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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Livro - O diário Secreto do Senhor da Bruma - II - Abordagens Sobre a Burrice (fim - II - 8)

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Olá Berta,

Termino hoje o segundo capítulo e as abordagens sobre a burrice do Diário Secreto do Senhor da Bruma. Para que o entendimento do tema seja global, juntei todos os provérbios que encontrei sobre o tema, aos quais, perdoem-me os puristas dos ditos populares, anexei mais 15 de minha autoria que, julgo eu, não envergonham os originais prenúncios da sabedoria popular. Contudo, não serei eu a julgar em causa própria, um dia, quem sabe alguém opinará de forma certamente mais esclarecida.

Todavia, mesmo antes de entrar no novo capítulo, aviso já que provavelmente não será um tema muito do teu agrado. Penso que pouca gente gosta de filosofia e o terceiro capítulo será integralmente preenchido com os meus 9 filósofos de eleição, desde o início do século XX aos nossos dias. Mas para já regressemos à burrice:

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II

Abordagens sobre a Burrice (fim - II - 8)

Março, dia 16:

Nos provérbios sobre asnos e burrice, muitos há que não carecem de qualquer explicação. Exemplificando: Às vezes não se respeita o burro, mas a argola a que ele está amarrado. / Quem não pode, aluga um burro. / Jumento e padre com manha, são poços de artimanha ou, noutra versão, Jumento e filho de padre são poços de manha. / Mulo ou mula, asno ou burra, rocim nunca. / Burro e carroceiro nunca estão de acordo. / Amarre o burro à moda do dono. / Jumento não topa duas vezes na mesma. / Burro (ou burro velho) não amansa, acostuma. / Burro mau, indo para casa, corre sem pau. / O burro adiante para que não se espante. / Burro que geme, carga não teme. / Burro velho não toma andadura e se toma pouco dura. / Burro velho, albarda nova. / A burra velha, cilha nova / Criado que faz o seu dever, orelhas de burro deve ter.

Março, dia 17:

Os ditos populares são igualmente ótimos justificativos de atitudes e procedimentos. Escolhi alguns exemplos disso: Em janeiro todo o burro é sendeiro. / O burro gosta de ouvir seus zurros. / O burro sempre vai na frente. / É batendo na cangalha que o burro entende. / Quem gaba o noivo é o burro do sogro. / Quem o asno gaba, tal filho lhe nasça. / A burra de vilão, mula é no verão. / O burro se amarra é no rabo do dono. / Asno tonto arrieiro louco. / Com palha e milho se leva o burro ao trilho. / Burro de carga é que aguenta tranco. / Burro que muito zurra, pede cabresto. / Não é mel para a boca do asno. / Olhar como um burro para um palácio. / Em maio deixa a mosca o boi e toma o asno. / Cada asno com seu igual. / Quando o burro é jeitoso, qualquer albarda lhe fica bem. / Quem não aguenta trote não monta burro.

Março, dia 18:

Por outro lado, existem outros provérbios sobre a burrice que usam comparações com outros animais, principalmente com o cavalo, ou que se servem de uma mesma temática para enfatizar a burrice. São exemplos disso: A gente, queira ou não queira, tem de ir de burro à feira. / Queira ou não queira, o burro há de ir à feira. / Não é por grandes orelhas que o burro vai à feira. / Burro em cada feira vale menos. / O boi conhece o dono e o jumento a manjedoura. / A gente não deve ficar adiante do boi, nem atrás do burro, nem perto da mulher: nunca dá certo. / Cavalo grande, besta de pau. / Burro grande, cavalo de pau. / Antes bom burro que ruim cavalo. / Filho de burro não pode ser cavalo. / Andar de cavalo para burro. / Aonde vai o burro vai a cangalha. / Quem come carne na véspera de Natal, ou é burro ou animal. Asno de muitos, lobos o comem. / Com a morte do asno não perde o lobo. / Todo o burro come palha, é preciso é saber dar-lha.

