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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Um Contributo para a DGS...

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Olá Berta,

A propósito de uma das últimas cartas em que te falei da discrepância entre os dados da DGS e aqueles que chegam aos hospitais, centros de saúde e ao delegado de saúde de uma dada região (no caso dei o exemplo de que em Viana do Castelo em que: dos 75 casos existentes e confirmados na altura, a DGS apenas tinha como certos 41, ou seja, 54,6% dos reais), já posso hoje afirmar, com mais segurança, que este distrito não é caso único.

A culpa, contudo, é totalmente alheia à Direção Geral de Saúde. Porquê? Porque se não lhe chegam, pelos canais devidos, os elementos necessários e todos os registos efetuados num distrito e, sem isso, a DGS não tem, efetivamente, como os validar. Fazendo uma extrapolação que não deve fugir muito à realidade, só casos verdadeiramente confirmados no país devem existir, sensivelmente, mais 2.500 casos não registados no sistema, mas que já foram devidamente confirmados local ou regionalmente.

Isto quer dizer que o total de infeções reais no país deve andar na casa dos 8.900 casos em vez dos 6.408 anunciados pela DGS. Atenção, não digo isto por alarmismo, nem mesmo por mera especulação. Apenas porque está a acontecer e devemos todos estar cientes disto. O que se passa tem a ver com velhos costumes espalhados pelo país.

Com efeito, é uma realidade que, fora das grandes cidades, o hábito de lidar com os sistemas informáticos. e de ver a sua utilização regular como uma ferramenta de saúde. está muito longe de ser uma realidade. Eu venho de uma família de pai, tios, primos, irmãos, sobrinhos e demais familiares, médicos. Enquanto que para os mais novos lidar com a informática é uma excelente ferramenta a todos os níveis, para os outros é quase como andar a brincar aos médicos, em vez de tratar, com a devida maturidade com os problemas da saúde pública.

São 2 visões diametralmente opostas, embora existam exceções de ambos os lados, mas muito vincadas no universo médico português. Um delegado de saúde regional, da velha escola, considera muito mais importante o seu papel na coordenação dos problemas, doentes e sistemas de apoio da sua região do que, por outro lado, andar a brincar aos números em frente de um computador. Alguns há que, inclusivamente, têm dificuldades reais na utilização dos sistemas de registo. Contudo, estou mesmo convencido que não efetuam, atempadamente, os registos, não por quererem deliberadamente ser negligentes, mas apenas porque, o registo em si, é a última das suas prioridades.

Esta situação é transversal a todo o sistema de saúde fora dos grandes centros. Para esta classe da velha escola a prioridade são os infetados e a população em geral, quanto aos dados, bem, esses têm tempo de serem lançados.

Em resumo, o problema dificilmente terá solução. A não ser que a própria DGS se aperceba dele e crie, por distrito, uma equipa técnica permanente responsável pela recolha da informação junto de todos aqueles que são detentores de dados para registo, tirando dos ombros destes a tarefa da sua comunicação aos serviços. Equipa que nem precisa ser de médicos, podem ser até informáticos, que agora se encontram em casa, por força da quarentena.

Desta forma era possível ter resultados fidedignos em cada dia. No caso do continente uma equipa de 90 funcionários, espalhados à razão de 5 por cada distrito, era suficiente para operacionalizar este sistema. Quanto às ilhas, bastava ter 3 elementos por cada uma ou 5 nas de maior área e população, para ter a estatística absolutamente controlada.

Querer poupar algo que seria um recurso pouco significativo, no âmbito global, parece-me um erro grave e não proporciona uma atempada atualização, devidamente, adequada à verdade dos números, dos casos e dos factos. Provavelmente nem se trata de querer sequer poupar seja o que for, pois pode ser, apenas, falta de lembrança ou de ideias sobre o assunto. Possivelmente ninguém com responsabilidade lerá esta minha carta, mas, se alguém o fizer, espero ter contribuído positivamente, para uma solução lógica e económica do problema.

Por hoje é tudo minha querida. Amanhã, cá estarei, como sempre, para continuarmos as nossas conversas, deixo um longo e virtual beijo,

Gil Saraiva

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