urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamenteCarta à BertaCarta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre o quotidiano e a web. Cartas alegadamente sem fundamentos.LiveJournal / SAPO Blogsalegadamente2019-12-24T16:52:20Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:15196Gil Saraiva2019-12-24T14:58:00Carta à Berta: Natal dos Hospitais2019-12-24T16:19:20Z2019-12-24T16:52:20Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Natal dos Hospitais.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G071822cc/21652969_S5HyI.jpeg" alt="Natal dos Hospitais.jpg" width="1280" height="672" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Espero que esta véspera natalícia em que te escrevo esteja a passar, por esses lados, de acordo com os teus desejos e votos. Eu por cá mantenho a tradição. Uma ceia à maneira, muita televisão esta noite e é provável que vá à Missa do Galo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Como sabes não sou praticante de religião alguma, mas, contudo, fui criado no seio de uma família católica bem tradicional e, este ato religioso noturno, traz-me sempre à memória a minha mãe. O fervor com que ela, nessa missa, pedia proteção para os seus durante todo o ano que se adivinhava, é algo que jamais vou esquecer. Ora, não me perguntes porquê, mas quando repito a minha presença nessa cerimónia, sinto-a perto, muito perto, com aquela convicção inabalável de que Deus velaria pelos seus, conforme pedido expresso.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Acontece-me o mesmo quando assisto, pela RTP ao Natal dos Hospitais. A primeira transmissão do programa mais antigo da RTP começou em 1958, ainda eu não era sonhado pelos meus progenitores, porém, segundo o que a minha mãe me contava uma dezena de anos mais tarde (no ano em que entrei para a escola primária 2 meses antes), desde que nasci assisti a todos os programas do Natal dos Hospitais, tivesse eu consciência disso ou não. Ou seja, já vejo esta transmissão há 58 anos. Uma barbaridade de tempo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Nunca falhei um, embora, nos últimos anos, tenha optado por ver através das gravações automáticas da box da Meo, porque isso me permite só assistir ao que me interessa e nada mais.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Mas assisto com o mesmo sentido místico com que vou à Missa do Galo: o sentimento de proximidade que tenho com os meus pais, que já partiram faz longos anos. Durante a transmissão é como se ambos estivessem ali, o meu pai deitado no sofá maior da casa, com um cálice de vinho do Porto por perto, e a minha mãe, logo ao seu lado, sentada, de lágrima no canto do olho, sempre que alguma ternura lhe chegava do televisor.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>São os meus pequenos momentos de romântico e saudosista. Eu, que nem me entendia muito bem com ambos os meus progenitores, recordo-os, nestes dias, com um carinho e um amor que não me lembro de sentir enquanto viveram. Achas isto normal? Ou será coisa de poeta de cabeça enfiada no baú dos sentimentos e das essências? Enfim, nem me importa o que seja, apenas que valorizo, com um imenso prazer, o profundo significado que estas recordações têm para mim.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Lembrei-me do Natal dos Hospitais, que foi transmitido há dias atrás, precisamente por me fazer o mesmo efeito que a Missa do Galo. São os 2 grandes acontecimentos que me trazem uma estranha nostalgia da família reunida e feliz.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Em resumo, hoje, à meia-noite, lá vou eu mais uma vez à Missa. Estou a sorrir, minha querida amiga, porque afinal vou rever mais uma vez toda a família. Não sei o que o Natal faz com as outras pessoas, mas, para mim, tem estes 2 pequenos momentos de conforto, de bem-estar e de felicidade genuína. É isso que importa. Por momentos revejo pais, irmãos, primos, tios, gente que já não está presente nas margens do meu quotidiano e, por breves instantes, convivemos todos, harmoniosamente, em família, a alegria de uns sorrisos ou de uma troca de olhares.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Viva o Natal dos Hospitais. Viva a Missa do Galo. Desta vez, tu, que só por uma vez me acompanhaste numa destas missas, também lá estarás a rir-te da minha cara embevecida com as memórias de uma coisa a que não posso chamar outro nome que não amor.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Despeço-me saudoso com um beijo, este teu amigo de sempre, com votos de festas felizes,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:14912Gil Saraiva2019-12-23T23:22:00Carta à Berta: É Natal2019-12-23T23:29:59Z2019-12-23T23:29:59Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 720px; padding: 10px 10px;" title="Diana2.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G1e187ee0/21652669_e1yS3.jpeg" alt="Diana2.jpg" width="720" height="960" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Só tu para me convenceres, com esses pedidos simpáticos, a enviar-te o soneto que escrevi à 33 anos, um mês e 3 dias atrás. Mas é Natal e nesta época eu abro uma exceção. Mando-te este soneto de Natal dedicado a uma filha que tenho e com quem não falo. Quis o destino que ela retirasse aos seus filhos o nome do bisavô, que tanto a adorava, já nem falo do meu, mas cortar assim a linhagem Coimbrã é maléfico e não tem perdão. Aqui vai:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>"O TEU NATAL"</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Hoje é Natal, Natal na minha vida.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Tocam os sinos p’la minha alma fora...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E em cada canto do meu ser, agora,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Tudo vibra sem conta nem medida!...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>É Natal! É Natal porque é nascida,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Do ventre desse Amor, a nova aurora,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Filha de nós os dois, pequena amora,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Fruto de louca noite, sem dormida...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Hoje é Natal! O teu Natal Diana!</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E em lágrimas de riso choro amor...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Hoje é Natal, é vida feita flor...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Tem a minha alma nova soberana.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Temos os dois o bem mais desejado:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A Taça da Vitória, um El Dourado...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Espero que tenha sido do teu agrado, não é fácil ir buscar sentimentos ao baú. Desejo-te umas festas felizes e um excelente Natal, minha querida. Despeço-me com um beijo, deste teu saudoso amigo de sempre,</em></span></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:14592Gil Saraiva2019-12-22T22:59:00Carta à Berta: O meu canto do Paraíso - CAMPO DE OURIQUE2019-12-22T23:07:29Z2019-12-22T23:08:03Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Jardim da Parada.JPG" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G5617f628/21651762_okc8G.jpeg" alt="Jardim da Parada.JPG" width="1280" height="648" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Li a tua última carta e peço desculpa se nunca te trouxe a conhecer o bairro onde vivo, para além de uma ou outra refeição que nos reuniu num dos restaurantes da zona. Dizes que, apesar de um passeio ou outro comigo pelo Jardim da Parada e por outras pequenas vindas ao Bairro, sabes muito pouco sobre ele. Acho que te posso dar uma pequena ajuda quanto a este meu bairro, para mim, o melhor de Lisboa.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O Bairro de Campo de Ourique, minha amiga, coincide com uma nova freguesia portuguesa, homónima, do concelho de Lisboa, resultante de uma fusão em 2012, que junta as freguesias de Santo Condestável e Santa Isabel, que já anteriormente davam nome ao Bairro.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Campo de Ourique pertencente à Zona do Centro Histórico da capital, com 1,65 km² de área e 22 mil habitantes. Talvez seja por só ter metropolitano na sua periferia, no Largo do Rato, que o Bairro funcione como uma pequena aldeia, onde as pessoas se conhecem e convivem como tendo uma identidade própria, característica dos pequenos povoados. Pelo formato da sua área ficou com uma configuração que, no mapa, nos faz lembrar um animal. No meu entender a figura parece um javali, uma fêmea, pronta para ir às compras pelo Bairro, que, pela profusão de comércio num tão pequeno espaço, é designado como sendo o Maior Centro Comercial de Ar Livre de Portugal. São mais de 1.500 espaços comerciais e de serviços e, pelo menos, 250 estabelecimentos ligados à restauração. Por aqui, Berta, podes provar um pouco de quase tudo. Neste mundo da restauração encontras imóveis com as mais diversas variantes, sejam eles edifícios de hospedagem, restaurantes, pastelarias, tascas ou cafés. Se fossem todos implantados a nível térreo isso daria uma atividade de comércio ou serviços, com uma implantação de um estabelecimento por cada m² e um restaurante ou similar a cada 6,2 m². Um verdadeiro absurdo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Contudo, se quiseres investigar os pontos de interesse, tudo depende da abordagem que fizeres: na área do Desporto e da Dança é aqui que encontramos a sede dos Alunos de Apolo, especialistas nacionais nas danças de salão, ou o CACO, Clube Atlético de Campo de Ourique e até o Ginásio Clube Português. Na área da governação não existe apenas a Junta de Freguesia, pois é, também aqui, que está situada a Presidência do Conselho de Ministros do país e até a Embaixada Britânica.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A nível histórico, cultural e educacional, para além de várias galerias de arte, encontramos a Estátua da Maria da Fonte, enquadrada pelo acolhedor Jardim da Parada, que na toponímia se designa por Jardim Teófilo de Braga, que já conheces; a Casa Museu Amália Rodrigues, a maior diva nacional do fado de todos os tempos; a Casa Fernando Pessoa, um dos mais prestigiados nomes da literatura nacional, um espaço de cultura ímpar, que te recomendo como visita imprescindível, e ainda, o Museu João de Deus e a Fundação Maria Ultrich.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Na área artística e cultural há a referir também o Páteo dos Artistas, na Rua Coelho da Rocha, ou o das Barracas, na Rua de Infantaria 16; a moderna Biblioteca Europa; o Grupo Dramático e Escolar Os Combatentes; as escolas Secundárias Josefa de Óbitos e a Manuel da Maia; a Redbridge School; o Colégio religioso dos Salesianos; a Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa e uma Delegação da UAL, Universidade Autónoma de Lisboa, onde funciona o Instituto de Artes e Ofícios e o Curso de Arquitetura. Como podes ver, minha amiga, a cultura, a arte e a história conjugam-se harmoniosamente com o quotidiano do meu Bairro.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ora, se fores mais terra-a-terra, podes ir ver um dos mais antigos Geomonumentos de Lisboa, com pelo menos 21 milhões de anos, na Rua Sampaio Bruno. Depois aconselho a visita às Igrejas de Santa Isabel e do Santo Condestável e ao Quartel de Campo de Ourique, de onde partiu a Revolução dos Cravos e a implantação da liberdade no país. No Bairro estão presentes, o Grupo de Teatro Inglês, The Lisbon Players; a AMA, Academia Mundo das Artes; a Companhia da Chaminé e, já na centenária Padaria do Povo, está sedeada a Associação Cultural Fermento.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A componente turística apresenta diferentes tipos de instalações hoteleiras e vários pontos de interesse, se preferires instalar-te numa delas, quando por cá passares, em vez de aceitares a minha hospitalidade, é claro. Podes pernoitar quer nos variados espaços de alojamento local do Bairro ou optar pelo Hotel da Estrela; o Lisbon Luxury Palace; o ACM Lisbon; o Hotel Sua; o Hotel Lissabon; o Starhostel, o Royalty Hostel; o Ourique Hostel; o Apartamento Lisboa; o Tilty Lisbon ou a Pensão Madeira. Como outros atrativos Berta, ainda tenho que te referir a Praça de S. João Bosco de onde partem os elétricos 25 e 28; o Amoreiras Shopping Center e o Amoreiras Plaza ou o Mercado de Campo de Ourique. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>No que diz respeito à alimentação, tens, nos mais de 250 estabelecimentos de restauração, um pouco de tudo: da cozinha tradicional portuguesa à da Serra da Estrela, passando pela alentejana, minhota, madeirense, portuense e a da bairrada; há ainda os vegan e os vegetarianos e na vertente internacional pode experimentar a comida chinesa, macaense, japonesa, coreana, nepalesa, tailandesa, árabe, marroquina, do médio oriente, indiana, goesa, africana, italiana, francesa, belga, americana, israelita, alemã, grega, espanhola, mexicana, peruana e brasileira. Por fim, podes terminar a visita com as escolhas noturnas, desde os diferentes bares do bairro até a uma passagem pelas salas de cinema do Amoreiras.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Campo de Ourique é o único Bairro que conheço que tem turistas da própria cidade de Lisboa, que aqui se deslocam para fazer compras neste imenso Centro Comercial de Ar Livre ou para frequentar a sua restauração. Imperdível por quem passa por Lisboa, imperdível para ti.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Espero ter-te esclarecido um pouco mais sobre este que considero o meu cantinho do Paraíso, despeço-me com o carinho do costume, com um beijo, o mesmo de sempre,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:14337Gil Saraiva2019-12-21T02:07:00Carta à Berta: Viva a Maior Carga Fiscal de sempre!2019-12-21T02:21:59Z2019-12-21T05:00:00Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Berta 55.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G5d18a3f7/21650814_D6rG5.jpeg" alt="Berta 55.jpg" width="1280" height="723" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ainda te lembras do tempo em que se falava da chegada de uma tal de recessão? A conversa era, com os devidos acertos (com equivalências comparativas à da chegada da Elsa ou do ano de 2020 ir ser aquele com a maior carga fiscal, a atingir mesmo os 35 porcento de impostos), que tudo acabaria, em breve, no melhor dos modos.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Nesse tempo, corria o ano de 2008 (ainda te lembras?). Sobre ele passaram, quase, quase, 12 anos e, contudo, apenas as tempestades, as depressões e os furações ficaram limitados e confinados num prazo mais ou menos certo. Já as dificuldades dos povos tendem a instalar-se de pedra e cal, como se fossem construções para prevalecer e resistir. Foi assim com a recessão, continuou depois com a crise e está, neste momento, em vias de entrar aquela que é anunciada como a Maior Carga fiscal de sempre. São 3 maneiras diferentes de dizer que o cocó é o mesmo, o cheiro é que muda, talvez consoante a consistência ou o pacote em que vem embrulhado.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Voltemos atrás. Disseram-nos que ela chegara: a recessão. No entanto, se todos e cada um de nós, tivesse voto na matéria (sendo que eu votava sempre contra a chegada da anunciada) ela nunca teria vindo. Porém, segundo o Primeiro-Ministro da época, um tal de José Sócrates, garantia-se, nessa altura, que seriam tomadas todas as medidas para efetivamente acabar com a dita cuja ou, pelo menos, que a recessão, mesmo que viesse, não criaria raízes. Promessas leva-as o vento minha amiga, venham elas com a Elsa, o Fabien, ou outro qualquer.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O Governo, qualquer governo, fará como fez esse aos 4 mil imigrantes a quem vedou a entrada em Portugal e que repatriou nesses idos anos tristes. Apesar de todos os sinais o tal Primeiro-Ministro prometia à boca cheia que não tínhamos com que nos preocupar. Sócrates dizia que estava pronto para tudo. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O Povo também estaria, se ganhasse um décimo do que recebia o nosso Primeiro, quer em ordenado quer em ajudas de custo, carro, deslocações e subsídio de risco contra tomates podres, livros escolares, seringas “hipo-qualquer-coisa”, sapatos ou mesmo Ovos da Páscoa do ano de 2007.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Vejamos, estávamos à beira da deflação, os portugueses morriam menos 17 porcento em 2008 nas estradas portuguesas e a tendência era para continuar a cair (é giro ver esses sonhos agora, minha amiga), os combustíveis baixavam de preço, os juros desciam com a gorda da Eulibor a perder peso, a olhos vistos, para recordes nunca antes sonhados nos últimos dez anos, as prestações das casas decaíam junto da banca. Tudo fazia parecer ser impossível que algo de errado pudesse acontecer. Alugar ou comprar casa ou loja era mesmo bem mais barato nesse ano.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Por outro lado, o ordenado mínimo subiria o máximo, de uma só vez, em 2009 (não ouviste isso ainda este fim de ano?), o julgamento da Casa Pia chegava ao fim, a MediaMarket tinha saldos incríveis para os que não eram parvos, o Continente fazia 50 porcento de desconto em cartão da marca, a Banca recebia injeções do Estado contra a Gripe das Aves Raras, contra a Peste Suína do Capital, contra a doença das vacas loucas com os saldos e as promoções… Tudo isto, minha querida Berta, a fazer lembrar uma semana de “Back Friday” bem recente e atual.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Mas havia mais, o Magalhães, por exemplo, vendia mais do que o dinheiro chegado dos subsídios europeus da agricultura que o nosso governo devolvia a Bruxelas pois já estávamos hiperdesenvolvidos.