. A 29 de março tiveram início os ensaios que envolvem jovens dos14 aos 60 anos.

Contudo, a organização tem um apelo muito importante a fazer a todo o nosso Bairro: É preciso arranjar mais homens que queiram e possam entrar na Marcha. Por isso rapaziada toca a contactar com urgência os alunos de Apolo, eles tratarão de vos envolver no elenco, com todo o gosto e satisfação.

Se as Marchas Populares de Lisboa este Santo António são uma excelente notícia, já o rumor, cada vez mais forte e preocupante de que o Metro de Lisboa quer fazer uma saída em pleno Jardim da Parada revolta até os estômagos mais resistentes de qualquer habitante do Bairro de Campo de Ourique.

Por isso mesmo faço um outro apelo hoje. Quem está contra uma saída do Metro de Lisboa no Jardim da Parada, por favor envie um email, com os nomes e identificação do vosso agregado familiar, a dizer o seguinte: “Esta Família (ou apenas eu, se for o caso de viver sozinho) está contra a Saída do Metro no Jardim da Parada e igualmente contra o abate das suas árvores centenárias.”

Amiga e querida Berta, como também já cá viveste, peço-te que não te esqueças de enviares o teu email. O endereço para enviar esta opinião é: geral@jf-campodeourique.pt, deixo um beijinho do teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 579: Apelo aos Habitantes de Campo de Ourique!

Berta 579.jpg Olá Berta,

Faz algum tempo que não conversava contigo. A vida não tem sido fácil, nos últimos tempos isso calhou-me a mim. É desesperante estar há meio ano na expetativa da chegada de uma reforma, que tarda mês após mês, já sem meios de subsistência. A luta por uma sobrevivência tem o poder de retirar a quem luta a capacidade da partilha. Desculpa o meu feitio minha querida Berta.

Como sabes odeio os coitadinhos e as coitadinhas deste mundo que se queixam de barriga cheia, porque não ganharam no Euromilhões ou porque partiram uma unha. Tudo serve para uma pieguice pegada, que nos faz esquecer quem verdadeiramente precisa de ajuda.

Hoje, depois do Festival da Canção da Eurovisão 2022, em que venceu, ontem à noite, a canção da Ucrânia, venho fazer um apelo de Campo de Ourique para o mundo, mas principalmente para ti, minha querida amiga, e para o meu Bairro, o Bairro de Campo de Ourique. Neste domingo, 15 de maio, pelas 19 horas e amanhã, segunda, 16, à mesma hora, toca, toquem, nos vossos telemóveis, aparelhagens e computadores a música da Ucrânia.

As minhas dificuldades são uma pieguice pegada se comparadas com o que tem passado o povo da Ucrânia. Invadidos, mortos, torturados, arrasados por um invasor vizinho, prepotente, que se instalou em Guerra apenas por cobiça do país de quem dizia ser irmão.

Sejamos solidários para com a Ucrânia. Já estou cansado e desgastado de ver esta guerra em direto na televisão, quase já não consigo ouvir as suplicas do seu Presidente, que o nosso governo promove até à exaustão para esconder que é o único país da Europa que passou a esconder: os dados diários da Covid-19, os problemas com a subida do custo de vida, os serviços que não funcionam, um governo em quem votei mas que se esquece facilmente dos seus eleitores, por muito que isto me custe dizer.

Estou farto da guerra pela televisão, mas continuo firmemente solidário com a Ucrânia e com a sua luta. Aceita o meu apelo, querida Berta e hoje e amanhã, pelas sete da tarde, toca a música da Ucrânia, que venceu o Festival da Eurovisão. Deixo o link do YouTube: https://youtu.be/Z8Z51no1TD0. Recebe um beijo de despedida deste teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 578: O Dia Internacional do Beijo

O Colecionador de Beijos.jpg

Olá Berta,

Hoje é o Dia Internacional do Beijo, e não há melhor altura para apresentar a nova sequela do meu livro “O Colecionador de Beijos – Ensaio Sobre o Beijo”, denominada: “O Angariador de Beijos – Uma Temática Para a Eternidade”.

