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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Série: Quadras Populares Sujeitas a Tema - 8) A Vida

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Olá Berta,

Cá estou eu mais uma vez a escrever os meus desabafos. Vivemos num tempo em que tudo acontece como se nada fosse. Acabei de ler uma notícia em que os serviços secretos alemães e americanos espiaram através da empresa de encriptação que vendia os sistemas de segurança a 120 países, Portugal incluído, porque tinham adquirido conjuntamente a empresa em segredo (Alemanha até 2016 e Estados Unidos até 2018).

Estivemos nós e mais 119 países do mundo inteiro expostos à devassa desta gente e ninguém pede contas a ninguém? Mas isto virou a República do Bananal ou temos medo de ofender quem violou a privacidade nacional porque são nossos pretensos aliados?

Aliado que o é não espia às escondidas os parceiros. E já agora era giro saber que medidas tomámos nós para evitar a repetição de tais situações… pois uma coisa é não confrontar os nossos supostos amigos, mas outra, bem diferente, é permitir a continuação da devassa e da bandalheira.

Porque é que na Assembleia da República ninguém questiona o Governo sobre as medidas tomadas perante tal revelação. Porque isto sim, é grave. Bem mais grave do que a saga de Isabel dos Santos que salvou várias empresas portuguesas de falirem, a pedido dos nossos queridos governantes, e a quem nós agradecemos arrestando-lhe as contas. Detesto gente sem coluna vertebral. Assumam os erros que fizeram se acham que foram erros e corrijam o que está errado porque isso sim é que é bonito.

Bem, o melhor mesmo é regressar à nossa saga das quadras sujeitas a mote. É algo bem mais divertido e não me deixa indignado com o comportamento sabujo de quem, neste país, detém o poder.

Série: Quadras Populares Sujeitas a Tema - 8) A Vida.

 

A Vida

 

Sorria, nunca ande triste,

Pelos caminhos da vida,

Que a vida que em nós existe

Não tem volta, só tem ida…

 

Gil Saraiva

 

Por hoje fico por aqui. Recebe um beijo amigo, deste que se mantém saudoso,

Gil Saraiva

Carta à Berta: A Peça do Chinês - Parte I - O Antes...

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Olá Berta,

Vou-te contar nas próximas cartas uma história da minha vida, em 6 episódios, que poderia ter corrido mal, mas que acabou por terminar, finalmente, no início destes anos 20, ou seja, hoje, para ser exato. Tudo começou há 3 anos, um mês e alguns dias atrás.

Corria a véspera dos idos de dezembro de 2016, segundo o antigo calendário romano, pelas 20 horas, mais coisa, menos coisa, e eu, sentado placidamente no sofá, fazia o balanço dos últimos dias.

Iria no dia seguinte à cirurgia plástica na Clínica Ibérico Nogueira (numa visita quase de rotina, para remover uma dúzia e meia de pontos do rosto junto aos glóbulos oculares, fruto duma intervenção efetuada cinco dias antes, onde me livrara de três monstruosos quistos, que me desfiguravam o fácies e que ameaçavam seriamente um dos meus nervos óticos).

Sorri, lá pelo facto de me julgar poeta não me estava a ver de pala no olho, qual Camões dos tempos modernos, menos inspirado talvez, mas igualmente convicto de possuir alguma sensibilidade no que ao dom da escrita diz respeito, não só na prosa como na vertente lírica.

O médico, de quem a clínica herdara o nome, tinha sido supereficiente, o que abonava a favor da fama que dele se apregoa no meio, mas, mais ainda, a favor da minha amiga que, simpaticamente, mo tinha indicado.

Enfim, aos 55 anos não me podia queixar em demasia. Já tinha passado por alguns episódios de saúde menos felizes, mas saíra sempre deles airosamente e sem grandes consequências para o futuro.

Olhei para o relógio, à direita do sofá, e dei-me conta que era tempo de tratar dos "comes". Seria um jantar frugal, uma coisa simples, pois, apesar da hora, a fome não abundava nessa segunda-feira calma e pachorrenta. Contudo, estava na hora de comer.

Elevei-me da preguiça com algum esforço e avancei para a cozinha, decidido a iniciar as tarefas a que me tinha proposto, ia provido de alguma alegria, o que a princípio pode parecer estranho, mas que é bem verdade, principalmente pelo facto de eu ser daquele tipo de homens que adora cozinhar.

Por favor, Berta, não me confundas com os que, aqui ou ali, de vez em quando, fazem um petisco ou outro. Nada disso, eu sou mesmo daqueles que se pelam por criar novos e saborosos pratos, diariamente, e para muita gente se for preciso. Porquê? Não sei bem, mas acho que tem a ver com todo o processo de criação de uma boa refeição e com a expetativa de ver se os outros gostaram ou não do que acabei de produzir.

Quando ouvi o bater das 21 horas já eu ia nos "finalmentes" da preparação da janta. Uns bifinhos de frango, grelhados no carvão, que começara por fatiar, temperados com muito alho, picante, vinho branco corrente, algumas gotas de limão e uma mistura de ervas onde o manjericão e os coentros predominavam, acompanhados por umas batatinhas cozidas em água e sal, a ser regadas por um claro e fluído molho de manteiga.