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A euforia estava em alta, vinham aí as obras das Câmaras Municipais em ano de Eleições, mais as grandes e pequenas obras do Estado. Mais os empregos criados em 2009 só para alimentar a máquina eleitoral de três votações. A crise da Educação corria veloz para um final que não sabíamos vir a ser tão triste, mas que corria, corria…</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>As belíssimas vozes e interpretações das músicas dos ABBA, no filme “Mamma Mia”, davam esperança a qualquer português de poder iniciar uma carreira vocal a todo o momento e instante. As novelas portuguesas continuariam a narrar mundos impossíveis. A Manuela Moura Guedes já não ia deixar de ser pivot da TVI.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Mais que tudo, não iriamos passar vergonhas em europeus ou mundiais de futebol porque não os havia neste ano, o Ministro das Finanças até lançou um orçamento suplementar, o AKI tinha os preços em queda, de tal forma que um dia a casa poderia vir mesmo a baixo. A Moviflor dizia que vendia tudo e mais um par de botas, em doze meses sem juros, mesmo que os móveis durassem menos tempo do que isso. Eu próprio coloquei uma velinha à Nossa Senhora dos Aflitos para ver se o Rui Santos deixava de ser comentador de futebol de uma vez por todas, na Sic.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Porém, apesar de tanta e maravilhosa coisa a acontecer, a recessão não passou. Depois… não muito tempo depois, veio, passo atrás de passo, um Passos que nos fez passar misérias, acabando drasticamente com os anos das contas incertas. Chamando de malandros, calaceiros, quase bandidos a precisar de castigo, aos portugueses. Cortou-nos os subsídios de férias e de Natal, as horas extraordinárias, os feriados.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Mandou-nos emigrar, veio com ar de pastor anunciar que a austeridade (outra palavra bonita para a recessão), chegara para ficar. Inventou impostos, criou taxas sobre taxas e mais sobretaxas, os Orçamentos do Estado, passaram a ter de passar pelo crivo do Tribunal Constitucional, a crise instalou-se de vez com a ameaça fantasma de uma banca rota cujos buracos, afinal, acabaríamos por descobrir que se deviam muito mais aos banqueiros, que não ao povo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Agora, neste exato momento em que tudo isto já é História de Portugal, não estaremos nós à beira de mais uma “merdaleja” qualquer. Espero bem que não. Prefiro, minha querida amiga, os 35 porcento de impostos às Troikas sanguessugas e aos políticos moralistas do alto do seu conforto. Aos arautos da chegada do Diabo e de outras demonizações em tudo quer dizer o mesmo. Podem chamar-lhe recessão, crise, austeridade, banca rota, Diabo, Troika ou Maior Carga Fiscal de sempre.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Eu prefiro a última, pelo menos de momento consigo respirar, ainda não tenho direito a spa, sauna ou banhos turcos, mas giro os meus gastos sem me sacarem o dinheiro à cabeça. É evidente que preferia viver melhor ainda, não existe sobre isso a menor dúvida, mas entre o panorama atual e o que passei entre 2011 e 2015, não há que ter dúvidas ou hesitações.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Não penses, amiga, que estou a defender o PS, a Geringonça ou a Morte da Bezerra, em detrimento dos outros partidos democráticos. Nada seria mais errado e menos preciso. Estou a defender é a forma como agora nos continuam a esmifrar. Pelo menos, deste modo, eu tenho opção. Se não usar o carro, pago menos imposto, se não fumar também, se evitar as bebidas com açúcar igualmente, e podia continuar com os exemplos, contudo, o que importa é eu ter a ilusão de que posso realmente escolher se vou pagar ou não mais imposto. Este aparente alívio deixa-me feliz.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Viva a maior taxa fiscal de sempre. Sabes, infelizmente a História não dá entrevistas políticas no fim dos telejornais dos diferentes canais, senão todos nos lembraríamos de certas coincidências. Deixo-te um beijo de despedida, deste teu amigo que te adora, querida Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:14246Gil Saraiva2019-12-20T08:29:00Carta à Berta: A ASAE pode degenerar numa nova PIDE/DGS?2019-12-20T08:40:32Z2019-12-21T02:52:26Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Berta 54.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gad176628/21650274_AG0WW.jpeg" alt="Berta 54.jpg" width="1280" height="650" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Nestes tempos de mau tempo e de vendas em ventania rumo ao dia de Natal, espero que os nossos concidadãos se comportem com a inteligência habitual e não se deixem levar pela euforia das compras. Para a minha carta de hoje resolvi retomar um documento que escrevi há 9 meses atrás e que acabei por nunca te dar a ler.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Sendo eu, por nascimento, português, faço parte, tal como tu, de um povo de brandos costumes e de uma tolerância à prova quase de choque. Mas sou, também, um daqueles que gosta de refilar por tudo e por nada, porque nós temos essa tendência meio masoquista de criticarmos o que é nosso (nacional) mas que, por acaso, até pertence ao próximo, seja ele vizinho, conhecido, pessoa mais ou menos famosa ou até um dos VIP cá do burgo, enfim, não importa muito o quem para o assunto em causa. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Somos assim, podemos nem estar a sofrer com a crise, mas, como convém que ninguém saiba que até estamos bem, não se vão lembrar de nos chatear, lá alinhamos nós na desgraça nacional da crise que nunca mais passa. Temos a tendência incompreensível de nos acharmos vítimas de tudo e de todos. Muito mais nesta altura em que se discute o Orçamento do Estado.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Foi num ambiente parecido com este, de consciência negativa, que nasceu, tem uns anos, uma nova organização.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ela era, na realidade, fruto de fusões, transformações, maiorias absolutas e sede de poder, enfim, uma autoridade nacional de repressão, feita de encomenda para os nossos masoquistas sentimentos de que as coisas não estão bem no que ao quintal do vizinho diz respeito. Estou obviamente, a falar da ASAE, leia-se a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, um órgão de Polícia Criminal.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Quando foi criada, nos idos de 2005, minha querida amiga, a ASAE deveria ser a resposta nacional à EFSA, em português a Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos, mas o governo não podia, nem queria, criar um organismo de apenas defesa alimentar dos seus cidadãos, dependente de um menos significativo Ministério da Agricultura. Não! Era necessário pôr o povo na ordem. Tal e qual, Berta, como nos fazem com as imagens e as frases nos maços de cigarros ou agora com o recente IVA moralizador de 23 porcento sobre as touradas nacionais.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O plano desenvolveu-se em 2 fases. A primeira fase, em 2005, foi a dos pezinhos de lã, com o objetivo de relançar a política de defesa dos consumidores, criando uma entidade para avaliar os riscos na cadeia alimentar e fiscalizar as atividades económicas a partir da produção e em estabelecimentos industriais ou comerciais.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Essas funções, que antes estavam dispersas por vários serviços e organismos, faziam da ASAE um organismo principalmente fiscalizador, tendo como pano de fundo o espírito da Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos, pese embora já com a sementinha da economia plantada no seio do organismo. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A segunda fase, em 2007, foi a da tomada do poder, sendo uma das alterações com maior impacto a da transformação da ASAE num órgão com poderes de autoridade, ou seja, um órgão de polícia criminal.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Como tal, querida Berta, pode fazer buscas, apreensões e escutas telefónicas, desde que autorizadas por uma autoridade judiciária. O mesmo acontece com as restantes polícias. Assim sendo, na prática, a ASAE é uma polícia, ainda por cima criminal, que não foi ratificada pelo Parlamento como constitucionalmente o deveria ter sido. Mais grave é que um organismo criado, em princípio, para defesa dos consumidores se torna numa polícia criminal de métodos e objetivos bem mais repressivos. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ora, a História tem a propriedade espetacular de a podermos estudar e, se o fizermos com o devido cuidado, vamos descobrir que foi exatamente assim que a Polícia Internacional e de Defesa do Estado / Direção Geral de Segurança, vulgo PIDE/DGS, nasceu: com </em><em>funções administrativas e funções de repressão e prevenção criminal, também com contornos de defesa dos cidadãos e da sua suposta segurança (conforme consta no Art.º 2º. do edito que a constituiu) só que a irmã mais nova, a ASAE, que por desígnio tem muitas funções, não deixa de ter, no meio das suas inúmeras alíneas, o desenvolvimento de ações de natureza preventiva e repressiva, conforme poderás constatar, minha amiga, no Decreto-Lei número 274 de 2007, sendo, por isso mesmo, bem mais esperta do que a irmã e clamando uma legitimidade que afinal nem tem. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Será que a </em><em>ASAE, corre o perigo de se tornar a Nova PIDE/DGS? De momento parece-me um exagero considerar tal coisa. Afinal, Berta, temos tido no poder, partidos mais ou menos democratas, amarrados pelas imposições da Europa e da Comissão Europeia, mas, mesmo assim, dentro dos limites da democracia. O problema é se um Chega, ou algo semelhante, consegue, um dia, chegar ao poder. Pelo articulado da lei a ASAE pode fazer bem mais que uma PSP ou uma GNR, pode até agir sozinha ou solicitar a ajuda de qualquer outra força de segurança. Dá que pensar, não dá? E ainda agora a procissão vai no adro…</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Deixo-te uma beijoca carinhosa, deste teu saudoso amigo, em jeito de despedida,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:13936Gil Saraiva2019-12-19T23:25:00Carta à Berta: Receita de Xarém de Lagosta2019-12-19T23:30:07Z2019-12-20T19:49:52Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Xarém de Lagosta.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G751737f7/21650103_bPGNe.jpeg" alt="Xarém de Lagosta.jpg" width="1280" height="720" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Espero que hoje tenhas conseguido ficar em casa. O vendaval é nacional e não é, realmente, nada bom de se sentir. Além do mais dizem que, este tipo de tempestades, são mais assertivas quando carregam um nome próprio no feminino. Não sei se é um dito popular que se criou depois do Katrina, mas desconfio bem que seja isso. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Conforme me pediste segue a minha receita de Xarém de Lagosta. Aviso-te que é para comer em prato de sopa, com colher e que substitui o prato principal. Podes, uma vez que são 8 pessoas no teu jantar, fazer a receita pelo dobro ou, se alguém não gostar de lagosta, fazer a segunda dose substituindo a lagosta por 8 gambas grandes, descascadas e já, previamente, cozidas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em><u>Xarém de Lagosta à Gil</u></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Para 4 pessoas</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em><u>Ingredientes:<br /><br /></u></em></span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Miolo de Meia Lagosta de Kilo (Congelada ou Fresca) = 250 g; (ou 8 gambas grandes cozidas e descascadas)</em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>50 g de toucinho fumado;</em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>100 g de chouriço de carne;</em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>250 g de miolo de camarão médio (40-60) </em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>200 g de farinha de milho (não escolhas a mais moída de todas);</em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>1,5 dl de cerveja </em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Azeite q.b.;</em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Alho q.b.;</em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Sal q.b. </em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Piripiri q.b.;</em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Coentros q.b.;</em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Um ou 2 pés de Coentros Frescos para decoração final.</em></span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><strong><em>Confecionar:</em></strong></span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Num prato coloca o miolo de meia lagosta de um quilograma, corta-o em 8 bocados vistosos e junta-lhes 250 gramas de miolo de camarão previamente cozido ou congelado.</em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Corta o toucinho ou bacon e o chouriço em pedaços.</em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Frita-os numa frigideira, em lume brando, com azeite, alho e coentros. Depois junta 100 ml de água e deixa fervilhar.</em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Coloca o marisco num tacho e junta uma pitada de sal e água e dá-lhes uma pequena cozedura.</em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Escorre o líquido onde cozeu o marisco para um tacho, junta o caldo do chouriço e do bacon, adiciona a cerveja e leva ao lume, deixando ferver um pouco.</em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Deita lentamente a farinha com a ajuda duma colher grande.<br />Tem cuidado para não encaroçar, mexendo de vez em quando. </em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Junta as carnes e o marisco e deixe ferver. </em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Se estiver grosso em demasia (deve ficar bem consistente e não a escorrer) junta mais um pouco de cerveja. </em></span></li>
<li><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Depois serve bem quente de preferência em prato de barro enfeitando com uns raminhos de coentros.</em></span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Bom Apetite.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Recebe um beijo de despedida, deste teu amigo de sempre, </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>que não te esquece,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:13676Gil Saraiva2019-12-18T23:58:00Carta à Berta: Operações Natal e Ano Novo - PSP/GNR2019-12-19T00:07:25Z2019-12-20T19:49:29Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Berta 52.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G6018a45e/21649401_rzGh8.jpeg" alt="Berta 52.jpg" width="1280" height="857" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Um excelente dia para ti. Tem cuidado amanhã com o mau tempo que, ao que parece, vai chegar ao Algarve mais uma vez. Deve chover e ventar bastante. Não sais de casa como se estivesses no Algarve, imagina-te em Coimbra ou algo assim.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Não sei se sabes, mas vamos ter, outra vez, 19 mil elementos da GNR e da PSP nas patrulhas de fiscalização às estradas entre o Natal e o Ano Novo. A justificação apresentada passa, evidentemente, pela tentativa de evitar a sinistralidade rodoviária nesta época festiva.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Contudo, eu desconfio da existência de alguma pressão do Ministério da Administração Interna e do Ministério das Finanças, tal como aconteceu em 2018.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Pela segunda vez consecutiva, o número de elementos policiais, no processo de fiscalização nesta época, é o dobro do que acontecia nos anos anteriores.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Afinal, têm aumentado, significativamente, as receitas provenientes das multas aplicadas nos últimos 15 dias do ano. Em 2018 foram registadas quase 7 mil infrações, o que, traduzido em verbas, é deveras assinalável e justifica o reforço dos contingentes de fiscalização</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Por outro lado, ao analisarmos a sinistralidade, podemos ver que o número geral de sinistros aumentou em 2018 face a 2017, onde a força de fiscalização era metade das realizadas nestes últimos anos. De 17 para 18 o número de vítimas mortais também dobrou, como a quantidade de sinistros foi igualmente superior.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Em conclusão, a única componente prática de se dobrar os operacionais, nos últimos 15 dias do ano, tem, como consequência única, um substancial aumento das receitas derivadas das contraordenações e das infrações detetadas nas estradas portuguesas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Seria por isso obrigatória a exigência da redução drástica do número de sinistros registados. Isso sim, justificaria a manutenção do dobro de efetivos nesta época ou até do triplo. Importa realmente ter resultados práticos nos objetivos propostos e não apenas em verbas angariadas pelas forças da ordem. Enfim, é mais uma medida feita à portuguesa, sem se pensar em tudo, sem foco real no objetivo principal.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Minha querida Berta, recebe um beijo de despedida deste teu amigo,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:13518Gil Saraiva2019-12-17T17:04:00Carta à Berta: O Orçamento de Estado e o Triplo XXI2019-12-17T17:22:37Z2019-12-22T07:58:20Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="Berta 51.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba517b663/21651351_NQha9.jpeg" alt="Berta 51.jpg" width="960" height="679" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Já vi nas notícias que choveu e bem por aí. Espero que dê para encher as barragens e para deixar os solos húmidos. A chuva faz muita falta ao Algarve.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Hoje, estou aqui para te falar da apresentação do OE, isso mesmo, o Orçamento de Estado. Mas fica descansada, não me vou armar em José Gomes Ferreira, nem em Manuela Ferreira Leite ou em Francisco Louça, muito menos em comentador bailarino, tipo Marques Mendes, que tudo comenta sem de tudo saber.