Nos tempos difíceis em que a guerra é o assunto dominante não há nada mais simples do que contrariar a maré enviando um beijo a alguém. Por isso mesmo, minha querida amiga Berta, aqui vai, revelando um pouco deste novo livro, um novo beijo:

Beijo de Namoro.jpgBeijo de Namoro, aquele que, embora possa parecer único e facilmente identificável, tem várias correntes ou vias de concretização. Para os românticos trata-se de um beijo de sedução, fascínio e entrega incondicional. Não tem condicionalismos que não sejam os que derivam da própria relação de entrega mútua. Porém, num cenário que envolva duas pessoas cumpridoras de rituais, sejam eles religiosos ou de mero pudor, traduz-se num beijo casto, impoluto, sem troca de línguas ou demoras exageradas pela paixão. Existem variadíssimos tipos de beijos de namoro, todavia, aquele que se considera mais representativo, mais clássico no género, é o que é partilhado na paixão sensual e mútua de quem se pensa entregar cegamente na fusão eterna entre dois seres, onde a pele sente o arrepio da espinha, o coração acelera batimentos sem motivo aparente, as secreções humedecem recantos na derme ardente e a vida parece, finalmente, ter encontrado a razão do seu perfeito existir.

Despeço-me enviando-te um especial beijo de amizade, este teu amigo saudoso que nunca te esquece, por muito que, por vezes, esteja ausente, mas sempre contigo no coração porque a amizade mais do que presença tem memória,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 577: Alerta DGS - Os Serviços Secretos da Saúde em Portugal

Berta 577.jpg Olá Berta,

Há quem diga que somos um país transparente, mas isso não é assim e nunca foi. O Estado em Portugal sempre preferiu a opacidade e o segredo a dar conhecimento ao povo daquilo que faz e das decisões que toma e em que são fundadas. Efetivamente, é mais fácil decidir se, quem tem de cumprir, não souber bem porque é que o tem de o fazer. Está na lei, dizem.

Podem pensar alguns que esta é a maneira socialista de governar, mas o erro será grave para quem pense desta forma. Este modo de agir vem dos tempos da monarquia, da ditadura e manteve-se depois de iniciada a democracia. Porém, como dá jeito, nunca se acabou com isso. Não importa se é o PS ou o PSD quem controla o Governo, porque ambos agem, nesse campo específico, exatamente da mesma maneira.

Desta vez foi a DGS (leia-se Direção Geral de Saúde) que decidiu tornar ainda mais opaca a pandemia em Portugal. Já existiam laivos graves de secretismo, todos sabemos que os dados da pandemia por freguesia, embora fossem conhecidos do Governo, nunca foram transmitidos ao público. Contudo, já nos tínhamos habituado a esta opacidade, agora, na ânsia da DGS se tornar em DGSS (leia-se Direção Geral de Saúde Secreta), o Ministério da Saúde permitiu que a esta direção geral se tornasse, de um momento para o outro, na Direção de Saúde mais secreta do mundo, aliás, corrigindo, na segunda Direção de Saúde mais secreta do mundo, pois que o primeiro lugar é ocupado pela Coreia do Norte, no que há divulgação dos dados da COVID-19 diz respeito.

Com efeito, até a Rússia Czarista de Putin é mais transparente relativamente aos dados da COVID-19 do que a nossa DGS. É triste que estejamos no 225.º lugar, em 226 países e territórios do total mundial, no que à transparência dos dados da COVID-19 diz respeito. Nem a China, nem a Venezuela, ocultam desta forma e com tanto apego os dados relativos à COVID-19. Aliás, conforme já disse e reforço, pior que nós só mesmo a Coreia do Norte.

Poderão os mais despreocupados dizer que também não precisamos de saber tudo. Que vivemos num país de medricas e que era preciso afastar da cabeça dos portugueses o fantasma da COVID-19. Todavia, o mais grave é que a DGS não está a ocultar os dados apenas da generalidade dos portugueses. Está enganado quem pensar que assim é. Até os especialistas, aqueles que até agora, desde que a pandemia começou, tinham acesso aos dados, para poderem criar os cenários de atuação ou fazer previsões da evolução futura da pandemia, ficaram, de um momento para o outro, sem acesso aos dados.