Março, dia 19:

Não se pode deixar para trás os ditados que se apresentam como detentores de uma lógica evidente e bem popular. Encontrei vários exemplos desse género: A paixão torna o homem cego, surdo e burro. / Todo o malandro é um burro de sorte. / O burro come da carga que leva. / Asno contente vive eternamente. / Coice não é privilégio do burro. / Burro bravo dá coice até no vento. / Palavra de burro é coice. / O burro acredita em tudo o que lhe dizem. / Burro velho não acerta com a encruzilhada. / Amor de asno é coice e dentada. / Um olho no burro, outro no cigano. / Dar com os burros na água. / Burro com fome, cardos come. / Burro onde encosta, mija. / Cor de burro quando foge. / Temos a burra nas couves. / Quem tem burro e anda a pé, ainda mais burro é. / Vozes (ou zurros) de burro não chegam aos céus. / Se o burro soubesse a força que tem não puxava arado. / Besta é quem serve de escada para os outros subirem. / Se ferradura desse sorte, burro não puxava carroça. / Para trás mija a burra.

Março, dia 20:

Os provérbios sobre a burrice, pelo Senhor da Bruma:

Depois de tantos provérbios, acabando por me sentir inspirado, achei por bem tentar criar uns ditos que bem poderiam ser tão populares como alguns dos que tenho vindo a referir. Assim, dando largas à inovação, apresento as minhas modestas propostas para novas expressões: “Maçonaria e fanatismo dão força aos burros e chamam-lhe populismo.” / “Sua grande besta não é insulto é perdão.” / “Burro é o político que festeja na sondagem.” / “Amarrar o burro com corda de palha não é asneira é burrice.” / “Burro de cigano não compra cigarros.” / “Ao roubar o seu banco burro é o banqueiro se não souber esconder o dinheiro” / “Não é burro quem quer, tem de merecê-lo primeiro.” / “Burro que gira na nora detesta sogra.” / “O cúmulo da burrice é uma besta quadrada a andar em círculos julgando que chega a lugar algum.” / “Burro, não sendo boi, no espelho não vê cornos.” / “Burra infiel come mais do que um farnel” / “Masoquista é um burro que se acha inteligente.” / “Burro confinado não trota, ganha entorses.” / “Vírus de burro não zurra.” / “Toda a pandemia é louca se as bestas andam à solta.”.

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Achei divertidíssimo criar os 15 ditados anteriores. Deparei-me com as mesmas dificuldades com que os criadores de ditos se confrontam, ou seja, exprimir numa única frase todo o conteúdo de uma ideia. Ora, se já é difícil gerar uma quadra, estilo Aleixo, pelo poder de síntese a que obriga, reduzir isso a uma única expressão é totalmente de doidos. Todavia, bem ou mal, lá fiz as minhas versões.

Por hoje é tudo, amiga, recebe um beijo de despedida do eterno amigalhaço,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: DGS - Livro - O diário Secreto do Senhor da Bruma - II - Abordagens Sobre a Burrice (continuação - II - 7)

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Olá Berta,

Hoje apetece-me desabafar. Tu sabes que eu sou jornalista há várias dezenas de anos. Isto para te dizer, minha querida amiga, que é difícil convencerem-me a aceitar tapar o Sol com a peneira, como se tudo estivesse bem e fosse normal. Efetivamente assim não é.

Este meu desabafo vai ocupar um pouco mais esta carta e, por isso mesmo, peço desculpa por deixar menos espaço do que o costume ao Diário Secreto do Senhor da Bruma. Com efeito assim será nos próximos dias. Depois de deitar cá para fora o que me vai na alma, fica descansada que retomarei a normal publicação do diário.

Deves estar-te a perguntar sobre que tema é que eu sinto necessidade de dizer algo. Pois bem, Berta, estou a falar da transparência. A famosa regra de verdade do Ministério da Saúde e da Direção Geral de Saúde é uma total fraude, quer o Presidente da República ou o Primeiro-Ministro digam o inverso, quer não.

