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Carta à Berta / Desabafos de um Vagabundo / Miga, a Formiga / Estro

A partir de julho de 2022 os blogs do Senhor da Bruma, assinados por Gil Saraiva, são reunidos em "alegadamente". Os blogs: Estro (poesia), gilcartoon (cartoons) e Desabafos de um Vagabundo (plectro) passam a integrar este blog. Obrigado.

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Carta à Berta n.º 586: SOS - Mais Um Bebé Abandonado

Berta 586.jpg Olá Berta,

Reza a história de ontem à noite, segundo informação da Lusa, que comandante dos Bombeiros Voluntários do Estoril, depois de contactado pela Agência, prestou a seguinte declaração, com vista ao esclarecimento dos factos:

“Recebemos um alerta às 23:50 para a existência de um bebé num caixote do lixo junto ao Hotel Pestana, em Cascais. Quando a equipa se deslocou ao local não encontrou o bebé no caixote de lixo. Após encetadas buscas pelas imediações foi encontrado o recém-nascido nas traseiras do hotel com evidencias de ter nascido há pouco tempo.”

De acordo com uma divulgação noticiosa da SIC, minha querida Berta, o bebé foi encontrado já hoje, enrolado num lençol, nas imediações de um hotel em Cascais. Informa ainda o canal que:

“O bebé, do sexo masculino, «foi estabilizado no local por uma equipa de emergência pré-hospitalar dos bombeiros» e levado para o hospital de Cascais. A PSP já esteve no local onde o bebé foi encontrado e o caso foi entregue à Polícia Judiciária.”

Pois é minha amiga, segundo o jornal diário Público: o “bebé ainda tinha cordão umbilical e foi transportado para o Hospital de Cascais.” Adianta ainda o diário que o infante foi encontrado no meio de uns arbustos no cruzamento da Avenida da República com a Avenida Humberto II de Itália. Em declarações ao Público o Segundo Comandante dos Bombeiros Voluntários do Estoril, Bruno Carvalho, afirmou: “Notava-se que o bebé tinha nascido há muito pouco tempo, ainda tinha cordão umbilical. Mas estava bem: chorava, mantinha uma boa temperatura. Foi depois encaminhado para o Hospital de Cascais.”

Outros órgãos de comunicação social avançam ainda, minha querida, com a existência de restos de placenta no corpo do recém-nascido, descrevem a localização como sendo nuns arbustos, junto a uma ciclovia, tendo o segundo comandante dos bombeiros voluntários do Estoril, declarado que: “Conseguimos entrar em contacto com a pessoa que fez o pedido de socorro, essa pessoa localizou-nos melhor o local onde ouvia o choro da criança, as equipas deslocaram-se para lá, encontraram um recém-nascido com sinais evidentes de que tinha nascido há poucas horas.”

Já numa reportagem da CMTV, transmitida esta manhã (e não te espantes amiga Berta), o repórter afirma que o bebé foi “atirado” para uns arbustos e depois realça que a Polícia Judiciária montou uma operação para tentar determinar quem é a mãe do recém-nascido. Pelo meio da reportagem são apontados os possíveis crimes cometidos pela progenitora. O presumível jornalista ainda afirma, com visível ar de preocupação no rosto, que o estado de saúde do bebé ainda é desconhecido, contrariando todas as informações divulgadas pelos outros órgãos de comunicação social.

Quem apenas escutou a reportagem da CMTV fica com a ideia, minha cara amiga, que uma perversa basquetebolista marginal atirou, enquanto passava, talvez de carro, um fardo, onde se encontrava um recém-nascido, para os arbustos, na plena consciência dos diferentes crimes de que será acusada quando fora encontrada.

Infelizmente, Berta, este é apenas o último e não o primeiro caso de abandono, com risco de terminar em tragédia, de recém-nascidos em Portugal. Ao longo dos últimos anos têm sido várias as situações semelhantes, com uma regularidade tal, num país onde a natalidade é um recurso precioso e escasso, que já fazia sentido que se tivesse montado uma infraestrutura qualquer de solidariedade, para proteger as mães e salvaguardar o nascimento das crianças em segurança, quando estas não têm condições mínimas de suporte pós-parto dos recém-nascidos, deixando de criminalizar as mães.

Todavia, isto sou eu, minha cara amiga, a imaginar um Estado de Direito que se preocupa genuinamente com o povo que governa, pois julgo que todos nós temos o direito a sonhar com uma qualquer utopia, sendo que esta é a minha. Despeço-me com um saudoso beijo, enviado por este teu amigo do coração, sempre ao teu dispor,

Gil Saraiva

 

 

 

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