Mais grave ainda é que a tabela semanal divulgada pela DGS, vem agora carregada de erros. Por exemplo, esta semana, pelos dados divulgados e fazendo as contas seria de pensar que o famoso RT era inferior a 1, mas é o próprio relatório da DGS que afirma que ele já se encontra em 1,06. A coisa é de tal forma alarmante que o matemático Henrique Oliveira, veio esta semana denunciar que tudo está mal nesta nova atitude da DGS porque ela torna, assim, "verdadeiramente impossível fazer previsões a médio e longo prazo”, uma vez que os relatórios não incluem os dados diários e reportam dados com dias de atraso.

O matemático vai mais longe e chega a dizer que o novo relatório “é um relatório pobre” e que, “como matemático, não hesitaria em chumbar um aluno" que lhe "apresentasse um relatório destes”, com “muito pouca qualidade”. O homem diz não perceber “porque é que de repente números que são conhecidos das autoridades de saúde ficam secretos” e pede que: “Divulguem os dados, não soneguem informação, não escondam informação dos cidadãos”, para acrescentar que: é "verdadeiramente impossível fazer previsões a médio e longo prazo, uma vez que os relatórios não incluem os dados diários e reportam dados com dias de atraso, por serem divulgados à sexta-feira, com informação relativa à segunda-feira anterior.” Por isso, afirma: “É completamente impossível monitorizar e prever. E é completamente impossível atuar.”

Este e os outros especialistas que frequentavam as reuniões do INFARMED, para aconselharem o Governo nos passos a dar seguidamente, dizem que deixaram de ter acesso a qualquer informação credível, fiável e fidedigna, como até aqui acontecia. Ora sem isso, dizem, o país está a navegar completamente às cegas a coberto da guerra da Rússia e da invasão da Ucrânia.

Porém, afirmam, que o mais grave é que tudo aponta para estarmos a caminhar para uma sexta vaga e para um novo fenómeno já chamado de Longo Covid, uma doença que não fica no hospedeiro por uns dias, mas que pode demorar semanas ou meses a passar. Se nada for feito, afirmam, podemos um destes dias acordar no olho da tempestade perfeita, só que, nessa altura, será tarde demais para atuar.

É assim, minha querida Berta, que este nosso país à beira-mar plantado continua. Sujeito às birras de uma Graça Freitas (e companhia), que pretende retomar o poder perdido e agir a seu belo prazer. Só espero que alguém faça alguma coisa a tempo, enquanto há tempo. Despeço-me por hoje, com um beijo saudoso,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 576: As Desculpas de João Ferreira

Berta 576.jpg Olá Berta,

Estive a ouvir as declarações de João Ferreira à SIC Notícias, a propósito da guerra da Rússia contra a Ucrânia. Sinceramente, não entendo como é que uma pessoa inteligente e evoluída, por quem eu tenho elevada consideração, consegue fazer uma análise tão absurda da guerra. Porque raio é que João Ferreira prefere usar argumentos para desculpabilizar a invasão russa?

Francamente, muito sinceramente, não consigo entender. Se João Ferreira estivesse a defender a antiga Rússia Comunista ou a antiga URSS eu até entendia. Embora sendo uma ditadura, nesses tempos, a União Soviética dizia-se comunista, estando de acordo com a génese da fundação do PCP. Todavia, atualmente a coisa não faz o menor sentido, pensemos de que forma pensarmos.

A Federação Russa de hoje, financia partidos de extrema direita em todo o mundo, da França a Portugal, passando por Espanha, Hungria e por aí em diante. Quanto à política o comunismo russo foi há muito substituído por uma ditadura czarista autocrática, de direita, focada no culto da personalidade de Putin e apoiada numa tropa fandanga de oligarcas escolhidos a dedo pelo poder, para o representarem no mundo. Nenhum destes senhores defende o proletariado ou os trabalhadores. Então porque raio defende João Ferreira a invasão da Ucrânia e quase a guerra?

Sinceramente não consigo entender. Será o hábito da ligação à antiga ex-URSS? Têm receio de, agora, se sentirem repentinamente órfãos? O Partido Comunista Português já tem 101 anos de história, o que é idade suficiente para cortar o cordão umbilical com a falecida mãe, por muito que as teorias da mesma possam ter sido inspiradoras de um novo mundo que, diga-se, nunca se concretizou.