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Nada disso, apenas vou falar enquanto portuga mediano que escuta o que se diz sobre o orçamento e tira as suas conclusões, próprias, pouco analíticas, do ponto de vista económico, e mais baseadas naquilo que é o seu dia-a-dia, com tudo o que um documento desta natureza lhe pode afetar e alterar rotinas estabelecidas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Depois de ouvir os especialistas da televisão, e de ler as notícias online, acho que vou ficar na mesma. Sem grandes alterações ou sobressaltos no meu quotidiano, sendo que isso, por si só, já não é uma má notícia.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Contudo, há algumas notas que terei de realçar: o Ministro das Finanças, Mário Centeno, não abre mão do seu porquinho de zero vírgula dois porcentos de excedente orçamental. Com isso, os transportes, nomeadamente os ferroviários, voltam a ficar apenas na pouca-terra, pouca-terra; com a Linha de Sintra, já em processo de rotura para quase meio milhão de pessoas, a não ver a resolução deste problema ao fundo do Túnel do Rossio ou seja de que túnel for; a educação mantem-se em níveis que não perspetivam uma melhoria para os alunos, os auxiliares de ação educativa, os professores ou até para as imensas instalações afetadas pelas más condições ou pelo amianto; ao que parece quer o IVA da eletricidade, para os clientes de menor consumo, quer os escalões do IRS, passam para a discussão na especialidade sem garantias, até ao momento, de mexidas substanciais, mais uma vez.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Mário Centeno fala em factos históricos. É uma realidade que este é o primeiro orçamento da democracia portuguesa a dar lucro, feito alcançado pelo XXI Governo Constitucional, no século XXI, mesmo às portas do ano XXI. Mas essa bonita trilogia nada resolve de substancial.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Os ordenados da Função Pública voltam a derrapar; os impostos indiretos sobre os produtos açucarados, o tabaco, o álcool, os produtos petrolíferos, entre outros, mantém as previsões de subida; as pensões mais baixas continuam muito aquém do que era ambicionado; os desempregados de longa duração e o elevado nível de jovens à procura do primeiro emprego parecem destinados à estagnação, as soluções de fundo para a habitação ficaram esquecidas nalgum sótão perdido nos Paços do Governo; não se apresentam projetos de investimento e relançamento económico, no panorama macroeconómico, por parte do Estado; até mesmo a grande injeção de capital na saúde parece deixar apenas a ferida do SNS desinfetada, mas sem apresentação de uma cura à vista.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>No entanto, minha adorada amiga, temos mais de 17 mil milhões de euros em reservas de ouro, fora os outros (vários) milhares de milhões em reservas em moeda corrente, cerca de metade guardado por cá e a outra metade em diversos locais do mundo, estando uma boa parte do bolo à guarda de um tal de Donald Trump, nos Estados Unidos da América. Uma história rocambolesca a lembrar o Tio Patinhas que deixa a família viver com salários ridículos, enquanto ele se banha na sua imensa caixa forte recheada de fortunas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Não compreendo as lógicas de mercado, nem as negociatas da alta finança, mas sei que a utilização de apenas 20 porcento do ouro libertava completamente Portugal do sufoco e gerava um boom nacional nunca visto por terras lusas. Contudo, devo estar louco, por só eu pensar desta forma.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O uso cirúrgico dessas verbas ou até um pouco mais do que isso, não apenas podia servir para pagar os compromissos da dívida pública da República para este ano, como libertava do Orçamento de Estado uma verba tão significativa que seria equivalente a alcançarmos uma tal prosperidade que poderia levar à angariação de verbas superiores às inicialmente aplicadas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Seria como meter um foguete na Lua, carregá-lo de pedras preciosas e com estas, de regresso à Terra, pagar o foguete e ainda ter lucro com a expedição. Enfim, coisas de quem não entende nada de economia e finanças, minha querida amiga. Isto sou eu a sonhar à noite.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Despeço-me com um beijo saudoso, enviado com gosto por este que não te esquece,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:13112Gil Saraiva2019-12-16T00:56:00Carta à Berta: Bolsonaro... e o alegado caminho para a DITADURA!2019-12-16T01:13:10Z2019-12-17T19:58:50Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Berta 50.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G27189080/21646062_rbOp5.jpeg" alt="Berta 50.jpg" width="1280" height="640" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Espero que o vento previsto aí para o Algarve não seja demasiado forte nem incomodativo. A região está habituada a brisas suaves e a ventos pouco intensos. Principalmente nessa zona do Sotavento onde te encontras.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Um dos alegadamente maiores idiotas da história do Brasil, ocupa, neste momento, a presidência do país, de seu nome, Jair Bolsonaro. Depois da COP25 e do papel mesquinho, ridículo e assustador a que o Brasil se prestou, por força das diretrizes presidenciais, é a vez de o próprio país, vir a público, revelar mais algumas facetas do alegado fanático de direita religiosa.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Segundo declarações, da Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas do Brasil, <</span></em><div class='ljparseerror'>[<b>Error:</b> Irreparable invalid markup ('<bolsonaro [...] só>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]<br /><br /><div style="width: 95%; overflow: auto"><p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Berta 50.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G27189080/21646062_rbOp5.jpeg" alt="Berta 50.jpg" width="1280" height="640" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Espero que o vento previsto aí para o Algarve não seja demasiado forte nem incomodativo. A região está habituada a brisas suaves e a ventos pouco intensos. Principalmente nessa zona do Sotavento onde te encontras.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Um dos alegadamente maiores idiotas da história do Brasil, ocupa, neste momento, a presidência do país, de seu nome, Jair Bolsonaro. Depois da COP25 e do papel mesquinho, ridículo e assustador a que o Brasil se prestou, por força das diretrizes presidenciais, é a vez de o próprio país, vir a público, revelar mais algumas facetas do alegado fanático de direita religiosa.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Segundo declarações, da Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas do Brasil, <<Bolsonaro mostra-se hostil à liberdade de expressão e de imprensa e tem demonstrado essa hostilidade com diversos meios, não só pelos ataques verbais que faz aos jornalistas, mas também pelas tentativas de desacreditação dos “media”(…) Há no Brasil o princípio constitucional da liberdade de imprensa, mas o Governo tenta impor-se contra este princípio usando o seu poder>>.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Por outro lado, Rogério Christofoletti, professor da Universidade Federal de Santa Catarina e membro do Observatório da Ética Jornalística, afirma que está em movimento no Brasil a implantação de uma agenda anti jornalística.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O douto responsável mostra-se convicto quando diz: <<Estou convencido que esta estratégia faz parte das relações que o Presidente do Brasil tem com a sociedade, numa busca de inimigos claros e evidentes. Ele escolheu a imprensa como um desses inimigos e, para jogar com o seu público, faz críticas e acusações, promovendo uma campanha anti jornalística>>.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Para a Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas do Brasil, Maria José Braga, e para o já referido membro do Observatório da Ética Jornalística, Rogério Christofoletti, é evidente que Jair Bolsonaro, enquanto Presidente do Brasil, promove uma política concertada de ataques à liberdade de expressão.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Aliás, a Presidente da FENAJ adiantou que Bolsonaro deixou claro, ainda como candidato, nos seus discursos de apologia à ditadura militar e à violência, que, os mesmos, uma vez implantados como métodos de Governo, gerariam a sua oposição ao papel dos meios de comunicação social de fiscalizar os poderes da democracia.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Maria José Braga afirma ainda: <<Ele é uma pessoa, um político, e agora um Presidente, que de facto não tem nenhum apreço pela democracia e, por isso, não respeita as regras democráticas (…) não só em palavras, mas por atos, o Presidente tem atacado e retaliado os “medias” brasileiros>>.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A Presidente da FENAJ é perentória ao afirmar que, após um estudo, realizado pela Federação a que preside, ao quase primeiro ano completo de Governo as conclusões são alarmantes.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Segundo a mesma fonte, Bolsonaro desenvolveu ataques sistemáticos à liberdade de expressão e de imprensa ao promover um determinado número de medidas, que passam por avançar com:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Críticas diretas a repórteres e órgãos de comunicação social; extinção da obrigatoriedade de registo para exercer a profissão de jornalista; restrições visando órgãos de comunicação social específicos, apresentando o caso particular das medidas contra o jornal “Folha de S. Paulo”, uma publicação impressa, líder em todo o país, que foi proibido de participar em concursos e licitações públicas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Aliás o estudo, já referido, divulgado este mês de dezembro pela Federação, indicou que o Chefe de Estado terá realizado, pelo menos, 111 ataques públicos contra profissionais da comunicação social quer em entrevistas, quer em publicações nas redes sociais, isto só no ano de 2019, o que indica um ataque programado e bem direcionado a cada 3 dias.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ainda segundo a mesma fonte, estes ataques seriam uma forma de o <<Presidente incitar os seus seguidores a não confiarem no trabalho jornalístico da maioria dos órgãos e dos profissionais, principalmente quando divulgam notícias críticas>>.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Por sua vez Rogério Christofoletti apresenta como resultado das suas avaliações ao longo deste ano a conclusão de que o Presidente do Brasil decidiu adotar ações semelhantes às do Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, quer na retórica quer no comportamento, que, reiteradamente, afirma que os meios de comunicação social críticos ao seu Governo propagam notícias falsas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Segundo Christofoletti, o Presidente tenta assim, com esta atitude, estabelecer uma narrativa que quer ser preponderante aos factos e que, em última análise, sequestra a verdade dos mesmos. Acrescenta ainda que Bolsonaro faz transmissões ao vivo na internet, na rede social Facebook, todas as quintas-feiras e que usa como seu canal de comunicação, em direto com o público, o Twitter e que, deste modo, prescinde dos mediadores convencionais, ou seja, da comunicação social tradicional. Mas o membro do Observatório da Ética Jornalística vai mais longe, afirmando que o Presidente do Brasil sataniza e demoniza a imprensa brasileira e não só.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Os exemplos são muitos, mas, voltando apenas ao já referido, o Presidente, não só excluiu a Folha de S. Paulo das licitações e concursos públicos como, por retaliação, cancelou a assinatura do jornal da lista de periódicos recebidos pelo Governo brasileiro.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Esta medida causou uma reação de Lucas Furtado, o subprocurador-geral junto do Tribunal de Contas da União, o TCU, tendo, na sequência dos factos, apresentado um pedido formal para que a Folha de S. Paulo não fosse excluída das licitações. Até ao momento em que te escrevo, minha querida amiga Berta, este pedido ainda não foi sequer analisado, segundo é referido pelas mesmas fontes.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Quando no fim de outubro, Bolsonaro, declarou que nenhum órgão do Governo voltaria a receber a Folha de S. Paulo, adiantou, à laia de explicação, que o jornal era um órgão propagador de notícias falsas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Visando criar a sua própria imprensa, devidamente moldada à sua imagem e semelhança e devido à falta de jornalistas devidamente creditados para a comporem, o poder executivo enviou em outubro para o Congresso, um projeto chamado “Verde e Amarelo” que prevê a extinção de registo profissional para quem exerça a profissão de jornalista.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Já em agosto último, Bolsonaro havia declarado publicamente que um outro jornal, o “Valor Económico” poderia ter de fechar as portas, uma vez que o Governo iria acabar com a norma que obrigava as empresas de capital aberto a publicarem os seus balanços financeiros em jornais nacionais, e, com isto, retirar os fundos necessários à sobrevivência da publicação, uma vez que esta ousara, por diversas vezes, criticar a sua gestão, nomeadamente, na vertente económica e financeira.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Contudo, a determinação do Presidente do Brasil, precisou, e ainda bem, de aprovação do Congresso, que inteligentemente a chumbou, sem propor sequer qualquer alternativa possível.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Este é um pequeno exemplo do que tem sido a governação de Bolsonaro. Muito pior do que isto tem acontecido numa imensidão de áreas, desde as questões ambientais, à tentativa de alteração de costumes, ao ataque sistemático às tribos indignas e à criação de uma legião de fanáticos. Em apenas um ano, ainda por terminar, o programa de implementação de uma alegada nova ditadura no Brasil vai adiantado.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A minha esperança, minha querida amiga, é que este povo que eu adoro como se fosse o meu, consiga arranjar forma de inverter esta vertiginosa sucessão de acontecimentos e que este alegado lunático consiga ser travado a tempo. Seja por eleições, seja por impugnação, seja por abuso de poder, seja pelo que for. Impõe-se o fim, a curto prazo, desta desastrosa governação de gente que acha que os peixes são inteligentes e as pessoas burras que nem calhaus.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Despeço-me, como sempre, enviando-te um beijo saudoso, deste que não te esquece,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p></div></div>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:12818Gil Saraiva2019-12-15T04:33:00Carta à Berta: Tragédia na COP252019-12-15T04:39:37Z2019-12-15T18:41:17Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="COP25 Madrid.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G2e179a94/21645163_MM05P.jpeg" alt="COP25 Madrid.jpg" width="1280" height="852" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Espero que esta carta te encontre bem, como aconteceu com as últimas. Nada como viver com saúde, algum dinheiro e em harmonia e paz.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Hoje venho relembrar que a COP25, a conferência de líderes promovida pela ONU sobre a emergência climática, está a chegar ao fim. Esta assembleia, que acabou este final de semana, deveria lançar a esperada declaração de princípios, aquela que poderia ser suficientemente forte para conduzir o planeta ao início de uma caminhada a favor do combate às alterações climáticas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Contudo, o texto apresentado ontem não convenceu a maioria dos países envolvidos. Tratava-se de uma declaração frouxa, sem grande ambição e sem as desejadas e ansiadas metas, muito, mas muito, aquém de todas as expetativas, para grande tristeza dos ambientalistas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>É certo que um texto assim está sobre a pressão e é resultado das influências de países como a Rússia, a China, a Índia, o Brasil, os Estados Unidos e a Austrália que não parecem convencidos, nem convertidos às questões da emergência. Eles que, conjuntamente, representam quase 70 porcento do problema. Já para não falar dos países asiáticos, responsáveis por 80 porcento da poluição de plásticos existente nos oceanos.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Resta-nos esperar pelo fim do dia. Pode ser que, com alguma diplomacia, alguns destes países ceda o suficiente para que a resposta seja mais firme, mais determinada e mais coerente com as reais necessidades do globo. Afinal, terá de ser apresentada uma nova declaração de princípios, já com algumas propostas concretas. Será que a montanha vai parir um rato ou teremos realmente um caminho novo? Só terminarei esta carta quando a cimeira encerrar. Veremos o que acontece...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> Pronto! Terminou a COP25. Agora, acabada que está a cimeira de Madrid, cá vai a minha opinião. A esperança de muito pequena, mas existente, minha querida amiga, passou a desilusão, ansiosa e preocupada, uma vez que a inteligência não prevaleceu.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Aproveito o facto de ainda não ter posto esta carta no correio para te dizer que, finalmente, graças principalmente à Austrália, ao Brasil e aos Estados Unidos da América nem sequer um rato saiu desta cimeira do clima cujos resultados já são conhecidos.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Pior que tudo, os 2 presidentes que tanto insultaram, demonstrando um imenso menosprezo e muita arrogância, pelas posições de Greta Thunberg, tendo o líder brasileiro apelidado a ativista de “pirralha”, fizeram mesmo questão de demonstrar ao que iam.