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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Bom Taliban - Parte I/II

Berta 549.jpgOlá Berta,

A celebração do 11 de setembro é algo que me faz alguma confusão. Ainda mais quando já lá vão vinte anos. E pior ainda quando os americanos acabaram de abandonar à sua sorte o povo afegão, deixando-os entregues aos talibans. Quanto à lembrança de datas tristes eu sou dos que preferem não ficar a remoer. Registei por escrito e em poema a data, sofri na altura, perdi inclusivamente um grande amigo no ataque às torres, mas, porque a vida continua, arquivei o tema e deixei de celebrar a efeméride.

Não digo que aqui ou além, querida Berta, não tenha um momento de nostalgia amarga quando algo me traz à memória esse dia, porém, não gosto de carpir o passado, não é saudável e tende mesmo a ser algo depressivo.

Para meu espanto ainda há gente que acredita, não sei se genuinamente, que os atuais talibans são diferentes dos terroristas de há duas décadas atrás. As maiores estátuas do mundo budista, os budas de Bamiyan, de 55 e 38 metros de altura, destruídas selvaticamente pelos primeiros fanáticos, deviam ter servido de alerta para esta gente que abrigou carinhosamente Osama bin Laden e que foi mais do que berço do Estado Islâmico, pois que, minha grande amiga, serviu de refúgio e de campo experimental de um Estado Islâmico ultrarradical, como não há memória na história universal deste nosso imenso globo terreste.

Com efeito, querida amiga Berta, estou a falar de uma gente responsável por dar guarida aos planeadores e executores do 11 de setembro de 2001, um evento que usou aviões, carregados de seres humanos, como mísseis e que os fez explodir nas torres gémeas, no Pentágono, para além do que se despenhou na Pensilvânia, por intervenção heroica da tripulação. Estou a falar de assassinos religiosos da pior espécie, aos quais os talibans nunca deixaram de estar intimamente associados, por mais que atualmente tentem fugir com o rabo à seringa. Contudo, no meu modesto entendimento, são tão culpados como a Al-Qaeda, o ISIS e todos os grupos e organizações radicais de islamismo fundamentalista.

Estão, aliás, minha amiga de tantos anos, na mesma categoria do nazismo ou do estalinismo e deviam ser tratados com a devida proporção face aos atos praticados. Não há, nem pode haver qualquer perdão, para genocidas, assassinos, esclavagistas de género (neste caso, o sexo feminino) e qualquer tipo de facínoras à face deste nosso planeta, tendo em conta a mentalidade e o contexto dos factos, nas épocas em que os mesmos se desenrolaram. No atual mundo em que vivemos, tais práticas são absolutamente inadmissíveis e não deviam ter qualquer tipo de condescendência.

Por hoje fico-me por aqui, pois não te quero maçar em demasia com esta minha explosão de genuíno sentido de total afronta. Amanhã termino esta minha ideia. Um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

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