Se observarmos em detalhe o principal da entrevista de João Ferreira, até podemos concluir que ele condena a guerra da Rússia com a Ucrânia, só que, a forma rebuscada com que tenta atenuar a culpa russa dá vontade de lhe dizer que mais lhe teria valido ter ficado calado.

Vamos aos factos:

  1. João Ferreira diz que a existência de forças "com cariz paramilitar assumidamente fascista e nazi" no exército ucraniano está "devidamente demonstrada".
  2. João Ferreira defende que a posição do PCP em relação à guerra na Ucrânia tem sofrido de uma enorme "manipulação" por parte da comunicação social.
  3. João Ferreira informa que o partido acredita que esta guerra que nunca devia ter acontecido e que deve acabar "o mais rápido possível".
  4. João Ferreira diz que para "perceber a guerra é preciso saber como cá chegámos" e afirma que a invasão: "insere-se num conjunto de outros atos representativos de uma escalada".
  5. João Ferreira informa que "houve um conjunto de forças: o Batalhão Azov, o Setor Direito (Pravyy sektor), o Svoboda - qualquer uma delas de cariz paramilitar, assumidamente fascista e nazi, defendendo a reabilitação de colaboracionistas nazis como Bandera”, a terem sido integrados nas tropas ucranianas.
  6. João Ferreira explica que: “Isto não é propaganda russa, encontram todas estas referências ao longo destes últimos anos, em órgãos de comunicação social ocidentais. Tem sido dito que os neonazis foram a eleições e que têm expressão mínima, mas a expressão e o peso que têm ao longo dos últimos anos não pode ser medido por aí”.
  7. João Ferreira reitera que os nazis: “Foram inseridos no exército ucraniano e estiveram ao longo destes últimos anos a bombardear as populações do Donbass. Todo um contexto que não deve ser desvalorizado. Tivemos uma situação de ilegalização de forças políticas”.
  8. João Ferreira refere-se ainda ao conflito no Donbass, que "acontece há 8 anos", diz que os acordos de Minsk não foram respeitados e que esta é também uma situação que ajudou à escalada.
  9. João Ferreira avança que para pôr fim à guerra é preciso o: "regresso aos acordos de Minsk, a desmobilização dos meios da NATO que foram colocados na fronteira da Rússia, o cessar-fogo imediato com o fim de todas as hostilidades", tendo este comportamento de levar à saída das forças russas da Ucrânia.
  10. João Ferreira afirma que este é o caminho concreto para quem quer a paz, porém sublinha que: "a União Europeia não parece querer nada disto", aproveitando para esclarecer o seu desacordo com o envio de armas para a Ucrânia.
  11. João Ferreira acredita haver margem para negociar, e não vê incompatibilidade em condenar a invasão da Ucrânia por Putin e, simultaneamente, apontar o dedo a todas as situações que descreveu.
  12. João Ferreira termina dizendo que: “É possível constatar isto tudo como factos demonstrados, não os apagar, inseri-los no contexto que nos ajuda a explicar esta situação e ao mesmo tempo reconhecer na ação da Rússia uma violação do direito internacional que é condenável e não devia ter acontecido, como é condenável todo o processo.“.

O que João Ferreira não diz é que, mesmo que todo o seu contexto seja absolutamente verdadeiro e real, nada disso justifica a invasão da Ucrânia por parte da Rússia. Basta pensarmos que no seio da polícia portuguesa também parece existir um movimento neonazi fortemente enraizado e isso não desculparia uma invasão espanhola de Portugal. Quanto às atitudes da NATO e da União Europeia, são atitudes externas, no momento da invasão, à própria Ucrânia. Não justificam, portanto a guerra da Rússia com o seu vizinho.

O que João Ferreira não diz é que os acordos de Minsk, nem sequer deveriam existir, bastava para isso que a Rússia não tivesse há oito anos invadido a Crimeia, território ucraniano, e criado no Donbass em Donetsk e de Lugansk o fermento necessário para a anexação de mais duas províncias ucranianas.

O que João Ferreira não diz é que se não fosse o auxílio do Ocidente em armamento à Ucrânia estaríamos agora a assistir ao genocídio do povo ucraniano. Porque a Rússia invadiu antes de qualquer auxílio ter acontecido.

