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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Bolsonaro... e o alegado caminho para a DITADURA!

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Olá Berta,

Espero que o vento previsto aí para o Algarve não seja demasiado forte nem incomodativo. A região está habituada a brisas suaves e a ventos pouco intensos. Principalmente nessa zona do Sotavento onde te encontras.

Um dos alegadamente maiores idiotas da história do Brasil, ocupa, neste momento, a presidência do país, de seu nome, Jair Bolsonaro. Depois da COP25 e do papel mesquinho, ridículo e assustador a que o Brasil se prestou, por força das diretrizes presidenciais, é a vez de o próprio país, vir a público, revelar mais algumas facetas do alegado fanático de direita religiosa.

Segundo declarações, da Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas do Brasil, <<Bolsonaro mostra-se hostil à liberdade de expressão e de imprensa e tem demonstrado essa hostilidade com diversos meios, não só pelos ataques verbais que faz aos jornalistas, mas também pelas tentativas de desacreditação dos “media”(…) Há no Brasil o princípio constitucional da liberdade de imprensa, mas o Governo tenta impor-se contra este princípio usando o seu poder>>.

Por outro lado, Rogério Christofoletti, professor da Universidade Federal de Santa Catarina e membro do Observatório da Ética Jornalística, afirma que está em movimento no Brasil a implantação de uma agenda anti jornalística.

O douto responsável mostra-se convicto quando diz: <<Estou convencido que esta estratégia faz parte das relações que o Presidente do Brasil tem com a sociedade, numa busca de inimigos claros e evidentes. Ele escolheu a imprensa como um desses inimigos e, para jogar com o seu público, faz críticas e acusações, promovendo uma campanha anti jornalística>>.

Para a Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas do Brasil, Maria José Braga, e para o já referido membro do Observatório da Ética Jornalística, Rogério Christofoletti, é evidente que Jair Bolsonaro, enquanto Presidente do Brasil, promove uma política concertada de ataques à liberdade de expressão.

Aliás, a Presidente da FENAJ adiantou que Bolsonaro deixou claro, ainda como candidato, nos seus discursos de apologia à ditadura militar e à violência, que, os mesmos, uma vez implantados como métodos de Governo, gerariam a sua oposição ao papel dos meios de comunicação social de fiscalizar os poderes da democracia.

Maria José Braga afirma ainda: <<Ele é uma pessoa, um político, e agora um Presidente, que de facto não tem nenhum apreço pela democracia e, por isso, não respeita as regras democráticas (…) não só em palavras, mas por atos, o Presidente tem atacado e retaliado os “medias” brasileiros>>.

A Presidente da FENAJ é perentória ao afirmar que, após um estudo, realizado pela Federação a que preside, ao quase primeiro ano completo de Governo as conclusões são alarmantes.

Segundo a mesma fonte, Bolsonaro desenvolveu ataques sistemáticos à liberdade de expressão e de imprensa ao promover um determinado número de medidas, que passam por avançar com:

Críticas diretas a repórteres e órgãos de comunicação social; extinção da obrigatoriedade de registo para exercer a profissão de jornalista; restrições visando órgãos de comunicação social específicos, apresentando o caso particular das medidas contra o jornal “Folha de S. Paulo”, uma publicação impressa, líder em todo o país, que foi proibido de participar em concursos e licitações públicas.

Aliás o estudo, já referido, divulgado este mês de dezembro pela Federação, indicou que o Chefe de Estado terá realizado, pelo menos, 111 ataques públicos contra profissionais da comunicação social quer em entrevistas, quer em publicações nas redes sociais, isto só no ano de 2019, o que indica um ataque programado e bem direcionado a cada 3 dias.

Ainda segundo a mesma fonte, estes ataques seriam uma forma de o <<Presidente incitar os seus seguidores a não confiarem no trabalho jornalístico da maioria dos órgãos e dos profissionais, principalmente quando divulgam notícias críticas>>.

Por sua vez Rogério Christofoletti apresenta como resultado das suas avaliações ao longo deste ano a conclusão de que o Presidente do Brasil decidiu adotar ações semelhantes às do Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, quer na retórica quer no comportamento, que, reiteradamente, afirma que os meios de comunicação social críticos ao seu Governo propagam notícias falsas.