O que se passa é que a DGS anda, desde o primeiro momento, a esconder os factos à população geral. Tratando-se de uma pandemia, a importância da presença dos médicos e dos organismos de saúde pública deveria ser primordial. Contudo, quando observamos os apoios reforçados pelo orçamento retificativo ao setor da saúde pública a realidade não chega sequer ao milhão de euros.

Contrariamente outros setores foram reforçados na ordem das dezenas de milhões. Mas o que é que isto significa na prática? Significa que continuará a ser deficiente em larga escala o reforço do pessoal encarregado de fazer o mapeamento das cadeias de rastreamento dos contaminados, quanto a novos focos e às suas possíveis ramificações na sociedade.

Mas há mais. Porque é que o povo, toda a população, não tem acesso aos dados por freguesia se os mesmos estão acessíveis na DGS? Eu sou tentado a apostar que a razão tem a ver com a manipulação da informação. Repara que só hoje, depois dos protestos de várias autarquias, foi feito um novo acerto global ao número de mortos e dos contaminados em Portugal. Pedimos prudência aos cidadãos, mas não os informamos com clareza como vão os casos na sua própria freguesia de residência, como defendem os especialistas de saúde pública.

Marta Temido, Graça Morais, Jamila Madeira são apenas 3 dos rostos da dissimulação na DGS e no Ministério da Saúde. Atualmente deixaram de se revelar o número de testes feitos ao dia. Revelam-nos uma ou duas vezes por semana, continuamos sem saber como a pandemia se desenvolve na nossa porta, não nos explicam, nem assumem, o fracasso total das medidas de desconfinamento, nem sequer nos dizem porque falhou o rastreamento dos novos focos. Globalmente a transparência só existe nas palavras.

Esperemos que este setor endireite rapidamente as políticas que tem vindo a seguir e que corrija, a tempo, os erros do passado de uma vez por todas. O que se passou até aqui já não importa mais. Como se diz no diário que tenho vindo a revelar-te, minha amiga, para trás mija a burra. Importa é que realmente se chegue a uma política de verdade. Desabafo feito, regressemos à análise da burrice:

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II

Abordagens sobre a Burrice (continuação - II - 7)

Março, dia 13:

Mas há outras explicações dentro do largo espetro da aprendizagem, inteligência e sabedoria dos asnos. Analisemos mais uns quantos destes provérbios de 4 patas, relativos ao tema. Mais vale burro vivo do que sábio (ou letrado) morto, ou seja, o animal prefere não saber, ou fazer de conta que não sabe, e, com isso, sobreviver, inversamente a correr riscos por mostrar que até sabe umas coisas, o mesmo explica o dito: antes burro vivo que doutor morto. Pondo a conversa no domínio dos humanos é o mesmo que dizer: mulher sem emprego, do marido não conhece amantes, ou seja, bem-aventurados sejam os que passam por pobres de espírito, que é a velha máxima da igreja levada a um outro nível.

Março, dia 14:

Já o ditado: burro velho, mais vale matá-lo que ensiná-lo, parece significar que não vale a pena ensinar um animal depois de este já ter os hábitos formados. Enquanto, este outro: o burro do meu vizinho só sabe o que lhe ensino, o que diz bem da manha do jumento em seu proveito próprio. Porém, burro carregado de livros é um doutor, explica como se pode tentar viver de aparências para subir de estrato social. Contudo, há quem refira que este provérbio é dedicado a Miguel Relvas e à sua formação académica, certamente um boato infundado que nada tem a ver com o dito cujo ou com qualquer outro lambe-botas da política, tipo aquele fulano que tornou o queijo limiano conhecido de todos os portugueses.