O que João Ferreira não diz é que condena o que os russos têm feito nestes oito anos no Donbass apoiando os separatistas, nem sequer condena, pelo menos eu não o ouvi a falar nisso, a anexação da Crimeia por parte da Rússia. Será que João Ferreira condenaria a anexação do Algarve por parte de Espanha, nomeadamente pela Andaluzia?

O que João Ferreira devia ter dito era simples e unicamente que condenava a invasão e a guerra iniciada unilateralmente pela Rússia contra a Ucrânia. Depois podia falar de todos os erros ucranianos, desde a corrupção, às tropas com infiltrados de movimentos nazis, mas também dos erros e do narcisismo de Putin, da sua ditadura e ânsia de mais poder, esta sim, a verdadeira causa do conflito.

A Ucrânia pode ter ainda uma democracia em crescimento e ainda carregada de problemas, mas isso também teve Portugal nos primeiros anos da nossa democracia. Bem, querida Berta, fico-me por aqui, tristemente desiludido com João Ferreira por quem tinha imensa consideração. Nunca se deve tentar tapar o Sol com a peneira. Por hoje é tudo, despede-se este teu grande amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 575: Vlad Putin - O Vampiro (Um horror maior que Drácula)

Berta 575.jpg Olá Berta,

Oleksandr (Alexandre), cidadão ucraniano, e já com nacionalidade portuguesa, é casado com Inês, portuguesa, atualmente também com nacionalidade ucraniana, conheceram-se ambos em Sintra no ano 2000, casaram, fruto de um amor mútuo e profundo ainda no mesmo ano. Em 2011, devido à crise em Portugal, partiram para a Ucrânia.

Em 2017 ambos já tinham dupla nacionalidade. Atualmente Oleksandr tem 48 anos e Inês 42. Da eterna paixão que os une nasceram 5 filhos, o mais novo tem 2 anos e a mais velha tem 13. Em 2017 regressaram a Portugal devido ao falecimento, num acidente de viação, dos pais de Inês, provocado por um condutor embriagado. Sendo filha única Inês herdou os bens dos pais, passando a ter casa própria e a possuir uma pequena cadeia comercial de sete lojas no Concelho de Sintra.

Entre 2017 e 2018 Inês esteve seis longos meses com vários problemas depressivos devido à morte dos pais, a quem era muito ligada. A somar a esse problema, o filho mais novo do casal foi diagnosticado como autista em 2021. No final janeiro de 2022, a família partiu para cerca de um mês de férias na Ucrânia para dar a conhecer aos pais de Oleksandr os 2 filhos mais novos do casal. A ideia era ir e voltar antes que a possibilidade de uma guerra se tornasse uma realidade e, por isso, ficassem impedidos de o fazer. Infelizmente 6 dos 7 elementos da família contraíram Covid-19 2 dias antes da viagem de regresso para Portugal e tiveram de adiar a viagem, sendo que apenas Olexandr não estava infetado.

Esta madrugada o prédio onde os sogros de Inês vivem sofreu um ataque com míssil, em Kiev. Irina, a segunda filha mais nova do casal, de 4 anos ficou ferida, Pedro, o mais novo dos descendentes não foi atingido, mas a mãe diz que o perdeu para os confins da sua mente, agora completamente fechada sobre si mesma.

Os sogros de Inês foram ambos atingidos e encontram-se gravemente feridos. Sendo 2 entre os 35 feridos no ataque. Inês nada sabe de Oleksandr, desde que este foi reintegrado no exército ucraniano há 2 dias. Segundo diz, não vai sair da Ucrânia sem o marido, nem que morra à sua espera.

Estas almas, das quais restam 9 das 11 iniciais, que aqui descrevi, tiveram vidas atribuladas e difíceis, como muitas famílias em toda a Europa, em todo o mundo, enfim. Será que mereciam um desfecho destes? Sobreviveram os pais de Olexandr? Como estarão psicologicamente as 5 crianças do casal? Estará Olexandr vivo, ainda? O que será desta família apanhada nos meandros de uma guerra e de uma pandemia? A realidade, por mais fértil que seja o imaginário de cada um de nós, é sempre mais cruel do que a imaginação.

Casos como este já devem existir centenas, quiçá se chegarão aos milhares, e tudo porquê? Porque um déspota russo se pôs de bicos de pés a dizer que ele é que é o senhor do mundo? A injustiça é uma espada pesada e fatal que infelizmente cai sempre para o lado dos mais fracos, dos que não têm voz, num mundo de narcisistas presunçosos e movidos pela sede do poder.