Conforme podes confirmar, pela descrição que acabei de fazer, tratava-se de uma comidinha descomprometida, leve, mas de carne, porém, ao mesmo tempo, simples, para um jantar de início de semana. Eis senão quando o inesperado aconteceu…

Como esta é uma história longa, de 6 episódios, fico-me por aqui, no meio do suspense, e continuo amanhã. Tu, minha amiga, só não conheces os primeiros 5 capítulos porque, nessa altura, te encontravas fora de Lisboa, em serviço, segundo me recordo. Acho que ainda estiveste mais de um par de meses ausente, talvez 3, mas já não tenho certezas quanto a isso.

Sendo assim, despeço-me com um saudoso beijo, até ao segundo episódio desta história, que nunca me lembraria de inventar, mesmo que tivesse de escrever algo de parecido sobre o assunto. Por isso, Bertinha, aqui fica o meu até amanhã carinhoso, deste teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

Carta à Berta: A Bicha Justiceira Vence Novamente

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Olá Berta,

Não sei se já deste conta que o Natal se aproxima a passos largos. No Algarve é um pouco mais difícil, para quem vem de fora, dar pela chegada da quadra. Se fosses de frequentar os grandes centros comerciais ainda davas por ele, agora assim, não é tão evidente. Bem, não era, quando eu vivia aí pelo Sul. Hoje em dia até já pode ser de outra maneira.

Não sei se tens acompanhado “As Aventuras de uma Bicha Portuguesa”, peripécias que davam para pôr nome a um filme, do género do que acabei de dizer. Estou-me a referir ao icónico, pela negativa, José Castelo Branco.

Depois de ter declarado publicamente no verão passado que ia lançar a sua candidatura a Primeiro-Ministro, de ter feito um alarido público anunciando já ter recolhido 12 mil e quinhentas assinaturas, para a formação do seu partido “MJP”, ou seja, o “Movimento de Justiça Portuguesa”, acabou por se retirar prematuramente, alegadamente devido à saúde da sua Betty Grafstein, que se teria agravado ao ponto de ir ser operada no final de agosto passado, o que o obrigava a regressar, fora do previsto, rapidamente aos Estados Unidos.

A senhora de 92 anos foi realmente operada, aos olhos, e, 3 dias depois, já Castelo Branco a exibia num dos aparelhos do ginásio particular do apartamento desta em Nova Iorque.

Ficam no ar as dúvidas se realmente as 12 mil e quinhentas assinaturas existiam. Mas o amigo José, não é bicha que se preocupe com detalhes. Aliás, ele próprio se afirmou como tal, o que justifica eu estar a usar o mesmo termo. Foi precisamente quando em agosto anunciou a sua prematura saída da política:

” Vou continuar sempre a ser a bicha justiceiraEu não minto nem brinco em serviço”. Estas são palavras do próprio, que escolhe com orgulho, a denominação de bicha para se autoidentificar. Podes achar algo de incompreensível, mas tudo neste espécime tem esse tipo de caraterísticas de difícil entendimento.

Se pensarmos na personagem como pretenso líder da justiça portuguesa a situação ainda é mais confusa. José Castelo Branco, em 2003, foi detido no Aeroporto de Lisboa por contrabando de mais de 2 milhões de euros em joias, acabando o caso por ser resolvido pelos advogados de Betty Grafstein, com pagamento de pesadas coimas. Mais tarde, em 2013, foi condenado a 9 meses de prisão, com pena suspensa, a pedir desculpas publicamente e ao pagamento de mil euros por ter injuriado e dado uma cabeçada ao produtor Daniel Martins. Depois, em 2016, foi condenado por injurias e maus tratos a uma empregada doméstica, com 3 meses e 16 dias de prisão efetiva ou, em alternativa, ao pagamento de uma indeminização de 6 mil e 400 euros, que acabou por pagar.

Finalmente, esta quarta-feira, Castelo Branco foi novamente preso no Aeroporto de Lisboa, antes de partir para Nova Iorque, acusado de roubar um perfume da marca Dior. No presente momento aguarda julgamento, com termo de identidade e residência, sem autorização para sair do país, por determinação judicial.

Ora, perante um cenário destes, faz realmente sentido que uma pessoa com este perfil, casado com uma mulher 36 anos mais velha, proprietário de uma galeria de arte em Nova Iorque, de uma vivenda em Sintra e de um apartamento em Lisboa, que vive, não se sabe bem do quê, se excluirmos a fortuna da esposa, resolva criar um partido denominado “Movimento de Justiça Portuguesa”.

Minha querida Berta, eu acho que o Termo de Identidade e Residência, agora pendente sobre esta pessoa natural de Moçambique, e que ostenta passaporte português, tem, no fundo, a ver apenas com o facto da própria justiça o querer mais perto de si.

Como ainda não te enviei esta carta e já há novidades sobre a bicha rica, achei por bem um pequeno “update”.  José Castelo Branco conseguiu “provar”, ao que parece, que o perfume lhe caiu para dentro da carteira. Foram anuladas todas as acusações e já seguiu hoje para Nova Iorque. Como diria a bicha: “Money talks”. Mais absurdo só naquele antigo jornal… “O Incrível”.

Despeço-me com um beijo, sempre cheio de saudades, este teu amigo eterno,

Gil Saraiva

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