Segundo Christofoletti, o Presidente tenta assim, com esta atitude, estabelecer uma narrativa que quer ser preponderante aos factos e que, em última análise, sequestra a verdade dos mesmos. Acrescenta ainda que Bolsonaro faz transmissões ao vivo na internet, na rede social Facebook, todas as quintas-feiras e que usa como seu canal de comunicação, em direto com o público, o Twitter e que, deste modo, prescinde dos mediadores convencionais, ou seja, da comunicação social tradicional. Mas o membro do Observatório da Ética Jornalística vai mais longe, afirmando que o Presidente do Brasil sataniza e demoniza a imprensa brasileira e não só.

Os exemplos são muitos, mas, voltando apenas ao já referido, o Presidente, não só excluiu a Folha de S. Paulo das licitações e concursos públicos como, por retaliação, cancelou a assinatura do jornal da lista de periódicos recebidos pelo Governo brasileiro.

Esta medida causou uma reação de Lucas Furtado, o subprocurador-geral junto do Tribunal de Contas da União, o TCU, tendo, na sequência dos factos, apresentado um pedido formal para que a Folha de S. Paulo não fosse excluída das licitações. Até ao momento em que te escrevo, minha querida amiga Berta, este pedido ainda não foi sequer analisado, segundo é referido pelas mesmas fontes.

Quando no fim de outubro, Bolsonaro, declarou que nenhum órgão do Governo voltaria a receber a Folha de S. Paulo, adiantou, à laia de explicação, que o jornal era um órgão propagador de notícias falsas.

Visando criar a sua própria imprensa, devidamente moldada à sua imagem e semelhança e devido à falta de jornalistas devidamente creditados para a comporem, o poder executivo enviou em outubro para o Congresso, um projeto chamado “Verde e Amarelo” que prevê a extinção de registo profissional para quem exerça a profissão de jornalista.

Já em agosto último, Bolsonaro havia declarado publicamente que um outro jornal, o “Valor Económico” poderia ter de fechar as portas, uma vez que o Governo iria acabar com a norma que obrigava as empresas de capital aberto a publicarem os seus balanços financeiros em jornais nacionais, e, com isto, retirar os fundos necessários à sobrevivência da publicação, uma vez que esta ousara, por diversas vezes, criticar a sua gestão, nomeadamente, na vertente económica e financeira.

Contudo, a determinação do Presidente do Brasil, precisou, e ainda bem, de aprovação do Congresso, que inteligentemente a chumbou, sem propor sequer qualquer alternativa possível.

Este é um pequeno exemplo do que tem sido a governação de Bolsonaro. Muito pior do que isto tem acontecido numa imensidão de áreas, desde as questões ambientais, à tentativa de alteração de costumes, ao ataque sistemático às tribos indignas e à criação de uma legião de fanáticos. Em apenas um ano, ainda por terminar, o programa de implementação de uma alegada nova ditadura no Brasil vai adiantado.

A minha esperança, minha querida amiga, é que este povo que eu adoro como se fosse o meu, consiga arranjar forma de inverter esta vertiginosa sucessão de acontecimentos e que este alegado lunático consiga ser travado a tempo. Seja por eleições, seja por impugnação, seja por abuso de poder, seja pelo que for. Impõe-se o fim, a curto prazo, desta desastrosa governação de gente que acha que os peixes são inteligentes e as pessoas burras que nem calhaus.

Despeço-me, como sempre, enviando-te um beijo saudoso, deste que não te esquece,

Gil Saraiva

Carta à Berta: As Mulheres no País do Sol Nascente

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Olá Berta,

Hoje fiquei chocado com uma notícia que li na imprensa online. A situação era tão surreal, absurda e estupida que, ao princípio, julguei tratar-se de uma piada de mau gosto. Contudo, depois de ler todo o artigo e de tentar encontrar alguma espécie de contraditório, descobri que não havia nada que contradizer porque, para meu espanto, as coisas são exatamente como o artigo as descrevia.

