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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Série "Os Segredos de Baco" - XV - Um Pouco de História

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Olá Berta,

Continuando a nossa aventura com “Os Segredos de Baco”, hoje é dia de te colocar uma questão: Qual foi a primeira Denominação de Origem do mundo? Posto de outra forma, onde surgiu a primeira designação DOC para classificar e significar um vinho de qualidade, de uma determinada região bem delimitada, produzido com castas específicas e segundo regras bem definidas? Se não sabes eu passo a explicar com a seguinte resposta:

A primeira Denominação de Origem do mundo foi a DOC Douro, em Portugal. Esta DOC foi criada em 1756 por um sujeito com uma visão muito futurista do mundo, carregado de largos horizontes no que se deveria pensar para a longo prazo. Estou a falar de Dom Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido nobre português, normalmente, pelo nome de Marquês de Pombal. O país estava inundado em problemas, crise financeira e sentindo ainda os efeitos do terrível terremoto que devastou Lisboa. Dessa forma, o então secretário de Estado do Reino resolveu usar o Vinho do Porto para reerguer Portugal. Tão bem o pensou que melhor o pôs em prática.

No dia 10 de setembro de 1756, o Marques de Pombal criou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro. A organização surgiu com a difícil tarefa de proteger o mercado do Vinho do Porto. Contudo, o que aconteceu foi um monopólio por parte da empresa. Mas em tempos de poder absoluto, não é para nos admirarmos desse pequeno desvio ao que estava inicialmente previsto.

A Companhia referida criou normas que controlavam o plantio, produção, qualidade e comercialização do seu vinho. Também estabeleceu áreas de produção dos vinhos, que dever-se-iam concentrar a 100 km da cidade do Porto, na região do rio Douro. O planeamento global de toda esta ideia é, ainda hoje, reconhecido como fruto da genialidade e visão do Marquês, que não deixou créditos por mãos alheias, levando todo o conceito à prática num tempo a que hoje chamaríamos de recorde.

A empresa dificultou a exportação de vinhos de outras regiões e ainda se tornou a única a exportar Vinho do Porto para Inglaterra, Brasil e Rússia. Por muitos anos o Vinho do Porto foi a maior fonte de rendendimento do País. No entanto, em 1777, com a morte do rei D. José, a rainha D. Maria I destituiu o Marques do cargo, e revogou suas leis, permitindo que as outras regiões voltassem a comercializar seus vinhos.

É de assinalar que após 264 anos, a organização continue, ainda hoje, em operação. Porém, no entretanto mudou de nome e passou a projetar-se como Real Companhia Velha, a qual continua a ser a mais antiga empresa de Portugal em atividade ininterrupta.

A Real Companhia Velha conta, no conjunto das suas propriedades, com cinco quintas, Carvalhas, Aciprestes, Cidrô, Casal da Granja e Síbio. As quintas produzem vinhos doces, tranquilos e também azeites. Um verdadeiro feito que conseguiu atravessar 3 séculos sem se deixar abater fosse porque fenómeno fosse.

Hoje, minha amiga, foi dia de lição de História, numa altura em que os estudantes se ficam por casa, por impossibilidade de irem à escola, devido ao famigerado coronavírus. Espero que esta pequena recordação tenha sido do teu agrado, despeço-me saudoso, com um beijo. O teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

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