Putin é um vampiro que se alimenta do sangue derramado no campo de batalha. O Ocidente diz que não pode intervir porque a Ucrânia não pertence à NATO. Tretas, e o Vietname? E a Coreia? E Sarajevo na Bósnia-Herzegovina? E a Sérvia? E o Kuwait? E o Iraque? O Ocidente não contra-ataca porque tem medo de Vlad Putin, o vampiro, o sanguinário, o déspota neonazi que acusa o presidente ucraniano, um judeu, de ser toxicodependente e nazi. Tóxico e maníaco é Vlad Putin. Nazi, narcisista e senhor das trevas é Vlad Putin.

Mas será que ninguém consegue acabar com esta praga? Vlad Putin é uma barata e devia ser tratado como tal. Ninguém tem Raid ou um pé pesado? Não me vou alargar mais, querida Berta, que a revolta é imensa, espero que no final, a família da qual sou amigo, consiga regressar a Portugal e viver, por fim, uma vida em paz. A esperança é sempre a última a morrer. Despeço-me com um beijo amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 574: A Explicação do Império Russo - O Desnazificar

Berta 574.jpg Olá Berta,

Ontem, uma nova palavra entrou, com a ocupação russa da Ucrânia, no léxico português. Não é que ela não existisse já, com efeito a palavra em causa não é um neologismo, mas, pelo que me consigo aperceber é a primeira vez que a vejo usada num contexto internacional.

Estou a falar de DESNAZIFICAR, ou seja, por ordem de significados,suprimir o carácter nazi da Ucrânia”, “erradicar doutrinas e/ou práticas políticas nazis na Ucrânia”, “livrar a Ucrânia do nazismo ou da sua influência”. Ora, uma coisa que o Ocidente sabia, no que à Ucrânia dizia respeito é que uma vasta corrupção e algum autoritarismo proliferavam por aquele país com alguma impunidade, porém, dai a chamar o Governo da Ucrânia de nazi vai um imenso salto no abismo, dificilmente justificável a nível internacional.

Mas vamos às afirmações que foram proferidas pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, quando afirmou ontem que a Rússia não reconhece o governo da Ucrânia como democrático e que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, “mente” quando diz querer discutir a neutralidade do país. Segundo o que o mesmo orador afirmou em conferência de imprensa, “ninguém está a planear ocupar a Ucrânia” sendo, isso sim, o objetivo da Rússia "libertar os ucranianos da opressão". Estas afirmações, destaco, foram feitas pelo Governo da Rússia.

Mas o Ministro dos Negócios Estrangeiros russo disse mais: "Putin tomou a decisão de realizar uma operação militar especial para desmilitarizar e DESNAZIFICAR a Ucrânia para que, livres da opressão, os próprios ucranianos pudessem determinar livremente o seu futuro".

Na mesma conferência de imprensa, o ministro acrescentou ainda que “ninguém está a planear ocupar a Ucrânia” e que o objetivo da Rússia é "libertar os ucranianos da opressão".

Como podes ver, minha querida amiga Berta, afinal Putin é um coração puro, alguém que acha que o seu povo irmão, tem armas a mais e está a aproximar-se em demasia das ideias arianas, absolutistas e radicais, que Hitler implantou na Alemanha num tempo que já lá vai.

O ridículo da situação é vermos alguém como Putin, que governa a Rússia num regime absolutista de direita autocrática, oligarca e czarista, com laivos de um imperialismo narcisista crescente, vir falar agora, como pretexto de uma invasão em DESNAZIFICAR um país vizinho.

Todos sabemos que Putin vem dos antigos quadros comunistas da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, o que por si só já era suficientemente arrepiante, mas o regime que impõe hoje na Federação Russa, é um regime absoluto, autocrata, de uma direita imperial que nada tem a ver com o velho comunismo, a não ser na falta de liberdade sentida pelo povo russo, que se mantém igual.

A viragem foi de cento e oitenta graus. Sendo que quem está perto de filosofias nazis, bem analisadas as coisas, é o próprio Kremlin, ou seja Putin. A vida é o que é e não vale arranjar desculpas para o desejo narcisista deste governante em voltar a ter um império.

