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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Um Domingo Bem Passado

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Olá Berta,

Serve a presente carta para te comunicar que estou satisfeito, mesmo muito contente, com os progressos registados na evolução da pandemia no nosso país. A minha previsão dos 500 óbitos e vinte mil infetados, por dia, acabou por ficar aquém daquilo que eu tinha imaginado, graças ao excelente resultado do confinamento a partir do fecho das escolas. Nessa altura estávamos quase lá a faltarem subir os falecimentos diários mais cento e bastante e apenas a três mil e poucos infetados, por dia, para atingirmos os vinte mil. Foi por um tris.

Espero que desta vez não existam desculpas para se desconfinar à toa. Este que vai ser um ano sem Carnaval e, possivelmente, com uma Páscoa tão confinada que nem os coelhos cor-de-rosa dão por ela. É claro que a igreja e os crentes saberão em que altura do ano estão, mas isso será, mesmo assim, algo bem diferente da costumeira Páscoa. Por falar nisso, a terça-feira de Carnaval está aí à porta e este sábado que passou não vi a passar na rua uma única criança mascarada. Porém, depois de um ano ou quase de máscara na cara, quem pode ter vontade de se mascarar ainda mais? Ninguém, julgo eu.

A minha rua, a Francisco Metrass, não fosse uma fila de 15 pessoas à porta do Pingo Doce, estava quase deserta às três da tarde de ontem. Parece que finalmente toda a população interiorizou o confinamento. já hoje sei que vai estar um dia bom, sabes como?

Porque no prédio da frente, ontem, na chaminé mais alta do telhado, não tinha a minha usual companheira a mandar vir com o clima. Estou a falar da gaivota que me tem acompanhado uma boa parte deste inverno. Um animal que passa o tempo a grasnar (as gaivotas grasnam?) com outras vizinhas que eu não vislumbro da minha janela. Vai estar uma noite boa para fazer umas pipocas e alapar-me no sofá a gozar um tempinho bem passado de televisão, sem noticiários com desgraças, apenas a ver filmes na televisão.

Desculpa se hoje não fico na conversa por mais tempo, mas sinto-me diferente, em paz, com alegria, em serenidade e vou aproveitar para algum lazer bem mandrião. Gosto destes dias em que o frio não me invade os ossos e não me obriga a escrever de mãos geladas. Por isso vou aproveitar, fica bem, minha querida.

Um cão começou a ladrar numa varanda aqui perto, sorri, à falta da gaivota que cante o melhor amigo do homem. Hum… já se calou, foi uma intervenção de pouca duração. Regressou o silêncio e, com ele, eu me despeço, por agora, desejando-te um domingo maravilhoso, querida Berta, pois aí, pelo Algarve, deve estar ainda melhor, este teu amigo de todos os dias,

Gil Saraiva

 

 

 

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