Março, dia 15:

 Burro calado, sabido é (ou por sábio é contado), é algo bem mais profundo, trata-se da velha máxima do segredo ser a alma do negócio, umas vezes, ou, em outras, o silêncio ser de ouro, enquanto a palavra é de prata apenas. O caso de Tancos e o que Ministro da Defesa, à época, sabia ou não sabia sobre a manhosa devolução das armas é disso bom exemplo. Todavia a expressão burro velho não aprende (ou não aprende línguas), aponta outros caminhos. Veja-se o caso humano passado com Cavaco Silva, o homem viveu os seus 20 anos de poder rodeado de corruptos, malandros, ladrões e vigaristas, contudo, apesar disso, já não estava em idade de aprender os ofícios, pelo menos a crer na sua própria palavra. Já a citação: burro que a Roma vá, burro volta de lá é o mesmo que dizer que ver o papa não torna ninguém santo, muito menos se estivermos a falar de Pinto da Costa, pois que, apesar de tudo o burro não é tão burro como se pensa.

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Por hoje, minha querida amiga, fico-me por aqui. Espero que estejas bem agora que entraste em férias e estás no local ideal para as aproveitar bem. O Algarve é um excelente local para se estar no verão. Despeço-me com um beijo amigo, este que está aqui para o que der e vier,

Gil Saraiva

 

 

 

Carta à Berta: Livro - O diário Secreto do Senhor da Bruma - II - Abordagens Sobre a Burrice (continuação - II - 4)

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Olá Berta,

Se bem que eu aborde, ao longo deste capítulo do “Diário Secreto do Senhor da Bruma” a ideia de que nem sempre o burro é tão burro como parece ou a sua oculta sagacidade em se fazer mais burro do que realmente é, a verdade é que a humanidade continua a ter burros e bestas quadradas em demasia face aos restantes mortais. Um tio meu chamava essa gente de antas, sem qualquer relacionamento clubístico evidentemente, referindo-se unicamente à pobre da anta propriamente dita.

O meu falecido sogro, por via do meu primeiro casamento, um pintor famoso de nome Isolino Vaz, apelidado como sendo o pai do neorrealismo português na pintura, tinha uma outra expressão para apelidar as pessoas de visão curta. Chamava-lhes os acéfalos, sempre que tinha de evitar a linguagem vernácula, muito usada para os lados da invicta cidade do Porto. O que importa mesmo é que a burrice é um tema que vem há muito preocupando o pensamento nacional e os teóricos da análise do conhecimento dos povos. Voltemos, entretanto, à nossa narrativa sobre a burrice:

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II

Abordagens sobre a Burrice (continuação - II - 4)

Fevereiro, dia 28:

Avaliação de Provérbios sobre o equidno:

A expressão “Burra de sorte é felizarda sem saber porquê” alegadamente não foi criada para desculpar o gosto de Maria Vieira pelo CHEGA. Claro que há quem pense que a senhora é burra e que por isso tem a sorte de não saber a porcaria em que se meteu. Com efeito, é contraditório que alguém possa ser felizardo e não saber o porquê neste contexto. No meu entender a sociedade confunde o pequeno porte da Maria Vieira com a proporcional dimensão do seu intelecto. Dito isto, acho mais lógico pensar que a atriz não é burra apenas proporcionalmente curta de ideias.

Fevereiro, dia 29:

A propósito do ditado “A burro morto cevada ao rabo”, digam lá o que disserem sobre este dito, ele não foi certamente inventado por membros do movimento LGBT Limitada. Estes, levam muito a sério as suas opções e não usam o traseiro para armazenar um cereal. Ainda por cima num animal que virou carcaça. A frase parece um ato de sodomia irracional e seria mais compreensível se tivesse sido inventada por um qualquer praticante de uma seita mórbida ou de algum culto satânico. Eu, só para me citar a mim, nunca me lembraria de traduzir o provérbio “casa roubada, trancas à porta” por algo sequer aproximado ao rabo do dito jumento. Mas há gostos assim…

Março, dia 1:

“A burro que muito anda, nunca falta quem no tanja”: - ou quem lhe toque, descobri eu depois de muito investigar. Na verdade, quando mais expostos estamos, mais riscos corremos. No entanto, podemos reparar que, na composição deste ditado, o povo esforçou-se por arranjar uma rima de forma quase contrafeita e, mesmo assim, a que descobriu parece forçada. Com efeito, até no português arcaico é difícil encontrar o verbo tanger, conjugado na primeira ou terceira pessoa a obrigar à utilização da palavra “tanja”. Talvez o aparecimento da palavra na escrita tenha origens nas tangerinas do Algarve ou onde é mais fácil arranjar à tanja outros familiares na rima. Disso é exemplo a laranja, a marmanja, e a toranja. Enfim, é o que se arranja.

