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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Onde vais rio que eu canto?

Rio Tejo.jpg

Bom-dia Berta,

Espero que para ti seja realmente um bom-dia e que esta carta te encontre bem de saúde. Por este lado, as saudades da nossa amizade e do convívio alegre e despreocupado que partilhávamos, apertam cada vez mais. Valem-me as linhas que te escrevo, sempre que posso, para fazer estes meus desabafos de um vagabundo farto de hipocrisia e gente sem respeito pelo bem comum.

Deves estar a tentar descobrir de onde é a fotografia que te envio. Pelo aspeto deverá parecer-te, certamente, uma foto antiga de um qualquer regato. Julgo que estarás a pensar se alguma vez fizemos alguma patuscada de ar livre num local assim. Não pensas mais. O aspeto antigo foi só para te despistar.

Com efeito, trata-se de uma fotografia do rio Tejo e tem dias de ter sido tirada. Este é o resultado da gestão espanhola das águas do rio. Uma administração que leva a que situações destas aconteçam cada vez mais. Podes não acreditar, mas o curso de água que vês na foto dá para atravessar com um pulo a pés juntos.

Os nossos “hermanos” afirmam, cientes da sua absoluta razão, que a culpa de tais factos é nossa. Devíamos ter pedido o calendário das descargas das barragens espanholas instaladas no rio e não o fizemos. Como se conhecer tal escala resolvesse uma situação desta gravidade.

Por parte das nossas instituições ouve-se dizer que estão muito desagradadas com a situação. Afirmam que já reclamaram com Espanha. Esclarecem que uma anomalia destas não pode voltar a acontecer. Fazem birras nos corredores da política. Uma fita a fazer lembrar os idos de 1640 quando restauramos a nossa independência e nos livramos de um século de jugo espanhol. Nessa altura também fizemos birra por não nos devolverem Ceuta, nem Olivença, nem tantos dos territórios que, entretanto, anexaram, sem consequências.

Com um fluxo destes o Tejo corre realmente o risco de deixar de correr em Portugal, remetendo as ninfas, declamadas por Camões nos Lusíadas, para terras de Espanha depois de séculos de habitat no nosso país. Ficarei com pena das Tágides, mas, acima de tudo, continuarei revoltado, uma vez mais, com esta atitude mole e complacente do Estado Português.

Diz o ditado que de Espanha nem bom vento, nem bom casamento. Podia dizer muito mais e, só não o faz, porque os brandos costumes nacionais são de tal forma amorfos, que se parecem com aqueles maridos traídos, pelas esposas, e que nada fazem a não ser fingir que não veem… são mansos.

Por hoje é tudo minha querida amiga, podia dizer muito mais, contudo falha-me a vontade no meio da revolta e da falta de paciência. Grito pelo Hino Nacional… contra os canhões, marchar, marchar.

Este teu saudoso amigo despede-se com um beijo,

Gil Saraiva

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