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Assim sendo, não há qualquer fumo branco, luz verde, ou bandeira axadrezada a anunciar uma vontade de realmente travar uma batalha sem tréguas às alterações climáticas. A emergência, ficou-se por uma pulseira verde, e acabou por ser mandada para casa sem que um diagnóstico sério ou um tratamento adequado tivesse sido prescrito.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>É a derrota em toda a linha das posições dos ambientalistas do mundo inteiro. Esta COP25 acabou por se tornar numa tragédia mundial e, se ao que parece, o ponto sem retorno estava mesmo à vista, então, se assim for, ele acabou de ser hoje ultrapassado. Para Greta Thunberg é uma derrota ainda maior. A COP25 andou para trás, nem mesmo se ficou pelo que já tinha sido alcançado. A tragédia de Madrid, sob a batuta de um Chile, que se vergou ao poderio dos grandes estados, na responsabilidade que tinha da condução da cimeira, ficará conhecida como o dia em que a Terra foi condenada pelo capital.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Se no futuro esta cimeira vier a ser julgada pelos seus atos e respetivas consequências, não poderão os responsáveis de tal boicote serem acusados e julgados por crimes contra a humanidade? Sendo assim, a direita política vai ficar com um ónus muito grande para explicar ao mundo inteiro. Scott Morrison, o primeiro-ministro australiano, que lidera o governo saído da coligação de centro-direita, Donald Trump, o presidente democrata americano e Jair Bolsonaro, o líder do governo de direita brasileiro, são neste momento os principais réus e responsáveis deste desastre negocial, cujas consequências são ainda imprevisíveis.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Pois é minha amiga, estou sem palavras. Já esperava um resultado fraco e sem grandes avanços, contudo, o que aconteceu foi bem mais do que isso, foi um virar de costas absoluto, com um encolher de ombros brutal, de, como diria Ricardo Araújo Pereira, é “Gente Que Não Sabe Estar”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Recebe um beijo deste teu grande amigo, que nunca te esquece,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:12550Gil Saraiva2019-12-14T00:34:00Carta à Berta: Os 9 Magníficos2019-12-14T01:06:20Z2019-12-14T01:06:20Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Berta 48.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gf518cc88/21644197_O6Tjf.jpeg" alt="Berta 48.jpg" width="1280" height="835" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Espero que estejas contente com os resultados desta semana europeia de futebol. De todas as mulheres que conheço, e ainda conheço algumas, tu, minha amiga, és das que mais adoram futebol. Não é muito normal, mas quem sou eu para me queixar disso. Assim sempre temos mais um tema de conversa. Contudo, acho muito estranho essa tua mania de dizeres que o teu clube é a Seleção Portuguesa. Eu bem te vou tentando puxar para o meu clube, mas tu és mesmo inflexível.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Hoje apenas te trago uma novidade engraçada. Sabias que um quarto dos treinadores cujas equipas passaram para os 16 avos de final da Liga Europa são portugueses? Parece coisa de fantasia ou de livro de ficção. Porém, com efeito, 25 porcento é o número redondo deste feito. Numa competição, onde participam 40 países, haver um deles com uma representação tão elevada de treinadores só pode significar que alguma coisa boa se passou nesta nossa pequena terra à beira-mar.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Já agora digo-te quais são os treinadores e os clubes respetivos. Então é assim: pelo Olympiakos está o Pedro Martins, pelo Shakhtar Donetsk tens o Luís Castro, pelo AS Roma encontras o Paulo Fonseca, pelo Wolveramphton a liderança pertence ao Nuno Espírito Santo, pelo Sporting é a vez do Silas, pelo Sporting de Braga tu sabes que é o Sá Pinto, pelo Porto o treinador é o Sérgio Conceição e, finalmente, pelo Benfica a estrela é o Bruno Lages. O que achas tu deste lote de notáveis? É impressionante.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A somar a isso tudo ainda temos o José Mourinho com o Tottenham, na Liga dos Campeões. Somando todos dá 18,75 porcento de treinadores portugueses ainda em prova nas competições da UEFA. Mais um feito nunca antes atingido. Eu, para ficar mais contente agora, só me faltava ver o Jorge Jesus consagrar-se campeão no mundial de clubes. Era a cereja no topo do bolo nesta fase das competições.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Já sei que me achas um sonhador, mas ainda te lembras, por certo, quando eu te disse que ele ia ganhar o Brasileirão e a Taça dos Libertadores. Na altura riste-te de mim, mas acabaste por dar a mão à palmatória. Enfim, estou contente, oxalá toda esta malta tenha sucesso este ano, lá para o fim, quando as competições terminarem. Nós já regressámos ao sexto lugar do ranking da UEFA, sexto em 40 países é obra, e, para o ano, já teremos 6 equipas a iniciar as provas das competições europeias.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Sei que nada disto me põe comida na mesa, minha querida Berta, mas alimenta-me a alma e ela agradece. Deixo-te um beijo de despedida, um “bué da gande”, deste amigo que não te esquece,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:12354Gil Saraiva2019-12-13T12:44:00Carta à Berta: A Bicha Justiceira Vence Novamente2019-12-13T12:53:51Z2019-12-14T02:31:28Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Berta 47.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G4617b7ff/21643559_DKkMO.jpeg" alt="Berta 47.jpg" width="1280" height="731" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Não sei se já deste conta que o Natal se aproxima a passos largos. No Algarve é um pouco mais difícil, para quem vem de fora, dar pela chegada da quadra. Se fosses de frequentar os grandes centros comerciais ainda davas por ele, agora assim, não é tão evidente. Bem, não era, quando eu vivia aí pelo Sul. Hoje em dia até já pode ser de outra maneira.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Não sei se tens acompanhado “As Aventuras de uma Bicha Portuguesa”, peripécias que davam para pôr nome a um filme, do género do que acabei de dizer. Estou-me a referir ao icónico, pela negativa, José Castelo Branco.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Depois de ter declarado publicamente no verão passado que ia lançar a sua candidatura a Primeiro-Ministro, de ter feito um alarido público anunciando já ter recolhido 12 mil e quinhentas assinaturas, para a formação do seu partido “MJP”, ou seja, o “Movimento de Justiça Portuguesa”, acabou por se retirar prematuramente, alegadamente devido à saúde da sua Betty Grafstein, que se teria agravado ao ponto de ir ser operada no final de agosto passado, o que o obrigava a regressar, fora do previsto, rapidamente aos Estados Unidos.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A senhora de 92 anos foi realmente operada, aos olhos, e, 3 dias depois, já Castelo Branco a exibia num dos aparelhos do ginásio particular do apartamento desta em Nova Iorque.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ficam no ar as dúvidas se realmente as 12 mil e quinhentas assinaturas existiam. Mas o amigo José, não é bicha que se preocupe com detalhes. Aliás, ele próprio se afirmou como tal, o que justifica eu estar a usar o mesmo termo. Foi precisamente quando em agosto anunciou a sua prematura saída da política:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>” Vou</em> continuar sempre a ser a bicha justiceira<strong>. </strong>Eu não minto nem brinco em serviço”. Estas são palavras do próprio, que escolhe com orgulho, a denominação de bicha para se autoidentificar. Podes achar algo de incompreensível, mas tudo neste espécime tem esse tipo de caraterísticas de difícil entendimento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Se pensarmos na personagem como pretenso líder da justiça portuguesa a situação ainda é mais confusa. José Castelo Branco, em 2003, foi detido no Aeroporto de Lisboa por contrabando de mais de 2 milhões de euros em joias, acabando o caso por ser resolvido pelos advogados de Betty Grafstein, com pagamento de pesadas coimas. Mais tarde, em 2013, foi condenado a 9 meses de prisão, com pena suspensa, a pedir desculpas publicamente e ao pagamento de mil euros por ter injuriado e dado uma cabeçada ao produtor Daniel Martins. Depois, em 2016, foi condenado por injurias e maus tratos a uma empregada doméstica, com 3 meses e 16 dias de prisão efetiva ou, em alternativa, ao pagamento de uma indeminização de 6 mil e 400 euros, que acabou por pagar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Finalmente, esta quarta-feira, Castelo Branco foi novamente preso no Aeroporto de Lisboa, antes de partir para Nova Iorque, acusado de roubar um perfume da marca Dior. No presente momento aguarda julgamento, com termo de identidade e residência, sem autorização para sair do país, por determinação judicial.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Ora, perante um cenário destes, faz realmente sentido que uma pessoa com este perfil, casado com uma mulher 36 anos mais velha, proprietário de uma galeria de arte em Nova Iorque, de uma vivenda em Sintra e de um apartamento em Lisboa, que vive, não se sabe bem do quê, se excluirmos a fortuna da esposa, resolva criar um partido denominado “Movimento de Justiça Portuguesa”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Minha querida Berta, eu acho que o Termo de Identidade e Residência, agora pendente sobre esta pessoa natural de Moçambique, e que ostenta passaporte português, tem, no fundo, a ver apenas com o facto da própria justiça o querer mais perto de si.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Como ainda não te enviei esta carta e já há novidades sobre a bicha rica, achei por bem um pequeno “update”. José Castelo Branco conseguiu “provar”, ao que parece, que o perfume lhe caiu para dentro da carteira. Foram anuladas todas as acusações e já seguiu hoje para Nova Iorque. Como diria a bicha: “Money talks”. Mais absurdo só naquele antigo jornal… “O Incrível”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Despeço-me com um beijo, sempre cheio de saudades, este teu amigo eterno,</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Gil Saraiva</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:12029Gil Saraiva2019-12-12T00:44:00Carta à Berta: Caçadora de Sonhos...2019-12-12T00:51:05Z2019-12-12T00:51:05Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Berta 46.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G9a171eba/21642407_BbdrF.jpeg" alt="Berta 46.jpg" width="1280" height="820" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Desejo-te uma boa quinta-feira. O clima por Lisboa está menos frio e a chuva, prevista para breve, ainda não começou a cair. Escusas de te rir por estares bem mais protegida das grandes diferenças de temperatura aí pelo Algarve. A falta de água nesse bocadinho de Portugal ameaça tornar essa terra num deserto a curto prazo. Fica atenta minha amiga, fica atenta.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Hoje, como ontem, a televisão voltou a noticiar mais uns escândalos ligados ao tráfico de mulheres. Parece que a humanidade não aprende nada com a sua história. As mulheres não são mercadoria de ninguém. Num mundo cada vez mais sofisticado custa-me a aceitar como é que coisas destas ainda podem acontecer. Lembrei-me de um poema que fiz, em 1998, já lá vão mais de 21 anos, sobre uma amiga minha, a Joana, que, por força das circunstâncias, se fez escrava, por vontade própria, do sexo. Foi a única maneira que encontrou para sobreviver dizia-me ela.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Nunca achei que não pudessem ter havido outras alternativas. Mas isso sou eu a pensar. Ela, que por um acidente na vida acabara de perder de uma vez pais e avós decidiu que esse era o único caminho. Neste caso, a escravatura voluntária pode ser menos penosa do que a forçada, mas não deixa de deixar profundas marcas a quem dela sofre. Fica aqui, para que me entendas, amiga Berta, a homenagem que lhe prestei há mais de 20 anos:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>"CAÇADORA DE SONHOS"</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Caçadora de sonhos</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E tão sem saudade...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Armada de vida,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Carente de presas…</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Eu, pela cidade</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Procuro a saída</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Encontro defesas</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Na alma do mundo:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ninguém se quer dar;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ninguém sabe amar;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ninguém quer, no fundo,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Saber encontrar</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A paz, no profundo</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Calor de um segundo...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Caçadora de sonhos</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E tão sem saudade...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Eu vejo no dia,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Na noite bravia,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>No caminho, na rua,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Entre gente,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Mais gente,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Vestindo essa moda</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>(Qual festa tardia</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ao néon da Lua),</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A gente que mente</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E em bares se acomoda...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E ali, nessa esquina,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Eu vejo no dia,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Na noite bravia,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Se vendendo toda,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Uma pobre menina</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Que diz a quem passa:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>"- Mil paus... tô na moda..."</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>No meio da praça,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Se vendendo toda</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Joana sem caça,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Carente de presas,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Faz contas à vida:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em><<- Nem dá “prás” despesas...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Que porra de vida!...>></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E gente infeliz,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Com hora marcada,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Passa e lhe diz:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em><<- Dou cem e mais nada...>></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Caçadora de sonhos...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E tão sem saudade...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Eu já vejo agora</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O riso da erva</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Nos pés dessa serva,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Que vende por hora</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O corpo... estragado...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>De tão ser usado.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Caçadora de sonhos</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E tão sem saudade...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Buscando, perdida,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A velha igualdade</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Do mundo, da vida...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Buscando ilusões,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Conceitos, ideias,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Credos e orações,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Entre cefaleias...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Caçadora de sonhos</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E tão sem saudade...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>É assim: no leve sorriso</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Dessa erva daninha;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>No cato que cresce</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Formando uma espinha;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Na espinha que pica</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Aquela andorinha</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>(Coitada, infeliz,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Que sangue já chora),</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Caçadora de sonhos</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E tão sem saudade...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E choro, de mágoa,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O gozo sinistro</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>De certa gentinha,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Com cara de quisto</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Pejado de tinha;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E a cara alegre</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>De um velho ministro</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Que julga esconder</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O que já foi visto...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Choro... choro e volto a chorar...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Mas riem as luzes p’la cidade fora...