Março, dia 2:

Ao compararmos os provérbios “a burro velho, capim novo” com “a burro velho, pouco verde” fica fácil detetar o antagonismo dos significados. Mas julgo que isto terá mais a ver com as medidas económicas em voga por altura do nascimento de cada um dos ditos. Assim, numa altura em que é preciso tirar proveito de todos os recursos disponíveis, o conselho implícito é dar força e energia ao burro envelhecido, através de alimento fresco e saudável, para que ele possa continuar a dar um bom rendimento ao seu dono. Já numa ocasião de poupança e aforro o conselho inverte-se, recomendando que se deixe o burro ir para o abate ou para a reforma, por força a conseguir maximizar os recursos canalizando a alimentação para os jovens e possantes burros.

Março, dia 3:

O uso de ambos os casos, a não ser se usado por elementos do partido PAN, ao comparar trabalhadores com animais de carga de inteligência limitada, reflete bem a ideia que o nosso tecido empresarial tem sobre a classe operária às suas ordens. Perante estas observações considero pertinente pensar se a introdução de certos provérbios, na conversação popular, não seria uma forma oculta, e revolucionária, de protestar contra a negação de direitos dos trabalhadores durante o regime de Salazar.

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O outro dia ouvi, no Jornal das 8, na TVI, uma fanática, frenética deputada do PAN, que, sem travão na língua, defendia o fim dos apoios do Estado a todo e qualquer evento relacionado com a lide do toiro, a tauromaquia e os toureiros. Porquê? Por serem práticas que obrigam ao sofrimento do animal. Do outro lado, estava o jornalista Miguel Sousa Tavares, a contrapor, defendendo os apoios. Embora eu não seja um apreciador tauromáquico, gosto das pegas e da audácia dos forcados, de mãos na anca, armados em fanfarrões tolos e irreverentes, de barrete na cabeça, em frente ao animal. Resolvi escutar os argumentos dos 2 lados por forma a tentar escolher por quem tomar partido no fim das defesas e ataques de ambas as posições, apresentadas pelas argumentações e explicações de cada um.

No final, não tendo sido tendencioso, somente a argumentação do Miguel fazia sentido. Se queremos acabar com a tauromaquia em Portugal, porque o touro sofre, temos de o fazer num contexto mais global e terminar com todas as práticas que façam sofrer os animais. Mas todas, em simultâneo, e sem cinismos.

Não se acaba com a tourada e se deixa o peru a fugir, já sem cabeça, depois de embebedado, pelo pátio da quinta, por altura do Natal. Não se permite a matança do porco, que é feita bem devagarinho e com requintes de malvadez, não se autoriza a criação de animais em aviários onde os bichos sofrem desde que nascem até que morrem, tiram-se os animais, usados como cobaias, dos laboratórios, sejam eles salamandras, ratos ou políticos.

Também não se admite a continuação de jardins zoológicos e mais um cem número de práticas que continuam, todos os dias, a todas as horas, a causar sofrimento aos animais. Não esquecendo o burro, que, sem querer levantar qualquer suspeita de xenofobia ou racismo, passava bem melhor sem o cigano.

Mais uma vez alonguei-me nos argumentos. Fico-me por aqui, querida amiga Berta, com uma despedida acompanhada de beijinho deste teu amigo de ontem, hoje e amanhã, sempre ao dispor,

Gil Saraiva

 

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