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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Série: Quadras Populares Sujeitas a Tema - 16) A Terceira Idade

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Olá Berta,

Eu sei que sou muito crítico relativamente a algumas coisas. É verdade, tenho de reconhecer que assim é. Aliás, há assuntos e alguns costumes que me põem facilmente os nervos em franja. Um dos casos é o uso do inglês, ou outras línguas, para denominar coisas, eventos, ou até empresas, que poderiam muito perfeitamente ser descritos na língua de Camões. Se o uso do inglês, ou de outra língua, já foi considerado um elemento de relevância e prestígio, hoje em dia essas aberrações fazem-me lembrar a introdução do que é pimba e vulgar no vocabulário português, que é bem nosso e característico.

Estava a ver as novidades do dia 8 de fevereiro de 2020, quando deparei com uma larga ação de formação de uma escola nacional sob o tema “Pedicure sem Corte”, a decorrer em Beja, com repetição amanhã em Évora. A escola de beleza, apresenta um programa de formação no tratamento dos pés, se usarmos o estrangeirismo do cartaz, estou-me a referir a um programa de pedicure.

A expressão afrancesada pode ser mais curta, mas é menos esclarecedora do que a simples designação de “tratamento de pés”, tratamento este que pode não se preocupar apenas com atos curativos, como remoção de calos ou de peles secas, como também cuida do respetivo embelezamento, se possível, dos nossos terminais anteriores. A moda está tão arreigada já que dizemos mais facilmente que fomos à pedicura do que fomos à tratadora dos pés. Como se usar os termos lusos fosse desprestigiante para os profissionais do setor. Enfim, sinais dos tempos.

Mas não foi a expressão pedicure que me enervou. O que me irritou mesmo foi o nome da escola que promoveu o evento. Aí sim, senti-me profundamente irritado. A dita cuja dá pelo nome de Portuguese Beauty School, ora, fosse eu o Fernando Rocha do afamado “Levanta-te e Ri” e diria, sem pejo, “puta que pariu”.

Pergunto-me, abismado, quem terá sido o transgénico e malfadado energúmeno que se lembrou de um nome destes? Então? Era assim tão desprestigiante e foleiro criar a Escola Portuguesa de Beleza, carvalho? Poderiam por acaso os alentejanos aderir menos ao programa de formação anunciado? Ou será que o problema se põe é em Trás-os-Montes? Se ainda consigo, na minha tacanhez, entender que é mais fácil aderir a um curso de pedicure do que a uma formação de tratamento de pés ou de cascos, já me ultrapassa totalmente em que é que a Portuguese Beauty School se superioriza à Escola Portuguesa de Beleza. Raios me partam se entendo tal disparate.

Enfim, mais não digo sobre este tema, porque em tempos de Brexit, ele não merece sequer esta exposição. Regresso às minhas quadras sujeitas a mote, cujos motivos foram da tua escolha, amiga Berta. Desta vez, a terceira idade. Cá vai…

Série: Quadras Populares Sujeitas a Tema - 16) A Terceira Idade.

 

A Terceira Idade

 

Os velhos de antigamente

Eram reserva dos Povos,

Agora, já nem são gente,

Por desrespeito dos novos…

 

Gil Saraiva

 

Com mais esta quadra termino a minha carta de hoje, recebe um beijo deste teu amigo,

Gil Saraiva

 

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