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Riem de mim na noite vizinha;</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Riem... riem como quem ri</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>De uma adivinha prá qual a solução</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Não se avizinha...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Riem... riem enquanto meu ser</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>De novo chora, chora como ontem,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Como hoje e agora:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Chora as meninas</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>No meio da praça</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Se vendendo todas</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ao primeiro que passa...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Caçadora de sonhos</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>E tão sem saudade...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Como posso caçar</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Sonhos no mundo?</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Como posso amar</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Mais que um segundo?</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Não tenho saudades</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Da terra maldita,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Onde o direito</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Não passa de fita...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Minha alma:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Caçadora de sonhos</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>É tão sem saudade...</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Despeço-me com um beijo, saudoso como sempre, este que nunca te esquece,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:11698Gil Saraiva2019-12-11T01:53:00Carta à Berta: AMA e o Doping2019-12-11T02:00:56Z2019-12-11T23:47:16Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="Berta 45.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bdb18e218/21641434_1bEU1.jpeg" alt="Berta 45.jpg" width="960" height="640" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Espero que te encontres bem e que não estejas zangada comigo por causa da história da Miss Universo. Tu conheces bem o que eu penso sobre esse assunto e decerto não levaste a mal eu continuar a teimar que não gosto desse tipo de concursos.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Também não gosto da apresentadora da Sic, a Cristina Ferreira, e tu gostas. Não há nada a fazer. Eu não gosto pelo tom, timbre, ausência de cultura geral e alguma falta de polimento da pessoa, enquanto que tu a admiras pelas conquistas, pelo protagonismo e pelo destaque num mundo de homens. É assim mesmo, não somos iguais, mas damo-nos muito bem, mesmo com as nossas diferenças.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Hoje, o assunto desta carta prende-se com as sansões impostas à Rússia pela Agência Mundial de Antidopagem, a AMA, que, com uma votação por unanimidade, </em>determinou a exclusão da Rússia dos Jogos Olímpicos de Verão Tóquio 2020, de Inverno Pequim 2022 e de todos os campeonatos do Mundo nos próximos 4 anos. A organização prevê, contudo, a possibilidade de os atletas russos competirem sob bandeira neutra, o que, porém, só nos desportos individuais é que a coisa faz sentido. Em causa estava o esquema de dopagem concertada, planeada, desenvolvida e apoiada pelo Estado Russo aos seus atletas, de forma a que os mesmos conseguissem despistar as análises do controlo antidoping.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Foi precisamente a descoberta do esquema, e o seu desmantelamento, o que levou ao castigo agora proferido pela AMA. Será algo para dizer que a organização AMA trata todos por igual e que, alegadamente, não tem filhos nem enteados. O controlo antidoping desde que nasce é para todos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Dizem, contudo, as más línguas, que certos Estados e não apenas o Russo, estão a desenvolver novos tipos de drogas, que, num futuro próximo, consigam fintar as análises com novas indetetáveis drogas pelos sistemas de análises em uso e normalizados pela AMA. A ser verdade, o desporto mundial não terá paz tão cedo e é bem provável que a organização de controlo se tenha que vir a adaptar muito rapidamente se quiser manter a sua eficácia nos níveis atuais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Em causa está o facto dos velhos tubarões do desporto não quererem perder protagonismo face a países emergentes onde, finalmente, o desporto tem vindo a ser levado mais a sério. Tudo parece valer para suplantar os rivais em medalhas, sejam elas individuais ou coletivas. Já nem se importam apenas com o serem melhores, a preocupação mudou de paradigma, o que é realmente importante é parecerem melhores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Não se sabe ainda se a Rússia vai recorrer ao TAS, o Tribunal Arbitral do Desporto, sobre as sansões impostas pela AMA, no que ao cumprimento dos regulamentos antidoping diz respeito, porém, tudo leva a crer que tal possa não vir a acontecer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Afinal, a coisa não correu assim tão mal à Rússia que vai acolher, apesar da suspensão imposta, o Euro 2020 e a final de 2021 da Liga dos Campeões. Isto acontece porque, sendo estas são competições sectárias, que envolvem apenas um território mais restrito, a Europa, neste caso, e que não sendo mundiais, escapam à alçada das sanções e penalizações agora impostas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">O que é triste, minha amiga Berta, é a falta de vergonha, de pudor, de humildade e de desportivismo com que estas coisas são planeadas e levadas a cabo. A corrupção está de tal forma banalizada que tudo parece normal e corriqueiro. Durante quanto tempo mais conseguirão as “AMAs” deste mundo levar a bom porto a sua missão de controlo?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Podemos estar na era da informação, dos média, das bases de dados, das redes sociais, mas também estamos na era dos contactos, das cunhas, da troca de favores, das subidas na horizontal ou de bandeira hasteada, dos lóbis, das boleias e da falta de promoção do mérito, como primeiro fator realmente diferenciador.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Raramente, alguém atinge o topo, por mérito próprio. Nessas alturas é quase cómico observar as reações que um tal facto provoca. Com uma velocidade estonteante aparecem histórias e páginas de jornal ou nas redes, relatando cada podre com linhas vermelhas onde o ódio predomina. Antigamente, se nada havia a apontar a esse vitorioso, essas vozes iam-se calando até a pessoa ser esquecida, agora tudo mudou. Nada mais fácil do que pôr a correr umas “fake news”, várias, se possível, por forma a deitar a baixo o “self made” campeão ou campeã. Sim, porque para esta gente é quase um crime alguém triunfar apenas pelo seu mérito próprio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">É com tudo isto que temos de viver. Vamos protestando, um pouco no vazio, e tentando, a custo, fazer a diferença. Importante é nunca desistirmos. Nem tu, Berta, nem eu, nem quem acredita que a justiça e o mérito podem um dia vir a prevalecer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Deixo-te um beijo de saudades, recebe-o com carinho deste teu eterno amigo,</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;">Gil Saraiva</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:11351Gil Saraiva2019-12-10T00:45:00Carta à Berta: Miss Universo2019-12-10T00:49:58Z2019-12-10T00:49:58Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 813px; padding: 10px 10px;" title="Berta 44.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G0b1899b7/21640661_e0QRQ.jpeg" alt="Berta 44.jpg" width="813" height="546" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Como estás minha querida amiga? Espero que tudo continue pelo melhor por essas terras algarvias. Por aqui, as coisas vão saudosas da tua companhia, mas calmas. Recebi mais um selo de participação do “tripavisor”, pelas minhas opiniões sobre restauração e hotelaria, principalmente no que diz respeito ao Bairro de Campo de Ourique. Fiquei surpreso por saber que me encontro no escalão dos 20 porcento, entre aqueles cujas críticas são mais consultadas no site, no que se refere à capital.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Julgo que terás assistido este domingo à eleição de Miss Universo 2019. Embora eu não entenda muito bem o que tu vês de interessante nesse concurso, porque, em definitivo, não é a minha praia, acabei por assistir por me lembrar que tu adoras a prova.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Deves estar feliz, ganhou o antirracismo, coisa que já não acontecia tão manifestamente desde 2011. Porém, quedo-me a pensar se a notória tendência do júri, para esta glorificação do antirracismo, não acaba, ela mesma, por se tornar racista. Afinal, às mulheres brancas deste ano, nem que fossem as mais perfeitas “Cinderelas” ou “Brancas de Neve” de nada lhes teria valido, melhor teriam feito se nem tivessem entrado no concurso. Já sei que vais reclamar comigo. Perguntar-me pelos outros anos onde só ganharam as meninas de raça branca. Tens alguma razão.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>É a questão do copo meio cheio ou meio vazio. Embora este ano eu ache que foi demasiado exagerada a tendência de premiar a cor da pele e as origens das concorrentes. Afinal a vencedora é da África do Sul, a concorrente negra Zozibini Tunzi; a primeira dama de honor, Madison Anderson, veio de Porto Rico, e, embora seja loira, traz o carimbo bem conhecido pelos americanos de ser porto-riquenha, povo que eles rotulam com slogans bem racistas. Ora, ainda por cima, a segunda dama de honor é mexicana, Sofia Aragón, cuja fisionomia e o olhar deixam bem patentes a sua origem latina.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Tu sabes que eu não gosto deste concurso que premeia as mulheres enquanto objetos de cobiça masculina e escusas de me dizer que, atualmente, já existem parâmetros que levam em linha de conta outros fatores. O facto é que nunca uma bruxa ganhará o concurso, portanto, o critério de bibelot será sempre o mais valorizado. Os outros só existem para amenizar as vozes críticas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Mas não penses que sou apenas contra este concurso, o de Mister Universo, dos machos estereotipados, é-me igualmente adverso. Não precisas de me lembrar que, para mim, homem sem pelos é como cowboy sem chapéu e sem pistolas. Não é isso que está em causa, mas sim, e sempre, as ideias por detrás destes pódios. Podem mudar-lhes as regras de mil maneiras e feitios que de nada valerá. No meu entender bonecas e machos são estereótipos de um passado.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Devo-te confessar que só assisti a partes do concurso, embora goste de ver mulheres bonitas na televisão, a ideia de montra e o meu antagonismo anti machista, mesmo sem eu querer, acaba por prevalecer. Não fiques zangada comigo. Tens todo o direito de pensar de maneira diferente e eu respeito isso.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Quanto a mim, todo o concurso é uma imensa hipocrisia. Deixo-te aqui as palavras que a vencedora proferiu depois da vitória, segundo o site do MSN Notícias, quando lhe perguntaram o que faltava, ainda, nos nossos dias, às mulheres</em>: "Liderança. É algo que falta a mulheres e mulheres jovens há muito tempo, não porque elas não a desejavam, mas por causa de como a sociedade rotulou como as mulheres deveriam ser." (o português da tradução é da responsabilidade do site).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Tu achas que é ganhando este tipo de títulos que as mulheres vão alcançar a liderança, minha querida? Enfim, como sei que temos opiniões opostas, não vou mais bater na ceguinha. Já te fiz despertar, quanto baste, o sentido critico. Despeço-me com um beijo. Este teu eterno amigo que jamais te esquece,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:11022Gil Saraiva2019-12-09T00:54:00Carta à Berta: Livre Resolvido, Chega sem Basta...2019-12-09T01:04:48Z2019-12-10T01:10:37Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1024px; padding: 10px 10px;" title="Berta 43.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G0c17c13d/21639625_sJInF.jpeg" alt="Berta 43.jpg" width="1024" height="769" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Cá estou eu de novo a “falar” contigo. Mesmo que não oiças os sons tenho a certeza que me consegues imaginar a articular as palavras e, se bem concentrada, quase que te parecerá estares a escutar o som do meu diálogo provido do entusiasmo do costume.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Como sabes, realizou-se ontem a Assembleia Geral do Livre, toda a comunicação social esperou ansiosamente por assistir à luta titânica entre os escassos elementos de um partido, que pouco mais tem que uma direção e um grupo de contacto. De um lado do ringue deveria estar o aguerrido e imenso líder do Livre, Rui Tavares, e, do outro, seria de esperar, de lenço da Guiné Bissau a prender-lhe os cabelos, à laia de pirata que roubou o protagonismo ao partido, a única deputada eleita pelo mesmo nas últimas eleições legislativas, Joacine Katar Moreira, pronta a pôr “knockout”, atirando palavras soltas, como se de lâminas ninja se tratassem, ao líder do partido.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>No final, a montanha pariu um rato, pequeno, minúsculo, invisível mesmo. Tudo continua igual. Isto é, sem alterações, se nos esquecermos das feridas mortais que toda a história gerou. Há já quem diga que o partido é um quase nato morto que não sobrevive mais de 4 anos na incubadora da democracia com assento para lamentar. E lamentar muito, pois muito de bom se augurava ao líder, um homem arguto que levou a liberdade demasiado à letra. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Enquanto que, para os lados do Livre se vai assistindo a este Carnaval antecipado, nas bandas do PSD a luta interna faz esquecer a política nacional, um galo, um pinto e um frango da Guia disputam o poder. Se eu fosse de dar prognósticos diria que o animal com maior crista sairá vencedor.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Por falar em cristas, no seguimento da bancada, o CDS continua a descer a escada nas sondagens rumo à porta de saída do Parlamento, o PC e os Verdes ainda lambem as feridas da machadada eleitoral e esforçam-se por recuperar o controlo dos sindicatos que, por estes dias, parecem querer nascer independentes e livres do jugo vermelho, que nem cogumelos.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ainda importa referir que o Bloco de Esquerda, distraidamente, serve de ama seca a Greta Tunberg e se preocupa com a política internacional ligada à COP 25 e à Emergência Climática, descorando a problemática nacional. Já o Iniciativa Liberal reorganiza a sua estrutura, face ao abandono do seu líder, depois das eleições. Por fim, o PAN ainda não deixou de se ver ao espelho depois de ter quadruplicado de tamanho, qual porco antes da matança.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O partido socialista, orgulhosamente sozinho no Governo, anda atarefadíssimo a tentar fazer passar o Orçamento de Estado para o ano de 2020, como quem não quer a coisa, enquanto a oposição anda ocupada.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Aproveitando tamanhas distrações as ervas daninhas prosperam e propagam-se. A levar em linha de conta o que dizem as sondagens o Chega cresce, diz que não basta e afinal quer mais. A acreditar nos especialistas, ultrapassou já as intenções de voto no CDS e continua de bola em campo, movendo um ataque consertado às balizas do poder.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Dando outra imagem: o Chega é como que um touro enraivecido, de cornos em riste, apontados à arena da democracia serena e pacífica de Portugal, a quem convém travar a investida, antes que este derrube e massacre os forcados distraídos, armados em deputados, em altura de pega brava.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Espero que esta carta te receba alegre e feliz. Despede-se este teu amigo de sempre, com um beijo,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:10872Gil Saraiva2019-12-08T09:51:00Carta à Berta: As Escravas Sexuais da Segunda Guerra Mundial2019-12-08T09:59:34Z2019-12-08T09:59:34Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Berta 42.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G6c1858c6/21638938_ch8h2.jpeg" alt="Berta 42.jpg" width="1280" height="693" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Recebi hoje a tua última carta. Não precisas de me escrever diariamente só porque eu o faço. Para mim é apenas uma forma de desabafar e de te manter por perto. Confesso, contudo, que sabe bem abrir a caixa do correio e encontrar uma carta tua em vez da conta da eletricidade. Já há muito tempo que não tinha essa expectativa ao ir ver o correio. É revigorante, fresco e nostálgico.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A minha carta de hoje é, por incrível que te possa parecer sobre a Segunda Grande Guerra Mundial. É verdade! Com efeito, ainda hoje, continuam a ser divulgadas coisas que mal dá para acreditar terem realmente acontecido. Todavia, mais uma vez, o assunto versa as mulheres.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>É do conhecimento geral o abuso, de todo o tipo, a que foram sujeitas as judias e não só, pelo regime nazi. Uma escravidão inaceitável e só possível descrever no contexto de terror que se viveu na época. Das experiências horrorosas efetuadas pelos médicos e carrascos do nazismo à escravidão sexual aconteceu um pouco de tudo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Porém, para meu espanto, não é daí que vem a novidade. Os 23 documentos hoje divulgados têm origem no país do Sol Nascente. O, na altura, Grande Império do Japão. Se um dos grandes realizadores de cinema fizesse um filme, cujo argumento fosse parecido com o que por lá aconteceu, seria, rapidamente, apelidado de uma grande metragem irrealista.