Experimenta, minha amiga, pôr lado a lado, Napoleão, Hitler e Putin. A altura e a fisionomia dos três são semelhantes. E se colocares nos outros dois um bigode e um capachinho à Hitler vais entender o que eu estou a insinuar, ou seja, são todos farinha do mesmo saco. O que ainda torna as afirmações do Kremlin mais ridículas.

Em resumo, qualquer regime que não tenha um verdadeiro sistema democrático, cujos mandatos dos líderes tenham uma dimensão temporal bem definida, que os impeça de se prolongarem no poder indefinidamente, e em que os cidadãos não possam escolher livremente os seus representantes para os diferentes órgãos de poder, seja à esquerda, seja à direita, ou ao centro, não é uma democracia nem tem autoridade moral para criticar governos de outros países. Putin, quer ele ache quer não, não passa de um ditador fascista déspota e autocrático.

A Ucrânia, que se aproximava de poder vir a ter um verdadeiro regime democrático, sofre do mal de ter Putin por vizinho, mais um imperador narcisista, petulante e ditatorial, enfim um czar de fato e gravata. Por hoje fico-me por aqui, querida Berta, recebe um beijo saudoso deste teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta n.º 573: Ucrânia / Rússia - O Império Russo ao Ataque!

Berta 573.jpg Olá Berta,

Falava-te ontem que a Rússia podia invadir a Ucrânia, com efeito a guerra teve o seu início esta noite pelas três da manhã em Portugal, cinco da manhã na Ucrânia, com a Rússia a atacar com misseis e artilharia cidades como Kiev, Kharkiv, Mariupol e Odessa, para além do sueste do território ucraniano nas províncias cuja independência foi validada pela Rússia.

O ataque a um estado soberano por parte da Federação Russa evocando o artigo 57º da Carta das Nações Unidas é do maior ridículo possível, um país não pode atacar outro declarando que se está apenas a defender.

De uma forma ou de outra a guerra começou. A frota naval ucraniana no mar negro já foi neutralizada pelos russos. O aeroporto de Kiev foi evacuado depois de ser atacado com misseis russos e na Ucrânia decretou-se a Lei Marcial.

Uma vaga de ciberataques faz-se neste momento sentir por todo o território ucraniano. Para além de um conflito aceso na fronteira da Ucrânia com a Bielorrússia, são sete horas e sete minutos em Kiev e já tocam na cidade as sirenes que ordenam a ida da população para os abrigos, com o fim de se protegerem de possíveis ataques russos.

António Guterres, enquanto secretário geral da ONU, já condenou o ataque russo, considerando-o de inaceitável.

Mariupol é neste momento zona de guerra e Odessa sofre o mesmo destino. Para além destas cidades e de Kharkiv e Kiev, outras localidades onde as forças militares ucranianas estão concentradas, estão igualmente sobre ataque.

A guerra anunciada começou. E não são os comunistas que atacam, a Rússia de hoje já não é comunista, são os autocratas de uma ditadura totalitária com visão imperial. Resta saber se os ataques visam a ocupação total da Ucrânia ou a colocação de um governo fantoche em Kiev ou, ainda apenas, só mais um passo na demarcação da posição russa face à Ucrânia e ao Ocidente.

O certo, minha querida amiga, neste século XXI, é que a Europa está de novo em guerra. Os Estados Unidos desta vez tinham razão em fazerem deste conflito uma guerra anunciada. No momento em que te escrevo a população de Kiev procura refúgio nos dois mil e quinhentos búnqueres instalados na cidade, muitos deles sem condições para funcionarem como abrigos atualmente.

Certo é que os ataques russos nestas três primeiras horas têm sido cirúrgicos, visando apenas alvos militares. Toda a aviação no país está desativada e as viagens na Ucrânia estão interditas. As aulas das escolas foram suspensas, passando o país, no seu todo, a ter apenas ensino online. É terrível ter de reconhecer, minha amiga, que a guerra voltou à Europa.

Poderás acompanhar nas televisões o evoluir de toda esta situação. Resta-me desejar que tudo não passe de mais uma afronta russa e não o princípio do fim da independência da Ucrânia. Despeço-me com um beijo, este teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

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