Relatava a notícia que nasceu no Japão, um dos países mais desenvolvidos do mundo, um movimento feminino com vista a exigir mudanças na legislação laboral de forma a permitir que as mulheres possam usar óculos no local de trabalho, seja ele qual for. Sim, sim! Leste bem, atualmente no país do Sol Nascente ninguém do sexo feminino pode usar óculos no emprego.

É o próprio Ministro do Trabalho japonês que afirma publicamente que as regras relativas ao Código de Vestimenta no trabalho são não apenas necessárias como apropriadas. Apresentando-se contra qualquer alteração como as propostas por este movimento nascido nas redes sociais. Aliás, esclarece o artigo que, se uma mulher usasse óculos no trabalho, a sua apresentação tornar-se-ia bem mais rude do que o expectável, o que era realmente inadmissível.

Indignado com tal chorrilho de disparates, e na procura de outras notícias que me desmentissem a que acabara de ler, acabei por descobrir uma outra em que o governo tentou impor que as empresas comerciais e de serviços, que empregassem mulheres nos seus quadros, as obrigassem a ir trabalhar de saltos altos.

A imposição ainda não foi totalmente descartada, mas encontrou resistência severa através de uma petição online, iniciada por uma atriz, que conta até ao momento com milhares de subscritores de ambos os sexos. A medida ainda não conseguiu ganhar forma de lei graças a esta oposição iniciada por uma atriz, mas o Estado já fez saber que a pretende vir a impor num futuro bem próximo.

Podia estar aqui a relatar-te mais umas 30 ou 40 regras deste Código de Vestimenta do Japão, mas, acho que a que já descrevi é suficiente para imaginares o restante chorrilho de disparates e imposições em vigor. O espantoso no Código em causa é que quanto maior for a responsabilidade da mulher numa empresa e mais elevado for o seu cargo, mais graves são as regras impostas e mais apertado é o Código. Aliás, já é obrigatório que toda e qualquer executiva empresarial use saltos altos, a alteração proposta visava apenas ser mais abrangente.

Não leves a mal a brincadeira que passo a descrever, mas eu estou mesmo a imaginar uma executiva japonesa, que possua algumas boas dioptrias, no que à miopia diz respeito, e mais uma abastada dose de astigmatismo, a andar de saltos altos, num piso acabado de lavar e ainda a caminho da secagem total. Deve ser algo como um principiante de patinagem no primeiro dia em que coloca os patins, só que sem as proteções que lhe amparem as sucessivas quedas e trambolhões.

Pois é Berta, sei que estás a pensar que te citei apenas um ou outro disparate em vigor nesse longínquo oriente, mas nem comecei sequer. Dou-te outros 2 exemplos: a tal míope, se cair, apenas terá os seios protegidos, porque é absolutamente obrigatório que vá trabalhar com sutiã. Porém, se a dita senhora tiver uma cintura superior a 90 centímetros, não irá laborar tão cedo porque o Estado a obriga a submeter-se a tratamento ambulatório ou internamento até o objetivo ser atingido.

Não estamos a falar de um país de terceiro mundo, nem de uma qualquer nação em desenvolvimento, estas regras são impostas pela lei numa das maiores e mais fortes economias mundiais. Nem o Japão é o Nepal, onde a religião Hindu obriga à expulsão das mulheres de sua casa e ao seu isolamento da comunidade durante os períodos menstruais, por considerar que a mulher está suja e em estado impuro. Nada disso, estamos mesmo a falar do Japão.

Depois de tamanhas bizarrias resolvi ir ver em que lugar estavam as terras do Sol Nascente no que às disparidades de género diz respeito. Não foi fácil, mas finalmente descobri um relatório do Fórum Económico Mundial, já de 2019, que, entre os 154 países analisados, coloca o Japão no centésimo décimo lugar, apenas a 44 do fim da tabela.

Vou pensar muitas vezes antes de voltar a dizer mal deste país à beira mar onde vivemos. Podemos não ter o índice de produtividade do Japão, mas tenho a certeza que somos bem mais felizes. Fica bem minha querida, despeço-me saudosamente, com um beijo deste, que não te esquece,

Gil Saraiva

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