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Contudo, como costumo dizer tantas vezes, a realidade tem a terrível mania de ultrapassar a ficção. Infelizmente, nem sempre nos revelando o melhor dos homens, dos governos e do poder instituído. Afinal, estas revelações referem-se ao segundo quartel do século XX, e têm pouco mais de 80 anos as primeiras, e menos do que isso algumas das outras, entre as quais, se encontram provas documentais com apenas 74 anos de idade… foi quase ontem.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Embora muita gente possa dizer que as coisas foram iguais no passado, de uma forma generalizada, em toda a parte, julgo que esta situação é incomparável com os atos de escravatura, praticados em Portugal e na Europa nos séculos XV, XVI, XVII e XVIII, em que os direitos humanos ainda eram uma miragem absurda e inconcebível, se bem que igualmente condenáveis em absoluto.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ora, os documentos agora revelados, são prova documental que o exército japonês, solicitou escravas sexuais (em média: uma para cada 70 soldados), ao governo nipónico e que a solicitação foi não apenas aceite, como foi levada a cabo com uma eficácia tremenda.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O Japão, ainda tenta suavizar a coisa, dizendo que parte das mulheres eram gueixas japonesas, profissionais do sexo, cuja existência nada tinha a ver com situações de escravatura sexual. Como se o sistema de gueixas no oriente fosse algum clube de voluntárias, ardentemente desejosas de serem tratadas como coisas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O problema é que, neste século, nesta década e neste ano, continuam a existir gueixas na terra do Sol Nascente, quase com a mesma inexistência de direitos que há uns séculos atrás. Reconhecer tratar-se de escravatura sexual, poria em causa muito do que hoje ainda se passa e isso o Estado Nipónico não tem qualquer interesse em considerar.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O mais grave dos documentos trazidos a lume é que revelam que o Japão fez escravas sexuais raptando mulheres da Coreia do Sul, de Taiwan, das Filipinas, do próprio Japão e da Austrália. Quase todos os documentos usam a mesma expressão para descrever estas vítimas da guerra: “mulheres de conforto”. Duvido que fosse para conforto das mesmas e que, as operações militares desencadeadas para as raptar, se destinassem a servir de agências de viagens com vista à angariação de voluntárias para servir sexualmente 70 homens por cada uma delas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Os relatos falam em dezenas de milhares de mulheres ao serviço deste esquema de escravatura hediondo. Sendo que os números agora apurados apenas uma ponta de um grande icebergue. Com efeito, há quem aponte para as centenas de milhares de escravas sexuais ao serviço do exército, marinha e aviação nipónica.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Fonte oficial do Governo Japonês já pediu desculpas formais aos países vizinhos pelo uso abusivo de “mulheres de conforto” oriundas desses países. Provavelmente, o assunto será esquecido a nível das grandes esferas do poder.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Com efeito, e tendo em conta que os últimos carregamentos remontam há 74 anos atrás, poucas serão as sobreviventes desta tragédia. Porém, a existirem, sejam elas muitas ou poucas, considero que todas elas deveriam receber o mesmo pedido de desculpas por parte do poder japonês e uma indeminização que as deixasse confortáveis e em paz para o resto das suas existências.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>É triste, este nosso mundo, visto nesta perspetiva, do lado negro da humanidade. Mais ainda porque sabemos que o tráfico e esta escravatura continua por todo o mundo, civilizado ou não. A urgência de medidas e sanções pesadas e firmes tem de partir das instituições internacionais, seja a ONU, ou qualquer outra, a organização que se responsabilize por tomar conta deste tema, não importa, desde que atue. Alguém tem de o fazer e com eficácia, de uma vez por todas, para sempre.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Desculpa lá o desabafo Berta, eu sei que entendes perfeitamente a minha indignação. Despeço-me com um beijo amigo. Este que não te esquece,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva </em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:10698Gil Saraiva2019-12-07T18:17:00Carta à Berta: O Jardim...2019-12-07T18:31:18Z2019-12-08T02:03:51Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Jardim da Parada 1.JPG" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gb818c1ab/21638683_lfUZ0.jpeg" alt="Jardim da Parada 1.JPG" width="1280" height="658" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Estou a pensar em ti. Isto quase parece o início de uma canção conhecida. “Hye! Nána, nána.” Porém, minha querida amiga, a verdade é que penso muitas vezes em ti. Sinto saudades dos nossos lanches ao fim da tarde, n’ “O meu Café”, olhando o Jardim da Parada, sempre pulsante de atividade.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Lembro-me de comentares amiúde um grupo de jovens, reunidos no coreto, a ver passar as moças mais bonitas do bairro, comentando baixinho entre si, coisas que tu tentavas adivinhar.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ás vezes, saíamos do café e íamos até à esplanada da hamburgueria, cheia de gente, de um dos lados do jardim, onde tu adoravas estar em alternativa ao café, ali, a ver os patos a nadar de um lado para o outro, no pequeno lago central, ou olhando para as velhotas, alimentando pombos, espalhadas pelos bancos de jardim, ou admirando o bebé, que no carrinho dormia ou sorria, enquanto a mãe se sentava um pouco, para ganhar fôlego no seu regresso apressado até casa.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Lembras-te dos reformados a jogar à sueca, nas mesas metálicas agarradas ao chão, impassíveis aos ventos ou às cartas? Claro que te lembras. Da outra ponta do jardim, vindos do pequeno parque infantil, chegavam-nos os gritos das crianças entusiasmadas nos baloiços, sob o ar vigilante dos pais ou dos avós, que graças à vedação de madeira viam a sua tarefa mais facilitada.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ainda mais atrás, havia sempre um barbudo a escolher um livro, na cabine telefónica transformada em minibiblioteca pública, onde as pessoas escolhiam livros para ler, trocando por outros que já haviam terminado.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Às vezes, um andarilho, sempre o mesmo, sentava-se no chão, junto ao posto paralelepípedo dos correios, a precisar de uma lavagem de cara talvez superior à do homem, que a ele se encostava. Ali ficava à espera que alguém fosse buscar uma trotinete ou uma bicicleta, daquelas de moedas, estacionadas no parqueamento, ali perto, dentro do passeio do jardim, a quem ele pudesse pedir uns trocos.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Era um andarilho vivo, algo intemporal, sem idade definida (já não o vejo tem uns meses), atento a quem atravessava as passadeiras perto dele, não se importando se vinham da cinquentona livraria Ler, que parecia existir ali para dar cultura ao jardim, ou da outra, a que dava para o lar, com paisagem única para as velhas árvores centenárias e bem catalogadas do jardim.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Sabes, minha querida amiga, ainda me lembro do nosso jogo, a tentar adivinhar se seria homem ou mulher, a entrar no táxi seguinte, na paragem de táxis, junto aos pequenos sanitários públicos, aqueles que tu dizias que só existiam ali para servir os taxistas mais aflitos, porque de resto nunca lá viras entrar mais ninguém. Não sei como fazias, o certo é que acabava sempre por ser eu quem perdia o jogo. A única vez que ganhei tive que te ir pagar um café como compensação.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Quanto te fartavas de estar sentada, levantavas-te e eu já sabia que era a hora do passeio vagaroso pelas lojas em volta do jardim, espreitavas sempre as 2 lojas chinesas, a mais pequena tipo bazar e a maior de roupa de senhora. Nessa última, vias sempre algo de que gostavas, mas nunca te vi lá entrar, para comprar fosse o que fosse.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Depois paravas junto ao multibanco do Santander e levantavas 20 euros, dizias sempre que podia ser que te apetecesse qualquer coisa, afinal, ali à volta, tinhas uma geladaria, uma loja de chocolates, 2 restaurantes italianos, uma espécie de bar, um café e 3 padarias e aquela outra loja, a onde só entravas uma vez por semana, a dos doces e bolos, tudo tornando a situação bem tentadora.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A verdade é que, normalmente, a escolha recaía sempre pelo bolo de laranja ou pelo de noz da padaria-pastelaria Trigo da Aldeia e mais umas 3 bolinhas de pão, malpassadas, fora a fatia de bolo na outra loja, normalmente à quarta-feira.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Depois era o tempo das montras, com nova volta em torno do jardim, desta vez vias as 2 sapatarias, a velha loja de antiguidades cujo dono era teu amigo, passavas rápido pela casa dos aparelhos auditivos, sempre a afirmar que daquilo não precisavas, bem como pela clínica dentária ou da loja de oftalmologia.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Não tendo tu filhos ou netos sempre achei graça ao facto de parares na loja de roupa para crianças e na outra de esquina que vende uns acessórios de cores suaves e que eu nunca entendi muito bem para que servem. O teu esclarecimento era sempre o mesmo, tinhas amigas que tinham filhos ou netos, o que, às vezes, implicava teres de oferecer umas prendinhas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Inevitavelmente, fosse na primeira ou na segunda volta, acabavas por entrar na Clarel, a loja de produtos de limpeza e higiene, do mini preço. Contudo, saías sempre sem compras e a dizer que não entendias o que aquela loja fazia ali. As outras montras vias um pouco mais a correr, como a da agência de viagens ou da imobiliária, onde o teu comentário era de não teres dinheiro para aquilo. Às vezes, ainda te aventuravas por uma ou outra das ruas que iam dar ao jardim, para espreitar uma montra para onde já não olhavas há algum tempo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Lembro-me de uma vez, em frente ao pequeno talho, na Rua de Infantaria 16, a poucos metros do jardim, tu me perguntares se aquelas comidas à base de carne, podiam ser preparadas contigo a ver o que lá punham dentro ou se tinhas que levar uma das expostas. Ainda te disse para entrares e perguntares, mas seguiste em frente.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Pois é, minha muito querida amiga Berta, hoje sentei-me no Jardim da Parada, bem no centro do nosso Bairro de Campo de Ourique, estava igual ao jardim das nossas paragens e passeios. As mesmas lojas, os mesmos transeuntes, as mesmas árvores históricas, as mesmas esplanadas e padarias, até o homem da bicicleta que tu adoravas tanto, aquele que andava às voltas pelas ruas, com um rádio a tocar músicas bem alto, vestido de vermelho e branco e com uma bandeira do Benfica presa numa vara na traseira, junto ao selim, até ele hoje voltou a passar… mas o jardim, não sei… senti-o, como dizer? Senti-o tão vazio, quase que agreste, e não, não era do frio, pois ia muito bem agasalhado, depois compreendi, faltava-lhe a alma, faltava aquilo que o tornava acolhedor, amigo e companheiro dos anos, faltavas tu. Mais nada, apenas tu, Berta. Beijo,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:10394Gil Saraiva2019-12-06T15:24:00Carta à Berta: Violência Contra Mulheres2019-12-06T15:29:25Z2019-12-06T15:45:24Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Mulher arde na Índia.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G981700bc/21637991_AGS2H.jpeg" alt="Mulher arde na Índia.jpg" width="1280" height="621" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Hoje é um dia em que, 5 minutos depois de acordar, ao abrir as notícias no computador fiquei possuído por uma angústia extrema. A razão prende-se com a violência contra mulheres. Não estou a generalizar para a violência doméstica, estou apenas a falar do absurdo abuso contra quem é mulher. O que li é algo que vem de longe da nossa Europa, mas o facto de ser mais grave do que aquilo que acontece entre nós, não nos transforma em anjinhos ou meninos do coro e, o que se passa por cá, é na verdade igualmente revoltante, para não dizer repugnante e mesmo abjeto.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Na investigação que depois efetuei descobri um estudo recente da União Europeia sobre o tema e que analisa e compara a gravidade do mesmo nos 28 Estados Membros. Os números do relatório sobre a “Violência contra as mulheres: um inquérito à escala da União Europeia — Síntese dos resultados” são avassaladores.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O inquérito de 48 páginas, que pode ser pedido em livro, gratuitamente, através do número europeu gratuito composto por 13 algarismos, 00800 6 7 8 9 10 11, é, realmente, extremamente grave. De qualquer maneira eu coloquei o “link do pdf” disponível no meu blog, para facilitar o acesso e a consulta de quem queira ler, mais em detalhe, o estudo realizado.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Para quem não está habituado a consultar este tipo de relatórios o discurso e a apresentação são tão cinzentos, como os textos e os gráficos em análise. Recomendo que, em vez de tentarem ler tudo online, imprimam e vão lendo e analisando, ponto por ponto.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Usem a tabela das siglas dos países como uma folha de consulta em separado. Assim, uma vez chegados às tabelas poderão mais facilmente verificar onde e com que frequência, em percentagem, certas práticas e crimes são mais repetidos nesta barbárie a 28.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Separem também as tabelas finais do resto do inquérito, usem-nas, igualmente, como folhas de consulta à medida que leem. O relatório é demasiado formal para o meu gosto, todavia, os dados estão todos lá e, depois de uma análise cuidada, fica mais fácil retirar as devidas conclusões. Existe inclusivamente uma página que sugere “os caminhos a seguir”. Porém, peca pela forma, mais uma vez cinzenta.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Por fim, recomendo o uso de 2 marcadores fluorescentes, um amarelo e outro laranja ou verde, de forma a sublinharem e entenderem melhor a relação dos textos com as tabelas e as siglas dos países. Contudo, isto não é um método obrigatório, mas apenas aquele que eu uso quando faço uma investigação deste tipo, por forma a retirar todo o sumo daquilo que estou a consultar. Cada um pode ler e seguir o caminho que entender melhor. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ora, voltando ao tema, eu já sabia, que a violência contra mulheres era crítica, mais frequente do que há uns anos atrás se imaginava, mas não fazia ideia que, na Europa dos 28, uma das zonas mais civilizadas do globo, num dos locais onde melhor se vive e mais qualidade de vida se tem, ela fosse de tal forma alarmante que, quase se pode dizer, tratar-se de uma coisa comum, banal e enraizada nos hábitos de uma imensidão de agressores, perante a benevolência quase pacífica de amigos, vizinhos e conhecidos. Assusta ler este inquérito e mais do que ser um texto, por si só gritante, é algo que exige dos Estados medidas imediatas e muito mais drásticas do que tudo o que foi feito até aqui. É preciso parar este flagelo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Contudo, Berta, não te vou falar dos números deste inquérito, se quiseres saber algo mais sobre ele basta ires ao meu blogue, onde guardo as cartas que te escrevo e clicares, na coluna da direita, no local onde diz:” Inq. Violência sobre Mulheres UE”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A minha má disposição de hoje tem a ver com uma notícia que vem de um local bem longe da Europa, como te dizia no início desta carta, ou seja, vem da Índia. Onde hoje, um grupo de 5 homens raptou e pegou fogo a uma jovem de 23 anos, no “distrito de Unnao”, no norte do país, quando esta se dirigia para a estação de comboio da localidade. A razão prendeu-se com o facto de a rapariga se estar a dirigir para o tribunal onde ia ser julgado o caso da sua alegada violação.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A jovem, foi interpelada, agredida, raptada e arrastada para um campo fora dos olhares de terceiros. Uma vez nesse local os 5 selvagens regaram-na com gasolina e em seguida pegaram-lhe fogo. A rapariga, que foi encontrada pouco depois do crime ser cometido, foi conduzida a um hospital em Lucknow e está em estado crítico com queimaduras em 90 porcento do corpo. Será transportada ainda hoje para a capital, Nova Deli, não se sabendo, contudo, até ao momento, qual é a probabilidade de sobrevivência.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Segundo depois consegui saber pela BBC, a polícia deteve 5 homens, todos adultos, sendo 2 deles os alegados violadores da vítima, que iriam ser julgados, em tribunal, neste mesmo dia. A denúncia da violação provinha de março deste ano e só 9 meses depois, a partir desta data, é que a justiça se iria pronunciar, tendo os acusados ficado em liberdade até ao julgamento.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Segundo dados divulgados pelo Expresso online, na Índia, a média diária de violações é de quase 100 mulheres por dia. Porém, este é apenas o número oficial, mas, as Organizações Não Governamentais, estimam que o real valor possa ser cerca de 5 vezes superior ao apresentado pelas autoridades. Tal facto indicaria que, por ano, mais de 180 mil mulheres sejam violadas neste país. E, minha amiga, só estamos a falar da violação, os dados da violência contra mulheres estimados para esta zona do globo entram na casa dos milhões com o maior à-vontade.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Só na capital, Nova Deli, a informação mais recente aponta para que de 3 em 3 horas uma mulher seja violada na capital, quando, os dados oficiais de 2015 referiam uma de 4 em 4 horas, segundo informação do Expresso. Ora, se estes são dados oficiais, isso significa um quotidiano na capital indiana onde pelo menos uma ou 2 violações ocorrem a cada hora que passa. Um cenário absolutamente dramático, horripilante e intolerável, seja qual for a perspetiva em que for visto ou analisado.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>É importante que estes assuntos ascendam, e muito, na agenda política mundial, não apenas na Índia, na China ou na Austrália, na América Latina, Estados Unidos ou em África, mas também aqui, na Europa e nomeadamente em Portugal. ISTO TEM DE PARAR JÁ!</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Despeço-me muito triste, minha querida amiga Berta, isto não é o mundo em que um poeta, como eu, possa viver tranquilo e escrever odes sobre o mais perfeito ser do universo conhecido: A Mulher. Recebe um beijo deste que não te esquece,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva.</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:10140Gil Saraiva2019-12-05T23:59:00Carta à Berta: A Greve em França e os "Black Blocs"2019-12-06T00:12:51Z2019-12-06T04:33:00Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Greve Geral em França.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gc9182759/21637640_A2K6P.jpeg" alt="Greve Geral em França.jpg" width="1280" height="719" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Espero que por esse Algarve, para onde te mudaste, o frio seja menor do que por aqui em Lisboa. Nem quero pensar como estará o norte do país, e muito menos as terras altas ou até o Alentejo, durante as noites e madrugadas. Para mim é frio a mais e ponto final. Prefiro a chuva, não sou fã do vento, e, minha querida, adoro o Sol.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Hoje estou aqui para te falar da Revolução Francesa, não a que acabou com a monarquia no país, mas a que não mais se calou, daí para cá, no país da liberdade, da igualdade e da fraternidade.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Já tivemos de tudo em terras de Napoleão, as últimas grandes ocorrências, após os horrendos ataques terroristas, foram, quer o aparecimento das manifestações dos famosos “Coletes Amarelos”, quer esta última, que hoje ocorreu, derivada de uma greve geral que colocou quase um milhão de pessoas na rua, até mais, segundo os sindicatos, e um pouco menos segundo o Estado.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Macron está no centro de toda a polémica. O homem pode dar graças aos céus de a guilhotina estar agora apenas exposta em museus e de já não ser um objeto utilitário para afastar os líderes do poder. É que os franceses não brincam quando se manifestam, para desespero do setor do turismo francês, que tenta a todo o custo inverter o afastamento dos turistas para países periféricos e insignificantes como Portugal.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A greve no setor público, hoje iniciada, vai continuar até à próxima segunda-feira e as 90 detenções efetuadas até ao momento, prometem aumentar significativamente nos próximos dias. Aliás, se somarmos o número de manifestantes presos só desde o aparecimento dos “Coletes Amarelos”, facilmente se conclui que o Governo já deve ter construído, no mínimo dos mínimos, 2 novas prisões para albergar os tumultuosos agitadores.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Em causa, desta vez, estão as novas medidas introduzidas por Emmanuel Macron, sobre as pensões de reforma em França. É que para os franceses não basta o “quem dá e tira, ao inferno vai parar”, eles fazem questão de trazer o caos, as trevas e o próprio inferno até às portas do infeliz governante, que passa a vida a ver-se envolvido nestes tumultos agitadíssimos, que em nada contribuem para a estabilidade nacional segundo a opinião do próprio Estado.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Fica provado que este Emmanuel, no masculino, não goza da popularidade da sua homófona feminina, a Emmanuelle dos filmes nos idos de 1974. A popularidade pode até ser semelhante, mas em sentido totalmente oposto.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Combóis, autocarros, metro, aeroportos, escolas, tribunais e os mais variados serviços públicos estão a ser severamente afetados. Por todo o lado há carros e contentores do lixo a arder, mobiliário urbano e montras partidas, veículos capotados, num quadro que Dante adoraria por certo retratar.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O Governo francês, está a unificar 42 regimes de pensões, num único sistema de pontos, que põe termo a uma imensidade de direitos laborais, há muito instituídos em França. Os sindicatos em revolta já anunciaram a continuação da greve até segunda-feira, com um pequeno detalhe, é que acrescentaram um “pelo menos” o que significa obviamente, caso não haja um recuo evidente do Governo, da existência de um “pelo mais”, ou seja, da continuidade da greve, que, sendo uma greve geral, pode continuar a parar o país.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Cada vez mais grave é, também, a proliferação dos chamados “Black Blocs”, bandos de indivíduos totalmente mascarados e vestidos de preto, que geram a destruição por onde passam. Ao contrário dos seus primos, os “Coletes Amarelos”, que apenas se manifestavam evitando, na sua grande maioria a violência, estes meninos, que ao coro nada ficam a dever, adoram deixar a sua marca destruidora bem registada por onde passam.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Pobre do polícia que seja apanhado por um bando, o hospital será certamente a sua melhor esperança. A coisa é de tal forma grave que o gás lacrimogénio começou a ser usado logo no início das manifestações, por imperiosa necessidade das forças da ordem.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>É por estas e por outras, minha querida Berta, que eu adoro os brandos costumes portugueses. Passos Coelho meteu-nos o dedo no ânus durante 4 longos anos e Centeno, ao bloquear a eficácia do SNS, o Serviço Nacional de Saúde, impediu-nos de tratar a violação por sodomia convenientemente, todavia, mesmo assim, ainda agora aguardamos em harmonia a reposição geral das coisas e o regresso à normalidade. Mas isso somos nós. Podemos ser latinos como os franceses, mas o sangue na guelra não faz parte do nosso ADN.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Fica com um beijo deste teu amigo em mais esta despedida, como sempre ao teu dispor,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:9908Gil Saraiva2019-12-04T23:59:00Carta à Berta: Greta Thunberg e a Síndroma de Asperger2019-12-05T12:08:21Z2019-12-06T04:30:29Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Greta Thunberg.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G7717dc99/21636942_ao4d1.jpeg" alt="Greta Thunberg.jpg" width="1280" height="691" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A minha carta de hoje tem a ver com a miúda de 16 anos que anda a tentar pôr os políticos do mundo na ordem. Vou-te falar um pouco de Greta Thunberg, principalmente, pelo facto de ela ser o tipo de criança ou adolescente que mexe com o meu sistema nervoso.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A jovem, começou na sua terra natal, na Suécia, a fazer greve às aulas em prol da necessidade de se agir de imediato às urgências climáticas, provocadas pela ação humana, através da queima dos combustíveis fósseis, do consumismo exacerbado da sociedade capitalista e de mais uma outra dúzia de fatores.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Deste modo, conseguiu chamar a atenção da comunicação social do seu país, pela acusação direta aos adultos, e em primeiro lugar aos políticos eleitos, de estarem a hipotecar o mundo e a sua própria vida, enquanto adolescente e futura mulher adulta, por falta de medidas e ações que realmente possam fazer a diferença, defendendo que estas terão de ser imediatas e não apenas urgentes.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O seu protesto acabou por gerar a adesão de dezenas de outros jovens suecos, depois de centenas e a coisa foi sempre acontecendo em crescendo até, finalmente, neste mundo, extravasar as fronteiras suecas e se espalhar pelo globo, com o apoio explicito do próprio Governo Sueco e de muitas associações ligadas à defesa do ambiente e dos animais, causas que juntou numa luta única. Muitos milhares de estudantes acabaram por aderir à sua greve, primeiro no país e finalmente no planeta, com destaque evidente nos países do ocidente.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Aproveitando o apoio oferecido pelo Governo sueco, outros países juntaram-se à iniciativa, vendo aqui uma clara oportunidade de colocar nas agendas nacionais e internacionais o problema, de ficarem bem na fotografia, e de distraírem os seus eleitores de uma outra série de questões, não resolvidas, pelos seus próprios governos.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A jovem foi convidada a intervir com discursos, em vários países, com destaque para os efetuados em Londres e em Estocolmo, um em outubro de 2018 e o outro em novembro do mesmo ano. Em dezembro apresentou-se na Cimeira do Clima, na ONU, com uma redação bastante incisiva, perante os 196 países reconhecidos pela organização.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Finalmente, partiu numa jornada, que a levará a percorrer o globo, carregando na bagagem a sua gritante e urgente mensagem. Foi indicada para o Prémio Nobel da Paz que não ganhou, mas recebeu muitos outros, de menor calibre, mas com peso e importância internacional, que têm ajudado a financiar o périplo mundial agora empreendido.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Toda esta atividade iniciou-se publicamente a 20 de agosto de 2018, quando a rapariga decidiu fazer a sua primeira greve até à realização das eleições gerais na Suécia, que se ocorriam dai a 3 semanas. Porém, a sua precoce consciência ecológica e defesa dos direitos dos animais começou 4 anos antes, apenas com 12 aninhos, quando decidiu tornar-se vegan. A sua crescente indignação com a estagnação política do seu Governo, face ao incumprimento do Acordo de Paris, foi crescendo e culminou com a sua primeira greve às aulas 4 anos mais tarde. Desde então não mais parou e a última greve estudantil, realizada às sextas-feiras, teve a adesão de mais de um milhão de jovens a nível internacional.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Podia, minha querida Berta, gastar mais umas 2 ou 3 páginas a descrever os prémios, os discursos e todas as ações empreendidas por Greta e pelos que agora coordenam os seus movimentos e iniciativas. Todavia, pelo que atrás está descrito, e graças ao que tens ouvido na comunicação social, sei que não preciso de me alargar mais neste sentido, uma vez que a ideia global está apresentada. Contudo, alguma imprensa, ainda dá mais importância à jovem, pelo facto de esta sofrer de uma patologia séria, estando a adolescente diagnosticada como padecendo da Síndrome de Asperger, uma condição que afeta as suas capacidades de interação social e de comunicação.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ora, é precisamente aqui que, para mim, a porca torce o rabo. Exatamente neste pequeno ponto, apresentado em notas de rodapé pela comunicação social, como mais um fator admirável a favor de Greta Thunberg que, apesar deste “handicap”, consegue fazer-se ouvir. A maneira como tal síndroma é apresentado leva-nos imediatamente a sermos ainda mais solidários com a jovem.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Afinal, achamos logo, que o problema realça e valoriza toda a sua luta interior e exterior, colocando-a num patamar de excelência e superação ainda mais formidável e merecedor de maior e muito mais evidente admiração. Já não estamos a falar de uma mera jovem, mas sim de uma jovem ativista que, apesar do seu problema psicossomático, está a lutar, por todos nós, em prol de um mundo mais equilibrado, mais sustentável e melhor.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Porém, poucos serão os que se dão ao trabalho de ir ver o que é a patologia diagnosticada com detalhe. E é no detalhe que a coisa, no meu modesto entender, se torna grave, amiga Berta, requerendo um cuidado e uma atenção especial para algo que, não tendo cura, deve ser gerido com as devidas cautelas.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A síndrome de Asperger é uma perturbação neuropsiquiátrica que se encontra inserida no espetro do autismo. Muitos dos indivíduos que a apresentam detêm capacidades mentais normais ou acima da média. As capacidades cognitivas dos doentes não costumam ser afetadas, mas existem algumas dificuldades na comunicação não-verbal e nos relacionamentos interpessoais. O problema só é normalmente diagnosticado a partir dos 4 ou 5 anos de idade. Entre outros sintomas, destacam-se de forma relevante: a descoordenação dos movimentos; deficiências na comunicação não-verbal, com principal incidência na utilização deficiente de expressões faciais e corporais e na fuga permanente ao contacto visual; conversas em forma de monólogos e repetição continua de expressões; interesse confinado a temas muito específicos; falhas na compreensão dos outros; dificuldade em mostrar empatia, bem como em entender o humor ou a ironia; resistência à alteração de comportamentos e de rotinas que fujam ao foco do paciente; comportamentos obsessivo-compulsivos; perturbação depressiva e ansiedade, entre outros.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Seria de esperar que a família de Greta, ciente destes problemas, ajudasse a rapariga a não alimentar o seu comportamento obsessivo-compulsivo e a sua fixação específica nos temas da problemática ambiental e animal. Mas acontece que estamos perante uma ascendência de artistas, atores, cantores e gente do espetáculo, que já vem de há 3 gerações atrás, habituados à ribalta e que valorizam o protagonismo e a fama como um natural modo de vida.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Os cuidados a ter com Greta, enquanto portadora desta síndroma, com o seu atual mediatismo e com a sua reforçada agenda programática, são basicamente postos de lado pela família, descurando coisas como a socialização controlada, a monotorização dos relacionamentos, o desenvolvimento de competências sociais básicas, o estímulo ao contacto visual e físico ou, ainda, a forma de como a ajudar a entender o conceito de empatia e os sentimentos de compreensão pelos outros, coisa que desconhece quase em absoluto.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Apenas a valorização do talento e dos sucessos alcançados pela jovem estão a ser levados em linha de conta, pelo que estes ajudam na sua autoestima, sem se pensar no que, uma luta sem consequências reais de mudanças a nível mundial (é neste ponto que se encontra a fasquia da adolescente), pode levar a profundas crises de ansiedade, com consequências depressivas de elevado risco, cujo final corre sério perigo de poder ser fatal.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Um bom exemplo de uma gestão cuidada deste problema de saúde é a forma como foi gerida a ascensão e a carreira da cantora Susan Boyle. Aqui houve o cuidado de a valorizar sim, mas tendo em conta os estímulos a reforçar, as competências a desenvolver, o entendimento e a empatia a criar em relação a terceiros e à gestão do seu próprio e genuíno sucesso.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Temo, minha amiga, que o aproveitamento de Greta pelos movimentos ambientalistas e dos animais, acrescido ainda com o evidente deslumbramento familiar, possam levar esta jovem a um beco sem saída do qual depois não haverá retorno. Não seria a primeira vez que um comportamento obsessivo-compulsivo levaria a um suicídio como forma última de fazer vingar uma obsessão. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Despeço-me saudoso com um beijo, no seio desta genuína preocupação, este teu amigo que muito sente a tua falta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:9557Gil Saraiva2019-12-03T23:59:00Carta à Berta: Dante com a Funarte nas mãos2019-12-04T02:03:12Z2019-12-04T11:01:33Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Dante com a Funarte nas Mãos.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gd51882f1/21635889_dF9De.jpeg" alt="Dante com a Funarte nas Mãos.jpg" width="1280" height="716" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Hoje, por aqui, está um dia frio. Um daqueles frios que nos invade a carne e nos afaga, com um prazer sádico, os ossos, sabes? Coisas que eu nunca tinha sentido até aos meus 40 anos, nem mesmo em situações muito mais gélidas do que a de hoje. Já sei o que estás a imaginar. Podes ter razão ao pensares que a PDI não perdoa e gosta de nos lembrar que existe. Porém, com as evidências posso eu bem. Contudo, o que eu gostava mesmo era de controlar este frio.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Aliás, foi o frio que me fez escrever a carta de hoje, porque, por antagonismo, lembrei-me das várias e deliciosas férias que já passei no Brasil, o qual, alegadamente, tem na presente legislatura um verdadeiro asno no poder. Como eu adorava provar isso de forma convincente e retirar a estes escritos a conotação alegada. Contudo, para isso, teria de mudar de blog, porque aqui é o reino das observações sem conhecimento da totalidade das informações e das fontes.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Esta carta, minha querida, merecia honras de edital, coisa séria deste teu amigo jornalista e cheio de calos onde eles não fazem falta, porém é aqui que escrevo e é aqui que a coisa terá de fazer sentido.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Deves estar a pensar que te vou falar dos falsos testemunhos de Bolsonaro, quando acusou o ator Leonardo DiCaprio de estar a pagar a uma organização para incendiar a Amazónia, o que, mal comparando, seria o mesmo que dizer que a Madre Tereza de Calcutá era uma velha maluca que envenenava os pobres para que estes não morressem de fome. Ambas as afirmações estão na mesma ordem de classificação e categoria, quer em termos de discurso quer de domínio: o do absurdo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Todavia, considero o assunto igualmente inacreditável. A notícia, de que te vou falar, li-a no expresso online de hoje e relatava a nomeação de Dante Mantovani para presidente da Fundação Nacional das Artes, o organismo do Governo Brasileiro que fomenta as Artes Visuais, a Música, o Teatro, a Dança e as atividades circenses.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O maestro (sim, o alegado idiota chapado é maestro) foi nomeado ontem para o cargo em causa. Estamos a falar do sujeito que afirmou publicamente ter a certeza de que a UNESCO é uma “máquina de propaganda em favor da pedofilia” e que disse que: “O Rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto. E a indústria do aborto alimenta uma coisa muito pesada, que é o satanismo. O próprio John Lennon disse abertamente, mais de que uma vez, que fez um pacto com o Satanás” (palavras do próprio Dante, que até tem um nome sugestivo).</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>É também de sua autoria a alegação, ainda a propósito do Rock, de que agentes soviéticos inseriam “elementos” nas músicas para fazerem aquilo a que ele chama de “engenharia social” com crianças e adolescentes.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Mais recente, nos discursos brilhantes desta alegada anta, afirma-se que “na esfera da música popular, vieram os Beatles para combater o capitalismo e implantar a maravilhosa sociedade comunista”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A inteligente medida fazia, segundo afirma, parte de um plano para vencer os americanos e o capitalismo burguês a partir da destruição da moral da juventude e das famílias. Aliás, no seu site oficial, o alegado maestro mentecapto, defende que na música experimental contemporânea “é praticamente obrigatório imitar peidos, seja mediante o emprego de instrumentos musicais ou do famigerado aparato eletroacústico”. E, por mais estranho que te pareça as palavras são “ipsis verbis” as do próprio. Beethoven, que foi muito cedo considerado louco, é um menino do coro se comparado com a criatura de que agora falo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>No seu plano de uma nova música para infantes e adolescentes o maestro Dante Mantovani, aparece no Facebook a dirigir um coro onde o próprio acrescentou a legenda “canto gregoriano em latim para crianças, é nisso que acredito”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Poderia, minha querida Berta, escrever mais uma boa meia dúzia de páginas com as alegações do alegado energúmeno, portador de uma deficiência mental obstrutiva crónica no que ao raciocínio e à inteligência diz respeito, pois que este é o animal que afirma que o fascismo é uma política de esquerda e que as “fake news” são uma conceção globalizante para impor ao povo a vontade da imprensa.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A Funarte, que gere os recursos do Brasil para as Artes, atrás referidos, está, como vês, entregue a este espécime de bípede, de mentalidade anterior aos nossos hominídeos de Neandertal.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Tenho pena de ver um país, que adoro, nas mãos desta gente nefasta, perigosa e absolutamente desprovida de senso comum, de sentido de história, de hombridade, de decência humana e de sentido crítico e criativo, apenas preocupados em evangelizar com um populismo que roça o <<non sense="sense">>, da pior maneira possível, um povo alegre, feliz e maioritariamente crente no bem.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Atribuir a direção da Funarte a este louco maestro popularucho é o mesmo, que nós poderíamos fazer, se entregássemos as comemorações do 25 de abril a André Ventura. Um absurdo sem nome, nem classificação. Não sei como o meu povo irmão se vai livrar destes alegados percevejos, porém, com a máxima urgência, algo terá de ser feito.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Despeço-me tristonho e saudoso. Recebe um beijo deste teu amigo,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> </em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:9385Gil Saraiva2019-12-02T23:56:00Carta à Berta: Route Two ou a Estrada Nacional 22019-12-03T01:24:39Z2019-12-03T09:53:11Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 678px; padding: 10px 10px;" title="A Mais Longa Estrada da Europa.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G841710b4/21635094_BkfmK.jpeg" alt="A Mais Longa Estrada da Europa.jpg" width="678" height="960" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Um grupo de municípios portugueses teve uma ideia luminosa. Para a concretizar criou uma associação e lançou um projeto. O Expresso Diário online divulgou a coisa, depois o programa “Boa Cama, Boa Mesa”, da Sic, pegou no mote e fez a apresentação televisiva e, por fim, o “MSN Lifestyle” da “Microsoft News”, difundiu-a ainda mais pela internet.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Estou a falar da Maior Estrada Histórica Nacional da Europa e uma das maiores do Mundo, nesta categoria, com origem na antiguidade clássica, e, primeiramente, criada pelos romanos. Trata-se da EN2, ou Estrada Nacional n.º 2, que fica em Portugal, e liga Chaves a Faro.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em> A “Route Two”, ou usando a sigla nacional a EN2, vai-se transformar em percurso turístico com o apoio de todos os municípios que atravessa. Conseguindo, deste modo, ser vista e explorada, enquanto itinerário turístico português único, pois atravessa Portugal de Norte a Sul, mesmo pelo centro do território.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Uma brilhante ideia que me fez ficar a saber um pouco mais sobre este nosso pequeno, porém, diversificado país. A via, que passa por 11 rios e atravessa 4 serras, vai ter guia específico e escalas recomendadas em todo o percurso, para que os turistas possam apreciar as diferentes paisagens e regiões nacionais, à medida que a percorrem, tirando partido da oferta hoteleira e gastronómica de cada município.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Um guia elaborado propositadamente para o assunto, proporá as etapas, explicando as alternativas paisagísticas, hoteleiras e gastronómicas entre outras, em cada trecho. O programa “Boa Cama, Boa Mesa” adiantou alguns dos pontos já identificados. e a não perder nos 739,2 quilómetros de viagem previstos. São 11 os distritos interligados no itinerário a percorrer e 32 os municípios envolvidos no trajeto.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A ideia já valeu um prémio atribuído pelo Turismo de Portugal à Associação de Municípios da Rota da <strong>Estrada Nacional 2</strong>(AMREN2), que arrecadou o Prémio Projeto Público, aquando da realização da primeira edição do Prémio Nacional de Turismo (PNT).</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Os destaques já feitos pelo programa da Sic, apresentam uma das possíveis propostas hoteleiras do roteiro, a saber:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O Hotel Casino de Chaves, donde se segue para o Vidago Palace Hotel, continuando a viagem até ao </em><em>Six Senses Douro Valley na Quinta do Vale Abraão, em Samodães.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Na continuidade vem a Pousada de Viseu, que serve de poiso, antes do Hotel da Montanha, no Monte Senhora da Confiança, em Pedrógão Pequeno.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Montargil é a próxima paragem, com descanso no resort Nau Lago Montargil & Villas, antes de seguir para a Herdade da Cortesia, em Avis, e depois para a Casa dos Castelejos, em Castro Verde, que antecede a chegada ao Eva Senses Hotel em Faro, no final da viagem pela EN2 sentido Norte, Sul.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Estes destaques do programa, nesta rota, custariam em dormidas uma verba na casa dos mil e 60 euros, sem as refeições estarem sequer incluídas, mas o futuro roteiro trará alternativas para todo o tipo de bolsos e carteiras.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O fundamental, contudo, e muito mais interessante, é que a viagem possa ser programada e disfrutada de sul para norte ou o contrário, com maior ou menor número de escalas e com uma grande variedade de ofertas hoteleiras e gastronómicas adequadas a cada tipo de turista, seja ele nacional ou estrageiro, seja ele mais ou menos abastado.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Sabes, Berta, amei toda a ideia. Uma estrada que une Portugal transformada em roteiro turístico. Gostava de fazer a experiência, com calma, muitas paragens e tempo para explorar cada município. No meu caso, mesmo assim, teria de seguir a proposta dos pelintras, de maneira a fazer tudo por menos de 500 euros, mas isso sou eu, que ainda espero um dia voltar a ser pago pelo que escrevo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Despeço-me de ti, saudoso, com um beijo, este teu amigo que não te esquece,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:9189Gil Saraiva2019-12-01T23:50:00Carta à Berta: Prognósticos para o Euro 20202019-12-01T23:57:04Z2019-12-02T04:40:01Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="Euro 2020.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G89185055/21633839_2mlvI.jpeg" alt="Euro 2020.jpg" width="1280" height="686" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Hoje vou-te confessar uma coisa. Acho que Portugal, genericamente, enquanto país, é um assassino calculista. Deves estar a interrogar-te: “</em><em>—</em><em>Que raio de conversa é esta?”. Contudo a coisa é simples. Desde que se realizou o sorteio da UEFA para apurar os grupos da primeira fase do Euro 2020 e se ficou a saber que estávamos no chamado Grupo da Morte, juntamente com os 2 últimos campeões mundiais, a Alemanha e a França, que eu tenho cá o palpite que ambos vão morrer nas mãos, aliás, nos pés, da nossa seleção.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Daqui a 6 meses e meio, quando jogarmos o primeiro jogo do Euro, a 16 de junho, e depois a 20 e a 26, vamos passar a ser conhecidos como os tomba-gigantes. Pelos comentadores e analistas que ouvi nos últimos 2 dias, as nossas hipóteses de sobrevivência no grup,o são tão remotas como a deputada do Livre ser beatificada pelo Papa.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ora, eu acho precisamente o inverso. E na devida altura, tiraremos a prova dos 9. Cá para mim, vamos mesmo ser sanguinários, a lembrar a letra dos “Vampiros” de Zeca Afonso: “No céu cinzento, sobre o astro mudo, batendo as asas na noite calada, vêm em bandos com pés de veludo, chupar o sangue fresco da manada…” para terminarmos no refrão: “Eles comem tudo, eles comem tudo. Eles comem tudo e não deixam nada. Eles comem tudo, eles comem tudo. Eles comem tudo e não deixam nada.”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Pois é Berta, até os comemos. Veremos brevemente quem tem razão. Se eu, se os especialistas do nosso burgo, que traçam a tragédia Lusa nos écrans das televisões, antes de algum drama acontecer.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Pode até ser que o nosso seja o Grupo da Morte, mas nele, o carrasco frio e insensível chama-se Portugal. Temos uma série de jogadores em franca ascensão e vamos ter um Cristiano Ronaldo no máximo da sua forma. Vamos vencer, como fizemos em Aljubarrota e o Santo Condestável chamar-se-á Ronaldo. Duvido que o Papa Francisco o beatifique, tal como duvidava do mesmo, relativamente à deputada do Livre, mas acho que a imprensa o vai glorificar.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Aliás, como aconteceu com Jesus no Flamengo, que além de ter Deus como assessor, tinha a ganha de vencer e prevalecer, por muito que os arautos da desgraça e dos oráculos o condenassem ao fracasso. Em menos de 24 horas, talvez sob a graça de um Espírito Santo, chamado torcida do Mengão, o homem ganhou, como por milagre, um milagre chamado trabalho e acreditar, a “Taça dos Libertadores” e o “Brasileirão”, para espanto dos comuns mortais.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Todos o aconselharam a não aceitar o desafio e o homem foi, como quem enfrenta o Adamastor no Cabo das Tormentas. Foi, viu e venceu, porque é essa a fibra do ser Luso. Agora bruxas e adivinhos profetizam-lhe a nova desgraça no Mundial de Clubes, conta um tal de Liverpool, veremos se, relembrando Camilo Castelo Branco, se tratará da “Queda de um Anjo” ou se estamos perante um novo Vasco da Gama nos Lusíadas do futebol mundial.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>O mesmo se irá passar com um tal de Fernando Santos, que leva uma legião de 23 anjos, para enfrentar as hordas selvagens de franceses e alemães. O sabor da vitória ganha proporções de rara iguaria quando o desafio é mais difícil, mas, como eu costumo dizer, minha querida amiga Berta, o impossível apenas demora mais tempo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Despeço-me com um beijo e saudades, este teu amigo,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:alegadamente:8928Gil Saraiva2019-11-30T09:22:00Carta à Berta: Os World Travel Awards 2019 - Vitória Nacional2019-11-30T09:37:42Z2019-12-03T11:59:35Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 1280px; padding: 10px 10px;" title="World Travel Awards.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gba1815d6/21631992_jQWF7.jpeg" alt="World Travel Awards.jpg" width="1280" height="621" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Olá Berta,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Hoje, para mim, e se calhar para muitos portugueses, é dia de orgulho nacional. Não penses que te vou falar de Jorge Jesus, dele falarei depois do mundial de clubes. Hoje é dia de te relatar as decisões finais dos prémios da WTA, a World Travel Awards, por outras palavras, os Óscares do Turismo Mundial. Ao todo são entregues 262 prémios de excelência, nas mais diferentes e diversas áreas do turismo em todo o mundo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Contudo, o prémio que todos almejam, aquele que mais cobiça desperta é, sem qualquer margem para dúvidas, o do Melhor Destino Turístico Mundial. Atribuído apenas e somente a um único país entre os mais de 200 concorrentes. E esse, minha querida, foi novamente ganho por Portugal, pela terceira vez, nos últimos 5 anos.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Ganhámos 4,6 porcento dos prémios atribuídos, se considerarmos a totalidade dos mesmos, ou 15 porcento dos galardões, se levarmos em conta apenas as áreas onde poderíamos ter concorrido, pese embora o facto de não o termos feito em todas elas, porque em muitas não temos a dimensão exigida. Só para teres uma ideia ao que não conseguimos concorrer, basta dizer-te que não temos frota nacional de “rent-a-car” própria, não temos destinos de deserto, não temos destinos de gelo e neve pois a nossa Serra da Estrela é muito pequena face aos grandes recursos que concorrem. Neste campo também não temos resorts desportivos de inverno que possam ir a concurso como não temos frotas de cruzeiros de nomeada o que nos remove logo de uma série de prémios e não possuímos reservas animais importantes e muito menos fazemos safaris e ainda há mais áreas, cuja nossa pequena dimensão, ou localização geográfica, nos obstrói a ida a concurso.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Contudo, isso não impediu Portugal de, de bicos de pés, arrecadar 3 dos cinco prémios mais cobiçados. A saber: Melhor Destino Turístico Mundial, atribuído ao país, Melhor Destino “City Break” do Mundo, ou seja, melhor cidade para férias curtas, alcançado por Lisboa, e Melhor Destino Insular do Mundo, ganho pela Madeira, mais uma vez. Quanto aos outros 2 do top 5: A melhor cidade para turismo de longa duração foi Moscovo e o Melhor Destino Cultural do Mundo, foi ganho pelo Peru.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>A festa foi grande para o turismo português, pois ainda arrecadámos os prémios de: Melhor Companhia Aérea a Voar para África, Melhor Companhia Aérea a Voar para a América do Sul e Melhor Revista de Voo do Mundo, os 3 entregues à TAP. Lisboa arrecadou mais 2 prémios, quer como Melhor Porto de Cruzeiros do Mundo, quer ainda o de Melhor Hotel Clássico do Mundo, este através do Olissippo Lapa Palace Hotel, e Sintra, por intermédio da empresa municipal “Monte da Lua”, foi buscar o prémio de Melhor Empresa Líder em Conservação do Mundo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Importa destacar ainda os galardões que foram atribuídos ao Melhor Operador de Hotel Boutique do Mundo, entregue ao Amazing Evolution Management, que gere o 1908 Lisboa Hotel e o Aldeia dos Capuchos, por exemplo. Há ainda a referir que no campo do turismo de golfe foi o Dunas Douradas Beach Club, em Almancil, quem arrecadou o prémio de Melhor Golf&Villa Resort do Mundo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Por fim, os Passadiços do Paiva, em Arouca, Património Geológico da Humanidade segundo a UNESCO, foram eleitos a Melhor Atração Turística de Aventura do Mundo e o Turismo de Portugal recebeu, com chave de ouro, o prémio de Melhor Organismo Oficial de Turismo do Mundo. Uma catrefada de galardões, num total de 12, a prestigiar este pequeno país à beira mar plantado.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Como vês, minha querida Berta, o nosso Portugal, que tantas vezes desdenhamos, é cobiçado e premiado como um fora de série na vastidão mundial de recursos turísticos existentes. O desdém, acho que tem a ver com a nossa antiga mania de cobiçar a mulher do próximo e de nos esquecermos da nossa, mas isso passa, tem de passar, e ao poucos chegaremos a bom porto.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Despeço-me com um beijo fofo, este teu amigo que não te esquece,</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em>Gil Saraiva</em></span></p>